Eu Preciso Ouvir Tua Voz
14 Nani o kanjimasu ka?
Notas iniciais
Aika tinha acabado de tomar seu banho e estava tomando chá no jardim. Ontem Rodrigo havia dito que iria ao aniversário de seu irmão e isso a fez ficar apreensiva, o que Ricardo faria com ele? Ela estava com medo, mas tentava não pensar nisso, apenas curtia a brisa da manhã e tomava seu chá.
-AIKA! AIKA NAKAZUME! –Aika se assustou e levantou num pulo quando viu Rodrigo todo bagunçado correndo pelo jardim.
-EU TO AQUI NEEGO! –A pequena japinha gritou rindo, balançando freneticamente os braços fazendo o pequeno vestido rodado balançar junto.
Rodrigo estava chorando. O sorriso de desfez. Ele correu desesperadamente em direção à pequena menina e ela na direção dele.
-O que ouve meu bem? –A pequena menina falava ela estava abraçando o suado menino chorão. E ele passava a mão nos longos cabelos dela com força e depois no rosto da pequena menina, ele passava os dedos pelo rosto dela com tanta força que marcava a pele alva. Então ele parou de chorar, os dois estavam calados uma brisa passou pelos dois. A menina colocou as duas pequenas mãozinhas nos ombros do moreno a sua frente, para tentar ficar um pouco mais alta. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos e chegou perto devagar. Um selar e então ele beijou-a selvagemmente e riu entre o beijo. A japinha apertava os olhos com tanta força e tentava acompanhar o garoto, mas ele estava tão desesperado que ela simplesmente se segurou nele. Ele parou o beijo derrepente fazendo barulho.
-EU TE AMO! –Rodrigo gritou ainda segurando o rosto dela. A menina se assustou e abriu bem os olhos.
Rodrigo só queria ficar tão perto quando estava neste momento de Aika. Estar pra sempre assim. Juntos.
-Yamete kudasai! Hazukashii desu nee! –A japinha gritou e estava tão nervosa que nem se deu conta que falara em japonês.
-Está nervosa neega? –Rodrigo falou baixinho sorrindo de lado, fazendo a menina se arrepiar.
-Não porque estaria? –Aika disse impaciente.
-Você falou em uma língua estranha ai! –Rodrigo disse rindo. E ele não soltava o pequeno rosto de Aika em nenhum momento.
-Pare de falar besteiras e vem tomar um banho que você ta todo suado e sujo, depois do banho você me explica o que ouve. –A pequena menina falou arrastando o moreno até seu quarto. Ela não sabia por que, mas acabou levando-o ao próprio quarto, talvez porque ele sempre tomava banho lá. Ele entrou no banheiro e tomou um banho demorado, quando saiu, a menina já tinha trazido uma trocha de roupas pra ele. Ele olhou e sorriu, a menina sabia de tudo sobre ele, ela tinha pegado as roupas que ele gostava de usar quando estava triste porque eram frouxas e confortáveis.
Aika foi até a janela esperar ele terminar de se vestir.
-Aika... –Rodrigo disse mais para avisar a menina que já tinha terminado.
A pequena se virou rápido fazendo seus cabelos dançarem. Ela viu o moreno deitado em sua cama com um travesseiro no rosto. Ela suspirou e sentou ao seu lado.
-Você pode me contar o que ouve? –A guria disse sentada na cama.
-Nada não neega. –O maior disse tirando o travesseiro do rosto e afagando os longos cabelos pretos.
-Como assim nada? Você estava chorando. –A menina disse tão forte que seu pequeno corpinho se mexeu.
-Está preocupada neega? –O moreno disse piscando.
-Não é hora para brincadeiras neego... – Aika disse seria.
-Pois eu não quero falar sobre isso. –O moreno se emburrou e colocou o travesseiro no rosto de novo. – Vou dormir até mais tarde, quando você parar com essas perguntas.
-Rodrigo! Eu pensei que você confiasse em mim... –A menina disse meio tristonha e o garoto se remexeu se escondendo mais na cama, sem responder.
-Tudo bem então. –Aika disse se levantando e saindo do quarto. Quando fechou a porta sentiu seu coração apertar, ela tinha esperança que o moreno a puxasse ou pedisse pra ela ficar, mas ela conhecia Rodrigo, se ele não fez é porque devia estar bastante triste com algo.
A japinha foi seguindo pelo corredor e decidiu ir até Felipe, fazia algum tempo que não falava direito com ele, mas especificamente depois que Rodrigo começou a morar lá.
