1998. Ano de eleição, no caso, reeleição. Também foi ano de Copa, muitos brasileiros até hoje não se conformam com a derrota pra França na final. Mas, de alguma forma, esse ano também pode ter marcado, não um país inteiro, mas sim a uma família, a um grupo de pessoas. Talvez não seja um fato público, mas talvez não é algo tão individual como a sua primeira sopa de letrinhas.

Neste ano, nascia o Léo, filho de Rosana e Rogério, eles estavam casados há um ano, bem, de alguma forma ele os unia, pois o relacionamento era bastante instável. Rogério era bastante ciumento, talvez por amar demais, mas ele também sabia, em alguns momentos, demonstrar afeto e carinho para sua esposa.

— Quer que eu te leve? — Sim, Rogério era um pouco controlador

— Não precisa gastar gasolina comigo, amor — Rosana, por sua vez, queria um pouco de liberdade — Eu sei o caminho, relaxa!

— Tá, eu te deixo ir… — Rogério adora impor condições — Se me der um beijo! — Mas não era muito difícil para Rosana cumpri-las

Mais tarde, ao fim de seu serviço, Rogério sempre tomava um cafezinho na casa de seu grande amigo, Mário. A esposa dele, Simone, era uma ótima cozinheira e, é claro, que Rogério também aproveitava, de alguma forma, de seus grandes dotes.

— Huum… Esse café tá delicioso! — Rogério comprova o que eu disse

— Por isso que eu digo... — Mário não diz nada com nada — Lugar de mulher é mesmo na cozinha!

— Pois o da minha é no supermercado… — Rogério diz um pouco incomodado — Ela também quer ganhar o dinheiro dela!

— Se eu fosse você… Abria o olho!

Mário também trabalhava no Super Mercury, era carregador e observava que o gerente (e dono do supermercado), Afonso, frequentemente parava Simone, para conversar com ela. Realmente, Afonso Mercury a achava muito encantadora…

— Então esse cara fica no pé dela? — Basta pouco para despertar o ciúme de Rogério — Todos os dias?

— É, eu acho bem estranho… Só dela!

— Por que ela não me conta nada disso? — Rogério coloca a xícara de café na mesa, com força

— Talvez ela tenha medo da sua reação! — Simone entra no meio da conversa

— Ah, medo por quê? — Mário ridiculariza Simone — Ele é marido dela! Ela deve satisfações à ele!

Simone volta à louça, incomodada.

— Já que ela não quer contar nada pra mim! — Rogério tem uma ideia estúpida em mente — Eu vou pegar ela, de surpresa…

Pois bem, Rogério não foi ao seu emprego nesse dia, ele queria ir ao Super Mercury, para tirar satisfações: Sua esposa o traía? Ou esse cara chato tava dando em cima, contra a vontade dela? Detalhe que ele não pensou que talvez pudesse ser um mal entendido.

No seu Monza vermelho, ele se dirigiu ao Super Mercury. Bem, esse supermercado ficava um pouco longe da sua casa, enquanto ele morava no Novo Riacho, em Contagem, o estabelecimento se localizava no Bairro da Glória, um dos pontos mais movimentos dessa cidade. Sua esposa pegava ônibus para ir ao trabalho.

Chegando lá, ele já avista sua esposa no caixa. O horário era de pouco movimento no supermercado, Rogério se aproxima do caixa, já falando bem alto:

— Amor, vim te ver!

— Oii, Rogério! — Rosana fica surpresa com a presença dele — Veio comprar algo?

— Não, eu vim ver quem é…

— Do que você está falando? — Rosana começa a ficar pasma, ela sabe que o marido está prestes a armar uma confusão

— O cara que tá te enchendo o saco! — Rogério começa a gritar, de verdade — Cadê esse babaca?

— Ele… Você… — Rosana está bem nervosa — Como você ficou sabendo?

— Não interessa! — Rogério começa a encará-la — Então é verdade! Por que você não me contou antes?

— Porque… Porque não precisava! — Rosana abaixa a cabeça, com vergonha

— Você não pode continuar trabalhando aqui!

— Que papo é esse? — Rosana se levanta — Eu não ficar sendo sua escrava em casa, não!

— Mas quem disse que… — Rogério começa a ficar nervoso com Rosana

— O que tá acontecendo aqui? — Afonso interrompe Rogério

— É esse?

— Rogério… — Rosana pede pra que Rogério pare

— Esse o que? — Afonso tinha um ego… grande — Você sabe com quem tá falando?

— Com um canalha? — Rogério encara Afonso

— Rogério, não fala assim com ele! — Rosana coloca as mãos nos ombros de Rogério

— Ele é o seu namorado, Rosana? — Afonso lança um olhar decepcionado pra Rosana

— Sou… Por que?

— O que você quer, namorado da Rose? — Afonso começa a ser irônico

— Rose? — Rogério olha pra Rosana — Que palhaçada é essa!

— Afonso, eu já disse pra você parar de me chamar assim! — Rosana fica estressada com Afonso

— Palhaço! — Rogério dá um soco em Afonso

— Não, para, gente! — Rosana começa a se desesperar

Assim, Rogério e Afonso começam a brigar dentro do supermercado. No meio de toda essa briga, Rogério acaba derrubando alguns produtos e, por fim, Afonso acaba quebrando seu braço. Depois de tudo, Rosana acaba chamando uma ambulância para seu marido e os dois vão embora do supermercado.

Dentro da ambulância, Rosana chora, enquanto Rogério, estressado, não diz coisa com coisa. Enquanto isso, Afonso, dentro do Super Mercury, parcialmente destruído, começa a ficar arrependido, não só por não ter mantido a linha, mas também por ter se apaixonado justamente por uma mulher comprometida. E com um marido tão agressivo, é claro.

Continua...