Eu Quero Você
2 Two Shot
Eu estava novamente na floresta, só que desta vez Scott não estava comigo e eu corria desesperadamente de algo que eu não sabia exatamente o que era. A única coisa que eu conseguia enxergar em meio a escuridão eram seus olhos vermelhos que me alcançava a cada instante. Já estava ficando sem fôlego e minhas pernas tremiam enquanto eu corria, precisava chegar á estrada urgentemente ou seria devorado.
Olhei pra trás no intuito de ver se a criatura ainda me seguia quando eu tropecei em um tronco caído e bati com o nariz no chão úmido, a dor fez meus olhos lacrimejarem, mas eu levantei de imediato quando ouvi um rosnado vindo acima de mim, a criatura estava a poucos centímetros da minha cabeça mostrando seus dentes afiados e pronto para me devorar.
– Stiles! Ouvi alguém me chamar de algum lugar.
– Stiles! A voz repetia e a cada segundo chegava mais perto.
– Stiles acorde!
Abri os olhos e ví Melissa com uma expressão cansada no rosto.
– Onde eu estou? Perguntei.
– No hospital oras. Ela deu de ombros.
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Logo mais tarde Scott foi liberado e eu o levei pra casa no meu Jeep. Melissa pediu para que eu dormisse com ele essa noite já que ela teria que ficar no plantão, eu concordei afinal Scott é meu amigo e foi graça a mim que ele havia se metido nessa encrenca. Scott era meu melhor amigo, o único pra ser sincero e por isso eu estaria sempre ao seu lado não importasse a situação.
Enquanto Scott roncava abertamente deitado em sua cama eu fiquei no computador dele pesquisando sobre algo parecido com a criatura que tinha nos atacado. Pesquisei no google "Criaturas sombrias de olhos vermelhos" apareceram várias coisas horrendas, cada uma mais feia que a outra, mas uma delas me chamou a atenção. A criatura se parecia com um lobo mas ao mesmo tempo com um homem, ela tinha garras enormes e dentes afiados e seus olhos eram vermelhos e se chamava Licantropo, mais conhecido como Lobisomen. Eu fiquei pálido e gelado, era o mesmo tipo de criatura que nos atacou, mas como aquilo era possível lobisomens não existiam, ou existiam?
Pesquisei mais afundo sobre a licantropia e mal percebi que a hora havia passado tão depressa, só quando Scott se espreguiçou na cama é que eu percebi que já estava amanhecendo do lado de fora.
– Cara o que você está fazendo? Scott perguntou ainda sonolento.
– Alguma pesquisas, mas já terminei agora preciso dormir um pouco.
Me joguei na cama ao lado de Scott e então a escuridão tomou conta de mim e eu me entreguei a sono. Enquanto dormia eu havia tido o mesmo pesado da noite passada só que dessa vez não era eu quem estava sendo caçado, eu só assistia de longe a criatura devorando alguém que me parecia ser bem familiar, mas eu não conseguia ver bem quem era.
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Quando acordei Scott já havia levantado e estava no banheiro se arrumando para ir tomar o café da manhã que Melissa sempre preparava pra gente antes de ir para o hospital.
Eu não sei bem por qual motivo, mas eu estava com muita vontade de ir até a casa do Derek o rapaz que nos salvou e agradece-lo pessoalmente pelo o que ele fez, acho que se ele não estivesse lá naquele momento eu e Scott estaríamos mortos, ele foi um verdadeiro herói e eu precisava agradece-lo por isso. Então eu me levantei e corri para me arrumar, tomei o café rapidamente e sem dar muita explicação ao Scott saí porta a fora.
Fazia um pouco de frio do lado de fora, mas eu estava bem equipado e meu Jeep estava próximo então eu corri até ele e entrei já ligando o motor e dando partida. Durante o trajeto eu pude ouvir uivos, não sei bem se eram coisa da minha cabeça ou se de fato estava ouvindo mesmo e a cada minuto o som se aproximava, até que em certa altura quando eu estava bem próximo da mansão dos Hale, ouvi um barulho bem alto vindo debaixo do meu Jeep e então ele parou.
– Puta merda! Eu gritei.
Aquilo não poderia estar acontecendo, eu teria que ir andando pela floresta até o resto do caminho já que era o caminho mais rápido para chegar até a mansão.
A floresta estava silenciosa enquanto eu caminhava, os únicos sons que eu ouvia eram os dos meus passos e algumas os sons das folhas se mexendo.
