Eu Não Quero Ser Só Uma Memória

10 A parte de mim que é você nunca morrerá


Notas iniciais
Então...oi xD Demorei 390785766 anos? Demorei. Estou envergonhada por isso? Muito. Respondi os comentários lindos de vocês que eu amo demais? Infelizmente não. Acontece que eu tive que reescrever esse capítulo várias vezes até gostar dele, e esse fator combinado às loucuras da rotina implicaram nessa demora. Desculpa, gente ♥ Maaaas aqui estamos com o último capítulo! Não vou falar muito mais aqui porque já fiz vocês esperarem demais. Nas notas finais eu falo OuO Boa leitura!

Não ficou surpreso por seu coração perder totalmente o controle quando o viu. E a julgar pelos olhos arregalados de Midoriya, o descompasso foi recíproco.

— K-Kacchan?! E-Eu não imaginava que...

As palavras morreram na garganta dele.

Bakugou o observou.

Deku estava sonolento, visivelmente confuso — os chamados coléricos à porta o haviam acordado — e mantinha-se escorado ao batente, ostentando uma postura preocupada.

Tinha o cabelo amassado em uma autêntica bagunça, e trajava uma de suas numerosas camisetas com frases bobas, além de uma calça que chamou bastante a atenção pela familiaridade.

Bakugou conhecia deveras bem a veste em questão, afinal era dele. A mesma que havia deixado para trás quando partiu daquele apartamento dias antes.

Os olhares se alinharam em um encontro embaraçado.

Ante a aparente contradição de sentimentos de Izuku, Katsuki teve a iniciativa de falar, ainda que também não soubesse bem o que.

— Deku...

Deixou a continuação se esvair no ar, incerto de como sobrepujar o orgulho para dizer que estava lá para reatar.

Uma grande linha de expressão cruzou a testa dele, enquanto pensava. Teve uma ideia.

— Escuta aqui, Deku! Eu quero tudo de volta!

Foi tão subjetivo que Midoriya pensou se tratar da calça, que o outro havia encarado com estarrecimento.

Ocultou sua expressão desapontada e murmurou um pouco para si, decidindo o que faria.

Bakugou foi tomado por certo alívio ao ouvi-lo pensar alto. Estava sentindo falta até daquela vozinha sussurrada que sempre achou irritante.

— D-Desculpe por isso, eu vou...tirar. — Sugeriu, constrangido. — Enquanto isso, v-você pode entrar...

— É lógico que eu vou entrar! Achou que eu ficaria aqui em pé na sua porta a noite toda? Sai da minha frente, nerd!

Deku interpretou a resposta como mais um indício de que Kacchan estava furioso com ele, embora a urgência da visita ainda lhe arrancasse dúvidas quanto ao motivo.

Na mente de Katsuki, o cenário era outro: ter cruzado mais uma barreira em direção à sua confissão estava deixando-o exasperado. A perspectiva de ter que admitir seus sentimentos pelo outro ainda se remexia desconfortavelmente no peito.

Uma vez dentro do apartamento, o coração foi sacudido novamente. As lembranças de tudo que viveu ali vieram à tona como se tivesse apertado um botão.

Não foi à toa que Deku tinha precisado passar algum tempo no apartamento da mãe após a separação dos dois. Cada canto daquele lugar tinha uma história cravada.

Só compreendeu que esteve estático, olhando os arredores com talvez fascínio demais, quando percebeu Midoriya partir de forma desengonçada para se trocar.

Seu corpo agiu por puro impulso, e antes que percebesse, estava o seguindo.

Passou pelo corredor e chegou ao quarto, com seu andar determinado — com passos largos e as mãos nos bolsos — deixando Izuku apreensivo pela aproximação.

Quando fizeram contato visual, Deku não sustentou a encarada por muito tempo, e deu as costas ao outro.

Esperava que aquela fosse a deixa de Katsuki se retirar, para que pudesse devolver a calça dele.

A mensagem não foi captada, uma vez que aquela tornou-se a menor das prioridades de Bakugou. Ele estava mais focado em como não conseguia apenas observar.

A forma de Deku se tornou tão familiar naqueles dias, em que o corpo firme do herói se encaixava em seus braços como peças de quebra-cabeças, que ver a silhueta tão fora de alcance trouxe uma sensação irritante de derrota.

Aproveitou-se que ele estava aguardando, de costas, e fez uma aproximação contundente, que eliminou a distância que existia entre os dois. Com uma sutileza que geralmente não tinha, envolveu a cintura dele em um abraço.

Sentiu o corpo unido ao seu se arrepiar pela abordagem sorrateira. Estava pasmo demais para reagir.

Era estranho se permitir aquele tipo de aproximação agora que lembrava de todo passado dos dois — e seu orgulho insistia em reclamar por ele se misturar com alguém do tipo de Deku — mas não conseguiria suportar mais um segundo sequer longe dele.

Fungou no pescoço e sentiu o cheiro que havia lhe feito tanta falta. Tinha um fundo de aroma do sabonete detestável. Os olhos se fecharam em apreciação.

— K-K-Kacchan...

O chamado alarmado o atiçou a apertar mais forte. Não queria que ele se afastasse.

E a intenção de Izuku estava bem distante de se apartar de Katsuki. Mesmo receoso com a iniciativa, estremeceu.

Não sabia se era sensato se derreter nos braços dele sem nem relutar, mas não conseguia evitar — exatamente como uma presa que cede ao abraço mortal de uma serpente.

— O q-que está fazendo? — Apenas questionou novamente, aceitando a doce armadilha que tinha o capturado.

— Eu já disse! Quero tudo de volta! E isso obviamente inclui você, seu nerd perdedor!

— I-Isso quer dizer que...

— Se você diz que meu lugar é do seu lado, e você é um maldito stalker que não me deixa em paz, minha única escolha é não me separar mais de você ou vai parecer que você venceu!

A lógica deturpada era só uma desculpa para satisfazer o ego pronunciado de Bakugou, porém Izuku compreendeu aonde ele queria chegar — ele sempre compreendia.

Afastou-se apenas o suficiente para se virar de frente a ele. Queria olhar nos olhos rubros, para ter certeza que estava entendendo com clareza.

— E-Então você vai ficar dessa vez? — Indagou, renovando involuntariamente as esperanças.

— Vou, idiota! Eu cumpri aquela promessa estúpida te fiz e deu nisso!

O fôlego preso foi expelido dos pulmões de Midoriya em um único ofego de alívio.

Lembrou cada detalhe da cena de dias antes, no exato momento em que pediu a Bakugou que fizesse aquela promessa.

“- Kacchan...quando sua memória voltar, você promete que vai lembrar de nós desse jeito?

— De que jeito? – Buscou esclarecer.

— Realmente próximos, podendo mostrar nossos sentimentos sem medo. Com você me deixando estar aqui e me querendo por perto...

— Não faço promessas, perdedor.

— Mas faça essa para mim. Por favor!

(...)

— Óbvio que vou lembrar, porra!”.

E o mesmo sorriso que abriu ao ouvir a jura surgiu novamente.

Ver Deku finalmente radiante trouxe uma dose necessária de paz às emoções atribuladas de Bakugou.

O peso nos ombros cedeu com uma facilidade assustadora — que se equiparava com o quão intuitivo foi o caminho de volta até Izuku, encontrando nos braços dele o calor saudoso que havia se tornado seu vício.

Foi intensamente retribuído, em um enlace encorajadoramente acolhedor. Izuku até chegou a molhar a roupa dele com algumas lágrimas.

— Achei que tivesse te perdido... — Deku o apertou fortemente contra si, ainda sob efeito da recente angústia de não poder tê-lo.

— Eu também. Fiquei tão puto com isso!

— P-Pensei que nem mesmo a sua amizade eu teria mais...

— Que mané amizade! Do jeito que você tem dedo podre para amigos! Olha aquele seu grupinho de merda da academia! Eles acham mesmo que eu abriria mão de você? — Rangeu os dentes, estreitando o abraço. — Depois vou me lembrar de explodir as caras daqueles bastardos! Quem eles pensam que são?! Cheguei muito antes deles!

— Mas...c-como você sabe disso? — Midoriya o olhou com desconfiança.

A expressão de Bakugou vacilou um instante. Sabia que tinha fornecido uma informação extremamente incriminatória, e não soube contornar a situação.

— Kacchan! Você ouviu a nossa conversa?! — Exclamou, perplexo. — E ainda me chama de stalker!

— Cala a boca! Eu ouvi sem querer!

— Você não pode...

Não deu a Izuku chance de continuar desmantelando suas desculpas, e selou os lábios dos dois, com as mãos emoldurando o rosto sardento. Sentiu suas costas serem tocadas com suavidade pelas mãos dele, que correspondia ao necessitado beijo com uma dose de receio de estar sonhando.

— Merda, como senti falta disso...e de você... — Katsuki balbuciou contra a boca de Izuku.

Foi puxado para outro beijo eufórico, que tinha um claro sabor de saudades.

