Eu Sei Quando Você Mente
5 O mal está lá fora
— Ela realmente é meio esquisita, vou confessar — Felipe comentou aproximando-se de Miriam e Larissa, acompanhado de Dário.
— Bom, pelo menos não é só a gente que achou a morte da Paloma estranha e ligou uns pontinhos — Dário tentou ser mais positivo.
— Esquisita até demais — Larissa se voltou para Felipe para dar ênfase no que ele havia dito, e não na passada de pano de Dário.
Os quatros iam caminhando para a beirada da praça quando um corsa prateado parou na vaga à frente deles. No volante, um cara tirou os óculos de sol, encarou o grupo de jovens e disse:
— Querem uma carona?
Miriam já ia dizer não, obrigada, não aceito carona de estranhos, principalmente quando estou sendo perseguida por um assassino, mas Dário respondeu primeiro:
— Eu topo!
O garoto já avançou sobre o carro e abriu a porta da frente, mas os três outros continuaram no mesmo lugar, confusos. Felipe fechou o rosto quando encarou o motorista e virou-se para o outro sentido após dizer:
— Prefiro ir a pé mesmo. Tchau, pessoal.
— Também vou andando — Larissa comentou antes de seguir Felipe. — Preciso pensar um pouco.
Miriam queria que ela ficasse para se explicar melhor, mas não deu tempo de convencê-la a ficar. Viu a garota atravessar a rua com pressa e sumir depois da esquina.
— Miriam, esse é o meu primo, Rômulo — Dário chamou a atenção dela. — Deve conhecer lá da escola.
A garota voltou a olhar para o carro e só então reconheceu o rapaz. Já o tinha visto pela escola, realmente. Até onde sabia, dava aula de inglês para o fundamental. Era jovem, devia ser no máximo recém formado na faculdade. Tinha os mesmos olhos de Dário, mas era mais alto e tinha cabelos castanhos ao invés dos escuros do primo. Resgatando na memória, supôs que teria sido ele quem ajudou Dário a procurar o maluco pelas ruas em busca da pista que tinham sobre as cartas.
— Oi — Miriam fez um aceno tímido para ele, que devolveu. Ele tinha uma pinta meio forçada de galã, cara legal demais. Talvez fosse por causa do carro.
— Vem com a gente? — Dário perguntou.
Diante de duas recusas, sentiu-se levemente obrigada a ser a pessoa simpática a aceitar para não fazer desfeita e entrou no carro.
—
Larissa empurrou o portão de ferro para o lado. Parecia que estava cada dia mais pesado. O trilho já estava desgastado e enroscava bem no meio do percurso, mas não precisa de todo aquele espaço para passar. Na verdade, devia poupar ao máximo a entrada para o cachorro não sair. Ele não era tão desobediente, mas adorava rasgar correndo em direção à rua, ficar indo de uma esquina para outra e queimar toda a energia que guardava.
— Não pula, Zé! — A garota ordenou para o vira-lata que já arranhava o portão desesperadamente. Ele grunhiu em discordância, mas obedeceu e se afastou. Quando viu Larissa por completo dentro do terreno, já se animou de novo. O rabo balançava freneticamente e a língua já estava posta pra fora. Avançou para dar um salto sobre suas pernas, mas ela fez um gesto para que se afastasse no momento em que percebeu que o caminho da entrada da casa estava toda enlameada. Zé também.
— Minha calça é branca, nem se mexe! — Imperou de novo. Zé se afugentou para a porta de entrada e deitou do lado do tapetinho surrado.
Larissa encarou o trajeto que deveria fazer até chegar em segurança (e limpa) no concreto. A chuva da tarde foi o suficiente para deixar untuosa toda aquela terra vermelha. Por sorte, uns pedaços de telha faziam uma trilha até a garagem coberta para facilitar a entrada do uno. Pisou em todas com cautela para preservar seu all-star vermelho e novo.
