Eu Sempre Soube
1 Eu Sempre Soube
Eu nunca soube.
Aqueles dias em que você desligava o telefone, eu nunca soube. Mas eu sabia que você iria desligar a qualquer momento, e avisaria antes, então um dia eu só falei: tá bom, pode ir. Depois que você desligou, eu pensei: “Bom, estou sozinha, mas não me sinto mal. Eu deveria colocar mais cola aqui.” Eu estava confeccionando um livro.
Não me senti patética, nem medíocre, nem triste. Eu soube, então. Não devemos procurar por aquilo que faça as vezes do amor; o amor alucina a si mesmo. Por que perder a mente em cola e costuras? Porque não dói. Mas tampouco dói com você indo dormir há 23 horas de distância.
Agora eu estou realmente sozinha. E há cupins inquietos assentando-se e avoando por todo quarto, inclusive pelo meu corpo. Penso se você percebe meu pensar, ou se só ignora. Porque meu pensar é precioso. Chego a conclusão de que você deveria me amar. E isto, digo, porque finalmente me amo.
À 01 hora e 42 minutos da madrugada de terça-feira eu me amo.
Au revoir, mon vie.
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