Notas iniciais
*Sorriso gentil.

-COMO ASSIM ELE ESTÁ MORANDO COM ELES? VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO COMIGO VICTOR! COMO VOCÊ PODE... – Berg abriu os olhos assustado pelos gritos de Ricardo, que agora tratava de gritar na sala. Perguntava-se como ele tinha coragem de gritar a essa hora da manhã no prédio e ainda sair pela casa só de cueca.

O pequeno bocejou e arrumou seus cabelos ruivos. Olhou seu relógio “5:30”, Bocejou novamente. O seu dia começava ali. Procurou com o olhar sua cueca no chão e deu um pequeno sorriso ao acha-la. Vestiu-se com a tal cueca e uma camisa de Ricardo.

Depois de escovar os dentes e arrumar o cabelo, Berg decidiu ir fazer o café da manhã. Nada mais nada menos do que dez ovos fritos pra começar. Eram dez homens sem contar Rodrigo que ainda não tinha voltado desde que Ricardo inventou de bater nele. Berg já tinha visto seu namorado mais irritado, sabia que ele sempre fazia esse tipo de besteira e ele sabia que Rodrigo iria perdoar o irmão e voltar pra casa, mais cedo ou mais tarde. Colocou os ovos em cima da mesa e sentiu os braços de alguém o abraçando por trás.

-Bom dia Matheus. –Berg disse continuando a fazer a comida mesmo com aquela pessoa pendurada nele.

-Caralho! Eu to com fome! –Matheus disse recebendo um beliscão de Berg.

-Nada de palavrão na minha frente garoto!

-PUTA QUE PARIU! –Ricardo chegou

-Para de gritar palavrão Ricardo os meninos estão cansados e jaja eles tem escola e faculdade. –Berg disse calmo e Matheus sempre se surpreendia como o maior sempre sedia aos caprichos de Berg.

-Ta Berg, mas escuta só... Sabe onde o Rodrigo está nesse momento? – Ricardo disse sendo quase ignorado pelo menor que se preocupava mais em espremer as laranjas para o suco.

-Não.

-NA CASA DOS “VAZ”! –Ricardo gritou e Berg se virou olhando pra ele, ainda com uma laranja na mão.

-Porque você ainda não foi tira-lo de lá Ricardo? –Berg falou irritado.

-Eu não vou entrar na casa deles... E mais essa é uma escolha de Rodrigo e ele não tem nada a ver com a gente. –Ricardo falou olhando diretamente para a laranja na mão de Berg.

-Como assim ele não tem nada a ver com a gente? Pare com essas coisas Ricardo não basta à surra que você fez Victor dar nele? Você sabe quanto Victor chorou por ter batido no irmão? –Berg falou jogando a laranja em Ricardo, que pegou ela no ato.

-Ele escolheu os “Vaz”, ninguém o obrigou a nada. –Ricardo falou desviando o olhar.

-Ricardo eu vou ignorar essa conversa e eu não quero nada desse assunto rolando por ai. Mande Victor voltar agora mesmo pra casa, ele tem só 17 anos e de tarde tem escola, ele não é seu espião. E você vá tomar banho e venha tomar café pra ir trabalhar, de noite nós falaremos sobre esse assunto. Como uma família nós faremos uma reunião, ninguém precisa ficar de fofoquinha, mas agora nós temos que nos preocupar com o nosso dia a dia normal. –Berg falou rápido e foi prontamente atendido por Ricardo, já Matheus dormia na mesa da cozinha ignorando a briga dos maiores.

De pouquinho em pouquinho os garotos iam acordando e reclamando de fome. Berg tinha terminado de fazer o café e estava gritando com Victor pelo mesmo não ter o obedecido e ter passado a noite sendo o espião de Ricardo. Todos estavam felizes e pareciam nem notar o ocorrido, é claro que eles sentiam falta do irmão e estavam tristes por ele estar se envolvendo com os “Vaz”, mas eles não queriam dar mais dor de cabeça para Berg. Era uma gritaria na mesa do café, alguns queriam comer, mas já tinha acabado os pães e Berg corria fazendo mais café. Alguns perguntavam onde o ruivo tinha botado o sapato ou a farda e o mesmo respondia com exatidão onde cada coisa estava.

E então depois de alguns minutos tudo tinha se resumido a um exausto Berg sentado no sofá, do lado do mais novo Marcio que via Bob esponja.

-Você já fez seus deveres? –Berg falou com os olhos fechados.

-Ah pai depois eu faço. –Marcio disse ainda olhando pra TV.

-Três... Dois... – Berg falou e no mesmo instante Marcio saiu correndo para fazer as tarefas, deixando pra trás um ruivo risonho.

