Eu, Minha Mãe e Meu assassino - Oneshot
1 Cap. Unico
Notas iniciais
Quando eu tinha sete anos fui assassinado. O pior é que o meu assassino é o meu padrasto.
No meu aniversário de quatro anos meu pai sofreu um acidente de trem, foi prensado pelas rodas do mesmo. Dois anos depois minha mãe arrumou um namorado chamado Márcio. Ela ficou com ele por 3 anos. Até descobrir que ele me matou.
Minha mãe não sabia mais quando ela saia pra trabalhar de manhã, ele pegava dinheiro do nosso cofrinho para tomar cachaça. Eu sabia, pois sempre contava o dinheiro do cofrinho e sempre faltavam três reais.
Tadinha dela, quando chegava em casa ele sempre estava dormindo, então ela nunca reparava que ele estava bêbado. Eu não contava porque ela demorou para arrumar outro namorado depois da morte do meu pai.
O Márcio nem desconfiava que eu sabia o que ele fazia... Até o dia em que me viu espiando
– Vou pegar o dinheiro rápido antes que o menino acorde — ouvi ele dizer
– Você já vai beber? – perguntei
– O que você tá falando moleque?
– Eu sei que você bebe e sei também que você pega o dinheiro do cofre.
– Se você falar pra sua mãe, eu juro que te mato, entendeu?
– Pode ficar calmo que ela não vai saber – afirmei
– Assim é melhor. Agora vai pro seu quarto que eu vou sair
Subi para o meu quarto e sentei na cama, pensei em ligar para minha mãe... Melhor não. Se eu contasse, ela iria ficar triste. Mas iria ficar ainda mais se eu não a contasse logo.
Decidi ligar
– Alô!
– Alô, com quem você quer falar?
– Por favor, gostaria de falar com a Juliana
– Só um momento, quem é?
–É o filho dela, o Paulo.
– Ok, só um momento que eu vou passar pra ela.
Alguns instantes depois...
– Oi meu amor, o que aconteceu pra você me ligar essa hora?
– Mãe eu tô com dor de cabeça e minha garganta está muito irritada.
– Está bem, espera que daqui uns 15 minutos estou aí, tá?
– Tá. Beijo. – Falei que não estava muito bem pra ela vir rápido e dar tempo de o ver ele chegar bêbado enquanto ela trabalha. Escutei o barulho da porta, achei que fosse ele, mas para minha sorte era minha mãe.
– Filho vem aqui para eu ver sua garganta.
– Tô aqui no seu quarto.
Escutei o barulho do salto dela na escada: TOCK TOCK TOCK.
O perfume dela tomou conta da casa.
– Oi, filho deixa a mamãe ver a sua garganta. Abre bem a boca.
– AAAAAA
– É, está irritada mesmo. Vou ficar um pouco com você aqui na cama, se não melhorar eu te dou um remédio.
– Tá
Dormi um pouco e depois de 20 minutos acordei com o barulho da porta abrir e fechar com força.
– Ah, cadê o meu amor? Ela não está então vou beber mais um pouco...
– O que é isso filho? – ela perguntou espantada.
– É o Márcio, ele chega assim todo dia quando você sai para trabalhar. Vou te contar um segredo – cheguei perto do ouvido dela e falei baixo– ele vai ao nosso cofrinho e pega dinheiro para beber.
–Desde quando ele faz isso?
– Eu não sei, o tempo que eu vi tem três semanas.
– E você só me fala isso agora?
– Ele me viu espiando e falou que se eu contasse pra você ele me mataria.
– Mais por que mataria?
– Porque ele não sai pra trabalhar como a senhora acha, ele vai pra casa de outras mulheres e às vezes até traz elas para cá. Não fala que foi eu que falei, por favor.
– Hurg! Ele não vai te matar, eu não vou deixar. Finge que você não sabe que estou aqui.
Fui para o meu quarto e fiquei por um bom tempo lá. Ela desceu as escadas bem devagar pra não fazer barulho. Ele estava muito ocupado no banheiro e nem escutou ela descer as escadas.
Ela saiu de casa e depois de uns 10 minutos ela voltou. Ele já estava no quarto, um pouco bêbado ainda.
– Amor... Cheguei mais cedo hoje, meu chefe não foi trabalhar! Amor... Amor?
– Oi querida, estou aqui no quarto! – respondeu
– Nossa, mas você já está em casa...
– Eu fui trabalhar... mas aí... – Márcio começou a gaguejar
– Mas o quê?
– Eles dispensaram todos mais cedo por falta de energia.
– Ah tá. Vou fazer o almoço aproveitando que estou em casa, né?
– Tudo bem.
Esperei uns cinco minutos
– Mãe? – perguntei por ela como se não soubesse que ela estava em casa.
– Oi filho, já acordou?
