Eu, Meu Noivo & Seu Crush — Thalico

46 Alguns dias são mais especiais do que outros


Notas iniciais
Recapitulando: Thalia e Nico precisam e até concordaram em se casar, mas querem o divórcio logo depois. Para isso, precisam parecer um casal de verdade. O Acampamento Meio-Sangue decidiu fazer uma pequena festa para comemorar as vitórias passadas e alguns ex-campistas decidiram visitar, incluindo Félix, um filho de Tique muito próximo a Will que está deixou Nico bastante agitado. No final da festa, nosso milhozinho favorito bebeu demais e beijou Thalia, mas nossa Pinhazinha não tocou no assunto quando Nico mostrou não se lembrar disso. Boa leitura!

Narração: Thalia Grace



Wake Me Up When September Ends” era uma das minhas músicas favoritas, mas se eu tivesse que pedir para me acordarem só no final de setembro, não tenho certeza se teria dormido muito.

Para ser sincera, o período de julho até novembro passou num piscar de olhos. Era como se junho tivesse quarenta e cinco semanas em um mês, mas os demais meses eu nem percebi passar. E, quando vi, já estávamos próximos ao Natal. E também, véspera do aniversário da morte de Bianca.

A data nunca foi minha favorita, mas esse ano eu não poderia simplesmente ignorar: Com certeza Nico tinha o dia marcado a fogo em seu coração e era uma ferida que iria sangrar.

— Jason, eu entendo que você deve estar com saudades de Piper, mas… É o dia da morte de Bianca, Nico precisa de você. — Tentei argumentar com meu irmão que me ignorava deliberadamente, o foco em arrumar sua mochila. — Não pode adiar a ida por mais um dia?

Jason parou a arrumação e suspirou, deixando de lado a mochila por um momento.

— Não dá, mesmo saindo amanhã não terei muito tempo com Piper, o período de recesso das aulas é pequeno. E você sabe como as coisas estão complicadas ultimamente, a quantidade de ataques aos semideuses que estão aumentando, atravessar o país não tem sido fácil e não sei quando poderei ver Piper novamente.

Eu entendia o lado do meu irmão, é claro. Piper foi para a faculdade há meses, eles nunca mais se viram e a comunicação estava cada vez mais escassa: Além da dificuldade de acharem um momento para conversarem por mensagem de Íris à sós, as mensagens estavam cada vez mais instáveis. Até ofereci meu celular para Jason, mas ainda era um risco para Piper toda vez que ela recebia uma mensagem. Depois do segundo ataque que a garota sofreu, desistiram de usar.

Aliás, os ataques eram outro motivo para meu irmão querer tanto ir vê-la. Por todo o país, semideuses topavam com monstros nos lugares mais aleatórios, com uma frequência que se igualava à época das grandes guerras, mesmo que no momento os acampamentos evitassem missões que não fossem de recrutamento a novos meio-sangues rastreados. Não que houvesse opções para novas missões também, afinal, Rachel continuava sem o espírito de Delfos.

Não que quiséssemos novas profecias também, obrigada. Todos os meio-sangues estavam ocupados demais tentando sobreviver e se reerguer e aqueles que lideravam tinham ainda mais trabalhos. Jason e eu até tentamos trazer Hazel, Reyna, Percy ou Annabeth para visitar Nico na época do natal, mas nenhum deles estava com tempo para visitas, infelizmente.

Por isso eu entendia o lado de Jason, porém, eu só estava pedindo que meu irmão adiasse a ida por um único dia, ou até algumas horas. Já testemunhei que a relação de Jason e Nico era forte e fraterna, talvez ter o irmão que ele havia escolhido naquele dia pudesse minimizar a dor da lembrança de perder a irmã biológica.

— Mas… — tentei, no entanto, meu irmão balançou a cabeça e voltou a arrumação, encerrando a conversa. Foi a minha vez de suspirar, desistindo e indo atrás do meu plano B, no caso, meu filho de Apolo favorito.