— Eu voltei, Deku... — Sussurrou no pouco intervalo que lhe foi dado para respirar.

Se desfizeram entre beijos afoitos, com os corpos percorrendo quase involuntariamente um caminho bem conhecido: como já estavam no quarto, então foi apenas uma questão de tempo de se arrastarem à cama.

Katsuki empurrou Midoriya pela cintura, derrubando-o contra o colchão. Se atirou sobre ele antes mesmo que o corpo parasse de quicar.

Diferentemente das outras vezes, não tinham pressa alguma para o sexo. Estavam satisfeitos em apenas destinar os primeiros momentos juntos para uma longa apreciação da presença alheia.

Bakugou buscou novamente os lábios do outro herói. Seu braço envolveu a cabeça dele, e os dígitos dedilharam a junção do cabelo com a orelha.

Os beijos tinham um padrão terno e lento. Se exploravam aos poucos, com a fome inquietante que antes os consumia mais comedida desde que se tocaram. Queriam experimentar cada momento ao máximo, e prolongar cada toque.

Katsuki subiu a mão pela coxa torneada de Izuku, enquanto o encurralava com seu peso, finalmente permitindo-os pequenos intervalos de contemplação. Se olharam longamente, buscando nas íris um do outro a confirmação de que estariam juntos a partir dali.

Os olhares ostentavam ferocidade, a mornura lentamente cedia às chamas.

Midoriya sentia-se derreter sob cada carícia, e não tinha a menor intenção de intervir — seu próprio corpo começava a incendiar.

Os lábios se mesclaram uma vez mais, com desejo. As línguas embaralhadas ensaiavam uma sincronia diferente a cada tentativa.

Quando precisavam de ar, um filete de saliva sempre acabava por uni-los.

Mas o sentimento de urgência era forte e agonizante.

— Kacchan, você quer...

— Quero te foder agora. — Expressou o ímpeto que vinha se manifestando.

— Por favor...

O pedido iniciou um frenesi. Izuku apoiava as mãos no rosto de Katsuki ao ser beijado, afastando mechas de cabelo suadas da pele, por vezes mordendo euforicamente os lábios do herói que já tateava seu corpo em busca de se livrar das roupas.

O resultado não poderia ter sido outro: logo estavam nus, com os corpos sobrepostos.

Bakugou atacava toda a pele a seu alcance. Izuku gemeu quando seu pescoço foi beijado com lábios quase selvagens, enquanto as mãos afoitas o percorriam e pareciam estar em todos os lugares.

— Kacchan...

Soprou o apelido no ar, soando como música aos ouvidos do outro.

Já angustiado pela demora excruciante, Midoriya friccionou as pernas, buscando algum alívio para o chamado persistente por atenção que pulsava em cada centímetro de sua pele.

A necessidade que ele demonstrava enlouquecia Katsuki. Subiu os lábios e mordeu com suavidade o queixo dele, sentindo a textura saliente da — pouca — barba raspada espetar a língua.

Começava a sentir-se zonzo de tanta fome por ele, e pela forma desconexa que Deku buscava se aprazer com seu corpo, rebolando de modo a unir os quadris.

Foi tomado por impaciência, e ergueu o corpo em um movimento de supetão. Encaixou seu joelho entre as pernas de Midoriya, deixando que buscasse algum alívio ali, enquanto se esticava até a cômoda.

Na gaveta, encontrou a forma familiar do lubrificante, e outra que o pegou desprevenido. Apanhou o objeto desconhecido para verificar do que se tratava.

Era um dos vibradores de Izuku, porém esse tinha detalhes muito particulares: um padrão quadriculado verde militar que remetia às braçadeiras em forma de granada de seu uniforme.

— Sentiu mesmo minha falta, hein, nerd?

A provocação arrancou um rubor intenso do rosto sardento.

— Kacchan! — Censurou, constrangido.

Bakugou adoraria estar mais disposto à jocosidade naquele momento, mas as circunstâncias não eram propícias e o corpo urgia para se apressar — brasas pareciam estar acesas sob a pele.

Priorizou o uso do lubrificante.

Foi veloz em suas ações. Movimentou as pernas de Izuku, dobrando-as contra o peito dele, e afastou-as o bastante para caber no meio.

Logo os dedos devidamente cobertos pela substância conhecida localizaram seu alvo.

Não foi muito cuidadoso, e não recebeu nenhum protesto por isso. Ousou intrusões iniciais profundas, satisfeito pelo descompasso que apenas toques tão sutis causavam na respiração do outro.

— Deku... — Sussurrou ao buscar o rosto do outro, e encontrou o olhar verde dominado pela avidez.

Sentiu seus dedos serem apertados no canal após proferir o apelido — um dia desdenhoso — sensualmente.

Que Izuku havia dado a volta por cima e feito do chamado degradante o seu nome de herói e um símbolo de esperança, ele já sabia. Agora, que ele tinha um gosto especial por ser chamado daquela maneira, isso o surpreendeu.

Nunca tinha o chamado de Deku das outras vezes que estiveram juntos. Isso reforçava que estava integralmente de volta.

Seu vigor apenas aumentou com as constatações. Posicionou-se em um ângulo peculiar, porém pouco ligou ao conectar os lábios dele com os seus.

Não deixou de beija-lo por mais nenhum instante enquanto o preparava para as futuras intrusões, afoito, em uma procura insaciável e sem fim. E era correspondido à altura, sendo abraçado com força, trazido para perto pelo pescoço.

E em meio às chamas, separou-se o mínimo para proferir um aviso:

— Vou colocar, Deku.

Obteve um gemido como resposta, e foi adiante.

Abusou do lubrificante em sua ereção, que pulsava nervosamente a cada toque mínimo.

— Kacchan, por favor...preciso de você logo... — Izuku suplicou em um tom dengoso.

E não houve mais hesitação.

Ele fincou as unhas nas costas de Bakugou ao ser atendido. A respiração foi entrecortada por cada centímetro de intrusão, que lhe arrancava exclamações quebradas e gemidas.

Seu corpo estava um emaranhado, e mesmo assim sentiu um prazer avassalador ao ser tomado daquela forma.

Katsuki não tardou em se arremeter para dentro e para fora, ladeando Deku com seus braços para que ele não saísse do lugar com o impacto.

A visão de Katsuki já começava a borrar pelo prazer delirante. Não tinha dado muita atenção a seu sexo desde a saída do apartamento de Deku, então cada toque era um choque para a extensão sensível.

Precisou beija-lo para acalmar os nervos, e simultaneamente não queria parar. Encontrou os lábios descoordenadamente, e sentiu as pernas de Deku o abraçarem.

Foi instintivo trazê-lo para perto, dando apoio às costas dele, envolvendo o corpo suado com os braços.

A maior proximidade tornou tudo ainda mais íntimo. Era mais fácil alcançá-lo — o que foi um alívio.

O estocava de forma bruta, e o beijava com uma ternura que lhe era quase desconhecida. Não conseguia parar, e o apertava com cada vez mais força contra seu corpo.

— Ah! E-Eu te a-amo, Kacchan...- Midoriya sussurrou em um curto intervalo, rouco e arrastado.

Bakugou sentiu o coração descompassar.

Não imaginava a recíproca saindo de sua boca. Jamais havia dito aquelas palavras para ninguém.

— Você tem tempo. — Mesmo ofegante, Izuku pareceu ler sua mente. — Não precisa me falar isso hoje. Diga quando estiver pronto. Eu vou esperar.

O sorriso confiante dele impactou Katsuki. Teve certeza que demoraria para conseguir superar aquele tipo de bloqueio verbal — reflexo do passado dos dois e de sua personalidade egocêntrica — mas sabia que esse dia chegaria.

E queria que ele soubesse disso também.

— Não diga coisas óbvias, Deku. — Foi o melhor que conseguiu expressar.

E Izuku entendeu, da mesma forma que sempre fazia.

— Chega de falatório. — Bakugou inquiriu, já envergonhado pelo assunto.

— Tudo bem. Agora acaba comigo, Kacchan...

Katsuki abriu um sorriso sanguinário como resposta, e arremeteu-se profundamente para dentro.

— A-Assim... — Midoriya incentivou, apesar de saber que naquele ritmo não durariam muito.

As investidas seguiram na mesma intensidade, e então dito e feito. Chegaram ao orgasmo sem arrependimentos.

E mesmo após o tão desejado ápice, ainda sentiam a necessidade se renovar. Os corpos já ansiavam por mais.

Seria uma longa e deliciosa noite.

*-*-*

Katsuki não soube o horário, porém tinha certeza que era de madrugada.

Tinham finalmente parado — os corpos não aguentavam mais. Não queria nem imaginar o estado em que se encontrariam no dia seguinte.

Existia uma sonolência latente no ar, que era aplacada apenas pelo abajur que Izuku acendeu.

Entretanto, havia um excesso gritante de pensamentos que não permitia que as mentes se desligassem.

