Eu Queria Que Você Estivesse Aqui
5 Posso entrar?
Notas iniciais
Aquilo foi como um choque pra mim. Tipo, o garoto que eu amava, que eu achava que nunca me olharia de outro modo além de amiga virtual, já que nós dificilmente conversávamos pessoalmente, e que eu achava que era o maior pegador, estava gostava gostando de mim.
O momento estava perfeito, eu, ele, sorvete e o amor. Mas só pra variar, eu tinha que estragar tudo:
--Olha que engraçado, já tá na minha hora de ir, o tempo passou voando... Opa, já são 5 horas... Foi muito bom hoje viu, beijo e até segunda. -- eu disse, enquanto ia saindo.
Virei as costas e fui embora, sem coragem nenhuma pra olhar pra trás, mas quando eu atravessei a rua para subir no escadão que termina perto da minha rua, me permiti à espiar pelo canto do olho. Ele estava lá, sem reação, não acreditando na cena.
Eu também não estava acreditando. Que história foi essa de 'tá na minha hora'?
--Ele me ama, nossa, que ótima piada, eu acho que o sorvete congelou meu cérebro e eu não ouvi direito.
Aquela frase ficou latejando na minha cabeça o resto do dia. A primeira coisa que eu fiz quando cheguei em casa foi tomar um bom banho para esfriar a cabeça (só uma expressão, já que eu só tomo banho na água quente). Depois que eu saí do chuveiro, fui direto para o computador, meu vício.
--Usa o raciocínio Roberta, você precisa de tempo pra pensar. Se ele te ver online, ele vai querer conversar com você. -- disse comigo mesma, pensando alto. -- Você não vai entrar no msn por enquanto. Se possível, por todo o fim de semana.
O final de semana sem ele foi um tédio. Já fazia tempo que eu não ficava um dia sem conversar com ele, então eu estranhei. Mas eu arrumei alguma coisa para fazer, como arrumar a casa (o que minha mãe estranhou muito), fiz um bolo de banana com canela e li três livros. Infelizmente a segunda chegou muito rápido, me colocando de volta à realidade.
Fui pra escola depois de um banho rápido, ou mais rápido possível, já que durou 14 minutos. Quando eu cheguei na escola, evitei encontrar com ele ao máximo: cheguei e fui direto pra sala, sentando na minha carteira e abaixando a cabeça, levantando só quando a professora chegou na sala. Ciências, felizmente, pra eu poder me divertir. Ele chegou no segundo período e atravessou a sala, sentando na última carteira do canto, o que me assustou, já que ele formou a nova turma da bagunça da sala e sempre sentava na segunda carteira da terceira fila.
Ele ficou a aula toda quieto, inclusive na hora do recreio. A culpa me consumiu por inteiro, já que eu fizera aquilo com ele. Quando o sinal do fim da aula tocou, tomei coragem e fui falar com ele:
-- Arthur... Ér... Cê tá bem?
--To indo. -- disse ele friamente
--Me desculpa por sexta, ainda amigos?
--Me dá um tempo, Roberta. Eu preciso de um tempo, por favor.
Ele disse isso, enquanto saía. Percebi que as lágrimas rolavam por meu rosto, coisa que era raro, já que eu raramente chorava. Fui para casa naquele dia, entrando no msn para tentar conversar com ele e me desculpar, mas ele não estava online. Foi quando eu decidi ir a casa dele.
Cheguei lá umas três horas da tarde, provavelmente ele estava arrumando o quarto, costume de segunda-feira. Toquei a campainha, ele estava sozinho em casa, já que ele morava só com seu pai, que estava trabalhando. Ele atendeu e eu perguntei:
--Posso entrar?
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