Quando chegou na porta da sala, não pôde deixar de pelo menos fazer um carinho na cabeça de Zé para ele não ficar tão chateado. Por sua vez, não ficou chateado com a migalha de atenção — parecia até entender que estava completamente sujo, então não podia exigir muito.
Passou pelo primeiro cômodo pequeno que só recebia um sofá desbotado abaixo de um quadro de Jesus Cristo e já virou para o lado, onde ficava a cozinha.
— Bença, mãe — pediu, aproximando-se da mulher e dando-lhe um abraço rápido por trás.
— Bença, minha filha — a senhora baixinha concedeu enquanto mexia uma panela de feijão carioca no fogão que só funcionava três das cinco bocas.
O cheiro da carne moída com batata estava invadindo a casa toda — não era muito difícil, já que o telhado não tinha laje, então o vento e o aroma circulavam livremente entre os seis cômodos. Apesar de já estar quase enjoando daquele cardápio, era a comida favorita de Larissa.
— Leva o Zé pra passear — sua mãe virou-se para ela e botou a mão na cintura. Usava um vestido florido e cabelo preso em grampos. — Teu pai vai chegar cansado da labuta.
— Ele que dizia que ia cuidar do cachorro — Larissa resmungou, mas logo acatou sua mãe, que a encarava sobre um óculos grosso. — Tá, só deixa eu trocar então.
Seu quarto era pequeno e simples. Uma cama de solteiro embaixo da janela, guarda-roupa praticamente sem porta alguma, escrivaninha que servia mais de repouso de roupas e uma penteadeira com espelho rachado. Jogou a mochila em cima do lençol da Minnie e, enquanto trocava a calça, ouviu seu V3 vibrar dentro dela.
Quando viu a tela anunciar um número desconhecido, sua espinha gelou. Fechou a porta do quarto e espiou para fora da janela para verificar se a mãe não estava no varal ou no tanque de lavar roupa, que ficava logo perto. Por garantia, também fechou a janela toda. Mesmo assim, precisava sussurrar para passar despercebida.
Respirou fundo e atendeu:
— Alô.
— Boa noite, Larissa — a voz metalizada soou do outro lado da linha. Mas a garota não se surpreendeu. Ficou estática por um tempo e depois sentou-se na cama.
— O que você quer? — a garota perguntou estafa e sem paciência. Mesmo irritada, controlava o tom de sua voz para seu interlocutor não perceber.
— Não vai perguntar como eu tô? — provocou com malícia.
— Não. Só me fala logo o que você quer dessa vez.
— Gosto assim, bem obediente e disposta. Mas podia ser mais simpática, sabia? Achei que a gente tava construindo algo legal aqui.
— Já fiz tudo que você pediu, cara. Por que continua com isso? — Larissa colocava firmeza na voz para disfarçar seu desconforto e medo. Mas, no fundo, o Anônimo parecia saber. E justamente por isso continuava implicando:
— Porque você é uma ajudante muito boa. Não posso ligar para agradecer?
— Podia me deixar em paz como forma de agradecimento. Não era esse o combinado?
— Eu cumpro a minha palavra, fica tranquila. Só liguei pra agradecer a ajuda, já disse.
— Ajuda? Cê tá me ameaçando, cara.
— Não fala assim. Você me ajuda com umas coisinhas e eu não conto pra sua mãe que você dá por dinheiro — a malícia da voz soou mais enfática na última frase.
Larissa engoliu a seco. Sentiu o coração bater na boca da garganta, mas não resistiu em retrucar:
— Te ajudando a ameaçar pessoas? A matar a Paloma?
— E vou te matar também se continuar sendo essa puta azeda — proclamou, irritado. Larissa até corrigiu a postura de tanto susto. Depois, sentiu os pés formigando.
Era mais forte que ela. Quando estava acuada, sempre seria reativa. Não importava o medo que estivesse sentindo.
— Com quem mais você tá brincando? — Perguntou se segurando para não levantar a voz e chamar a atenção. — Todo mundo? Tá usando todo mundo pra fazer essas merdas?
