Eu Sabia Que Você Era Problema
2 ALERTA DE PERIGO!
Notas iniciais
- Seguindo você? Não, você está enganado. Eu apenas paguei pela poltrona 25. – ele me olha duro, mas ainda assim está calmo. Ele relaxa e senta-se na poltrona que desconfio ser a 26. pouco importa.
- Tudo bem... Mas então, pra onde você está indo exatamente? – ele pergunta, mas não parece se importar de verdade com a minha resposta. Deixo o ipod cair, antes mesmo de dizer alguma coisa. Inclino-me para pegá-lo e Anthony tem a mesma reação que eu. Nossas mãos esbarram, e sinto algo estranho, e o mesmo fio de medo de antes, vem à tona. Agarro o aparelho, e coro abaixando os olhos. Olho pela janela do avião, ansiando por ver meu pai. Anthony fica calado, e resolvo fazer o mesmo. Rose senta-se na poltrona da frente, e cai em um sono pesado, esquecendo tudo o que há ao seu redor. Esquecendo até, onde está. Encosto a cabeça na janela e adormeço.
“(...) Faltam apenas dois minutos para pousarmos em Seattle, mantenham-se sentados, por favor.”
A comissária de bordo avisa pelo microfone que estamos chegando, então levanto de súbito e dou leves cutucões em Rose. Ela acorda, e quase me dá um tapa, mas me abaixo, evitando-a. Dou uma risada baixinha. Sei que pousamos então tiro o cinto, e pego minha bagagem. Desço as escadas do avião, quase tropeçando em meus próprios pés, mas encontrando o ponto certo do equilíbrio. Rosalie está atrás de mim, com sua bolsa enorme e tentando arrumar seus cabelos que ficaram em fios emaranhados de louro após dormir naquela poltrona. Não vi Anthony, ele deve estar pegando uma daquelas exuberantes comissárias de bordo. Muito a cara dele. Sinto meu estômago implorar por comida, então pego o dinheiro e passo na cafeteria.
- Por favor, um capuccino e um pão de queijo. Ah, e Whafles com mel, por favor.
- Vou querer o mesmo que minha amiga, obrigada. – Rose diz.
- É para já. – A garçonete gordinha, está de crachá e somos capazes de ver seu nome ali. Victoria.
Como com voracidade, pois a fome é maior que o tanto que paguei por um curso de etiqueta alguns anos atrás. Rose acaba e limpa a boca com seu guardanapo e se levanta. Faço o mesmo, e sigo em direção ao banheiro. Estou cansada fisicamente, mesmo tendo dormido no avião. Olheiras pretas abaixo dos olhos, um olhar cansado e meus cabelos bagunçados entregam alguém que dormiu MUITO mal. Lavo o rosto, e o seco com a toalhinha que tenho na bolsa.
A aparência de Rosalie continua a mesma. Afinal, dormira pelo menos quatro horas e meia no avião. Saio dali, e sigo para pegar um ônibus que me leve até Port Angeles, onde vou encontrar meu pai na rodoviária. Rosalie seguiria para Forks comigo, mas iria para casa de seus familiares em Port Angeles. O ônibus está cheio, mas ainda há lugares no fundo para mim e Rose. Vislumbro a chance de dormir um pouco mais. Sorrio para o motorista, que me recebe com um sorriso terno do mesmo jeito. Sigo para o fundo, sento-me e engato uma linha de pensamento que já não faz sentido e adormeço.
“Isabella” “Isabella” “Isabella”... A voz rouca e sexy chama meu nome, corro procurando onde, mas me vejo num labirinto, com paredes de concreto, presa sem ter pra onde ir. Chuto-a, dou tapas, mas isso não funciona. Sabe-se lá de onde, Anthony surge, sorrindo maliciosamente e tirando seus óculos. Suas esmeraldas me fitam, me fazendo entrar num torpor profundo.
“Não há lugar para fugir, você está presa... presa...” A voz sexy começa a ficar assustadora, e choro.
- Bella, acorde! Pare de gritar! Acorde! – recebo cutucões de Rosalie e me viro para ela.
- Eu tive um sonho ruim, me desculpe. – esfrego os olhos, e avalio a expressão surpresa de Rose.
A rodoviária lotada me faz querer sentar e chorar. Como tudo, desde o sonho ruim dentro do ônibus. Pego meu celular e ligo para Charlie.
- Alô? Quem é? – Charlie pergunta.
- Oi pai, sou eu. Já estou na rodoviária, pode vir me pegar? – sorrio, pois estou falando com meu pai. Estou tão perto de poder abraçá-lo!
- Claro Bells, em uma meia hora, no máximo uma, estou aí, ok?
- Ok pai, beijos. – desligo o telefone e olho para Rosalie, a mesma olha um pão de queijo com doce de leite na lanchonete da rodoviária. Dou uma gargalhada e ela me lança um olhar furioso. Pega umas moedas e fura a fila, para ninguém pegar o bendito pão de queijo.
Charlie aparece meia hora depois como prometido e ergue os braços. Corremos em direção à ele, pulo em seu colo quando o vejo!
- Ahhh, pai, que saudades! – aperto-o nos meus braços brancos e finos.