Eu sabia que a relação de Will e Nico estava estranha desde a festa, embora ambos negassem até à morte. Os dois ainda conversavam e brincavam, mas havia uma tensão em seus ombros e algo estranho em seus sorrisos quando estavam juntos. Além disso, lentamente, o filho de Hades havia trocado as atividades que costumava fazer com Will por atividades comigo, com exceção de arco-e-flecha. Embora Nico dissesse que era parte do plano para forjar nosso relacionamento, não conseguia evitar a sensação de que ele aproveitava para se afastar do Solace.

No entanto, ainda assim Will continuava a ser uma das pessoas favoritas de Nico e poderia ser de grande ajuda.

Encontrei o Garoto-Sol na enfermaria do acampamento, organizando o local em um raro momento vazio.

— Aconteceu alguma coisa? Está ferida? — Will perguntou assim que me viu, mas neguei com a cabeça, sentando-me em uma cadeira.

— Não, só queria conversar. — expliquei, vendo-o apertar os olhos e se recostar em uma maca.

— Conversar? Comigo?

— Sim, qual o problema? Não me considera sua amiga? — brinquei com um sorriso sarcástico, conseguindo uma risada leve dele.

— Tudo bem, pode dizer. — Solace relaxou os ombros e me encarou, com sua comum paciência.

— É sobre Nico…

— Imaginei. — Will cruzou os braços, o semblante pensativo, um pouco de tensão surgindo em sua testa. — Qual o problema?

— Você sabia que amanhã é aniversário da morte de Bianca?

A tensão nos ombros de Will voltou. Ele apertou os lábios em silêncio por alguns segundos, antes de menear a cabeça:

— Não, não fazia ideia. — Suspirou profundamente, seus olhos passeando pelo chão. — E parando para pensar… acho que Nico nunca comentou em nenhum desses anos.

— Não me surpreende. — Admiti, passando os dedos por um buraco do meu short, evitando olhar para meu amigo. — Acho que não é um dia fácil para ele, por isso preciso da sua ajuda.

— Minha ajuda? — A voz de Will subiu, parecendo sinceramente surpreso. Olhei novamente para ele, analisando como franzia a testa e inclinava a cabeça.

—Sim, para distrair Nico. — Informei, cruzando os braços e me recostando melhor na cadeira. — Você sabe, fazer com que ele pense em outras coisas além do sofrimento.

— Mas por que eu?

— Jason vai viajar hoje e vocês dois são os melhores amigos dele. Ele precisa de vocês.

Will novamente ficou em silêncio por alguns, talvez refletindo sobre seu próprio distanciamento do amigo. Por fim, seus olhos encararam os meus com uma dureza pouco familiar: — E você?

Foi a minha vez de hesitar, apertando os lábios.

— Você sabe que eu sou uma das razões pelo qual Bianca não está aqui. — expliquei, apertando mais o aperto em meus braços. — Eu estava naquela missão e serei um lembrete doloroso do que aconteceu. Meu plano amanhã é apenas ficar longe de Nico, nada mais.

Will tombou a cabeça para o lado me analisando: — Tem certeza que é isso que Nico quer?

— Sim, tenho certeza. — O assegurei.

Se estivéssemos em um relacionamento de verdade já seria doloroso para Nico me ter por perto naquele dia. Como estávamos em um de mentira, a melhor coisa era me manter distante e ele ocupado e feliz. E para isso eu precisava de aliado.

— E então, posso contar com você? — questionei, encarando Will.

O filho do Sol permaneceu completamente sério por alguns segundos, antes de aceitar:

— Sim, pode.

(...)

— Finalmente te achei.

A voz de Nico me fez quase pular sentada, acelerando meu coração de um modo ameaçador.

Engoli em seco e encarei o chão há alguns metros de distância, sem saber o que me deixava mais tensa naquele momento: estar no teto do chalé de Zeus ou estar ali com Nico.