— Quem sabe... Você entende bem que um segredo é uma boa moeda de troca.
Respirou fundo e pensou em mudar o assunto para extrair alguma informação dele:
— Você me dedurou pra Windera. Achei que ia me deixar de fora dessa. Quero dizer, isso se você não for a Windera, né?
— Mas eu escolhi vocês a dedo... Não posso desperdiçar o elenco assim. Todo mundo tem que participar. Todo mundo tem um papel especial. O seu é me entregar o dinheiro. E eu quero agora.
Larissa fechou os olhos e respirou fundo novamente.
— Como eu faço isso? — perguntou já sem muita energia.
— Eu já te falo. Fica pronta.
E desligou repentinamente.
Mesmo cansada do dia exaustivo, a garota obedeceu sem contrariar. Trocou o tênis novo para evitar a lama lá de fora e colocou uma blusa mais quente para se proteger do vento, que tinha aumentado. Foi tempo o suficiente pro celular vibrar novamente. Atendeu, mas não deu tempo nem de dizer alô.
— Na praça perto do trilho do trem. Deixa numa mochila atrás do quadro de energia no meio, atrás do poste do gramado. Em até quinze minutos.
E desligou.
O prazo deixou a garota um pouco aflita, então rapidamente pegou uma mochila velha no guarda-roupa para colocar os bolos de notas.
— Vou levar o Zé pra passear — comentou passando pela sala já juntando o cachorro na sua coleira.
— Te apressa que a comida vai ficar pronta já, já — a mãe anunciou da cozinha.
A Cohab tinha ruas apertadas. Os carros tinham que dar uma leve encostada nas guias para que o que vinha no sentido contrário pudesse passar. Era um bairro antigo que um dia já teve suas várias casas todas padronizadas e entregues com a mesma planta, pintura e decoração. Mas já havia se passado tempo o suficiente para cada família arrumar e reformar cada lote do seu jeito.
Zé estava tão agitado e puxando a guia que o braço da garota já começou a doer.
— Vai com calma seu maloqueiro — ela retrucava para ele a cada trinta segundos. Mas o vira-lata continuava faceiro e tentando cheirar cada canto por onde caminhavam.
Larissa virou a primeira esquina e passou pelo único local do percurso que estava cheio, a lanchonete do Luciano. Ela tinha um lanche com um rosto imitando a arte da Turma da Mônica pintado de maneira meio rústica na parede branca. O desenho era tão antigo que a garota nem se lembrava mais de quando tinha sido feito. O cheiro inconfundível entrou pelo seu nariz e mexeu com sua cabeça, mas se ela chegasse com um lanche em casa depois de sua mãe ter feito comida, iria ouvir poucas e boas.
Se fosse um dia quente, o bairro com certeza estaria mais movimentado e vivo. Nem mesmo as crianças estavam correndo por lá, principalmente na quadra de futebol que ficava no meio da praça que ela tinha acabado de entrar.
O espaço era bem amplo e a praça bem simples. Só tinha caminhos de concreto nas suas margens, na calçada. O meio era um imenso gramado, com parte mais desgastada no centro por causa do campo de futebol com gols sem redes. Na direção do centro do campo, havia um único poste que tentava iluminar o local todo, mas falhava miseravelmente. Apesar da lâmpada ser forte, as bordas da praça ficaram totalmente de fora da área clara. Como já estava praticamente no final da cidade, havia poucas casas ao redor. Lugar perfeito para uma jovem indefesa entregar dinheiro para um psicopata.
Larissa foi caminhando até lá e a sensação na perna fez seu corpo todo gelar. O telefone vibrou novamente.
— Alô — ela atendeu com a mão esquerda e com dificuldade de segurar Zé com a outra porque o cachorro ficou ainda mais agitado quando entraram no gramado.