Aninhados e com as pernas emaranhadas, se olhavam em silêncio, com milhões de pensamentos rodando no subconsciente. Então, repentinamente, a cicatriz que adornava o ombro de Midoriya chamou a atenção.

Katsuki tocou com cuidado. Tinha sarado bem, e somente uma linha discreta denunciava o acontecido recente.

Em comparação com as demais marcas distribuídas pelo corpo dele, não era nada demais, porém não podia deixar de se incomodar com ela.

— Isso foi culpa minha. — Sentenciou.

— Como poderia...

— Eu soube que você estava com a cabeça no mundo da lua na época que isso aconteceu. Você ficava pensando em mim, não ficava?

— Não se trata disso, Kacchan. Eu não deveria ter me distraído. Sou o único culpado pelo acidente.

Katsuki estralou a língua nos dentes, cruzando os braços. Racionalmente, sabia que Izuku tinha razão. Mas uma aflição boba não saía do peito.

E não somente por aquele motivo.

— É patético! — Exclamou. — Se não fosse pela individualidade ridícula do vilão, não teria me permitido viver essas coisas com você nunca. Que merda...e você sempre gostou de mim, enquanto eu só fazia você sofrer feito um desgraçado e esperar uma eternidade...

Foi surpreendido por uma carícia lenta em seu rosto. Izuku lhe sorriu, apesar dos olhos cheios de lágrimas.

— Tudo bem, Kacchan. Eu faria tudo de novo. — Decretou.

— Não precisa, nerd. — O puxou para um abraço. — Já disse que vou ficar. Então vê se arranja um espaço para mim no armário!

— Oh, claro! Vou providenciar amanhã mesmo!

— E onde vai guardar tanta quinquilharia do All Might agora?

— Hm...sob a cama? — Um riso leve deixou os lábios de Midoriya.

— Já não basta ter que transar com ele me olhando de todos os lados, agora também vou ter que transar com ele por baixo da cama? Fico puto só de imaginar...

Os resmungos baixos não tiraram o imenso sorriso de Izuku. Ele parecia inabalavelmente feliz, como se tudo estivesse no mais perfeito lugar possível.

E aquela felicidade toda aqueceu o coração de Katsuki. Sentiu-se contagiado por aquela certeza.

Até os All Mights espalhados em cada canto do apartamento ele suportaria. Havia somente uma coisa que não conseguia mais...

— Aí, Deku! — Exclamou exageradamente alto para a pouca distância entre os dois. — Vou trazer um sabonete novo para esse seu apartamento! O que você usa é uma merda!

— Nosso. — Reiterou.

— Ahn? Nosso o que?

— Apartamento, Kacchan. Agora é nosso.

A feição de Bakugou adquiriu um teor surpreso. Pensar daquela forma foi inesperadamente reconfortante.

— Tanto faz. Nosso. — Fingiu indiferença, embora extremamente contente pela constatação.

Poderia facilmente se acostumar com aquilo.

Trocou um olhar aliviado com Midoriya. Tinha dado tudo certo.

Os corpos exauridos lentamente entregaram-se ao sono.

*-*-*

Izuku dormiu bem como não conseguia há tempos. Por outro lado, foi tomado por receio ao acordar.

As lembranças de sua última manhã após ter se entregado a Katsuki o alarmaram.

Na pior perspectiva, ele teria ido embora. Ou estaria furioso, esperando-o para uma conversa que partiria seu coração.

E na hipótese mais otimista, estaria repetindo o ritual de dias antes: teria acordado mais cedo, colocado o café da manhã na mesa, e estaria lendo alguma literatura das estantes...

Seu coração desejou intensamente que fosse assim.

Perdeu o fôlego ao constatar que todas as suas previsões estavam equivocadas, e que quando tratava-se de Bakugou, sempre era surpreendido.

Ele não estava preparando o café da manhã dos dois, enérgico para o novo dia. Muito pelo contrário — ainda estava adormecido, deitado de bruços no canto oposto da cama.

O semblante continha uma fusão de cansaço com tranquilidade. Os últimos dias haviam sido tão desgastantes que ele continuava exausto, assim como Izuku, porém que sentia-se bem melhor só pela presença dele.

Se aconchegou no ombro forte e o abraçou pela cintura. O calor receptivo que emanou do corpo dele lhe trouxe uma súbita certeza de que precisava continuar na cama, ainda que não sentisse mais sono algum.

Queria aproveitar mais da sensação acolhedora de tê-lo de volta — e de seu peito aquecido por todo o amor que sentia por aquele homem.

Sabia que as circunstâncias exigiam uma longa conversa sobre o que fariam, porém teve a certeza que precisava naquele momento: tudo ficaria bem porque Kacchan estava ali.

E a agenda dos dois estava livre.

*-*-*

No manhã seguinte, pouco antes da primeira missão do dia, Izuku e o chefe se cruzaram em um dos corredores da agência.

— Bom dia, Todoroki-kun!

— Olá, Midoriya. — Devolveu a saudação, enquanto o outro caminhava em sentido oposto. — Você está cheiroso.

O ar por onde Deku passou tinha uma fragrância diferente da habitual.

Era do sabonete de Bakugou, que o herói tinha feito questão de levar no dia anterior para o apartamento, após a pequena mudança que o realocou oficialmente para lá.

O antigo apartamento de Katsuki havia sido colocado à venda.

Izuku estancou os passos e se virou, coçando a nuca envergonhadamente, enquanto as bochechas coradas engoliam seu rosto.

— O-Obrigado! — Disse com simplicidade, retomando sua trajetória original ante um pequeno sorriso de entendimento de Todoroki.

Se ele tinha reconhecido a essência ou não, ninguém sabia.

*-*-*

Bakugou entrou como um raio na sala do chefe. Não teve nem sequer a fineza de bater na porta antes, tamanho era seu nervosismo.

Todoroki lançou-lhe um olhar duvidoso, pouco antes de ser surpreendido por um comprovante de residência deixado espontaneamente sobre sua mesa.

A mortificação foi tão grande que ele não se dignificou nem a tocar no papel em um primeiro momento. Parecia estar se perguntando se tratava-se de alguma brincadeira.

Bakugou o fitava com uma expressão entediada enquanto isso, claramente louco para sair dali.

Um pouco menos chocado, o chefe apanhou o documento.

— Você se mudou? — Reparou que o bairro era diferente do passado alguns dias antes.

— E daí? Você disse que queria meu endereço, não satisfações da minha vida!

A sobrancelha vermelha de Todoroki se ergueu em sinal de uma pequena irritação, que desapareceu no instante seguinte. Ele analisou mais atentamente a cobrança de água em suas mãos.

— Mas é o endereço do Midoriya. — Notou. — E aliás, a conta também está no nome dele.

— Você nunca para de ser chato assim?

— Desculpe, mas o que eu deveria interpretar com tudo isso?

— O que você acha, desgraçado?

Trocaram um olhar breve, no qual o chefe não deixou de reparar no suave rubor que se apossou da feição alheia, por mais que Katsuki tentasse esboçar irritação para disfarçar — com a feição franzida e braços cruzados.

— Vocês dois, colegas de quarto? Quem diria.

Todoroki devolveu a conta a Katsuki. O sorriso ladino do herói meio a meio — que deixou o outro confuso se ele tinha captado as entrelinhas ou não — só o impulsionou para fora do escritório o mais rápido possível.

*-*-*

Os dias passaram depressa, em um grau normal de tumulto.

Katsuki ficou surpreso com o quão fácil foi se adaptar à nova rotina. Viver com Deku em um imóvel bem menor do que o seu anterior parecia o passo mais orgânico possível na relação.

No trabalho, resgates a torto e a direito por toda a cidade, com somente algumas missões mais perigosas e um ou outro vilão realmente poderoso.

No tempo livre, passavam juntos. Noites, manhãs, tardes, sempre lado a lado. Era bom ter Izuku por perto.

E frequentemente, a vida social dos dois convergia no mesmo círculo: como naquela noite.

Chegaram pontualmente no endereço já conhecido.

Seria a primeira vez de Bakugou lá desde que tinha recuperado a memória.

A recepção não foi muito diferente da que se lembrava, exceto que a porta foi aberta com ainda mais ânimo do que na outra vez.

— Vocês vieram! — Inasa exclamou ao vê-los. — Eu disse que convidaríamos vocês para o nosso jantar de comemoração! Demorou um pouco mais que o previsto, mas...

— E por que só nós? Não tinha nenhum extra sem nada para fazer? — Bakugo cortou.

— Tinha, vocês!

— Não somos extras! Você que é, seu personagem secundário de merda!

Inasa pareceu satisfeito com a resposta, como se não esperasse menos de Katsuki.

E logo os olhos castanhos dele se voltaram para Midoriya, que ostentava um sorriso amigável.

— Boa noite, Inasa! Obrigado pelo convite!

— Obrigado por terem aparecido! Venham, eu que fiz o jantar!

Abriram caretas um tanto aflitas pela notícia, enquanto Inasa guiava-os até a cozinha.