Hoje apesar de tudo era um dia especial e Berg não tinha se esquecido disso, hoje era o aniversário de 19 anos de Jonathan. O menino estava se esforçando tanto na faculdade, já que tinha acabado de começar que nem se lembrava do próprio aniversário. Berg tinha certeza que ele tinha se esquecido. O ruivo aproveitou o momento de tranquilidade sentado no sofá e mandou pra todos os “filhos” e para o namorado uma mensagem pedindo pra todos chegarem mais cedo, pois teria uma festa surpresa para Jonathan. Ele mandou inclusive uma mensagem para Rodrigo, dizendo que se ele não aparecesse no aniversário do irmão ele nunca o perdoaria.

Agora só faltava arrumar tudo. Berg se espreguiçou e começou a caminhar planejando ir até seu quarto, trocar de roupa e ir ao mercado comprar as coisas para a festa.

-Pai... –Victor falou arrastado quando Berg passou em frente à porta do seu quarto.

-Porque não ta dormindo menino? Você tem aula mais tarde e passou a noite acordado.

-Eu queria conversar com o senhor posso? –O menino disse mostrando um lugar na cama para Berg se sentar.

-Ta. Mais tem que ser rápido eu tenho que preparar a festa do Jonathan. –Berg disse se sentando no local indicado por Victor.

-Onde o Anderson está pai?

-Na faculdade né filho! Você sabe... É o ultimo ano dele na faculdade ele está quase enlouquecendo pela pressão que teu outro pai bota nele.

-Pai... Você ama o pai Ricardo?

-Meu filho a gente já conversou sobre isso com vocês não é? Nós temos um relacionamento homossexual e tal.

-Eu sei pai...

-Você está se sentindo incomodado por isso?

-Não pai nunca!

-Então o que foi?

-Eu... Eu acho que to gostando de alguém...

-Já sei você ta gostando de um garoto certo?

-É... Mas eu estou com medo.

-Ah meu filho não precisa, eu já sabia que você era gay menino te conheço. –Berg riu. –Papai ta aqui com você e ninguém vai te incomodar te ofendendo ok? Pode ficar tranquilo e namorar quem seja.

-Não é esse o problema...

-Ele não quer namorar você?

-Bem...

-Conta logo menino eu to curioso.

-Assim pai... Eu to gostando do... – Victor sorriu.

-Do... ?

-Anderson. – Berg gargalhou. Há tempos Anderson tinha confessado gostar do menos e estar alucinando pelo mesmo.

-E qual o problema? – Berg falou prendendo o riso.

-Somos irmãos.

-Preciso te falar que eu e seu pai não podemos ter filhos?

-Eu sei Pai, mas somos irmãos de criação.

-Isso não quer dizer nada. – Berg piscou pro menino. –Se quer um conselho do seu pai você deveria ir falar com Anderson, quem sabe da certo, ok?

-Ta pai obrigado.

Berg se levantou da cama.

-Agora durma você tem aula. –Berg saiu fechando a porta e deu um sorriso se divertindo com a situação.

Tudo naquela família era divertido e feliz, esse era um dos primeiros conflitos entre eles. Sempre se amaram e respeitaram uns aos outros. Sempre com seus dois pais e seus oito filhos. Essa família cheia de homens sempre foi divertida e fiel, tanto que quando o Rodrigo decidiu sair de casa e brigar com todos, eles estavam tranquilos, sabiam que seus pais iriam fazer tudo voltar ao normal como sempre. Berg suspirou quando se lembrou de Rodrigo e logo afastou esses pensamentos, ele tinha que se focar em fazer um ótimo aniversário para Jhonatan.

As horas foram passando e sozinho Berg ia arrumando toda a comida. Quando os meninos que estudavam de manhã chegaram eles começaram a preparar a decoração. E assim a festa foi ficando cada vez mais bem feita, com cada um botando um pouco do seu esforça e assim criando um ambiente onde Jhonatan teria seu aniversário de 19 anos. Eles sabiam que ele só chegaria as sete já que estava louco com a faculdade então estavam bem tranquilos arrumando sem muita pressa. E à medida que o tempo passava a casa se tornava mais cheia, de um jeito que só ficava quando todos estavam juntos. Quanto mais eles ficavam juntos mais eles se lembravam de Rodrigo, mas Berg foi bem claro em relação a essa conversa: “Nada desse assunto no aniversário do seu irmão.”

-Está quase na hora está tudo pronto? –Berg gritou da cozinha enquanto terminava de fazer alguns brigadeiros.

-ESTÁ SIM PAI! –Marcio gritou da sala.

-Já estão todos vestidos? –Berg continuou. Ele queria tudo perfeito.