– Já sim mãe.
Ela veio até o meu quarto e falou
– Filho, finge que eu não sei de nada. Vamos ver até aonde ele vai com essa mentira.
– Está bem.
– Vou lá fazer o almoço, porque você vai para escola.
– Aham. Te amo mamãe... pra sempre.
– Eu também meu amor.
POV MÃE
Não podia deixar meu filho passar por isso, muito menos deixá-lo em casa, vai que um dia ele chega bem mamado e desce o cassete no menino. Se ele fizer isso eu... eu... mato ele.
Fui para a cozinha, arrumei a mesa, preparei um suco de laranja, o preferido do Paulo. E terminei o almoço.
– Meus amores, o almoço está na mesa.
– Já estamos aqui – disse Paulo e Márcio.
– Peguem os pratos para eu servir vocês – O primeiro que servi foi Paulo.
– Mãe, eu não quero batata.
– Mas você tem que comer, faz bem pra saúde.
– Tá bom, pode colocar mas coloca pouco.
O segundo foi Márcio.
– Opa! pode encher porque estou com muita fome.
Coloquei a comida no prato deles e fui pegar um prato pra mim. Sentamos-nos à mesa, almoçamos e depois servi gelatina de uva, como sobremesa.
POV PAULO
Não entendia muito o que minha mãe havia feito, mas confiava nela.
– Mãe o almoço e a sobremesa estavam ótimos! – elogiei sua comida, que era boa de verdade.
Ajudei a retirar a mesa e fui me trocar para ir à escola.
Subi as escadas, fui em direção ao meu quarto, peguei meu uniforme e me arrumei.
A van já estava buzinando.
– Filho seu lanche – Peguei o lanche
– Tchau mãe... Tchau Márcio.
– Tchau Paulo! – Os dois disseram juntos. Abri a porta e fui em direção a van.
estudei... estudei
Estava quase na hora de sair, minha mãe sempre me buscava. Sai da escola, ela estava lá dentro do carro me esperando. Ela tem cabelo preto, bem preto, amarrado com o famoso “Rabo de cavalo”. Ela era tão linda, pena que não pude ficar observando a beleza dela durante a minha vida.
– Vamos Paulo, temos que ir logo.
– Estou indo. – Não seio o que eu senti naquela hora, só sei que uma voz me falava pra ir logo ao encontro da minha mãe. Corri em direção ao carro e ela saiu do carro, me deu um abraço super apertado, seu perfume me embriagava. Entramos no carro, ligamos o rádio, estava tocando nossa música preferida “You and Me” da banda Lifehouse, lógico que cantávamos errado, mais adorávamos cantar do nosso jeito.
–Cas you an me...
Cantávamos essa música porque depois que meu pai faleceu, restamos só nós dois, então eu escutava essa música e ela cantava comigo.
Chegamos em casa e fui tomar banho para jantar.
Foi o Márcio que preparou o jantar. Lógico que ele não cozinha igual minha mãe, mas fazer o que né? Minha mãe estava cansada, pois depois que eu fui para a escola ela voltou para o trabalho.
– O jantar está na mesa! – berrou Márcio.Desci junto com a minha mãe. Fomos em direção a cozinha, pegamos nossos pratos e nos servimos
– Como foi o seu dia Paulo? – perguntou Márcio.
– Hum... foi normal, como todos os outros.
– Normal? Só isso?
– Só. Terminamos de comer e fomos para a sala assistir filme. Quando terminou todo fomos dormir.
Fui para o meu quarto e minha mãe esperou eu pegar no sono para ir dormir. No dia seguinte a mesma coisa. Márcio pegou o dinheiro no cofre e foi beber.
Ele fez isso durante um mês.
Até que...17/03/2009, vendo que minha mãe não aguentava mais aquela situação a chamei no meu quarto antes de ela sair.
– Oi filho.
– Mãe, não aguento mais ver a senhora sofrer por causa dele.
– Filho, eu também não aguento. Mas vou resolver isso hoje mesmo. –Começamos a combinar como ela iria falar pra ele, sem perceber que ele estava nos ouvindo pela porta.
Ele chamou minha mãe contando que estava com uma forte dor de cabeça. Era mentira. Ele bateu tanto nela que ela ficou desmaiada por um bom tempo. Ele então aproveitou a situação dela e veio me pegar, me levou para o porão, lá ele me matou com um facão. Depois ele fez uma fogueira e jogou meu corpo no meio, deixou lá queimando. Depois de meia hora o corpo já era cinzas. Ele limpou tudo, a faca, os meus restos e o da fogueira, até isso deu tempo de limpar.
Depois de uns 5 minutos minha mãe acordou com uma fortíssima dor de cabeça.
– Juliana? Como você está?
– Tô com uma enorme dor de cabeça. O que aconteceu?
