Notas iniciais
Essa fic inteira foi inspirada num dorama chamado Listen to my Heart, onde o personagem principal sofre de surdez após um acidente. Mas principalmente este capitulo, pois apresenta trechos da musica principal.
A música é coreana, mas fiz uma adaptação da tradução em inglês, para se ajustar com a minha fanfic. Vale a pena ler enquanto ouve a musica ^^
https://www.youtube.com/watch?v=iOBN4Vi-3Eg - Kim Jae Seok (Only you can hear)

Capitulo 6: Eu só posso ouvir Você

Era um salto suicida, Bonney via as margens das águas se aproximando e se agarrava ao pirata. Enquanto isso Law calcula a distância em que desciam, quando faltavam poucos metros para atingirem a água. O pirata movimenta seus dedos para trocar os objetos de lugares.

-ROOM

Seus corpos são trocados por dois troncos que beiravam a margem do rio. Law e Bonney caem sobre a terra enlamaçada, mas milagrosamente haviam escapado com vida. No alto da cachoeira, o pacifista observava os dois seres humanos correndo para a floresta.

Bonney ainda sentia seu coração bater forte no peito, pensou que iriam morrer, no entanto Law estava rindo confiante atrás dela.

-Foi um bom plano.

-VOCÊ QUASE MATOU NÓS DOIS...E SE NÃO TIVESSEMOS CONSEGUIDO...E SE TIVESSEMOS CAIDO NA ÁGUA, TEM IDEIA DO QUE TERIA ACONTECIDO COM A GENTE...

Bonney explode de raiva enquanto Law apenas a observa com um sorriso irônico no rosto.

-Não exagere...

-Não to exagerando, senhor sabe-tudo...

A pirata cruza os braços e faz biquinho, a forma de extravasar sua raiva era atacar o pirata, pelo medo que sentiu até agora, essa era a forma dela se acalmar.

-Vamos andando, criança mimada.

O pirata passa pela mulher e bagunça seus cabelos, a garota bufa e bate os pés na terra, odiava ser infantilizada e a forma como ele agia a deixava com mais raiva ainda.

-Você vai ver quem é a criança aqui...

Enquanto Law caminhava sentiu que encolhia de tamanho, logo suas roupas estavam folgadas e ele estava a menos de um metro e meio do chão. Assustado o pirata olha para suas mãos e vê pequeninos dedos sem tatuagem. Tinha regredido sua idade e aparentava ter quatro anos de idade novamente. Mas seus cabelos continuavam negros e despenteados, o corpo pálido e fraco estava descoberto, Law usava apenas uma pequena bermuda, que era a miniatura de sua calça.

-O que pensa que está fazendo??

A voz dele soou fraca e infantil. Bonney começa a rir e se agacha no chão, para ficar da altura dele.

-Ohh...que bonitinho...não sabia que você era tão fofo quando criança.

Ela bagunça os cabelos dele, que o deixam mais irritado ainda. Mesmo quando criança Law apresentava as características olheiras.

-Me faça voltar ao normal.

-Não mesmo...

Bonney o pega no colo e o abraça na frente do corpo. Law é erguido e esmagado pelos seios da jovem. O que não era uma sensação tão ruim assim. Bonney caminha enquanto carrega ele. Law constrangido e emburrado deixa-se ser carregado pela floresta. Os braços da pirata eram acolhedores e como havia se esforçado para ativar seus poderes, Law adormece sem perceber.

Quando ele acorda já havia anoitecido, Bonney continuava caminhando, mas os sinais de cansaço dela era evidentes.

-Bonney, me coloque no chão.

-Não posso...

O garotinho encara a mulher desconfiado. Tinha acontecido alguma coisa enquanto ele dormia?

-O que houve?

-Se o pacifista estiver nos seguindo ainda, ele seguirá somente minhas pegadas.

-Isso é loucura...me transforme de volta.

Bonney encara o pequeno, havia prometido para si mesma que iria protegê-lo com todas suas forças, nem que para isso ela tivesse que atravessar toda a floresta.

-Se o pacifista souber que você está ferido, ele não vai deixar para lá. Você é um alvo fácil agora. Enquanto estou andando, posso ouvi-lo se aproximar e carregando você temos mais chances de fugir.

Law observa a floresta, pelo caminho que ela havia seguido, parecia que ninguém estava seguindo.

-Bonney...você precisa descansar...se não vai..

-Tudo bem...eu acho que já estamos quase chegando ao limite da floresta.

A jovem continua caminhando na floresta escura, seu corpo estava dolorido e sentia seu estomago revirar de fome. Bonney não poderia parar agora, com sorte eles sairiam daquele lugar antes do amanhecer.