Eu estava na metade do caminho quando fui arremessado até uma arvore próxima batendo com as costas no tronco, eu não sei bem o que aconteceu, mas a dor era enorme. Fiz o máximo de esforço para me levantar e mais ainda para tentar correr na direção da mansão. Fui arremessado novamente só que dessa vez cai no chão, olhei pra cima e um homem estava parado sorrindo maliciosamente para mim.
– Olá. Ele disse.
– Quem é você? Eu perguntei.
Estava completamente apavorado e minha coluna doía muito. O que havia acontecido comigo e quem era esse homem?
– Desculpe minha falta de educação.
O homem estendeu a mão pra mim e eu recusei a ajuda me levantando sozinho.
– Eu me chamo Peter Hale. Ele disse dando o mesmo sorriso malicioso.
O nível de desespero estava aumentando a cada segundo e eu queria correr para bem longe dali.
– Não fique com medo Stiles, eu não vou te morder muito.
Minha respiração estava super pesada e eu estava suando frio, queria correr muito e foi o que fiz. Eu corri sem olhar pra trás, corri até chegar em uma parte aberta da floresta. Olhei rapidamente ao redor e a minha frente havia uma enorme casa, a mansão Hale. Quando estava a poucos metros da casa, fui atirado no chão e senti um peso em cima de mim.
– Não é muito educado correr das pessoas, Stiles.
O homem sussurrou no meu ouvido e eu estremeci com aquilo. Sem perceber comecei a soluçar e tentar me livrar do homem que estava em cima de mim.
– Me solte! Eu gritei o mais alto que pude.
Me sacudi algumas vezes, mas foi em vão. Ele era forte e estava me machucando.
Peter colocou seu nariz em meu pescoço e começou a cheira-lo, eu não estava gostando nem um pouco daquilo. O homem só poderia ser um maluco psicopata e ele era um Hale, deveria ser algum parente de Derek. Queria urgentemente sair dessa situação.
– Você tem um cheiro tão bom Stiles. Ele me disse ainda cheirando meu pescoço.
Eu gritei mais algumas vezes até não aguentar mais, até que o peso do corpo de Peter foi levado abruptamente de mim por algo que eu não consegui ver. Me levantei imediatamente e corri para a varanda da mansão e comecei a bater na porta chamando por Derek, mas ele não apareceu. Olhei para trás na intenção e ver Peter no chão, mas ele também não estava lá. Bati mais algumas vezes e então comecei a chorar de desespero.
– Stiles! Alguém me chamou.
Olhei para trás e Derek estava lá com a camisa toda rasgada e coberta de sangue. Meu pânico aumentava ainda mais e eu não estava mais aguentando aquilo tudo.
– O que aconteceu? Eu disse desesperadamente.
– Não da tempo de explicar, precisamos sair daqui urgentemente.
Ele me pegou pelo braço assim que eu cheguei perto dele e me arrastou floresta adentro. Corremos sem parar e eu já estava me sentindo cansado.
– Calma preciso respirar um pouco. Eu pedi enquanto tentava recuperar o folego.
– Me desculpe. Derek disse.
Ele ainda segurava minha mão com força por mais que não fosse mais necessário e isso me confortou por alguma razão. Era bom saber que alguém estava te protegendo, pelo menos era isso o que eu achava que ele estava fazendo, me protegendo de algo que estava atrás de mim.
– Agora por favor me explique o que está acontecendo. Eu pedi.
– Ok. O homem que te atacou é meu tio e eu e ele somos Lobisomens.
Gelei com aquele comentário e Derek pareceu perceber isso.
– Não se preocupe eu não irei te machucar. Ele afimou.
Por mais estranho que fosse, eu confiava em Derek.
– Como isso é possível, a existência de lobisomens?
– O mundo não é bem como você acha que é Stiles. Ele me disse.
– Mas o fato é que Peter é um alfa e por algumas razão ele está atrás de você, ele sempre esteve atrás de você desde o dia da floresta.
– Você está me dizendo que seu tio era aquela criatura horrível que atacou eu e Scott na floresta?
Ouvimos um barulho vindo em meio a arvore acima de nós.
– Minha forma completa de lobisomem não é tão feia assim. Peter disse surgindo próximo a nós.
Dei um salto pra trás e Derek me puxou para trás dele imediatamente. Algo ruim iria acontecer e eu não tinha duvidas disso.
– O que você quer com ele? Derek perguntou para seu tio.
– Você não pode sentir Derek? Sinta o cheiro dele.
Derek olhou pra mim preocupado e farejou o meu cheiro no ar.
– Não sinto nada. Ele disse.
– Claro que não seu idiota, eu sou um alfa. Só os alfas podem sentir o cheiro de uma peeira.