Todoroki já estava lá, aguardando. Cumprimentou os visitantes com seu timbre monótono — foi retribuído educadamente por Midoriya, e em tom desinteressado por Bakugou.

Ao serem apresentados ao prato da noite, Katsuki encarou quase ofendido o soba.

Fez questão de ser o último a se servir, tamanho foi seu desdém.

— Que tipo de idiota gosta disso? — Cutucou com seus hashis.

— É a minha comida preferida. — Todoroki explicou, reparando que era o único com a tigela cheia.

O herói do vento assentiu, quase em um gesto orgulhoso. Repentinamente, a feição de traços angulares dele se tornou incisiva. Aproveitou que todos já haviam se sentado e lançou sua epifania.

— Eu soube que vocês estão morando juntos! — Comentou, também servido de uma porção que claramente não serviria nem de petisco para alguém do tamanho dele.

— Pavê fofoqueiro de merda... — Katsuki resmungou pela informação que Inasa não deveria ter.

— Como funciona isso? Por acaso estão juntos?

Midoriya e Bakugou se entreolharam, espantados com a pergunta. Não sabiam direito como explicar que a amnésia foi um divisor de água na relação dos dois.

— Eles não estão juntos. — Todoroki opinou, firme e com a voz baixa. — Não os compreenda mal.

— Estamos juntos. — Com muito prazer por contraria-lo, Katsuki finalmente expôs.

Todoroki continuou comendo seu soba, manipulando-o serenamente enquanto digeria a novidade.

— Ah. Felicidades. — Finalmente se pronunciou.

Todos ficaram confusos por um instante com o comportamento típico dele, antes do outro anfitrião entrar em um surto de comemorações.

— Então já é oficial! Adoro esse desenvolvimento passional!

— Que significa que serei o elemento inconveniente do nosso Big Three. — Todoroki expressou.

— E qual a novidade? — Bakugou provocou. — De qualquer forma, não é como se precisássemos da aprovação de vocês!

— Eu fui o único que não percebi, não fui?

O ar de deboche de Katsuki falava por si só. Midoriya tentou apaziguar a situação, para não entristecer Todoroki.

— Além dos nossos pais, o All Might foi a única pessoa para quem contamos formalmente. — Explicou, lembrando da vídeo chamada para relatar. — Dos nossos amigos, vocês foram os primeiros. Precisamos contar aos outros...

— O All Might até disse que sempre soube que esse dia chegaria. Soou como um tiete maluco. — Bakugou completou.

Inasa e Izuku riram brevemente, enquanto Todoroki observava tudo com uma expressão neutra. Ele ainda mastigava seu soba devagar.

— Você nunca termina de comer isso? — O herói explosivo protestou.

— Eu pretendo, é que está praticamente cru. Preciso mastigar bastante.

A resposta bizarra dita em tom tão plácido — que implicava no alerta feito anteriormente de que Inasa realmente cozinhava mal — trouxe um pequeno silêncio ao ambiente.

Inasa ficou tão desesperado para sair pela tangente que trouxe à tona a primeira coisa que lhe ocorreu: uma de suas histórias.

— Já contei para vocês como a família Todoroki reagiu quando demos a notícia sobre nós?

Os olhares recaírem sobre ele, como se tentassem ajudá-lo a se livrar da saia justa em que, mais uma vez, ele havia sido colocado.

E fingindo o mínimo de interesse, Katsuki ouviu a primeira parte. A paciência se esvaiu rapidamente, e antes que percebesse, seu foco era Izuku.

Ficou surpreso quando fez contato visual, e ele já estava olhando antes. Lhe abriu um sorriso de entendimento, como se soubesse exatamente no que ele estava pensando: quando foram eles dando a notícia às suas famílias.

As lembranças vieram em um turbilhão.

*-*-*

Foi em um fim de semana que os dois estavam livres. Era uma raridade, mas finalmente havia chegado, e por coincidência, seria aniversário da mãe de Katsuki.

Decidiram fazer uma visita à cidade pequena em que cresceram.

Foram de metrô, e fora a inconveniência de alguns fãs, — que os abordaram para fotos e interrogatórios — a viagem estava bastante tranquila.

Já Midoriya, nem um pouco. Ficava tão compenetrado em seus ensaios de como contar sobre o relacionamento dos dois que Katsuki lançou-lhe um olhar intrigado.

— Por que está nervoso, Deku?

— Será nossa primeira vez de volta para a nossa cidade desde que estamos juntos! — Exaltado, explicou.

— E daí?

— Nossos pais se conhecem. E nos viram crescer, então quero dizer...

— Eles vão descobrir que agora também fodemos! Só isso! Não é grande coisa!

— Kacchan, não fale desse jeito! É constrangedor!

Um rubor convidativo pintou o rosto de Midoriya. E Katsuki já começou a ter mil ideias depravados.

— Você não vai achar constrangedor quando eu te levar para o meu quarto. — Sussurrou em tom cafajeste e prometedor.

— P-Por que no seu?

— Seria foda se a tia Inko tivesse a mínima noção do que eu faço com o filho que ela ainda deve achar que é virgem.

Izuku pensou a respeito. Sua mãe não era tão ingênua assim, porém sabia que Katsuki tinha um ponto importante: ela ficaria horrorizada se tivesse a mínima ideia, e ao mesmo tempo, sabia que cautela era um ponto seriamente fraco nos dois quando estavam juntos.

Não sabia como evitar, achava tudo com Kacchan muito excitante. E julgava que a recíproca era verdadeira.

— Já murmurando putaria, nerd? — Bakugou alfinetou.

Calou-se, constrangido. Fazia revelações comprometedoras demais quando murmurava, que depois eram sussurradas em seu ouvido nos momentos que ele menos esperava.

Katsuki abriu um sorriso zombeteiro. Era fácil tirar Izuku do sério — e estava ansioso por fazer isso ao longo de um fim de semana inteiro.

*-*-*

Bakugou nem teve tempo de usar sua cópia da chave da casa dos pais. A porta foi aberta, muito antes que pudesse

raciocinar, por Mitsuki, claramente zangada.

— Finalmente tomou vergonha na cara e veio ver seus pais, moleque ingrato! — Bradou para o filho.

— Caralho, ainda estou na porta e você já fez eu me arrepender por ter vindo!

— Você não me teste hoje, Katsuki! Te arrebento inteiro se você não me der pelo menos um maldito abraço de aniversário!

— Tanto faz! Você só vai continuar ficando velha, sua bruxa!

Os ouvidos de Izuku já estavam doendo pela gritaria, e nem tinham entrado na casa ainda. Ele, na verdade, estava agradecido por não ser notado.

— É assim que me dá parabéns?! E quem... — Mitsuki pretendia destilar xingamentos, quando reparou por quem seu filho estava acompanhado.

O olhar dela brilhou com um tipo estranho de entendimento. Deku compreendeu de quem Katsuki tinha herdado o lado difícil de ler de sua personalidade.

— Izuku! Há quanto tempo, querido! — Ela avançou na direção do rapaz, e fez questão de abraçá-lo.

— É m-muito bom te ver, tia Mitsuki! — Mal teve condições de responder, abismado por ser recebido tão calorosamente pela sogra. — M-Meus parabéns!

— Que adorável, obrigada! Veio à cidade visitar sua mãe?

— T-Também! Na verdade, quando o Kacchan disse que viria, p-pensei em...

— Ele também veio para o seu aniversário. — Katsuki se adiantou na explicação.

— Falei com o Izuku, não com você! — A mãe o cortou.

— O Kacchan está certo. — Midoriya reforçou.

— Que gentileza a sua! O Masaru vai adorar te ver!

Apenas de espectador da cena, Katsuki sentiu o sangue lhe subir à cabeça. Era como se nem estivesse ali, se não fosse por Deku sussurrar pedidos de desculpas vez ou outra.

— Masaru! — Mitsuki gritou a plenos pulmões pela casa. — Que saco, aonde ele se enfiou? Marido de merda!

Izuku emitiu um risinho baixo. Kacchan podia não admitir isso, mas as similaridades que ele dividia com a mãe se estendiam muito além da aparência. A tratativa desdenhosa mesmo para os entes queridos era um forte exemplo.

— Estou aqui... — Masaru veio da cozinha, tímido pela anarquia que tinha se instaurado bem no meio de sua sala.

— Veja quem veio nos visitar! — Mitsuki apontou cerimonialmente para Midoriya.

— Izuku! Que surpresa!

— O-Oi tio Masaru... — O rapaz respondeu, já temendo a explosão iminente de Katsuki por ser ignorado.

E ela veio antes mesmo do esperado.

— Também estou aqui, porra! Não me ignorem, velhos malditos!

— Filho! Como você está? — O pai finalmente o percebeu.

— Tanto faz. — Deu de ombros.

Ele observou os dois jovens heróis em confusão, antes de compreender do que se tratava a visita.

— Venham por favor, o jantar já está pronto!

Katsuki bufou, irritado por sempre ser convidado para jantares nas casas das pessoas.

Sabia que seria muito chato.

E de fato, suas suspeitas se revelaram corretas.