— Espero que tenha seguido as mesmas regras da última vez — a voz metálica insistiu na linha. — Se eu perceber que vai ficar me vigiando ou que contou pra alguém do dinheiro, vou fazer igualzinho à Paloma.
De certa forma, Larissa se sentia segura e pouco ameaçada em relação ao Anônimo porque, querendo ou não, ele aparentemente precisava dela para distrair Miriam e conseguir dinheiro. Não faria sentido ele se livrar dela tão fácil. Por outro lado, era um maníaco que estava a ameaçando e já havia matado uma pessoa. Então não era bom sinal para ela ficar totalmente confiante. Mas a voz estava mais pesada, mais séria. Larissa teve essa impressão. Não sabia se tinha base na realidade ou se era só o sono que começava a apertar seus olhos.
— Não chamei ninguém — respondeu amena para não irritá-lo.
— Bom mesmo... Por aqui não estou vendo ninguém — comentou maliciosamente.
Larissa se arrepiou com a possibilidade de estar sendo vigiada. Olhou ao redor, mas a iluminação do poste único tornava os arredores ainda mais emergidos na penumbra.
— Queria saber se gostou de roubar dinheiro da sua amiguinha nova — a voz continuou.
— Claro que não, né. Você me obrigou — Larissa sabia que precisava ser mais conciliadora, mas aquele tipo de insinuação a irritava muito.
— Achei que tivesse acostumada a mentir por dinheiro.
— Não, não acostumei, não. Mas quando tem um maluco me ameaçando, faço de boa — a garota se arrependeu depois de dizer. Engoliu em seco e cerrou os olhos, decepcionada consigo mesma.
— Olha só — a voz foi insinuante, ao contrário do que Larissa esperava. — Gosto assim, bem inescrupulosa. Sei que no fundo tá fazendo isso na esperança de eu poupar a sua vida.
— Não dizia que eu era sua assistente? — perguntou na defensiva, mas, de novo, tentando não perder a postura segura.
— Mas eu falo isso pra todas.
— Bom, não sei se elas conseguem cinco mil paus tão fácil assim pra você igual eu — precisou se valorizar.
Percebeu que atrás do poste havia um vão entre ele e uma caixa de energia quase do seu tamanho. Agachou e enfincou a mochila lá dentro. Num movimento rápido, vacilou com a outra mão e sentiu a guia do cão se afrouxar.
— Não. Isso tenho que reconhecer. Mas é o seu talento, né? Quando foi que fez isso pela primeira vez?
Zé disparou no sentido contrário de onde Larissa veio, onde o bairro terminava — num barranco íngreme que dava para a linha do trem que fazia fronteira da Cohab com uma plantação de milho que se estendia a perder de vista.
Larissa xingou o cachorro mentalmente, mas deixou que ele fosse. Sabia que daria várias voltas desesperadas pelo gramado, ia fazer xixi em algum lugar aleatório e, depois de alguns minutos, voltaria com o rabo entre as pernas.
— Eu perguntei: quando foi que fez isso pela primeira vez? — a voz insistiu nitidamente irritada pela demora da resposta.
— Como assim? — ela retornou à realidade.
— Quem foi o primeiro bosta que te ofereceu dinheiro pra te comer? — Havia tanta impessoalidade em sua entonação que parecia um robô, um ser frio e desprovido de sentimentos.
— Você sabe quem foi — respondeu ríspida e com poucas palavras.
— Mas eu quero que você diga pra mim. Quero ouvir você me contando como chantageou ele e os outros depois.
Larissa respirou fundo e demorou para responder, desta vez irritada:
— Você é um deles, é isso? Por isso tá me enchendo porra do saco?
— Não sou não, Larissa. Sou só alguém muito atento, que ouve bem as coisas que acontecem por aí. E eu adorava ouvir as suas histórias. Mas queria ouvir direto da sua boca.
— Vai ficar querendo — e desligou o celular.
A garota pisou fundo até a área mais iluminada da praça. Depois que percebeu que poderia ter chateado o Anônimo, sentiu-se mais segura abaixo da luz do poste.