– Vou te contar mais uma vez.
– Por quê? você já tentou me contar quantas vezes?
– Bem essa vai ser a 5º ou a 6º que eu te conto.
– E qual é a minha reação?
– Você desmaia...
– Bem... tenta outra vez.
– Bom... eu acordei com o barulho da porta da sala, achei que era um ladrão, mas não era, era só uma janela aberta. Também pensei que fosse coisa da minha mente, mas quando eu fui até o quarto do Paulo, ele não estava na cama.
– AÍN!
– Calma, não desmaia de novo.
– Você já falou com a polícia?– Ainda não estou esperando você pra contar.– ENTÃO LIGA LOGO...
– Liga você que eu vou fazer um chá pra acalmar os seus nervos
– Como que eu vou acalmar meus nervos se meu filho de sete anos não está em casa?
– Está bem.
POV MÃE
Nunca imaginei perder as duas pessoas que mais amei na vida. E agora o que eu vou fazer sem meu filho?
Peguei o telefone e liguei para a polícia avisando sobre o sumiço do meu filho. Eles disseram que iriam procurar por ele.
Depois de 5 meses de procura, os policiais disseram que não havia mais chances de encontrá-lo vivo. Foi a segunda coisa mais difícil que pude escutar. Já perdi meu marido e agora meu único filho.
Estava sendo muito difícil pra mim esquecer tudo o que eu vivi com meu filho, por mais que ele só tivesse seis para sete anos, vivemos muitas coisas juntos.
...Os bracinhos dele me pedindo colo, seu cheirinho depois do banho. Lembro também das nossa pequenas brigas. Isso porque ele era muito bagunceiro e eu não gosto de bagunça... agora... minha vida é uma bagunça. As coisas não são como eram antes. (Pausa pro choro)
Três anos se passaram e os policiais nunca descobriram o que aconteceu com meu bebê. Até que eu descobri e não foi nada agradável. A propósito, quando é fácil saber quem matou seu filho foi seu próprio namorado?
A DESCOBERTA
Estávamos na festa de aniversario da sobrinha do Márcio. Uma bela menina, dois anos mais nova que meu filho. Márcio tinha bebido todas e não via a hora de ir embora. Mal entramos em casa e ele já começou a gritar comigo
– Desde o dia que aquele moleque morreu você nunca mais saiu pra nenhum lugar.
– O QUE VOCÊ DISSE?? Não adianta explicar pra você porque não foi você que perdeu um filho
– Me arrependi de...
– Se arrependeu de quê? – interrompi
– De nada.
LONGA PAUSA
Lembrei do dia em que ele veio me falando que o Paulo tinha sumido...
– Agora você vai falar, seu idiota! – gritei
– Não é nada...
– O quê? Se arrependeu de... ter se casado comigo ou de ter me enganado todos esses anos?
– Enganado? Do que você está falando?
– Você pensa que eu não sei que você pegava dinheiro do cofre do Paulo e ia beber?
Fui interrompida
– Sabia que o Paulo tinha te contado... eu avisei aquele moleque...
Tive uma vaga lembrança do Paulo ter comentado a frase "eu avisei" ou algo parecido... LÓGICOO COMO EU NÃO PENSEI NISSO...?
Continuei
– Então?? o que você tem para me contar?
– Eu falei pro Paulo não te contar... mais aquele muleque além de ser incherido é fofoqueiro
– VOCÊ LAVA ESSA SUA BOCA PARA FALAR DO MEU FILHO ESTÁ ME OUVINDO??
– EU MATEI O PAULO.....
– O quê? – perguntei em choque
Como ele pode fazer isso??
Sou uma péssima mãe... coloquei o assassino do meu filho junto dele e continuei com ele por todos esses anos.
Na hora não acreditei. Fiquei mais nervosa ainda pois não tinha provas contra ele para mostrar para policia.
– Por que você fez isso? – perguntei
– Ele era uma pedra no meu sapato.
– PEDRA?? A PEDRA AQUI SEMPRE FOI VOCÊ!
– EU SEI! ouvi você conversando com ele então decidi matá-lo. Não sou homem de não cumprir promessas
– VOCÊ ACABOU COM A MINHA VIDA SEU DESGRAÇADO, IDIOTA, RIDÍCULO. MATAR UMA CRIANÇA INOCENTE POR CAUSA DE UMA BESTEIRA DESSA? VOCÊ NÃO TEM IDEIA DO QUE VOCÊ FAZ. VOCÊ VAI SAIR DA MINHA CASA AGORA MESMO SEU MALDITO!
Subi as escadas em direção ao meu quarto abri o guarda-roupa na parte dele e joguei tudo pela janela. Na mesmo hora ele saiu correndo pra pegar suas roupas e eu tranquei a porta para ele não entrar mais.