Virei meu pescoço para trás e o encarei por alguns segundos, analisando seu semblante parcialmente sério, porém com um sorriso leve, teimoso e atrevido de canto. Embora ele usasse suas costumeiras roupas pretas e pesadas, misturando-o com as sombras da noite de inverno, cheguei a conclusão de que ele não parecia particularmente triste e sombrio no dia do aniversário de morte de Bianca. Pelo menos, não mais do que o normal.

Ainda assim, preferi manter distância, então apenas o ignorei e virei novamente meu rosto para o horizonte, focando no céu.

— Te procurei o dia todo. E realmente você estava no último lugar que eu poderia imaginar. — Nico continuou, sua voz e seus passos se aproximando lentamente. Continuei em silêncio até que o garoto se sentou ao meu lado, abraçando suas pernas e me encarando. — Por que está me evitando?

Tentei ignorá-lo novamente, permanecendo em silêncio, mas seu olhar era pesado e impassível, indisposto a ceder. Por fim, suspirei e retruquei, mentindo sem sequer encará-lo:

— Eu não estou te evitando.

— Está sim, Will me contou.

Dessa vez o encarei incrédula, detestando como ele tinha um sorrisinho de menino encrenqueiro que conseguiu o que queria.

— Will é um linguarudo. — retruquei, cruzando os braços e voltando a encarar o acampamento.

— Na verdade eu estava blefando, Will não me disse nada. — Nico confessou dando de ombros. — Mas como ele passou o dia na minha sombra e eu não te vi nenhuma vez, achei que não era apenas coincidência.

Apertei os lábios, me perguntando como cai em um truque tão bobo e fácil. Nico pareceu se divertir ainda mais com meu silêncio, relaxando o corpo e se soltando seus joelhos, esticando as pernas e apoiando o peso do corpo em suas mãos.

— Vai me dizer ou não por que está me evitando? — Ele perguntou.

Hesitei por alguns segundos antes de enfim responder, embora evitasse olhar para ele:

— Achei que seria melhor para você não me ver hoje.

— Por quê? — questionou parecendo realmente confuso. Como não respondi, ele refletiu por um tempo antes de completar. — Não me diga que… Por causa de Bianca?

Apertei os lábios e assenti com a cabeça, focando meus olhos em uma nuvem aleatória. Por fim, completei a resposta:

— Não fique tão surpreso, sei que você me culpa pela morte dela.

— Não, não é isso. — Nico replicou hesitante. — É só que… Como você sabe? Que dia é hoje?

— Como eu não saberia? — dei de ombros, ajeitando minha postura e segurando meus joelhos. — Eu estava lá, Nico.

— Ainda assim. — O filho de Hades continuou em um tom confuso. — Em todos esses anos, nem Percy e nem Grover se lembraram. Ou, pelo menos, ninguém nunca disse nada.

— Eu me lembro todos os anos. — Confessei, novamente dando de ombros, como se não fosse muito importante.

Mas era. Bianca era uma criança corajosa, que se arriscou e morreu para salvar nosso pequeno grupo. E deixou para trás seu irmão, com os olhos tristes e sombrios, que nunca conseguiu apagar completamente os traços de raiva e mágoa, não importa quão sincero fosse seu sorriso. Então como eu poderia esquecê-los?

— Então por isso que não queria me ver? — Nico perguntou novamente. — E mandou Will não me dar tempo nem para pensar hoje?

— Achei que ajudaria a afastar as lembranças ruins se Will se distraísse. — confessei. — E me ver talvez te lembrasse que dia é hoje. Acho que parte de mim torcia para você não se lembrar.

Parte de mim torcia para que ele não sofresse mais tanto”, pensei.

— Eu também não poderia esquecer. — Nico confessou, seu tom baixo e melancólico. — Nos últimos anos sempre tentei ficar quieto, sem ter que falar ou lidar com ninguém, Will e Jason deviam achar que era só mais um dia em que eu não estava com muita paciência. Esse ano eu planejava a mesma coisa, mas quando Will apareceu na minha janela com o nascer do sol, percebi que seria diferente.

— Sinto muito. — me desculpei. — Eu não deveria ter me intrometido.

