Eu Preciso Ouvir Tua Voz... De Novo.
1 17. Otanjobi omedetou gozaimasu.
Notas iniciais
Cheguei do colégio depois de um longo dia. Os meninos estavam jogando futebol no jardim, eles estavam tão unidos ultimamente. Fico muito feliz. A mãe Mah está muito feliz também, com Berg morando com a gente ela tem companhia para seus chás e tricôs. Já estamos em setembro, dia 18... Meu aniversário, mas nenhum deles sabe disso. Desde que vim morar com a mãe Mah eu me sinto muito mais feliz, tenho grandes amigos, uma família linda e feliz e um namorado muito romântico e que me ama. Eu não me importo deles não saberem que é meu aniversário, por mim é até melhor. Essa data me faz lembrar a senhorita Akemi Nakazume. Minha mãe. Ela morreu ano passado e por isso eu vim morar com a Tia Mah, atual mãe Mah. O vento bateu um pouco mais frio, só agora lembrei que estou na janela do meu quarto olhando para o nada. Se prestar atenção no som do vento, quase posso ouvir a voz da minha mãe de novo. Quando cheguei nessa casa era só eu, Lucas, Miguel e Felipe, os filhos da mãe Mah. Eles sempre foram pessoas ótimas comigo. Miguel e Lucas sempre me ajudaram e cantaram pra mim quando estavam tristes, agora eles tem até uma banda bem famosa, já Felipe foi algo que mudou muito minha vida, alguém que nunca vou esquecer meu moreninho lindo. Sempre simpático e charmoso, apesar de tudo sensível e chorão, mas eu escolhi o Rodrigo. Há um ano a família de Rodrigo odiava a minha família, mas hoje somos todos só um. Eles deixaram bobagens e desavenças pra trás e escolheram os sorrisos. Agora todos moramos juntos. Eu, Miguel, Lucas, Felipe, Mãe Mah, Pai Ricardo, Rodrigo, Berg, Levi, Matheus, Marcio, Victor, Tiago, Anderson e Jhonatan. Eu chamo a Tia Mah de mãe por causa de sempre escutar Miguel, Lucas e Felipe chamando ela assim e também porque amo ela como mãe e o Rodrigo eu chamo de pai, porque era tanta gente naquela casa o chamando de pai que não dava pra evitar.
Aika se espreguiçou e tomou um longo banho. Depois vestiu um vestidinho e saiu descalça pela casa. Era muito diferente de antes, tanta gente junta, sempre felizes. Casa cheia.
-O que tem pra jantar Berg? – A Japinha disse olhando para o ruivinho, que retribuiu um sorriso simpático.
-Estou fazendo sopa! –Ele disse sorrindo ainda mais e virando pra continuar fazendo sua sopa, nesse momento Ricardo apareceu e o abraçou por trás beijando seu pescoço e perguntando se podia comer um pouco.
Ricardo era uma surpresa para Aika, ela sempre pensou nele como alguém descontrolado. Sempre lembrava a primeira vez que o viu, foi assustador. Aika riu e foi até a mesa onde Marcio estava sentado mexendo em algumas cartas.
-Vamos Jogar UNO comigo mana? Ninguém quer! – Marcio disse com olhar de cachorrinho pequeno. Ri comigo mesma, ele era o mais novo e mais mimado por Ricardo e Berg.
-Claro. –Então começaram jogar e aos poucos a mesa estava cheia de gente jogando UNO. Os únicos que não estavam jogando eram Ricardo, Berg e Mah.
-Você está roubando! – Rodrigo gritou se referindo a Felipe.
-Eu? Ta louco? – Ele respondeu rindo.
-Anderson, o que eu faço com essa carta? – Victor falou mostrando a carta pro irmão. Todo mundo faltou engolir o menino, por ele estar mostrando suas cartas. De longe Berg sorriu e desejou que os dois pudessem ser sinceros um com o outro logo.
-Aika vem comigo! –Rodrigo disse puxando a mão da japinha e fazendo-a derrubar algumas cartas.
-O que foi? – A garota gritou se esbarrando em uma cadeira.
Ele foi levando a menina até o jardim e parou derrepente.
-Coloca isso no rosto, tenho uma surpresa. – Aika meio que se assustou e não conseguiu pensar em nada, no próximo segundo ela já estava vendada e assim Rodrigo foi levando ela...
- SURPRESA!!! –Todos gritaram, estavam juntos no jardim.
Aika tirou a venda e viu o jardim todo arrumadinho, cheio de enfeites japoneses e com uma música de fundo tradicional. Um cheiro bom vinha de algum lugar e em algum momento o coração de Aika começou há bater um pouco rápido demais. Sem ela perceber um sorriso lindo se formou em seus lábios, sorriso que logo Felipe e Rodrigo perceberão. Seus olhos começaram a encher de lágrimas.
-1, 2 e... – Rodrigo gritou sorrindo.
- AIKA-CHAN OTANJOBI OMEDETOU GOZAIMASU! – Todos gritaram, só assim pra Aika perceber como aquela família tinha ficado grande. Era incrível algo assustadoramente bom. Aika amou aquela mistura de vozes.
-Arigatou gozaimasu! –A japinha disse limpando uma lágrima de seu rosto e fazendo uma reverencia tradicional.
