Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada
16 Chegadas e partidas!
Notas iniciais
- Desculpem pela demora. – disse Henry.
— Não, tudo bem. Pelo menos vocês vieram, né?! – respondi aliviada. “Estou salva!”
Eles chegaram e depois de uns vinte minutos o nosso vôo foi anunciado. Obviamente eu e meus pais nos acabamos em lágrimas, mas isso não foi o que mais impressionou, e sim, o meu irmonstro me abraçando a cintura (ele ainda é baixinho demais) e chorando pedindo pra que eu não fosse embora e dizendo que se eu ficasse ele faria tudo que eu pedisse.
Até me emocionei com toda aquela cena. Vivendo com eles dia-a-dia eu diria que eles não me suportam, até porque eu não os suporto. Mas é minha família e eu os amo muito. Por incrível que pareça.
Soltei os braços do meu irmão da minha cintura e olhei para eles reunidos pela última vez. Para minha sorte, tinha Henry comigo. Pois assim que embarcamos no avião eu comecei a chorar compulsivamente, borrando toda a minha maquiagem, o que me deixou parecendo um panda. Mas o Henry me abraçou e me consolou durante toda a viagem. Logo estava dormindo.
[...]
Acordo com frio e sem o Henry do meu lado. Procuro loucamente por ele no avião, mas não o encontro. Aliás, o avião está vazio. “Será que eu estou sonhando novamente? Cadê todo mundo? Ai meu Deus, o avião só pode ter sido sequestrado!”. É quando sinto uma mão no meu ombro. Quando estou me virando preparada pra aplicar um golpe muito forte de ioga que eu aprendi nas duas aulas que assisti da minha mãe, ouço a voz doce do Henry.
— Acordou Bela Adormecida? – pergunta rindo da minha cara de panda. Eu realmente devo estar linda nesse momento.
-É. – respondo meio sem jeito e sonolenta. – Cadê todo mundo?
— Já desembarcaram. É que eu fui ver a sala do piloto. Dani, aquele lugar é muito legal! Tem vários botões e um monte de luz piscando e a poltrona do piloto é enorme! Nossa! – Tá, eu estou rindo demais agora. O jeito que ele fala das luzes piscando é muito engraçado! Os olhinhos verdes dele até brilham.
Ai que bom que você gostou. Já pensou em ser piloto? – pergunto sorrindo.
-Hum... Não sei não. Mas tá aí, boa idéia! — responde pensativo – Mas levanta logo antes que esqueçam a gente aqui dentro!
— Ai é! – digo levantando rapidamente.
Saímos do avião e já avisto câmeras e mais câmeras dentro do aeroporto. Imagino que é a recepção do Jost, afinal ele é muito famoso aqui, certo?
Chegamos à porta de desembarque e podemos ver, ou melhor, não ver, pois o flash das câmeras está nos cegando, melhor o aeroporto e toda aquela gente albina, loira de olhos claros. O Henry com toda certeza não teria problemas em dizer que é natural da Alemanha.
“Merda! Eu não tô enxergando nada! Ai meu olho tá ardendo e... Espera! Tá lacrimejando também?! Não creio. Alguém tira isso da minha cara!”
-Henry! – chamo por ele já que não consigo ver nada. “Agora eu entendi porque as celebridades vivem de óculos escuros.”
— Vem comigo Dani. – diz e passa a jaqueta em volta de mim tentando me proteger de toda aquela luz.
Saímos do aeroporto e havia um Cadilac preto nos esperando na porta. Entramos correndo e seguimos para a casa de David.
Paramos na porta de uma casa enorme e muito, mas muito bonita. Fico abobada por alguns segundos até que David nos chama para entrar. Obedecemos ao pedido e fico cada vez mais atônita com tamanha classe na decoração. Uma mistura do clássico europeu com um toque de modernismo norte-americano: perfeito!
Não demorou a que David me chamasse a atenção; queria mostrar meu quarto e ter certeza de que eu ficaria bem acomodada, o que não seria difícil. Fala sério, se eu tivesse que dormir no sofá eu estaria feliz!
David foi à frente me mostrando o caminho. A casa era enorme e os quartos ficavam no andar de cima. Subimos as escadas e logo me deparei com um corredor muito extenso e cheio de portas altas e largas, quem dera se minha casa fosse assim... Mas, enfim. A maior surpresa veio quando ele abriu uma das portas que ficava ao fim do corredor e anunciou que aquele era o meu dormitório. Quase morri. A cama de casal era gigante, o tapete era super fofo e o quarto em si era mara. Queria levar tudo para o Brasil.
De repente o telefone do David toca e ele me deixa sozinha no quarto curtindo minha indignação. É quando Henry entra no cômodo e fica tão chocado quanto eu.
- Poxa vida, hein! Ele caprichou no seu quarto! – falava enquanto examinava cada canto do quarto.
- Ah, como se fosse exclusivo pra mim...
- Na verdade é! Quando convidamos você a vir pra cá, o tio Dave contratou um designer pra decorar o quarto e deixa-lo mais feminino. – explicou sorrindo pra mim.
- Não brinca... – aquilo era o máximo, acho que eu nunca me senti tão importante. – Poxa, acho que eu deveria agradecê-lo por isso, então.
- É, mas mais tarde, vamos dormir agora. – disse logo em seguida beijando minha testa, desejando boa noite e saindo do quarto.
É, agora eu estava finalmente sozinha, tão à vontade quanto poderia. Um quarto só pra mim, especialmente decorado pra mim... que máximo! Fiz uma breve dancinha da vitória, parei abruptamente assim que percebi que meu quarto era, na verdade, uma suíte com direito a closet! “Ai, meu Deus! Não creio nisso, quero ficar aqui pra sempre! Olha pra esse quarto, é do jeito que eu sempre quis!”. Assim que terminei de surtar, fui checar o banheiro.
E surtei de novo. Era lindo, todo de mármore e bem clarinho. E pra melhorar tinha uma banheira com hidro enorme: puro luxo. Fiquei babando mais alguns minutos até me lembrar do closet. Era enorme também e tinha uma penteadeira muito linda e com uns produtos já, alguns batons, lápis de olho, rímeis, coisas básicas, todas embaladas ainda. E o espelho era contornado por luzes próprias pra se maquiar. Comecei a me beliscar pra ter certeza de que não estava sonhando, mas não estava. Não mesmo.
Tomei uma ducha breve, ia guardar a banheira para o dia seguinte. Coloco meu pijama, escovo os dentes e vou me deitar. Durmo rapidamente...
Notas finais
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