-Felipe? –A menina disse com um sorriso, estava com mais saudade do que pensava.
Felipe ouviu a menina e queria parar o mundo. Ele estava sentado no chão. Chorando. A alguns minutos atrás tinha ouvido Rodrigo gritar e pensou ser algo grave, mas então o branquinho viu de novo, um beijo entre Aika e Rodrigo. Ele sentou no chão na mesma hora. Desde que Rodrigo tinha chegado a sua casa, ele estava tentando ficar longe de Aika e extinguir os seus sentimentos, mas depois que viu aquele beijo seu coração estava quebrado em milhares de pedacinhos. Ele sempre fora chorão e quando se tratava de Aika, as coisas pioravam. Ele ainda lembrava-se do beijo que ele tinha visto na escola, das palavras que ele ouviu Rodrigo dizer: “Seja minha”. Ele nunca havia beijado a menina que tanto amava, mas tinha que conviver com a pessoa que fazia isso sempre que queria. Ele ouviu de novo algo que parecia seu nome, ele não iria atender a porta, não aguentaria vê-la depois disso. Ele queria morrer. Queria que ela sumisse da vida dele, como aquela menina pode fazer isso? Simplesmente chegava roubava seu coração e ficava com outra pessoa. O pior de tudo é que as pessoas apoiavam esse relacionamento.
Aika parou de bater. Ela pensou que ele poderia estar dormindo assim que entrou quarto adentro sem cerimônia.
-Fe-Felipe? –Aika disse correndo até o garoto que chorava no chão.
-Sai Aika! Vai embora! –Felipe disse num rastro de voz.
-O que ouve? –Aika disse, mas derrepente foi empurrada, mesmo que com pouca força, e caiu no chão devagar.
-O QUE OUVE? Aika... Eu te amo... Isso é tudo o que me impede de ser feliz... Você! Eu vi você beijar o Rodrigo, que nem da outra vez e mesmo você sabendo que eu gosto de você, não fez esforço algum para não beija-lo na minha frente... Você acha pouco Aika? Acha pouco o que eu já sofro? Ele mora com você, do seu lado, ele toma banho nos eu quarto, troca de roupa no seu quarto, dorme na sua cama, passa o dia com você e eu Aika? O que diabos eu sou pra você? Um primo? Um estranho? Irmão? O que eu sou? Simplesmente me ignore de uma vez...
A Japinha estava estática olhando para o garoto musculoso a sua frente que gritava coisas que doíam em seu coração.
-Felipe... Eu também gosto de você... –Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
-Você também gosta de mim? Claro que gosta... Eu não sei se você se lembra, mas no começo de tudo isso você me prometeu, que quando arrumasse seus problemas com Rodrigo você voltaria pra mim e cantaria algo pra eu dormir...
-Eu lembro Felipe... Mas as coisas ainda não estão arrumadas... Eu... –A menina chorava também.
-Não Aika. Por favor, não me faça outra promessa que não vai cumprir... Apenas conserve o amor que eu sinto por você e me diga... Quais os seus sentimentos?
-Me-Meus sentimentos...
-Sim Aika. Seus sentimentos. Pare de me enrolar e pare de enrolar seu namoradinho ladrão de celular, de quem você gosta? Eu estou preparado pode dizer.
Aika sentiu seu coração parar, era a coisa que ela mais tentava evitar, ter que dizer seus sentimentos. Porque aquilo... Aika nunca foi medrosa se ela soubesse de quem gostava teria dito há muito tempo... Mas ela não sabia. Ela sabia que Rodrigo era importante e que tinha beijado ela algumas vezes, mas não sabia se na verdade, todo o nervosismo do beijo seria por ser seu primeiro. Ela sentia algo por Felipe, algo grande e forte, se ela não conhecesse Rodrigo já estaria namorando ele há muito tempo. A pequena menina limpou suas lágrimas e se pôs de pé, frente a frente com Felipe.
-Pode dizer... –Felipe fechou os olhos ele tinha muito medo da resposta, aliás, ele tinha quase certeza da resposta.
Ele sentiu o toque suave das mãozinhas da japinha na sua bochecha e abriu os olhos verdes.
-Me desculpe por te decepcionar... –O garoto sentiu seus olhos arderem de novo esperando o fim daquela merda. –Mas... Eu gosto de você, mas eu gosto mais dele.
Felipe se sentiu tonto, a verdade que ele custou tanto em acreditar estava nua na sua frente.