Já tinha comido o bolo de carne apimentado do pai, e mantinha os braços cruzados sobre a mesa, assistindo ao interrogatório que Mitsuki fazia com Deku.

Ela tinha colocado o marido na ponta da mesa, Katsuki de um lado, e ela e Izuku do outro — o que o enfurecia ainda mais.

— E sua mãe, como está? — E fez mais uma pergunta ao visitante, que mal tinha conseguido tocar na comida.

— A-Ainda não estive lá...

— Oh, entendi. E você pretende ir?

— Assim que...

— Mas estou feliz que tenha vindo! Há quanto tempo isso não acontecia?

— Acho que...

— Você já se desculpou com ele por ter se tornado um babaca, Katsuki?

— Não enche, bruaca tagarela! — Finalmente Bakugou teve a chance de se pronunciar. — E ele não resolveu aparecer por acaso!

O anúncio do filho trouxe uma expressão interessada à feição de Mitsuki. Ela encarou Izuku com expectativa, esperando que a notícia saísse da boca dele.

— É que...eu e Kacchan estamos juntos. E eu queria que...

— Finalmente, Katsuki! — Ela exclamou em êxtase. — Vê se trata ele direito agora, se é que você é capaz disso!

— Eu sei tratar ele bem, caralho! — Replicou.

Os dois engataram em uma discussão sem sentido, enquanto Midoriya comeu o primeiro pedaço considerável do bolo de carne.

Enquanto mastigava, notou que Masaru fazia o mesmo, tranquilo como se a gritaria ao redor nem existisse.

— Felicidades! — Ele desejou, abrindo um pequeno sorriso.

— Obrigado, tio Masaru!

E naquele mesmo clima, de brigas e mais brigas, o jantar chegou ao fim.

Katsuki cortou uma das muitas reclamações da mãe e disse diretamente:

— Eu e Deku vamos no meu quarto!

Uma sobrancelha loira dela pulsou. O olhar escarlate recaiu sobre Izuku, que corou ao lembrar das palavras de Bakugou no metrô.

— E você acha que eu nasci ontem, sua besta? — Ela finalmente se pronunciou. — O Izuku vai ficar aqui. Você que se resolva com a sua mão!

— Porcaria de velha empata foda!

Explosões faiscaram pelos ares, até ele se decidir.

— Que seja! Foda-se! Eu vou buscar um negócio! — Subiu as escadas batendo os pés.

Assim que ele se afastou, o casal olhou com curiosidade para Midoriya.

Masaru tinha uma expressão quase reconfortante, e tomou a rara iniciativa de iniciar uma conversa.

— Sei que apesar de tudo...e esse “tudo” envolve realmente muitas coisas...ele é um bom menino.

— O Izuku já sabe disso! Eu quero agora entender o que nosso filho fez para conquista-lo! — Indiscreta, Mitsuki questionou.

— Eu não sei bem, mas amo o Kacchan. Sempre amei. — Abriu um sorrisinho tímido e apaixonado.

— É muito bom ouvir isso. Estamos muito felizes e torcemos que dê tudo certo!

— O-Obrigado. — Emocionado pelo apoio, não conseguiu verbalizar nem metade do que queria.

E logo passos pesados pelas escadas chamaram a atenção de todos.

Katsuki estava de volta.

— Oe, Deku! Não agradeça! Vamos embora, já fizemos tudo que tínhamos que fazer aqui!

— É que...preciso visitar minha mãe também! — Midoriya explicou, a fim de não parecer grosseiro em ir embora.

— Claro! Mande lembranças para ela! — Masaru enfatizou.

Os quatro se dirigiram à porta. Inicialmente, Izuku se despediu dos sogros. Katsuki apenas pretendia fazer o mesmo, porém foi olhado com reprimenda pela mãe.

Voltou atrás.

— Tanto faz. Parabéns. — Abraçou-a de má vontade, e foi praticamente comprimido nos braços dela.

E Mitsuki não deixaria o rapaz envergonhado partir tão cedo.

— Vimos o documentário de vocês na televisão. Fiquei tão orgulhosa!

A revelação dela deixou Katsuki tão sem graça que ele acabou esquecendo de relutar.

— Sempre soube que meu menino chegaria longe! — Ela o soltou, sorrindo com determinação. — Agora vê se toma vergonha e aparece mais vezes! Sentimos saudades, seu idiota!

E o amortecimento da vergonha finalmente cedeu, e ele saiu porta afora.

— Me deixa! Estou vazando!

Os pais acenaram para ele e para Izuku. Os assistiram enquanto caminhavam pela rua, se dirigindo à outra porção do bairro, onde a mãe de Midoriya morava.

*-*-*

Não demoraram a chegar lá.

Assim que Izuku destrancou a porta, foi recebido carinhosamente com um abraço.

— Izuku! Que saudades! — Inko praticamente se atirou nos braços do filho.

— Oi, mãe!

Bakugou assistiu tudo com um olhar entediado. Deku tinha se tornado um herói renomado e uma figura que representava justiça e intimidação, mas nada mudava que ele ainda era o mesmo menininho mimado de sempre perto da mãe.

— E você trouxe o Katsuki! — Inko notou o jovem que acompanhava o filho. — Minha nossa, como está bonito!

Os olhos dos dois Midoriyas grudaram nele, em uma longa apreciação. Bakugou acabou corado, sem saber o que dizer.

E então Izuku soltou um suspiro comprometedor, que deu tanta bandeira sobre os dois que mesmo envergonhado, Katsuki teve que intervir.

— Boa noite, tia Inko. — Disse, com a vergonha intensificando sua rouquidão natural.

A voz a tirou do transe contemplativo — ao contrário de Izuku, que tinha se arrepiado pelo tom gostoso.

Inko também acabou ruborizada, porém conseguiu reorganizar os pensamentos.

— Entrem, vou preparar alguma coisa para vocês comerem! — Anunciou, tocando o ombro do filho.

Após um pequeno susto, ele tornou-se responsivo novamente. Se entreolhou com Katsuki, enquanto os dois heróis entravam no apartamento.

— J-Já jantamos, na verdade. — Izuku coçou a nuca, sem jeito por recusar o convite.

— Já jantaram? — A mãe esboçou desapontamento.

— É que estivemos na casa dos pais do Kacchan. Hoje é aniversário da tia Mitsuki.

— Oh, é verdade! Preciso ligar para ela!

Uma leve afobação assumiu os trejeitos dela por alguns instantes — que cruzou seu olhar com Bakugou — se desculpando em silêncio pela descortesia com a mãe dele. Porém identificou algo a mais na expressão carrancuda do rapaz.

Ele não estaria ali com Izuku despropositadamente.

— Vocês querem falar alguma coisa, não querem? — Deduziu.

Os olhares vacilantes que recebeu falavam por si mesmos.

— Tem algo a ver com aquela foto que saiu na internet?

A conjectura dela surpreendeu ainda mais os rapazes. Katsuki revirou os olhos discretamente — não bastava um Midoriya irritantemente perceptivo em sua vida, ainda tinha dois.

Continuar em um monólogo serviu como mais uma confirmação para Inko.

— Confesso que já desconfiava. — Ela suspirou, com um tom de chateação por não ter sido informada antes. — Então estão em um relacionamento?

Bakugou estava pronto para confirmar, quando a expressão de Izuku passou de lividez para lágrimas. E ao vê-lo aos prantos, Inko desmanchou sua postura de calvário e acabou fazendo o mesmo.

— Por que estão chorando? — Katsuki ergueu uma sobrancelha, incrédulo.

— Meu bebê já namora! — Ela abraçou o filho, que retribuiu fortemente.

— Ele é a droga de um adulto!

— Isso não muda que ainda sou seu bebê, mãe! — Izuku afirmou, afundando o rosto no ombro dela.

Bakugou desejou não estar lá — sentiu que estava se intrometendo em um momento íntimo — entretanto os dois pareciam à vontade com sua presença.

O choro acabou, e deu lugar a um diálogo sincero no sofá. E eles tiveram uma conversa relativamente longa. Bakugou até conseguiu participar um pouco, para a sua surpresa. Inko até chegou a cobrar detalhes que nenhum dos dois fez questão de dar.

E quando começava a ficar tarde, ao menos para os padrões de Katsuki, decidiram ir embora.

— Já vamos, mãe... — Izuku anunciou, com uma expressão que repuxava os olhos inchados pelo choro recente.

— Vocês não podem sair a essa hora! — Perplexa, Inko interviu. — É perigoso!

A mesma veia dos costumeiros surtos de raiva saltou na têmpora de Bakugou.

Eles lutavam contra vilões, faziam resgates em desabamentos, adentravam incêndios e arriscavam as vidas o tempo todo. Então o que sair nas primeiras horas da noite teria de perigoso para eles?

— Aceitamos! — Izuku se adiantou na resposta, antes que Bakugou queimasse totalmente o filme.

Inko sorriu em satisfação.

*-*-*

Após outra conversa sobre as novidades na rotina, chegou a hora do recolhimento.