— Não sinta. — Nico me reconfortou. — Hoje não foi um dia ruim. Fazia tempo que eu não tinha a companhia de Will, foi divertido.

Deixei escapar um pequeno sorriso, olhando-o de lado e vendo que ele também sorria timidamente. Talvez eu devesse empurrá-lo para Will mais vezes.

— Mas…. — Nico começou, me encarando firmemente. — …nos próximos anos, não precisa se esconder e mandar ele me distrair. Você pode me distrair também, não é? E sobre te culpar… Eu culpo Ártemis, o Percy, as caçadoras e até eu mesmo. Mas você não está na lista.

— Não? — Levantei a sobrancelha, enfim o encarando com um riso irônico.— Tem certeza? Está com amnésia?

— Tudo bem, acho que já te culpei, afinal, você era uma caçadora. — Nico admitiu rindo. — Mas não mais. Nos últimos meses… digamos que você ganhou meu perdão. Afinal, somos aliados, se ficarmos presos ao passado não vamos conseguir fazer o que temos que fazer.

Fazer o que temos que fazer: ou seja, nos casar. Nos últimos meses não tivemos nenhum sinal dos deuses, nenhuma interferência, o que causava um misto de esperança deles terem desistido e medo deles estarem preparando algo pior.

— Veio aqui realmente se esconder? — Nico perguntou, me tirando dos meus pensamentos. — Achei que você odiasse lugares altos.

— Jason me mostrou esse lugar há um tempo. — confessei, pensando em como jamais teria descoberto sozinha. — Normalmente não gosto de subir aqui, mas hoje me deu vontade, quis ver as estrelas.

Apontei para o céu, onde algumas luzes pipocaram no céu. Eu sabia que, em algum lugar, a constelação de Zoe brilhava intensamente, ainda que eu não pudesse ver.

— Bianca também gostava. — Nico admitiu. — Ela passava horas olhando para o céu, imagino que meu pai não gostasse nada disso.

— Quer me contar um pouco sobre ela?

Eu imaginei que Nico fosse negar e se fechar. Mas, em vez disso, ele se deitou, os braços sob a cabeça e os olhos nas estrelas. E por horas, ele me contou, com os olhos brilhando e um sorriso saudoso, todas as memórias que ainda possuía e jamais seriam apagadas de seu coração.

Talvez, mais do que se distrair ou se divertir, o que Nico mais precisava naquele dia era falar sobre sua irmã. E eu estava disposta a ajudar nisso.

(...)

Se Nico me culpou por dar chá de sumiço no dia do aniversário da morte de Bianca, eu poderia o culpar por ter dado nos dias seguintes. Depois de passarmos boa parte da noite conversando, mal consegui encontrá-lo nos dias seguintes , nem ele e nem Will. Então, talvez, meu plano de distraí-lo tivesse surtido outro efeito positivo: juntar novamente os dois melhores amigos.

Se eu sentia falta dele? Claro que não, de onde você tirou isso?! Eu apenas estava estranhando ficar no acampamento sem ele, Jason e até mesmo Will. E talvez isso tivesse me deixado particularmente melancólica no dia do meu aniversário, mas vamos dizer que foi unicamente por quão confusa eu estava por não saber nem qual minha idade.

Já estava passando do horário do almoço quando Nico apareceu do nada no meu chalé, me puxando para a parte da floresta onde antes discutimos com Héstia alguns planos malucos.

— Surpresa! — Will gritou, saindo de trás de uma árvore com um bolo. — Feliz aniversário!

Ergui a sobrancelha enquanto o filho de Apolo cantava parabéns pra você e Nico batia palmas. Por fim, assoprei uma velinha em formato de interrogação — bem própria para a ocasião, diga-se de passagem — e não contive o riso quando vi a cobertura com o desenho de uma caveira que estava bastante disforme.

— Tivemos um pequeno incidente enquanto viajávamos pelas sombras. — Will se justificou. — Então, por favor, releve.

— Will quase deixou cair. — Nico contou, cortando um pedaço do bolo com o recheio todo preto.

