Notas iniciais
Encontro vocês no final. Beijocas

Eu só queria me sentir protegida. Só me sentir amada. Sentir que sou bem-vinda em um lugar, de verdade. Sentir-me confortável em contar como estou, como me sinto. Eu queria poder me sentir bem comigo mesma. Sentir que posso tudo. Sentir que posso voar dentro de mim. Sentir que posso acordar e gritar para o mundo: EU ESTOU VIVA! Eu queria poder sentir que as pessoas me amam. Sentir que eu faria falta na vida delas. Queria sentir-me importante. Importante pelo menos para você. Eu queria não acordar de madrugada sentindo uma angustia no peito. Sentindo que falta algo. Sentindo-me incompleta. Eu queria fechar os olhos e sentir o vento nos meus cabelos – ter a sensação de voar. Eu queria sentir aquela alegria que algumas pessoas mostram – aquela alegria em estar vivo. Queria ter um bom motivo para sorrir. Um motivo real, palpável. Queria andar por aí com um sorriso nos lábios. Queria olhar para o mundo e vê-lo sorrir para mim. Eu queria me olhar no espelho e ver uma jovem alegre que eu acho que eu sou. Eu queria ter certeza de algumas coisas – ou certeza de nada. Eu queria ser uma pessoa diferente, estranha, mas normal. Eu queria não ter crise de choro toda hora. Queria saber rir de um jeito menos estranho. Ou talvez essa risada seja um pouco de mim. Eu queria poder falar o que eu sinto sem sentir os lábios tremerem, os olhos nublarem com um choro aproximando-se. Queria que me vissem além desses olhos negros, além do meu intelectual, mais além. Olhassem sem pressa. Para poder me olhar do jeito que eu sou e não do jeito que sua opinião pré-formulada diz sobre mim. Eu queria me entender. Queria saber o porquê de eu ser assim. Assim: a garota estranha que vai para a rua usando um all star pintado, o cabelo às vezes nem penteado, modelos inventados tipo um short com a bandeira dos EUA ou uma calça rasgada. A garota estranha que não tem medo de ser julgada. Eu queria entender o que tem nessa cabeça maluca. Entender como coisas tão esquisitas podem sair de dentro da minha cabeça. Ah! Outra coisa que eu sempre quis entender é como as pessoas me suportam? Como elas não piram em passar meia hora me ouvindo desabafar? Desabafar coisas que um ser humano comum não se importaria. Importar com o que? Quem pode me explicar o que é normal, comum? Na escola não me ensinaram isso. Eu queria saber o que as pessoas pensam de mim e às vezes eu penso que seria melhor não saber. Eu queria saber um pouco do futuro. Só para a insegurança dar uma voltinha longe de mim. Eu queria, ah, eu queria tanta coisa que às vezes acho que não quero nada. Ou eu queria apenas fechar os olhos delicadamente e não abrir nunca mais.

Notas finais
Gostou? Se sim obrigado. Reviews? Se não obrigado mesmo assim. Valeu por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!