E Inko fez questão que o filho dormisse na cama dele, no quarto totalmente intocado desde o dia que ele havia saído de casa. Deu até boa noite, como costumava fazer no passado.

E Katsuki não ficou muito atrás. Foi instalado no sofá, e mesmo que não fosse o lugar mais propício para dormir, Inko estava empenhada em fazê-lo ficar confortável. Até emprestou um pijama do filho, dos que mantinha no apartamento para quando Deku fazia uma visita.

Ela foi à sala, verificar se o hóspede estava bem. Se surpreendeu ao vê-lo acordado, de olhos abertos.

Fizeram um contato visual envergonhado.

— Desculpe, sou um pouco coruja. — Inko explicou.

— Esse é o lance de vocês, então.

Ela sorriu. Como conhecia Bakugou desde a infância, e sabia que aquela era a natureza dele, não se intimidava pelo jeito rabugento do rapaz.

— Meu filho sempre gostou de você. — Salientou aquilo que Izuku sempre pensou que conseguia esconder dela. — Estou muito feliz que tenha dado uma chance a ele!

O estremecimento que acometeu Bakugou foi percebido. Ele não saberia o que responder.

— Boa noite, Katsuki!

E ela se retirou, ciente que tinha deixado o rapaz extremamente sem jeito — mais um vez.

Foi dormir sem arrependimentos.

*-*-*

As palavras dela deixaram Katsuki ainda mais insone do que já estava.

Por isso não foi difícil identificar a presença de Izuku, que caminhou na ponta dos pés até a sala.

— Kacchan...você dormiu? — Seu sussurro cortou o silêncio da noite.

— Não.

Mais alguns passos cuidadosos, e mesmo na escuridão, Katsuki conseguiu distinguir a chegada dele ao sofá.

Parecia ter algo a dizer.

— Não consigo parar de pensar em uma coisa. — Corou ao se dar conta do leve duplo sentido da sentença, e completou. — O que você foi buscar no seu quarto hoje?

O olhar interessado de Katsuki mudou para um mais sério. Ele resmungou baixo, pego claramente desprevenido.

— Preciso da minha calça. Está no bolso dela.

Izuku havia deixado a veste em seu quarto. Segurou na mão de Bakugou e o guiou para fora do sofá.

— Vem me mostrar, Kacchan!

Com cautela, se dirigiram até o cômodo do apartamento que mais se assemelhava a um santuário do All Might.

Katsuki não entrava naquele lugar desde a infância, e ficou satisfeito por nada estar diferente.

— Quarto de nerd. — Observou.

As luzes foram acesas, e sobre a cômoda, estavam as roupas de Katsuki.

Midoriya estendeu a calça a ele, sugerindo em silêncio que ele mesmo procurasse. Recebeu uma levantada de sobrancelha incrédula.

— N-Não quero invadir sua privacidade. — Izuku explicou.

— Você diz isso depois de ter comido a minha bunda semana passada? Se liga, Deku otário!

— K-Kacchan! Não diga essas coisas!

Bakugou cruzou os braços, impaciente, mas entendeu a deixa. Mesmo contrariado, procurou no bolso que parecia menos volumoso.

— Isso. — Katsuki sentenciou, ao expor a forma plana em sua mão.

Os olhos de Midoriya se arregalaram. Sabia muito bem do que se tratava.

Quando eram crianças, colecionaram o álbum de figurinhas da era dourada de All Might — ainda não eram nascidos quando os referentes às glórias anteriores do herói foram lançados.

E no bairro todo, a única criança que se gabava por ter conseguido completa-lo era Katsuki. Ele jamais havia mostrado sua coleção para ninguém, entretanto gostava de usar isso para provocar Izuku, cujo álbum estaria completo se não fosse pela...

— Figurinha 374! — Perplexo pelo que Bakugou tinha em mãos, hiperventilou. — Kacchan, eu não acredito que é ela!

Olhou mais atentamente para ter certeza que seus olhos não estavam o enganando. Então o verso chamou sua atenção.

Não era o lado adesivo: era o recorte de uma página do álbum.

— O que você fez?! — Exclamou em horror, alheio ao horário e à mãe adormecida no cômodo ao lado. — Você recortou ela do seu álbum! Como...

— Nunca terminei. Eu só disse que consegui para você não saber que o seu estava mais completo que o meu.

— M-Mas nem estávamos competindo!

— Óbvio que estávamos! Eu só não tinha te contado!

O coração de Midoriya se dividiu entre seu orgulho de fã e uma comoção por Katsuki ter sacrificado daquela maneira algo tão simbólico para os dois.

— Não faça essa cara, porra! — Katsuki queixou-se. — Eu não tinha essa repetida! Só aceite de uma vez e leve para colar no seu álbum! Sei que ele fica na estante de casa!

Izuku murmurou sobre a decisão radical por alguns instantes, incrédulo. Parecia se questionar das razões por trás do rompante — afinal sabia que nada feito por Katsuki era tão impulsivo quanto aparentava ser.

Mas Bakugou decidir deixar suas intenções claras antes que Deku fizesse sua cabeça doer com tantas suposições.

— Isso é pelo que você fez por mim na amnésia, tipo por ter sido sincero e tal. Só não fique se achando! E se compensar por todo resto, que seja!

O coração de Izuku aqueceu ao decifrar os significados implícitos daquela frase. Sabia que ele se referia a um todo, que remetia até ao passado conturbado dos dois.

— Não precisa agradecer, Kacchan! Nem se desculpar... — Sorriu imensamente.

E como sempre, ele soube interpretar as palavras não ditas.

— Vê se para com essa palhaçada de ficar me lendo! — Katsuki ralhou, embora na verdade puxasse Midoriya para si com o evidente intuito de abraçá-lo. — É bom que valha a pena! Assim eu posso me gabar com algum extra pelo seu álbum também.

— Obrigado, Kacchan!

Lágrimas emocionadas escaparam pelos olhos ainda maltratados pela salinidade naquela noite.

— Já estava demorando para começar a choradeira.

O comentário trouxe um pequeno sorriso ao rosto molhado.

E o nariz que dava os primeiros indícios de um escorrimento despertaram uma reação adversativa de Katsuki. Ele deixou a figura na bancada do computador e segurou a mão de Izuku.

— Vamos enxugar essa sua cara, nerd.

Não houve tempo para protestos.

O levou até o banheiro. Precisavam de papel para enxugar as lágrimas escorridas pela face sardenta.

Assim que entraram no ambiente, um item desconexo encostado à parede chamou a atenção de Bakugou.

— Qual é a do espelho?

— Dei um apartamento melhor para a minha mãe ano passado, mas ela se recusa a mudar daqui. — Izuku respondeu, apanhando um punhado de papel higiênico. — A parede do quarto dela tem um problema de infiltração há anos, e às vezes ela precisa tirá-lo e...

— Já entendi. — Cortou o que seria uma longa narração.

Sentou no vaso sanitário, estudando o espelho de corpo inteiro bem à sua frente, enquanto Deku assoava o nariz em pé. A escolha de lugar para deixá-lo era estranha, porém lhe deu ideias.

Sem premeditar, envolveu a cintura de Midoriya e o sentou em seu colo, com seu peito rente às costas dele. Distribuiu alguns beijos pela nuca e pescoço, até sentir que devia uma explicação.

Guiou a mão dele até o bolso de sua calça — o fez tatear a forma do objeto que ele tinha aproveitado para também pegar no bolso da calça, quando Midoriya estava distraído.

— Eu tinha te prometido uma foda nessa viagem. — Sussurrou no ouvido que já havia sido contagiado pelo mesmo rubor do rosto.

— M-Mas aqui?! — Izuku sentiu o contorno do pequeno frasco de lubrificante. — M-Minha mãe está no quarto ao lado!

Katsuki abriu um sorriso malicioso. O tom de desafio da curva dos lábios dele deixava Midoriya obstinado, e o olhar de expectativa que recebia através do espelho tornava a proposta ainda mais interessante.

Propositalmente, Bakugou rebolou, criando uma fricção convidativa.

— Vai só vai precisar ser discreto. A menos que queira que ela ouça você gemendo o meu nome enquanto eu te arrombo com o meu pau.

Izuku viu o corpo inteiro arrepiar — era terrivelmente sensível ao vocabulário sujo do outro, e não da forma que julgava sensata.

Um desejo potente, inflamado pela adrenalina da situação, se instaurou em seu ser. E se...tentassem?

Mordeu o lábio com força, e rebolou de volta, concedendo uma espécie de permissão.

A reação sensual foi vista pelo espelho.

Katsuki sabia que ele cederia, mas não deixava de sentir-se lisonjeado por despertar o lado imprudente de Deku, geralmente comportado, tão facilmente.

— Kacchan... — Fechou os olhos, entregue.

Gemeu quando sua camiseta foi invadida pelas mãos quentes de Katsuki, sentindo certa decepção consigo por não querer parar — principalmente quando os toques começaram a descer.