Esse momento foi essencial para mostrar Aika que ela não estaria sozinha e ela agradeceu mais de cem vezes a Deus por dar essas pessoas a ela.
Depois de gritos, danças malucas e de cantar parabéns, estava cada um no seu grupinho. A maioria dos irmãos de Rodrigo estavam jogando verdade ou desafio, Ricardo e Berg curtiam a música abraçadinhos e Tia Mah, Felipe, Miguel e Lucas estavam conversando com a aniversariante e seu namorado.
Anderson estava cansado de ver seus irmãos bestas jogarem aquele jogo besta, ele olhou ao redor pra encontrar seu irmão favorito e não o achou.
-Hey, pai cadê o Victor? – Ele disse a Berg, atrapalhando o momento. Ricardo não perdeu a chance de lançar um olhar pra Anderson que dizia: “Sai daqui!”.
-Ah meu bem o Victor foi por ali pelo jardim ele disse que tava cansado. –Berg disse apontando um lugar do jardim.
No mesmo instante Anderson saiu correndo até o lugar indicado, lá tinha uma caminho de pedrinhas que dava até um balanço. O lugar estava um pouco escuro. E lá estava a pessoa que Anderson queria ver, seu amado irmãozinho. Victor estava com sua roupa especial para o aniversário de Aika, a roupa que comprou com muito carinho, uma fantasia de samurai e uma espada de madeira. Estranhamente aquela fantasia sem nexo caia muito bem no baixinho, pelo menos na opinião de Anderson. O maior sorriu ao ver a cara de tédio do samurai baixinho que se balançava devagarzinho. Ele andou devagar até chegar perto o suficiente de seu irmão e o abraçou de surpresa.
-Ah!
-Calma sou eu. –O maior acalmou o irmão sorrindo e dando um beijo em sua bochecha que estava vermelha.
Anderson bagunçou o cabelo de Victor e afastou o abraço. Ele sabia que gostava do pequeno, mas nunca foi sua intenção forçar nada. Queria que o irmão fosse seu de livre e espontânea vontade. E pelo que Anderson pensava, o menor estava nem ai pra ele.
-Porque você está aqui? –O maior disse com um sorriso bobo, apreciando a visão a sua frente. Seu irmãozinho vestido de Samurai.
-E-Eu não tinha ninguém pra conversar... Não queria brincar daquele jogo bobo. – Victor disse com a voz um pouco fraca. Ele estava muito nervoso. Seu irmão tinha achado ele ali, logo Anderson, não que ele o visse com aquela fantasia de criança.
-Estou te incomodando? –O mais velho disse meio sem jeito, pra ele o motivo do irmão estar sem graça e gaguejando era não querer ele ali.
-NÃO! –Victor gritou instantaneamente e alto demais, segurando as duas mãos de Anderson e olhando nos olhos do irmão.
Anderson se assustou e mais do que nunca aquilo mexeu com ele. Aquela boquinha rosada dizendo pra ele não ir. Aquelas mãozinhas tremulas segurando suas mãos. Aquele olhar de gatinho. Aquele cheiro que o maior amava. Foi quase inevitável, Anderson segurou a mão de Victor de volta e o puxou pra mais perto, mas sua sanidade voltou alguns segundos antes de fazer uma besteira. Por outro lado o baixinho continuava perto demais, o maior estava enlouquecendo, seu coração a mil desejando poder beijar aquela boquinha pequena.
Já Victor depois do grito ficou sem jeito e ainda mais com o silêncio repentino vindo do irmão, será que ele teria causado tanta repulsa assim? Foi então que Anderson o puxou pra mais perto e o halito quente de seu irmão tocou seu rosto. Victor estava com uma vontade tão suja que ele estava envergonhado, ele queria beijar seu irmão. Obviamente seu irmão nunca concordaria com aquilo.
-Victor... –Anderson falou, passando a mão pela cintura pequena e delineada do irmão.
-O-O que foi? –Victor disse assustado pelo timbre da voz do irmão.
-Eu estou te assustando? –Anderson falou com medo da resposta ele passou a mão livre pelos cabelos de Victor com carinho aproximando cada vez mais o contato e diminuindo a distância.
-Sim... –Victor soltou sem querer e se assustou com o que tinha dito. Seus pequenos olhinhos se tornaram grandes pensando no peso de suas palavras.
-D-Desculpe... –Anderson se assustou. Foi um baque. Ele estava com uma pequena esperança de que talvez, seu irmãozinho pudesse sentir o mesmo ou só um pouco, mas agora pra ele tudo não passava de um engano e seus desejos sujos e sem sentido acabaram o fazendo forçar aquele momento. O maior soltou o baixinho e se afastou dois passou sem dizer nada ou esperar ouvir nada. Ele estava com o coração partido na verdade. Ele deveria saber que seu irmão mesmo não sendo de sangue não nutriria algum sentimento por si e sem ter coragem ou olhar nos olhos do pequeno, Anderson saiu correndo em alguma direção.
-Irmão... –Victor disse fraquinho quando viu o estado que seu querido irmão estava. Não era a intenção magoar. Não mesmo. Só estava nervoso, com medo pela aproximação repentina. Pra ele o maior não correspondia seus sentimentos e agora...
O pequeno samurai caiu de joelhos no chão frio e algumas lágrimas desceram pelo seu rosto.
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