-SIM PAI... QUER DIZER O PAI RICARDO AINDA NÃO SE VESTIU. –Marcio respondeu levando um cascudo de Ricardo.

-Não precisa nem dizer Berg. Eu já estou indo. –Ricardo falou rápido.

Berg riu na cozinha e foi pro próprio quarto se vestir também. Alguns minutos para sete horas todos prontos na sala com as luzes apagadas. Um barulho de chaves. Alguém abre a porta. As luzes se ascendem. Jogam confetes.

-SURPRESA! –Todos gritaram pulando e rindo da cara de Jhonatan. Ele estava perplexo, só agora foi se lembrar que era seu aniversário.

-Não acredito! –Jhonatan disse colocando suas mãos no rosto rindo.

Ele tão agradecido. Jhonatan foi o segundo a ser adotado por Ricardo, o primeiro tinha sido Berg. Ele sempre agradeceu a deus como seu pai lhe ensinou e resou pedindo para essa felicidade não acabar. Ele podia estudar e ter mimos de gente com dinheiro, além de uma família grande e feliz. Ele não poderia fazer outra coisa além de sorrir e amar aquelas pessoas com todas as suas forças, sendo capaz de qualquer coisa por qualquer um deles.

-Obrigado pessoal! Amo vocês! – Jhonatan gritou e Berg propôs um abraço grupal.

Ricardo sorria e via seus filhos gritando e quando percebeu um pedaço de bolo voou em seu rosto.

-QUEM FOI O IMBESSIL? –Ricardo gritou pegando um pedaço de bolo.

-Eu sou o imbessil! –Berg disse sorrindo e quase imediatamente saiu correndo. Ricardo correu atrás dele e tosos o ajudaram e fizeram de Berg um bolo humano. Todos riam agora e os mais velhos começavam a beber. Jhonatan estava vestindo todos os seus presentes de uma vez e Victor estava conversando alegre com Anderson. Estava tudo perfeito.

DING DON

Berg foi abrir a porta ainda rindo e tentando limpar o bolo de seu rosto e quando seus olhos encontraram os da outra pessoa ele ficou paralisado.

-Oi pai... –Rodrigo falou sem jeito segurando um embrulho.

Berg sorriu.

-Oi filho entra ainda tem bolo! – Rodrigo riu da cara de Berg que estava todo sujo de bolo.

Quando ele entrou todos estavam estáticos e pensavam delicadamente no que fazer.

-O que faz aqui Rodrigo? – Ricardo falou frio sem olhar para o irmão.

-Eu... Vim desejar feliz aniversário para Jhonatan... Por favor. –Por fim pediu com a cabeça baixa. Seus olhos ardiam em tristeza.

Berg lançou um olhar lascivo para Ricardo que relaxou o rosto.

-Pode participar da festa sem problema, você... É parte da família, mas isso ainda não acabou. – Ricardo disse indo para seu quarto e levando consigo uma garrafa de whisky.

-Não liguem meninos eu sei que vocês estão morrendo de saudades do irmão de vocês. Uma ótima noite pra vocês pode deixar que eu limpo tudo amanhã, mas agora eu tenho que ir ver como aquele chato está. ok? –Berg falou pacientemente.

-Tudo bem pai. – Todos falaram sorrindo em uníssono, até mesmo Rodrigo.

-Ah, bem vindo de volta Rodrigo... Quer dizer... Você voltou pra nós? – Berg disse arqueando uma sobrancelha.

-Pai... Eu não posso... –Rodrigo começou, mas foi interrompido por Berg.

-Pare! Se a resposta não é sim, nem quero saber. Depois nós três teremos uma boa conversa sobre isso. Durma aqui hoje. Tudo bem? –Berg disse.

-Sim senhor. –Rodrigo disse com a cabeça baixa, ele nunca desobedeceria Berg.

-Boa noite meninos. –Berg disse dando um tchalzinho para eles.

Berg se encaminhou ao quarto que dividia com Ricardo devagar, ele sabia que o maior estava uma fera.

Berg abriu a porta e ouviu um soluço abafado de Ricardo ele suspirou, fechou a porta e foia te o maior afagando seus cabelos e limpando suas lágrimas.

-Porque está chorando meu bem?

-Ele... Ele não é mais um de nós. Ele não é um de nós Berg. Como eu vou viver sem meu menininho?

Berg deixou algumas lágrimas escorrerem por seu rosto e abraçou forte o maior tirando os pés do chão. Ele odiava ver Ricardo chorar, ele sempre fora assim, se fazia de forte, mas por trás era apenas um homem frágil e sensível.

-Vai ficar tudo bem. Ok? Eu te prometo... – Berg disse por fim selando os lábios de seu namorado.

Notas finais
YAOI YAOI YAOI Meu cap preferido *--*