— E se ela soubesse que quando você esteve longe de mim, ficou usando a minha calça como um esquisitão? — A lembrança trouxe uma forma grotesca de satisfação a Bakugou. — Aposto que até usou as coisas da sua caixa pervertida vestindo ela.

As mãos estacionaram no quadril de Izuku, deixando toques com o claro intuito de provocá-lo. Em seguida se voltou à barra da calça, deixando que a gravidade a levasse ao chão após passá-la pelos joelhos. Em seguida, voltou-se a cueca.

Midoriya assistiu pelo espelho o exato momento que seu pênis — já completamente desperto — saltou ao ser libertado. Gemeu, de vergonha dessa vez.

— Kacchan...isso é muito constrangedor! — Reclamou do espelho, com o rosto intensamente vermelho.

— Então vira para mim.

A ideia agradou Izuku, por mais que soubesse que Katsuki continuaria a assisti-lo. Esse detalhe, na verdade, o excitava ainda mais.

Levantou brevemente, apenas o necessário para voltar ao colo do outro, porém agora de frente para ele.

Aproveitou a oportunidade para beija-lo. Não resistia à proximidade entre seu rosto e o dele.

O abraçou pelo pescoço, enquanto as mãos dele tateavam suas coxas desnudas com primor, deixando alguns arranhões ardidos com as pontas das unhas. Repentinamente uma delas não estava mais em lugar algum, e Izuku foi surpreendido quando o toque voltou, dessa vez puxando seu cabelo.

Sua boca foi abruptamente afastada da de Katsuki, que não hesitou em puxar a cabeça dele para trás enquanto atacava o pescoço bem a seu alcance.

Midoriya exclamou ao sentir a boca do herói explosivo fazendo misérias desde sua linha da mandíbula até o limite que a gola da camiseta permitia, já parcialmente esquecido da presença da mãe no cômodo vizinho. O puxão constante apenas o instigava ainda mais.

Friccionou sua ereção contra a barriga de Bakugou, sentindo uma agonia crescente por estímulos.

Antes que pudesse pensar em uma forma mais eficiente de aliviar aquela necessidade, Katsuki o apanhou na mão, masturbando-o no ritmo que sabia que ele gostava.

Bakugou calou o gemido que escapou dos lábios dele com um dedo, com a intenção de silencia-lo somente, mas teve o dígito chupado sem nem precisar pedir.

— Essa sua boca me dá vontade de fazer loucuras, nerd...

Aquilo o divertiu secretamente, além do estado que Izuku já estava: completamente arruinado, agarrando suas roupas como se a vida dependesse disso, com os olhos marejados e saliva escorrida até o queixo.

Introduziu outro dedo na boca dele, que foi recebido de olhos copiosamente fechados e sem cerimônias.

— Está todo babado, Deku. Vê se aproveita e chupa bem esses dedos.

Izuku obedeceu, perdendo a razão conforme era tocado em dois lugares tão distintamente erógenos.

A mão de Bakugou tocava sua ereção de todos os jeitos certos, e ele se via cada vez mais apartado da razão. Apenas sugava mais e mais os dedos em sua boca como resposta, vez ou outra abrindo os olhos para admirar a maneira desejosa que era observado.

Adorava ver Katsuki dominado pela luxúria. Os olhos vermelhos brilhavam em êxtase de uma forma que o deslumbrava.

Soltou a roupa do outro para imobilizar a mão cujos dedos estavam em sua boca, e os tirou devagar, deixando-os ensopadas de saliva e ainda conectados a seus lábios. Foi olhado de forma interrogativa, e apenas para sinalizar que não havia nada errado, lambeu as pontas dos dedos bem à vista dele.

— Estou quase lá. P-Preciso te beijar... — Explicou, ofegante.

Bakugou gemeu, e não tardou a conceder o que lhe foi pedido. Tomou os lábios de Midoriya com ferocidade e desejo, ainda sem soltar o cabelo dele. Manipulava a cabeça para os lados que bem queria, realmente inebriado com tudo aquilo.

A mão que ainda estocava na ereção de Deku continuava trabalhando incansavelmente. E entre os lábios dele, sorvendo da língua já bastante conhecida, sentiu o corpo dele enrijecer por inteiro, e jatos quentes lhe acertarem na camiseta.

O beijo se tornou leve, dominado pelo entorpecimento. Separou as bocas para contemplar o olhar verde nublado de sensações, finalmente largando os cachos esverdeados e deixando que o corpo cedesse contra o seu.

Abriu um sorriso convencido por deixá-lo daquela maneira — e não hesitou em judiar do corpo dele, apalpando com força um lado das nádegas de Izuku, fazendo um movimento concêntrico na carne, e aproveitando o afastamento para esgueirar seus dedos molhados para dentro. Recebeu uma arfada desesperada como resposta à hiperestimulação.

Midoriya arqueou o corpo inconscientemente, de modo a facilitar o acesso, sentindo os dedos molhados o abrirem e se remexerem em seu interior.

Afundou o rosto no ombro de Bakugou, a fim de abafar o gemido esganiçado que rompeu de sua garganta.

Sentiu cada toque dos dedos hábeis em explora-lo, tudo com intensidade máxima. Os olhos lacrimejaram com cada movimento mínimo como se fossem um sobressalto poderoso.

— Deku, olha para trás.

A voz arfante de Katsuki o deixou curioso. Abusou da flexibilidade do pescoço até os tendões doerem. O coração acelerou imediatamente ao ver a imagem distorcida pelas lágrimas.

O espelho tinha sido completamente esquecido, entretanto seguia refletindo tudo que estavam fazendo.

Viu os dedos se retirarem de seu interior, emitindo um estralo molhado e erótico que lhe roubou um ofego. Sentiu a imediata ausência deles.

Não teve muito tempo para processar a sensação do tecido da calça de Bakugou sendo abaixada. Ele não se privou da peça, — teria que tirar Deku de cima dele para fazê-lo — apenas abaixou o bastante para que sua própria ereção nervosamente negligenciada saltasse. O lubrificante foi finalmente retirado do bolso e espalhado apressadamente pela extensão.

Midoriya acompanhou pelo espelho o exato momento que a mão dele chegou em suas costas, reposicionando-o no ângulo certo.

Viu perfeitamente o momento que Katsuki se alinhou com ele e impulsionou o membro para dentro, e a forma proeminente da glande sumir em seu interior. Depois veio toda a extensão, entrando ininterruptamente.

Foi bem mais desconfortável do que quando havia mais paciência, mesmo assim não deixava de ser devastadoramente prazeroso. Seu corpo já estava acostumado, então não havia o pânico de sentir-se rasgando.

Um gemido escapou. Tampou a boca no instante seguinte, e virou o rosto para não confrontar sua própria imagem novamente.

— Gostou de ver como eu te fodo? — Katsuki provocou.

Midoriya nem teve condições de responder.

Sua reação perante o espelho despertou o interesse de Bakugou. Sustentou o peso de Izuku nos braços e o ergueu consigo. Levou-o até a parede oposta à do objeto, prensando o corpo dele contra os azulejos gelados.

Já tinham feito daquela forma várias vezes, porém nunca antes com Izuku assistindo as investidas de Katsuki.

Estava hipnotizado. O movimento dos quadris dele lhe excitavam demais, e tentava se agarrar com cada vez mais força a ele. As respirações quentes em seu cabelo só contribuíam para levá-lo à beira de um abismo de prazer.

Bakugou deixou uma mistura de arfada e gemido escapar. Só pelo som, soube que ele não duraria muito.

— Kacchan, só mais um pouco...

Os movimentos se tornaram mais vigorosos. Bakugou queria que Deku gozasse logo, senão se desmancharia muito antes dele. Estava buscando certa sincronia.

Os baques repetidos dos corpos se chocando se disseminaram por todos os lados. Se beijaram descoordenadamente vez ou outra, abafando gemidos que causariam alarde.

Quando atingiu o orgasmo, Katsuki mal conseguia raciocinar, porém não se retirou de Izuku, deixando que ele se impulsionasse para encontrar o próprio prazer.

Deku entendeu a intenção dele. Rebolou contra o sexo que já havia se despejado em seu interior, sentindo o calor e o atrito o aproximarem ainda mais do ápice. E com o reflexo dos dois unidos daquela maneira, viu sua chegada.

Logo eram os dois partilhando da sensação de estar nas nuvens, trocando um beijo surpreendentemente delicado quando o torpor os consumiu.

Os joelhos de Bakugou fraquejaram gradualmente, e ele e Midoriya escorregaram até estarem no chão.

Tudo que queriam era dormir — e se não se apressassem, acabaria acontecendo ali mesmo.

— Temos que voltar. — Izuku anunciou, sentindo-se destruído. Precisaria passar um tempo sentado ao vaso sanitário.

Acabaram dormindo no quarto de Izuku, compartilhando a minúscula cama de solteiro.

Katsuki não diria, porém não conseguia mais dormir sozinho.

E pela completa exaustão — e por estar com Deku — lhe pareceu a melhor acomodação do mundo.