— Isso não teria acontecido se tivéssemos pegado o bolo depois de ir pro mundo inferior, como eu falei. — Will retrucou. — Quem diria que o Cérbero seria tão louco por doces?

— Eu falei que era só jogar a bolinha pra ele.

— Mas eu joguei a bolinha! Só que ele preferiu o bolo!

— Ele não queria o bolo, Solace. Queria você.

— Droga, esse é o fardo de ser tão gostoso.

— Do que estão falando? — interferi antes de Will começar seu monólogo de filho de Apolo. — Estavam no mundo inferior?

Os dois trocaram olhares cúmplices e sorriram.

— Hora do seu presente! — Nico sorriu, me entregando um embrulho preto.

Franzi a testa, abrindo-o e encontrando dentro dele uma camiseta com quatro autógrafos.

— Espera… Sunset Curve? — Perguntei, encarando as assinaturas dos músicos de uma das minhas bandas indies favoritas. — Como você conseguiu isso? Eles deixaram pouquíssimos itens autografados, é super raro achar um!

Passei os dedos pela assinatura de Reggie, meu membro favorito, pensando em como os membros faleceram ainda adolescentes em 1995, no dia que teriam sua grande estreia que nunca aconteceu.

— Ah, eu só pedi pra eles assinarem hoje — Nico deu de ombros. — Sabe como é: ter acesso livre ao mundo dos mortos tem suas vantagens.

— Como sabia que eu gostava deles? — perguntei, tocada pelo gesto e pensando se seria inapropriado utilizá-lo para pegar mais alguns autógrafos.

— Como eu não saberia? Você está sempre cantando toda desafinada as músicas deles. — Nico implicou, me fazendo dar língua como resposta.

— Você é um chato. — reclamei. — Mas obrigada, eu realmente gostei.

Nico e Will deram de ombros, mas havia um brilho cúmplice nos olhos de Nico que me fazia acreditar que ele sabia que o gesto era mais tocante do que eu queria demonstrar.

E, se antes eu senti falta da companhia dos garotos, eu jamais admitiria. Principalmente depois que passamos o dia juntos, o que, em algum momento, me fez perceber que havia um motivo por trás disso tudo. Embora Nico não admitisse, sua tática foi semelhante à minha: Esconder por trás dos amigos a distração para não sentir a ausência do meu irmão em um dia importante.

Entender isso fez com que eu me sentisse ainda mais grata pelo garoto que estava sempre comigo.

Quando a noite caiu, Will deu uma desculpa esfarrapada para nos deixar sozinhos. Mais uma vez subimos o telhado do chalé de Zeus para olhar as estrelas e jogar conversa fora.

— E então? — Nico perguntou, sentado ao meu lado. — Como é comemorar seu aniversário depois de tantos anos na caçada?

— Estranho. — Confessei, dando de ombros. — Não achei que essa data voltaria a ter significado algum dia. Achei que acabaria até esquecendo a data do meu nascimento.

— Sei que está um pouco velha agora, mas acho que ainda não justifica tanto esquecimento. — Nico implicou novamente, me fazendo dar língua para ele.

— Você é mais velho do que eu. — repliquei, dando-lhe um tapa no braço.

— Ei, cuidado, eu sou uma relíquia. — O filho de Hades fez beicinho, segurando seu braço onde meus dedos mal encostaram.

— Uma relíquia? Relíquias têm utilidade ou, pelo menos, são para serem apreciadas. Não estou vendo isso em você.

— Não? Pois saiba que sou uma bela relíquia.

— Você não é uma relíquia, eu sou uma relíquia. — retruquei novamente, como uma criança birrenta.

— Você é muito nova para ser uma relíquia, no máximo é vintage.

Acertei um soquinho no ombro de Nico como uma resposta melhor do que qualquer frase que eu poderia dizer.

— Ei, não é por que é seu aniversário que pode sair me batendo. — ele replicou. — Você pode fazer carinho também.

— Carinho? — Ergui a sobrancelha, incrédula. — Em você? Por que eu faria isso?