Não sei por qual motivo, mas Derek me escondeu ainda mais atrás dele com aquele comentário de Peter, tudo indicava que aquilo não era uma boa coisa e eu estava envolvido nisso de alguma forma.
– O que é uma peeira? Perguntei.
– Uma peeira é a companheira de um lobisomem, Stiles. Peter disse sorrindo.
Como assim? Peter estava dizendo que eu era um tipo de companheiro de lobisomem? Como isso era possível? E o que ele queria comigo?
– Fique longe dele! Derek ordenou.
– Me desculpe querido sobrinho, mas se você tentar me impedir eu terei que mata-lo.
– Não! Eu gritei.
Sem dizer nada Peter avançou para cima de nós e Derek o jogou longe, logo Peter estava novamente tentando nos atacar.
– Stiles corre! Derek gritou.
Eu fiz o que ele mandou, corri sem destino enquanto os dois estavam lutando ferozmente por algo que eu não sabia o que era. Ouvi sons de gritos e ossos sendo quebrados. Quando não aguentei mais correr, me escondi em meio a uma enorme arvore e me sentei deixando que todo o cansaço tomasse conta de mim. Já estava escuro e os sons da luta dos dois haviam cessado, eu queria voltar para se certificar de que Derek estava bem, afinal ele estava tentando salvar minha vida e eu não queria que nada de ruim acontecesse com ele, mas ao mesmo tempo tinha medo de que Peter estivesse ganho a luta e tentasse me matar.
Alguns minuto depois ouvi alguém gemendo e quando me virei para ver era Derek em um péssimo estado. Ele estava completamente machucado em seu peitoral havia um enorme machucado. Corri para ajudado e leva-lo para um lugar seguro.
– Vai ficar tudo bem Derek.
Não sabia bem se aquilo era verdade, mas precisava acreditar que sim.
– Ele ainda está vivo Stiles, e ele que você. Derek disse em meio aos gemidos.
Ouvi o som de passos atrás de nós e sabia que era Peter, então coloquei Derek no chão com cuidado e me virei, Peter estava com uma feição diabólica no rosto ensanguentado, pronto para devorar a primeira presa que visse pela frente. Tentei conter meu medo e dei um passo a frente.
– Se é a mim que você quer então me leva, mas deixe Derek em paz.
Me rendi com um fugitivo que havia corrido de um policial. Peter foi ao meu encontro e me agarrou pelo braço. Derek tentou gritar, mas a dor parecia ser muito forte. Eu estava chorando incontrolavelmente, sabia que seria morto isso era um fato.
– Não chore querido Stiles, você será um companheiro perfeito para mim.
– Por favor, só me mate. Eu pedi.
Preferia ser morto do que ser companheiro de Peter.
Peter apertou meu braço com mais força e eu gritei, continuamos andando em meio a escuridão da floresta quando eu tive uma ideia.
Peguei rapidamente o spray de pimenta que meu pai sempre mandava eu levar ao sair de casa espirrei o máximo que pude nos olhos de Peter, ele caiu no chão gritando e eu corri novamente ao encontro de Derek. Não demorou muito para que eu o encontrasse, parecia loucura, mas ele estava completamente curado e sem nenhum arranhão. Eu não pensei duas vezes, corri até ele e o abracei.
– Por favor não deixe ele me machucar. Pedi.
– Eu prometo que ele não vai te machucar, Stiles. Eu irei mata-lo. Derek garantiu.
Derek foi até onde Peter estava e eles começaram novamente a luta, eu fiquei de longe observando. Peter tentou o máximo que pode ferir Derek, mas por alguma razão Derek parecia mais forte e feroz. Ele acabando com Peter completamente, o alfa estava ficando completamente fraco e após alguns golpes ele caiu no chão. Uma grande quantidade de sangue jorrou de sua boca e ele sorriu.
– Mate-me sobrinho, MATE-ME! Peter ordenou.
Sem pensar duas vezes Derek rasgou a garganta de Peter fazendo jorrar sangue no rosto de Derek.
Ele ficou um tempo ali parado diante do corpo do tio sem vida e então ele se virou pra mim, seu rosto estava diferente era algo inumano, mas por incrível que pareça eu não estava com medo.
Derek virou o rosto e abaixou a cabeça.
– Está tudo bem Derek, eu não estou com medo. Eu garanti.
Fui até ele e peguei o rosto dele, observei por alguns instantes até que então suas feições humanas foram reaparecendo.
– Vamos embora daqui.
Ele me pegou pelo braço e me levou embora. Eu não sabia ao certo como seria minha vida após aquela terrível noite e todas aquelas revelações, mas eu sabia que pelo menos por hora eu estaria a salvo e sabia que Derek Hale estaria ao meu lado.
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