*-*-*

Na manhã seguinte, Inko estava os esperando com o café da manhã montado.

— Bom dia! Dormiram bem?

Ela sorriu serenamente. Tinha um sono pesado, afinal de contas.

Os dois rapazes com olheiras bem definidas não puderam retribuir.

*-*-*

O devaneio chegou ao fim.

E mesmo sob o efeito da excitação que permeou os pensamentos, situaram-se de volta ao momento — jantando com seu casal de amigos.

Inasa continuava falando com animação sobre a primeira vez que foi recebido pela família Todoroki.

— Quem diria? Eles me adoraram! — Comemorou.

— Até meu pai te adora. — Todoroki completou, com a tigela de soba finalmente pela metade.

— É, até ele.

Esboçaram carrancas de reprovação. O ligeiro ranço que ainda nutriam por Endeavor era mútuo.

— E o que os pais de vocês acharam? — Inasa finalmente se interessou em saber de Midoriya e Bakugou.

— Que seremos felizes juntos.

Os quatro sorriram com a resposta otimista de Izuku. Desejavam o mesmo.

*-*-*

Mais alguns dias transcorreram.

A caixa estava caída pelo chão, revirada. A maioria das roupas de cama também.

Os heróis, entretanto, estavam na cama apenas aproveitando a tranquilidade de um dia que os dois teriam somente missões noturnas. Midoriya ainda estava sonolento, e era observado com olhos encantados.

Katsuki precisava levantar. Deixou um beijo na bochecha dele e desatou o abraço que manteve ao redor de Izuku desde antes dos dois adormecerem, resmungando baixo sobre câimbras.

Saiu chutando as coisas perdidas pelo chão — em sua maioria, usadas na noite de aventuras experimentais dos dois — e se dirigiu ao banheiro.

Tomou um banho breve, e quando voltou, Izuku já estava devidamente acordado. Encarava a tela do celular com expectativa, consultando de minuto em minuto o site de divulgação do ranking semanal de heróis, que seria atualizado.

— Bom dia, Kacchan! — Ele saudou alegremente quando os olhares se cruzaram. — Dormiu bem?

— Pouco. A possibilidade de você ser de novo o suposto herói número um me deixou puto e com uma porcaria de insônia.

A resposta arrancou um sorriso de Izuku. Gostava de não ter perdido a competitividade com ele só porque estavam juntos. Era parte fundamental da dinâmica dos dois.

E então a página atualizou.

— Não é suposto! — Anunciou inconscientemente.

— Ahn?! Vai ficar me desafiando?

— N-Não! É que...

Mostrou o celular, e consequentemente o ranking semanal. Algumas explosões enraivecidas seguidas por dúzias de xingamentos dominaram o quarto.

— Que saco! — Gritou aos ares. — De novo isso?!

— Você trabalhou duro, Kacchan, mas...acho que aquele grupo de idosos no clube de campo não deve ter ficado muito satisfeito com a explosão das janelas. Talvez você volte ao primeiro lugar na semana que vem...

— Malditos! Eu até dei xarope para eles!

Midoriya riu baixinho ao vê-lo amaldiçoar tudo e todos.

A expressão adorável dele fez o tumulto colérico do peito de Katsuki amansar.

— O que você acha de voltar para a cama agora, Kacchan? — Izuku ofereceu, desejando profundamente mais da presença dele.

— Que seja! Mas só porque não tenho mais nada para fazer!

E ele tinha um monte de coisas para fazer, porém jamais resistiria a um convite como aquele.

Assim que retornou ao conforto da cama, Izuku se aconchegou ao ombro dele. Ambos sentiram o remexer das borboletas que nunca abandonavam seus estômagos.

Deku estremeceu com uma carícia em seu cabelo. Olhou para o rosto que sempre achou tão belo, e as famigeradas borboletas levantaram um voo alvoroçado.

— Eu te amo, Kacchan. — Anunciou solenemente.

Bakugou sentiu o peso daquelas palavras de forma diferente da habitual. Era como se em seu próprio peito habitasse uma crescente urgência de verbalizar a recíproca.

Mas era muito difícil dizer algo tão profundo. Sabia que precisava ir aos poucos.

— Você sabe que... — Se interrompeu, procurando palavras que não acabassem entaladas na garganta. — Eu também.

A revelação trouxe um estarrecimento tão grande a Izuku que ele se afastou abruptamente. Com os olhos arregalados ao máximo e uma mão cobrindo a boca aberta em choque, tentava extrair na face de Bakugou algum indício de que fosse um mal entendido.

O olhar irritado pelas custosas palavras não serem levadas a sério foi a confirmação que precisava. E logo não era mais a surpresa que se sobressaía em seu peito — era uma intensa felicidade, que esquentava o peito como uma gratidão reconfortante.

— E-Então você também me ama?! — Precisou confirmar. — Kacchan, v-você disse que...

— Cala a boca, porra! — Interrompeu, envergonhado, já evitando contato visual.

Izuku perdeu o fôlego, enquanto os olhos marejavam.

Puxou Katsuki para um abraço. Envolveu a forma dele calorosamente em seus braços.

— Corta essa choradeira, Deku! — Bakugou insistiu em protestar, por mais descontrolado que seu próprio coração estivesse àquela altura. — É, foi tipo o que eu disse, idiota! Agora sai para lá com essa...

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O celular de Izuku começou a tocar.

Katsuki lançou um olhar assassino para o aparelho. Mais ainda quando se inclinou sobre a cômoda — sem ser devidamente largado por Midoriya para isso — e viu o nome de Todoroki na tela.

Apanhou o aparelho, apesar das pequenas negativas de Izuku.

— Morre, pavê bastardo! — Atendeu aos berros. — O que você quer?

— Chame o Midoriya, por favor. — Todoroki respondeu, ciente que naquele estado de mau humor matinal, seria quase impossível ter uma conversa civilizada com Katsuki.

— Não me diga o que fazer! — Ralhou, relutante em cooperar, mas por fim acatou.

Estendeu o celular ao outro, que ainda enxugava os olhos com os dorsos das mãos. Izuku o encarou com um olhar perdido.

— Ele quer falar com você.

Com a breve explicação, assumiu a ligação. Ouviu uma respiração entediada antes de se anunciar na linha.

— Todoroki-kun?

— Bom dia, Midoriya. É uma emergência. — Foi direto. — Vocês precisam vir imediatamente.

O chefe narrou o caso, para que estivessem preparados quando chegassem, e com as estratégias de ação já formuladas.

Não era uma missão genuinamente difícil, porém demandava uma sincronia impecável para nada dar terrivelmente errado — essa precisão que era característica do Wonder Duo.

— Se é assim, devemos entrar pelo lado noroeste, e até lá contamos com a distração que já está em progresso. Vou precisar que a equipe em campo se manifeste discretamente quando as rotas de evacuação já estiverem prontas, e além disso...

Izuku seguiu preenchendo o quarto com seus murmúrios. A paciência naturalmente rasa de Bakugou se esvaiu, e ele logo estava gritando para o celular.

— Só diga que estamos indo, Deku mandão de merda! E vê se me passa logo essa missão para que eu faça meus planos também!

Ao ouvir o protesto do herói, Todoroki se despediu de Midoriya totalmente inabalado pela gritaria, e apenas reforçou alguns detalhes cruciais da missão.

Assim que desligou, Deku foi metralhado por um olhar enviesado.

— E então? — Cobrou.

— Invasão.

— Minha preferida! Finalmente um pouco de emoção para sair da monotonia dessa cidade morta!

O comentário trouxe sorrisos determinados aos dois. Saltaram da cama, e em instantes já estavam se equipando com os trajes reservas que deixavam no armário para missões emergenciais.

— Pronto para comer poeira, número dois? — Bakugou desafiou.

— Número dois? — Pontuou audaciosamente. — Então me diga você, Kacchan.

A expressão furiosa ficou para trás rapidamente, assim que o One for All foi ativado. Logo Midoriya estava o esperando na porta da frente, extremamente animado com a missão.

Trincando os dentes, Katsuki foi atrás dele — custando a alcançar a velocidade sobre-humana de Deku com suas melhores explosões.

Inverteria o ranking daquela semana nem que tivesse que explodir até o último vilão da cidade para isso.

— Deku de merda! Volta aqui!

Se apressaram para chegar ao destino, prontos para mais um dia de missões heroicas do Wonder Duo.

Mais um dia salvando para vencer e vencendo para salvar. Juntos.

Notas finais
Não consigo acreditar que acabou. Nem sei descrever o quanto eu amei escrever essa fanfic. E vocês tiveram um papel importantíssimo nesse processo, porque pensar em cada um de vocês me fez muito feliz durante essa jornada. Obrigada por todo carinho! Sei que tenho muitos comentários atrasados para responder, e eu vou! Muito obrigada por tudo, e espero que vocês tenham se divertido com esse final tanto quanto eu. Até a próxima fanfic, que com certeza virá! ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ #BakudekuForever
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!