Notas iniciais
Valeu a pena esperar? Mais de 1.000 palavras *-*

–-Vou começar a explicar do começo, pode ser?
–-Não, comece do fim. --disse ironicamente
–-Então tá. Eu descobri que você tem uma aura como a minha e é uma semideusa.
–- Oi?
Nem tinha reparado que ele havia começado do fim. Apenas reparei que ele estava ficando doido.
–- É difícil para todos, no início, mas depois você acostuma. Agora eu vou falar do início.

Ele fez uma pausa para que eu pudesse falar alguma coisa, mas eu apenas fiquei parada olhando para ele. Devia ter ficado louco. Quando viu que eu não iria interromper, começou:

–- Bem, o Fernando, um sátiro, veio me buscar. Muitos são enviados para todas as partes do mundo para encontrar semideuses. Ele chegou me explicando que toda essa história de deuses gregos era verdade e pediu pra eu falar com meu pai. Ele falou que não era meu pai de verdade, só de criação. Mas não sabia quem era meu pai. Então o Nando conversou com ele sobre um acampamento para meio-sangues, filhos de deuses com mortais. Eu vou conversar com a sua mãe quando ela chegar. E você virá comigo, não vem?

–-E porque eu deveria?

–-Porque não é seguro pra você aqui. Eu já fui atacado três vezes, poucas vezes comparados aos semideuses americanos. Você já viu algo digamos... anormal?

Parei para pensar um pouco. Eu já vi sim, duas vezes: uma garota de cabelos verdes entrando em uma árvore e um homem com um olho só me seguindo. Mas continuei sem falar nada para ele. Ele ainda não havia dito porque tinha me deixado.

–- Tá, você não vai falar comigo até eu terminar de explicar tudo né? Ok. Eu não te avisei nada porque eu não sabia que você era uma semideusa e mortais não podem ir ao acampamento. A não ser a Rachel, o oraculo. Mas quando eu cheguei no acampamento, pedi para Quíron, o diretor de atividades, tipo o chefão do acampamento, pra vir te buscar. Eu expliquei pra ele que você tinha uma aura como a nossa e contei a história que Nando havia me falado. Ele havia dito que ele estava por perto de mim fazia um tempo, e quando eu estava com você, meu “cheiro de semideus” ficava mais forte. Ele achou que era um resfriado que podia ter, mas eu logo percebi que o “cheiro” era um “cheiro duplo”, de dois semideuses. Além de que você nos salvou do cão infernal. Então eu vim te buscar.

–-Precisava ter demorado isso tudo?

–-O gato não comeu sua língua! Mas é que o acampamento fica em Long Island, nos Estados Unidos. E fizeram um acordo com Zeus para que ele deixasse os semideuses mesmo não sendo seus filhos voarem pelo céu, mas apenas no menor espaço possível. Então nós temos que ir até Oiapoque sem voar e aí sim pegar o avião pra NY.

–-Jura que você vai querer conversar com a minha mãe?

–-Claro, e já pode começar a fazer suas malas. Ela com certeza vai deixar e não podemos perder tempo.

Estava arrumando as minhas coisas quando uma blusa minha caiu. Quando eu abaixei para pegar, percebi que Arthur tinha feito o mesmo. Isso me lembrou exatamente nosso primeiro encontro. Nós estávamos muito próximos, ele ia me beijar. Mas eu esquivei. Então ele perguntou, confuso:

–-Mas nós não fizemos as pazes?

–-Ainda não decidi se te perdoei.

O quarto permaneceu em um silêncio constrangedor. Então minha mãe chegou.

–-Mãe, esse é o Arthur, você lembra dele?

–-Olá senhora Karen, como vai a senhora? -- Antes de minha mãe responder, ele continuou – Bem, eu vim aqui para falar com a senhora sobre a mãe ou pai verdadeiro da Roberta.

–-Como, como você sabe?

Foi só o que minha mãe respondeu. Anotei de agradecer mentalmente depois o fato dele não ter esperado as respostas iniciais, pois provavelmente ela ia emendar com um “O que você está fazendo sozinha em casa com um garoto?” E coisas do tipo. Então ele continuou:

–-Ele ou ela era um deus grego. Sabe, os olimpianos. Era homem ou mulher?

Minha mãe me olhou por um tempo e depois admitiu:

–-Homem.

–-Pois então, ele sendo um deus grego trás muitos problemas para a Roberta. Eu preciso leva-la com segurança até o Acampamento meio-sangue, um lugar de treinamento especial para todos nós, semideuses. Ela não poderá usar celular, nem internet, mas poderá mandar mensagens de Íris para você. – outra nota mental, perguntar porque ele não me enviou nenhuma — e poderá voltar para casa no próximo verão se não tiver ido em uma missão.

Minha mãe processou todas aquelas palavras e me deixou ir. Uma lágrima brotou de seu olho, o que eu nunca achei que fosse acontecer quando ela se visse livre de mim.

–-Se cuida tá? E você, -- disse e apontou pro Arthur—vê se toma conta do meu bebê. Te amo filha.

Dei um beijo em seu rosto e saí, acompanhada de Arthur. Ele logo tomou a dianteira por já ter feito esse caminho com Fernando. No caminho até a rodoviária ele foi falando de como era lá.

–-Descobri que meu pai é Hermes, deus dos viajantes, médicos e ladrões. Meus companheiros de chalé são muito legais, tipo, não conseguem ficar parados por um minuto e fazem muitas bagunças. Na minha despedida, nós deixamos três aranhas de plástico no pavilhão onde nós fazemos as refeições. Os filhos de Atena ficaram loucos. Foi muito legal. Exceto quando eu cheguei, no primeiro dia. Eles pintaram meu cabelo de tinta azul.

–-Minha mãe me falou que meu pai é um deus. E se ele for Hermes? O que acontece com a gente?

–-Bem, eu acho um pouco impossível você ser filha de Hermes, do jeito que é desastrada, séria e estudiosa.

Eu evitei falar sobre o que acontecera comigo nesse tempo, principalmente sobre a carta da minha quase-morte. Então um assunto me veio na mente:

–-Você falou sobre uma tal mensagem de Íris. Porque não me mandou nenhuma?

--Eu mandei, sempre que me sobrava uma dracma. Mandei três vezes, mas só tive coragem de falar com você uma vez.

--Então você estava mesmo falando comigo naquele dia? Eu não estava ficando doida?

Não consegui controlar minha felicidade e o abracei ali mesmo.

Notas finais
Gente, eu vou viajar segunda-feira e ficar uma semana fora. Eu não sei se vai ter internet pra onde eu vou, mas se não tiver, eu vou continuar escrevendo e postar muitos capítulos quando voltar. Beijos e até amanhã :*