— Zé! — Ela gritou em direção da escuridão de onde o cachorro tinha se enfiado. — Volta aqui!
Mas a única resposta que teve foi o celular tocando novamente. Encarou o número desconhecido na tela por um tempo e atendeu pronta para xingar quem quer que estivesse do outro lado da linha, mas o Anônimo foi mais rápido:
— Poxa, que pena. Seria bom terminar minha noite com uma história assim.
— Sinto muito não poder colaborar — Larissa provocou.
— Não, não. Têm outra coisa que a gente pode fazer pra eu não desperdiçar esse dia.
— Olha, cara. Seu dinheiro já tá aqui. Vou voltar pra casa.
— Espera. É só mais uma coisa.
— O que?
— Você já sabe. Quero o nome do primeiro homem. Da sua boca.
— Seu arrombado...
Larissa tapou o telefone e tentou mais uma vez:
— Zé? Volta aqui! Ei, Zé!
Sem resposta, mais uma vez, decidiu ir para a borda da luz tentar ver algo. Ficar abaixo dela deixava a área escura ainda mais difícil de enxergar por causa do contraste. Cerrou os olhos para tentar ver a calçada da praça e, mais distante, o barranco que descia para a linha do trem. Até que sentiu seu pé direito bater em algo.
Foi na borda, no começo da penumbra, que encontrou. Olhou para baixo e viu o vira-lata deitado de lado, acima de uma poça de sangue. Quis gritar, mas tapou a boca.
— Se você gritar, eu te mato — a voz levantou a voz pelo telefone. — É sério. É só falar, Larissa. Não quero suas respostas atravessadas, ok? Eu sei quando você mente.
Instintivamente, Larissa também disparou em direção à rua. Desajeitada, deixou o celular escorrer pela mão direita, mas não permitiu que isso abalasse sua fuga. Estava quase chegando na calçada quando foi interrompida. Não conseguiu ver de onde veio, nem mesmo perceber que havia mais alguém ali. Mas seu corpo foi empurrado para o lado esquerdo com um soco forte abaixo do seu olho direito em pleno percurso.
Tropeçou nas próprias pernas e desabou sobre o gramado, rodopiando duas vezes. Caiu com o cotovelo direito no chão e rapidamente sentiu o pinicar do gramado recém-cortado nas costas das mãos.
Quando conseguiu se ajeitar para se levantar, ainda afogada e querendo fugir, viu a máscara. Estava de pé sobre ela. Pela perspectiva, parecia um ser gigante. A roupa escura se misturava com o negro da noite. A máscara feita de recortes de jornal tinha manchas de sangue perto do orifício da boca e no maxilar projetado. A visão turva de Larissa a via flutuar na noite. Ela aumentou, ficando mais próxima do rosto da garota. Outra imagem que conseguiu ver foi a lâmina prateada da faca que Anônimo fez questão de passar na frente de seus olhos. O gatilho final para Larissa tentar recuar para trás, se arrastando pelo gramado numa tentativa desesperada de se afastar da máscara flutuante.
O Anônimo não se mexeu. Arrumou sua postura e ficou admirando a garota tentando pegar distância. Foi só quando Larissa ensaiou se levantar que avançou sobre ela, agarrou seu tornozelo e puxou com força em sua direção como se fosse um objeto qualquer.
Sem pestanejar, fincou a faca pela ponta na garganta de Larissa. Pôde sentir pelo toque no cabo a outra extremidade da arma chegar no limite da coluna da garota. Retirou-a com velocidade e facilidade. Larissa levou as mãos até o pescoço para tentar estancar a erupção de líquido vermelho, mas era em vão. Uma cachoeira de sangue escorria pelas suas clavículas e inundava o colo de seu peito. Respirava a vermelhidão e fazia-a de correnteza para dentro do próprio corpo.
Tudo ficou tão escuro. Até que a máscara também virasse noite.
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