-A-Aika... –Felipe disse chorando mais uma vez.
-Felipe você me pediu pra não mentir não é? Eu só... Queria deixar tudo claro de uma vez.
O mundo do branquinho nunca foi tão escuro. Ele queria estar longe de tudo, de todos e esquecer que aquela japonesa já existiu. Ele sentiu sua cabeça doer de um jeito tão forte. Queria sumir.
-Felipe... Você vai se afastar de mim? –a garota proferiu medrosa.
-Não... Como eu poderia... Parece até que não me conhece Aika. –Felipe deu um sorriso triste.
-Felipe... – A japinha abraçou o maior com força que a retribuiu imediatamente e parou de chorar, pelo menos enquanto Aika continuava ao seu lado.
-Eu quero uma coisa... – Felipe disse com as mãos nas duas bochechas de Aika.
-O... Que?
-Um primeiro e último beijo.
Sem esperar consentimento Felipe beijou a japinha, sem cerimônia fazendo questão de tornar aquele beijo inesquecível já que seria o ultimo. Aika não pode soltar o maior, era o mínimo que poderia fazer por ele, mas foi assustada por um grito.
-COMO ASSIM? COMO ASSIM? COMO ASSIM? EU NÃO ACEITO! –Rodrigo gritava pela casa. O garoto irritado seguiu até seu quarto depois da cena que viu e foi logo jogando coisas dentro de uma mochila qualquer.
Aika seguia o moreno, mas ele não queria explicações. Como ela poderia fazer algo assim? Como ela pode? Escolheu Felipe ao invés dele? Qual a grande vantagem em Felipe? Isso era brincadeira só podia ser, até de tarde a japinha estava em seus braços beijando sua boca. Como simplesmente passou um pouco de tempo e ela estava nos braços de Felipe... Beijando a boca de Felipe? Não podia ser. Era mesmo verdade? Ricardo tinha razão... Aika era só mais uma deles e Rodrigo não pertencia aquele lugar.
Aika queria, mas que tudo dizer que era um engano, que foia penas um pedido de Felipe, mas Rodrigo parecia surdo, sem querer ouvir nada.
O moreno sentiu seus olhos arderem e sua barriga tremer em ânsia. Ele suava. Finalmente terminou de colocar suas coisas na mochila e olhou nos olhos de Aika, prestando atenção pela primeira vez no que a japinha dizia.
-Rodrigo! ...Eu não queria te magoar. Eu... Te amo... –A japinha que chorava começou, mas foi interrompida por uma tapa no seu rosto que marcou sua pele alva.
-Como ousa dizer que me ama? Você vai mesmo tirar a última dignidade do meu amor por você? Eu acreditei em você Aika... Se você não queria nada comigo porque insistia em estar ao meu lado e me ajudar? Era apenas amizade o tempo todo? Você é só mais um deles... Agora eu finalmente entendo porque Ricardo odeia tanto os Vaz, porque eles esfregam uma verdade incontestável na sua cara e te fazem ir contra os seus. Não se preocupe Aika Nakazume, você não foi de tudo ruim, porque eu te amei e te amo de verdade e com todo meu coração, mas não vale a pena continuar amando alguém assim... Eu não preciso mais desse amor... Você só me enganou Aika... Só me enganou... – Rodrigo cuspiu as palavras e ao final uma lágrima solitária passeou pelo seu rosto.
Às vezes as coisas simplesmente não podem ser? Por que não? Por que temos que amar alguém que não nos ama? Por que temos que nos iludir? Se a pessoa não nos ama, porque temos que nos apaixonar? Isso é tão obscuro e sem nexo. Pra que?
Rodrigo estava sem chão correndo pela rua, deixando uma japinha de bochecha vermelha para trás. O moreno estava com tanta raiva que suas sobrancelhas estavam juntas naturalmente e seu maxilar doía de tanto apertar os dentes. O pior de tudo é que ele tinha ido contra Ricardo e o mesmo estava certo. Ele o preveniu, ele o avisou e mesmo assim... Parou na primeira mercearia e comprou cigarros, na sua casa só seu irmão fumava e o mesmo dizia que o acalmava de alguma forma. Rodrigo recorreria a qualquer coisa naquele momento só pra ficar mais calmo.
“Eu quero morrer.” Era o pensamento que vagava em sua mente e ele tentava apaga-lo com algumas tragadas naquele cigarro. Estava tudo acabado, ele não se importava mais com o que seu irmão fizesse, ele iria ajuda-lo a acabar com a raça dos Vaz.
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