Mas a exaustão fala mais alto e ela quase cai junto com Law. A contragosto ela transforma o garotinho no homem novamente. Ele estava usando apenas a calça jeans.

-Só mais um pouco...

Bonney estava quase desfalecendo e mesmo assim queria continuar seguindo em frente. Law se ajoelha na frente dela e afaga seu rosto.

-Garota tola...eu que deveria estar te protegendo.

Law pega Bonney no colo e a carrega pela floresta. Agora entendia o porque dela ter se sacrificado tanto. A floresta estava numa escuridão total e sem poder escutar nada, Law seria um alvo fácil para qualquer pessoa. Mesmo assim ele caminha em frente, confiando em seus instintos.

Por sorte ele encontra uma cabana abandonada na floresta, era um indicio de que logo eles sairiam da floresta. Ele entra carregando a jovem e encontra a casa em ruínas. Havia apenas um grande cômodo, uma grande lareira ocupava quase toda parede, na outra extremidade havia uma cama de palha e alguns cobertores.

Ele coloca Bonney deitada, a temperatura estava caindo rapidamente e mesmo sabendo do perigo, ele decide acender a lenha. Logo a casa se torna acolhedora. Law começa a fuçar em alguns jarros que estavam nos fundos da casa, havia algumas verduras e legumes. Provavelmente aquela casa era o esconderijo de alguém.

Law prepara uma sopa rala com o que achou na propriedade e o cheiro de comida logo desperta a jovem. Ele estende uma tigela para ela, que aceita prontamente.

-Onde estamos?

Bonney pergunta enquanto experimenta a refeição, a primeira comida descente em que comeu em dias.

-Em algum esconderijo, já estamos no limite da floresta.

Olhe em meus olhos e fale, não se vire para chorar

Você estava sofrendo sozinho na dor, mas você me tem ao seu lado agora

Quando as lágrimas começarem a cair, não se vire.

Abrace-me e chore o quanto quiser em meus braços

Law estava sentado próximo a lareira, observando o fogo crepitar na lenha.

-Bonney...depois que sairmos daqui...eu...

A jovem termina de beber o último gole de sua sopa e observa a seriedade de Law. Ela sabia o que iria acontecer, longe daquela floresta os dois seguiriam caminho diferentes. Mas não estava preparada para ter aquele tipo de conversa.

-Eu vou conseguir me curar...desde que eu esteja no meu laboratório, vou poder voltar a escutar.

Bonney apenas escutava, mas sentia a garganta queimar, ela evita de olhá-lo e encara a tigela de sopa vazia.

-Isso se conseguirmos escapar do Pacifista.

Law também estava enrolando a conversa, também era difícil para ele dizer aquelas palavras e mesmo que estivesse tão próximo do fogo, sentia suas mãos geladas.

-No entanto...se nos encontrarmos novamente...

Bonney sentia as lagrimas escorrem pelo seu rosto e pingarem sobre suas mãos e a vasilha.

Apesar de eu dizer que te amo e dizer que sinto sua falta

Eu não posso ouvir seu coração

Venha um pouco mais perto, olhe nos meus olhos e fale

Então, eu posso ouvir todo o seu amor

Law estava tentando buscar as palavras. Bonney observava as costas dele, durante muito tempo acreditou que não poderia amar ninguém. Era algo que não combinava com ela e Bonney abominava romantismo e toda aquela frescura que envolvia casais apaixonados. No entanto, ali estava ela, olhando para as costas dele e sentia seu coração doer de tal maneira que poderia quebrá-la no meio.

-Law...eu vou sentir sua falta...mesmo que a gente nunca mais se encontre, saiba que eu te amo...como nunca amei ninguém.

Aquelas palavras ecoaram no silencio, Bonney sabia que sua confissão tinha sido inválida. Ele nunca poderia escutá-la dizer aquilo, mas mesmo assim aquele momento ficaria gravado para sempre dentro dela.

Apesar de eu dizer que te amo e dizer que sinto sua falta

Eu fecho meus olhos e vejo você sorrindo

Embora lágrimas continuassem caindo, é claramente um sorriso de felicidade

Nem sequer uma vez eu esqueci o nosso último momento

O coração parece estourar num final doloroso para o nosso destino

Desde suas ultimas palavras havia passado diversos minutos, Law esperou algum movimento da jovem, alguma aproximação. Mas toda sua expectativa foi morrendo no silencio em que se seguiu. Ele também não tinha coragem de se virar, a verdade era que não queria perde-la. Já não conseguia imaginar sua vida sem a presença dela.