— Por que não faria?

Nico rebateu e meu instinto foi mais uma agressão física. Mas, quando ergui a mão, ele segurou meu pulso. Quando fiz força pra soltar, ele empurrou seu corpo contra o meu, me jogando no chão, prendendo-me com seu peso.

— Realmente prefere me bater do que fazer carinho? — Nico questionou, seus olhos negros brilhando próximos demais para o meu gosto.

— Me solta. — ordenei, sentindo meu coração acelerar.

O filho de Hades apenas sorriu de canto, encarando meu rosto como se a proximidade não fosse nada.

— Me solta. — repeti, erguendo a mão para acertá-lo com um tapa. No entanto, Nico foi mais ágil, segurando meus pulsos com uma só mão.

Bufei, remexendo-me na esperança dele me soltar, contudo, ele apenas se aproximava, sua respiração tão próxima que me causava cócegas.

— Estou curioso… — O filho de Hades começou com uma voz rouca, nossos narizes tão próximos que chegavam a se tocar. — Por que nunca falou sobre o beijo na festa?

Senti um arrepio pelo corpo e arregalei os olhos, parando de me mexer. Engoli em seco, vendo-o erguer a sobrancelha interrogativamente, sem me deixar muita escolha.

— Responda, Thalia. — Ordenou em um tom baixo.

Engoli novamente em seco, encarando-o nos olhos, meus batimentos tão rápidos que eu podia ouvi-los.

— Achei que você não se lembrasse disso. — Admiti por fim, em um tom baixo.

— Eu não tinha certeza se era um sonho ou não. — Nico continuou. — Mas vendo sua reação, acho que realmente aconteceu, não?

Apertei os lábios, tentando controlar minha respiração e voltar ao meu autocontrole. Por fim, trinquei os dentes e repliquei:

— Que diferença isso faz?

— Que diferença faz? — Nico repetiu com um tom irônico. — Se eu te beijei ou não, não faz diferença? É isso mesmo?

Não respondi, não sabia o que responder. Ele já tinha me beijado outras vezes, não é? Por que dessa vez era diferente?

— Então… — Nico continuou em um tom baixo e perigoso. — …não vai fazer diferença se eu te beijar novamente, não é?

— Nico… O que…? — sussurrei, sem saber como reagir, sentindo seu aperto no meu pulso ainda mais forte.

— Não vai fazer diferença nenhuma, Thalia…

Talvez fosse seus olhos sombrios e hipnotizantes, talvez fosse sua voz rouca, talvez fosse sua aura poderosa… Mas não consegui desviar, não consegui me impedir de olhar para sua boca tão próxima, pela forma como ele passava lentamente a língua pelos lábios.

Na verdade, não sei por que razão eu não o afastei ou protestei conforme ele se aproximava. No final, também não sei por que aceitei ser beijada por Nico di Angelo. De novo.

Notas finais
Oi gente! Eu planejava postar esse capítulo ano passado, mas tanta coisa mudou que vocês nem fazem ideia! Eu literalmente mudei de trabalho, de casa, de cidade… E fiquei um tempo sem computador. Mas agora estou de volta! Sobre Sunset Curve, alguém pegou a referência? Eles são uma banda fictícia da série Julie And The Phantons que eu super imagino a Thalia ouvindo. E de fato os personagens são uma banda e acabam falecendo logo no primeiro episódio, então nem é spoiler. Enfim, espero que tenham gostado e eu avisei que a nossa marcha está um pouco mais rápida, certo? Obrigada por não terem desistido e eu adoraria saber que vocês ainda estão por aqui. Então nos vemos nos comentários :) P.S: Thalico shippers, sigam a Embaixadora Oficial do Team Pipopinha no Instagram. Para quem não sabe, a Dama do Poente (simplesmente uma das melhores autores Thalico com sucessos como Undisclosed Desire e Worse Than Nicotine) lançará seu primeiro livro original em breve, então vamos apoiá-la o máximo que pudermos, sim? Sigam lá: @vicky_inbloom
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.