- Também estava com saudades parceira! – Ele me aperta e afaga meu cabelo como sempre fizera minha vida toda. Entramos no carro, e Charlie me conta como foi a época em que passei longe de Forks. Jéssica grávida? Pois é, o mundo da voltas.
Chego na minha antiga casa, e subo para o meu quarto. Que permanece intacto. Mesma cama, mesma cortina, mesma escrivaninha. Tudo como deixei. O mais incrível é que Renné não está em casa. Charlie me confessou que ela fora para Geórgia passar o inverno num lugar mais quente.
Vou pra cozinha, o lugar mais adorável de toda a casa. Faço biscoitos e bolinho de chuva, então os devoro junto a Charlie. Rosalie fora para sua casa, e, portanto sou só eu e Charlie. Pego o colchão reserva e deito na sala com meu pai. Adormeço, sem sonhos, pesadelos ou qualquer coisa do tipo. O sono tranquilo que eu tanto ansiava. Sou despertada pelos roncos sonoros e ecoantes de Charlie. Dou risada sozinha, achando graça do que vejo. Subo e vou arrumar meu armário. Dobro as camisetas, as calças e os casacos. Penduro meu único vestido. A Rose me induziu a isso. Meu celular vibra, e corro para conferir o porquê. Há uma mensagem de Rose.
“Gatinha, vamos sair hoje à noite, quer ir?”
Beijos, Rose.
Encaro a tela e respondo:
“Onde? Quantas pessoas? Inimigas mortais entre “outras pessoas”?”
Beijos, Bella.
Vislumbro Rosalie reclamando por eu escolher tanto as pessoas, mas ela não sabe o que passei com Jessica Stanley. Ela não tem nem ideia. Mas sabe quem ela é.
“Até agora, só eu e você. Ah, e alguns amigos da família.”
Beijos, e pare de tentar não ir! Rose.
Decido ir, pois nada me impede. Pego o vestido que pendurei, e o coloco sobre a cama. Desço e Charlie ainda dorme. Pego mais biscoitos e volto para o quarto. Separo tudo que vou usar, em seguida, vou ao banheiro. A água quentinha leva todo os resíduos do jet lag , depois o ônibus e por fim, chegar em casa.
Arrumo-me e me olho no espelho. Estou meio pálida, como de costume, mas ainda assim estou bonita. E isso não é normal. Ou pelo menos a meu ver. Estou pronta em menos de dez minutos, e ligo para Rosalie.
- Alô?
- É a Bella, Rose. Já estou prontinha.
- Ok, em cinco minutos estou aí. Se maquiou? Porque suas olheiras estão imensas e feias.
- Haha... Muito engraçado!
Rose desliga e desço pra preparar algo pro meu pai. Surpreendentemente, o vejo parado à porta, me examinando.
- Onde vai, parceira? – ele pergunta levantando uma sobrancelha
- Vou sair com Rose e alguns amigos dela. – respondo, dando de ombros.
- Ah, ok. Tome cuidado hein? – ele franze o cenho, me olhando nos olhos.
- Claro que vou tomar, pai.
Rose chega, e dou um beijo em Charlie. Ela está estonteante, e não para de sorrir por um só minuto.
Chegamos e Rosalie dá a chave na mão do manobrista.
- Cuide bem do meu carro, está certo? – Rosalie diz, seu carro é seu xodó. Cujo sempre se despede, por não poder levá-lo para Harvard. O manobrista assente e se senta. Sigo-a pela fila imensa da boate. Ela passa direto e posso ouvir vários xingamentos. Ela entrega duas folhinhas pequenas o que percebo serem as entradas.
- Rose, cadê seus amigos? – ela dá de ombros.
- Estão por aí, curtindo. E hoje você fará o mesmo.
Depois do aviso entramos. As luzes coloridas e a música alta preenchem o galpão de estrutura em tijolos avermelhados. A pista de dança está lotada. Rose me dá um tchauzinho, sorri e sai pista adentro, enquanto anda seu corpo dança no ritmo eletrônico e arranhado da música.
Vou para o bar, e peço um vinho. O barman me analisa e por fim, pega. Mas ora essa, sou magrela e pálida, mas ainda assim sou maior de idade!
Vou para a pista e me deixo levar ao som da música. Nunca tive jeito para qualquer tipo de dança. Mas pouco importa. Hoje eu estou FELIZ! Trombo em algo, ou alguém, não sei ao certo. De novo! Sou uma desatenta mesmo!
Quase caio, mas sou capaz de me segurar. Olho para trás, e vejo... Anthony... Engulo em seco, e vejo-o chegando mais perto. Não penso em nenhuma atitude que eu possa tomar, só minha respiração descompassada pela dança agora fica num ritmo mais acelerado. Rosalie está distante, ela não vai poder me salvar. E por um lado, estou feliz. Por outro, o medo me corrói. Aquele alerta de antes bate mais forte em minha cabeça: PERIGO!
Notas finais
N/A Letícia - Heeey, voltamos! Espero que vocês estejam gostando...Obrigada por nos acompanharem! COMENTEM,RECOMENDEM, INDIQUEM PRAZAMIGAS, ENFIM, FIQUEM À VONTADE! Beijocas da Lê.
Fale com o autor