Eu Não Gosto de Café
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Para a minha amiga que sonha em tocar piano.
O cabelo de Luke não parava em pé hoje. Caindo à cada tentativa de levantar um topete. Seu encontro com o homem que conheceu na cafeteria estava marcado para menos de 5 minutos.
— Que chuchuzinho.- Interrompeu o irmão mais velho de Luke, Willian, encostando na porta aberta do banheiro.- Ela ou ele tem carro, escolheu bem.O garoto em frente ao espelho, não se importou com as provocações do irmão, apenas continuou as tentivas frustradas de fazer um penteado diferente no seu cabelo ruivo. Ouviu um carro buzinar no lado de fora do prédio em que morava. Luke largou o pente de lado e passou rápido pelo grandalhão que tampava a porta. Celular, carteira, balinhas, tudo no bolso, conferiu.— Tchau!- Gritou o caçula já do lado de fora do apartamento, saiu com agilidade, como uma criança que ia ganhar um presente muito bom.— Não faça nada que não queira!- Falou Willian, indo fechar a porta que Luke se esqueceu de fechar.- Nem o que queira, tá ouvindo?!Ao chegar na portaria, viu Mark dentro de um carro preto bem grande, acenando para ele. Se seu irmão visse aquele automóvel, não pensaria duas vezes antes de roubar esse homem para si. Luke deu uma tropeçadinha na calçada, mas logo se reergueu, conseguiu entrar no carro.— Você está ótimo.- Disse Mark, olhando o cabelo meio em pé, a camisa sem manga camuflada de branco e preto, e descendo mais um pouco para ver a bermuda cinzenta. — Você também.- Abriu um sorriso para Mark, de camisa estampada com algum filme cult e uma calça jeans.O carro partiu, passando pelas ruas que Luke tinha que andar todos os dias para chegar ao trabalho. Só que hoje não teria que limpar mesas, servir comida ou dar trocos, hoje apenas curtiria. Mark ligou o rádio, qual quase estourou os timpanos de Luke. Tocou um rock no volume máximo, mas logo foi abaixado pelo dono do carro.— Desculpa, eu esqueci que deixei no máximo.- Se redimia, ainda abaixando o som. Luke deu um sorriso constrangedor.- Seu irmão estava em casa?— Ele está.- Péssima hora em que disse que tinha um encontro. Uma perseguição em massa começou desde ali.— Gosta de morar com ele?- O caçula parou para pensar, olhando pela janela enquanto os pensamentos seguiam seu rumo.— A gente não se dá bem com os nossos pais, então eu sou a família dele e ele a minha.- No dia anterior, Luke contou que Willian saiu da casa dos pais assim que completou a maior idade. Pôde morar com o irmão quatro anos depois, quando começou a trabalhar.- E a sua família? É desregulada?— Nos damos bem.- Falou, entrando na estrada deserta que dava na cidade vizinha. Quase ninguém viajava para lá à tarde.- Nos reunimos em aniversários, natal...Era uma viagem de três horas, com apenas um posto no meio do caminho. As conversas foram se desenrolando bem. Saíram do assunto família e foram abordar vários outros: pizza, trabalho, filmes, bandas, Banners pornográficos. Por uma hora já tinham conversado o suficiente para saber que tinham gostos parecidos, estavam agora conversando sobre poodles. Tudo ia bem, até o carro ficar arrastado.— Vou dar uma olhada.- Mark estacionou o carro, saindo para conferir o problema. Luke olhou para fora, era o meio do nada. O posto ficava uma hora mais, e viu poucos carros passando enquanto seguiam para a outra cidade.— O que foi?- Perguntou saindo do carro.— O pneu furou.- Respondeu, abaixado, encarando o problema.— Eu já troquei pneu, posso ajudar com o estepe.— Esse é o problema.- Se levantou com os olhos serrados por causa do sol.- Tô sem estepe.- O mundinho de Luke caiu, sem o pneu reserva não teria parque de diversões, algodão-doce, roda-gigante, um talvez beijo.- O que a gente faz? Os dois tinham noção que andar até o próximo posto seria um inferno na terra. Juntos entraram no consenso de ligar para alguém vir ajudá-los, mas antes tentar contar com a sorte.— E se a gente parar um assassino?- Luke se referia ao plano de pedir ajuda aos poucos carros que passassem.— A gente corre.- Mark se abaixou do lado de fora do carro.- Eu deveria ter arrumado outro estepe.Luke imaginou o que estaria acontecendo na cafeteria nesse exato momento. Bem, um cachorro louco invadiu o estabelecimento, a filha do chefe quebrou um prato e um cliente acabara de desmaiar com o animalzinho pulando em cima dele. — Desculpa te fazer passar por isso.- Mark olhou para o garoto que também havia se sentado encostado no carro.— Não se preocupa, ter a sua companhia já valeu o passeio.- Eles nunca ficaram tão próximos um do outro. Quase encostavam as mãos, apoiadas no chão.- Mas eu queria um algodão doce.— Quando sairmos daqui, eu compro quantos você quiser.- Disse olhando para as nuvens.— Vou querer todos, então.- Mark deu uma risadinha, corando Luke. A estrada parecia à cada minuto mais deserta, mas um vento começou a vir, para descontrair.— Aquela nuvem parece uma tartaruga.- Apontou. O mais novo assentiu, vendo a tartaruga citada.- Agora parece um coelho.
— Aquela parece uma menina num Dragão.- Mark, o encarou esbugalhado.— Quanta imaginação.- Disse olhando o garoto ao lado, então voltando para a nuvem.- Eu só consigo ver um...café.— Depois eu que tenho uma grande imaginação.- Respondeu rindo. Ficaram calados por alguns segundos, procurando novos formatos e vigiando a estrada.- Eu não gosto de café.Mark olhou para Luke como se acabasse de confessar um crime.— Você não gosta de café?- Aquilo parecia uma acusação gravíssima. O companheiro negou com a cabeça.- Mas você trabalha numa cafeteria.— E nunca me verá tomar um gole. Eu não gosto de café.Daniel já sabia, por isso, o chefe subornava o funcionário com donuts, quando queria que ele ficasse até depois do horário.— Acho que vou ligar pro meu chefe.- Disse, levantando e tirando o celulae do bolso.- Ele vai reclamar? Vai. Mas gosta de ajudar as pessoas.Enquanto ligava, um carro vinha na direção deles, Mark fez sinal para o carro parar. Assim que Daniel atendeu a chamada, ela foi desligada. Do carro saiu um homem loiro, alto, e com uma jaqueta ele parecia ter entre 30 e 35 anos, — dentro do automóvel tinha um chaveiro de coruja pendurado no espelho retrovisor, era cômico -. Felizmente conseguiram um pneu com ele, que não cobrou nada, e ajudou a colocar. Quando os agradecimentos acabaram, o homem foi embora. A dupla entrou no carro, prontos para partir em direção ao parque de diversão.— Que cara gentil.- Falou Luke, colocando o cinto de segurança, e indo abrir a janela.- E não era um assassino!— Só você...- Deu um risinho. Os olhares se tornaram mais constantes, e deixavam os dois sem graça.Luke olhou para fora, iriam enfim sair do fim do mundo, era uma enorme vitória, após quase vinte minutos presos ali. O encontro finalmente iria dar certo, com direito a algodão doce e tudo mais. Já estava lacrimejando de felicidade, e dor pela areia que o vento fez entrar nos olhos dele.
Notas finais
gays cute
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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