Fui para o quarto do Paulo. Entrei e logo veio o cheirinho dele. Tudo estava intacto, não tinha poeira, nem bagunça, só o perfume dele. Abri o armário de roupas dele e fiquei admirando as pequenas calças jeans rasgadas no joelho de tanto brincar na rua, empinar pipa, de brincar com os primos e primas ou ate mesmo de esconde-esconde comigo.
– Filho, me desculpa por não ter feito o que você me pediu antes. Agora você está com os anjinhos que visitavam você durante à noite. E eu com aquele pior dos monstros. Pode ficar calmo, vou fazer o que for possível para colocar ele na cadeia e pegar prisão perpétua. – Nessa mesma noite dormi no quarto dele e tive um sonho estranho.
Estava em um lugar muito bonito, não sabia bem ao certo onde era. Ao meu lado estava Paulo me guiando, com uma roupinha toda branca.
– Você sabe o que veio fazer aqui? – ele perguntou
– Não sei.
– Você não sabe???
– Não! – respondi com um certo medo
– Você veio porque queria me ver e me falar que já sabe quem me matou. – Comecei a chorar
– O que você quer que eu faça filho??
– Quero que você vá a policia e conte tudo o que sabe...
– Mas eles não vão acreditar em mim.
– Vão sim. Estarei lá com você, como fiz todos esses anos, fiquei ao teu lado, vendo você chorar e sorrir...
– Eu te amo muito filho, sempre vou te amar, não importa onde você esteja.
– Eu também mamãe. Aqui de cima o amor é muito mais bonito.
Ficamos de mãos dadas por um tempo até meu bebê virar para mim e dizer
– Mãe, você tem que ir. Sua vida continua
– Eu não quero, mas vou fazer isso por você bebê
– Obrigado. Tchau mamãe
Dei um abraço bem apertado nele. Foi tão bom tê-lo em meus braços outra vez. Ele mal conseguia fechar os braços em meu pescoço por serem pequenos.
Acordei com o travesseiro dele bem ao meu lado, aquele sonho... ah, por mais que tenha sido apenas um sonho foi muito bom. Levantei, me vesti e fui para a delegacia
No caminho liguei o rádio. Depois que ele partiu era muito raro eu fazer isso. Nenhuma rádio estava pegando, fui passando estação por estação e parei em uma que não lembro o nome agora estava tocando a nossa musica " YOU AND ME" comecei a chorar no carro, estacionei por medo de bater, esperei a musica acabar pra continuar a dirigir
Filho, sei que está comigo. Obrigada por me lembrar disso com essa música... faz muito tempo que não a escutava
A música acabou e eu continuei o caminho em direção a delegacia.
DELEGACIA
Entrei na sala do delegado e comecei a contar o que sabia. Senti um arrepio quando comecei a falar.
Nesse momento chegou uma mulher com uma criança linda, uma menina, que assim que entrou na sala começou a conversar comigo contando um monte de coisa que ela já aprontou.
A mãe da menina falou que queria fazer um BO de um homem que bateu em sua filha.
Contei o meu caso e ela ficou comovida. Os policias pediram o nome do sujeito e ela falou "MÁRCIO RUVIS" fiquei espantada com o que ela falou, e ela também ficou quando eu falei o que ele tinha feito com meu filho.
Os policias puxaram a ficha dele e descobriram que ele tinha várias denuncias de agressão. Logo foram atrás dele.
Enquanto isso, a menina sentou ao meu lado e falou que um menino chamado Paulo visitou ela há dois dias. A interrompi com meu choro.
– Não chore! – ela me disse – ele me disse que iria ficar tudo bem.
Fomos interrompidas pelos policiais que entraram com o Márcio algemado.
– Pronto. Agora está tudo bem. Já acabou! – disse a pequena.
Fui para minha casa depois de ficar 8 horas na delegacia prestando queixa. Depois disso, fiquei 3 dias sem sair de casa.
Uns 2 anos depois eu já estava namorando de novo. Douglas era um empresário que tinha uma linda filha de 11 anos
POV PAULO
Posso ficar calmo agora que sei que minha mãe está com alguém que gosta dela de verdade.
– Paulo! – Disse meu anjo da guarda que agora é meu amigo
– Eu
– Quer ser outro bebê?
– Posso escolher de quem vou ser filho??
– Pode sim.
– Quero ser filho da Juliana outra vez.
– Tudo bem. Garanto pra você que dessa vez você vai passar muito mais tempo com ela.
POV JULIANA
Depois de 2 meses descobri que estava grávida
6 meses...
8 meses... Enfim 9 meses e meu bebê nasceu.
Um lindo menino, com os cabelos pretos e olhos claros e a pele morena bem bronzeada.
Tão parecido com meu menino
Deus, muito obrigada. Sei que Paulo voltou pra mim.
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