Era doloroso demais imaginar que não ia ver ela sorrir novamente, não ia vê-la ficando brava e a maneira como ela explodia. Não sentiria o toque dela sobre sua pele, não sentiria o perfume de seus cabelos.

Apesar de eu dizer que te amo e dizer que sinto sua falta

Eu não posso ouvir seu coração

Venha um pouco mais perto, olhe nos meus olhos e fale

Não importa o quão difícil é o mundo,

Enquanto temos um ao outro, é como o paraíso

-Bonney você ainda está ai??

Por um momento Law temeu que ela estivesse ido embora, assustado ele se vira e vê ela chorando na cama. Ele engole em seco, sentia os próprios olhos encherem de lagrimas.

Bonney salta da cama e o abraça, mesmo que aquele gesto deixasse a partida mais difícil, pelo menos poderiam aproveitar a despedida juntos. Ela se aninha contra seu peito e chora de soluçar, como há muito tempo não fazia. Law a abraça forte e alisa seus cabelos.

Agora vou suportar a dor em seu lugar

Eu absolutamente não deixarei você ir

Eu vou sempre estar ao seu lado

Não precisavam confessar seus sentimentos, o que viveram naqueles dois dias foi mais intenso do que qualquer coisa que passaram antes. Desde o momento em que se encontraram em Sabaody, a perseguição do pacifista, o ferimento do Law assim como sua surdez. Tudo o que conspiravam contra os dois, apenas fez eles se aproximarem mais e junto com as dificuldades descobrirem o amor.

Mesmo que ambos não quisessem se apaixonar naquele momento e nem esperavam que isso acontecessem. Agora sentiam a dor de terem que se separar. Ambos iam trilhar caminhos totalmente diferente e a única coisa que os manteriam juntos para sempre...era esses dias em que viveram na floresta.

“Se eu disser que te amo e disser que sinto sua falta

Eu vou ser capaz de ouvir seu coração

Venha um pouco mais perto, para que eu possa segurar você em meus braços

Eu sou seu, meu amor, e eu só posso ouvir você”

Quando os dois se acalmaram, ficaram muitas horas simplesmente abraçados enquanto aguardavam o dia clarear. O fogo já estava quase se apagando e logo eles teriam que se separar.

Law acariciava o ombro de Bonney, enquanto ela estava deitada sobre ele. O pirata se lembra de algo que lhe ensinaram na infância, ele se ajeita e fica de frente para a jovem. Os dois estavam com os olhos vermelhos e com olheiras.

-Há algo que eu quero te ensinar.

Bonney o observa atentamente enquanto ele falava.

-Se fechar os olhos e pensar em alguém, poderá vê-los. Mesmo eles não estando ao seu lado.

Ela faz como ele diz e pensa nas pessoas em que conviveu com ela a maior parte de sua vida, enfrentando os perigos, rindo e brigando. Bonney pensa em seus nakamas e consegue visualizar um a um na sua mente. Todo o seu bando rindo.

-Eu consigo ver todo mundo...

Eles eram como sua família e sentia tanta falta deles, mas só agora se dá conta de quão preocupado eles deveriam estar. Fazia dois dias em que ela havia desaparecido na floresta.

-Seus nakamas...devem estar preocupados com você.

Bonney se refere ao bando do Law, havia visto eles naquele dia em Sabaody.

-Eles sabem se virar sem mim, podemos ficar meses escondidos no submarino.

Um silencio se forma entre eles, o dia começava a clarear e os pássaros a se movimentarem pela floresta. Bonney sabia que teria que partir logo, então ela pega a mão de Law e a leva em direção aos seios, apoiando sobre o lado esquerdo do peito.

-Consegue senti-lo?

Ele sente as batidas do coração dela na palma de sua mão e isso o faz lembrava dos sons, o som de uma batida rítmica e forte.

-KONG...KONG...KONG

Esse som ele nunca iria esquecer, ele observa Bonney que ainda aguardava uma resposta e confirma com a cabeça.

-Então este é o som da minha voz...nunca a esqueça.

A pirata se levanta e caminha em direção a porta, Law não quis se virar, apenas viu a sombra dela refletida na parede ao abrir a porta e quando ela saiu, ele ficou sozinho naquela escuridão, mais do que nunca ele queria ficar preso naquela redoma de silencio, naquele vazio, que era exatamente como se sentia por dentro.

Vazio...

CONTINUA...

Notas finais
Espero que tenham gostado e que não tenha ficado meloso demais hehe
Obrigado pelos comentários