Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Estou em uma rua escura e vazia, onde a única iluminação era das luzes que vinham das casas. De um lado tem casas e do outro uma floresta. Eu estou exatamente no meio dessa rua, sentindo uma leve brisa que vem da floresta fazendo com que as folhas secas voem. De repente ouço um barulho... O barulho de uma folha seca sendo quebrada... De uma folha seca sendo esmagada. Então eu me viro na esperança de ver que ainda estou sozinha, mas... Tem um homem lá. Eu não consigo ver quem é, porque ele está usando um sobretudo grande e está muito escuro, não consigo reconhecer seu rosto. Ele começa a andar e eu começo a andar também, porém um pouco rápido para não ser alcançada. Olho pra trás novamente e ele está mais próximo, então começo a correr, mas ele começa a correr também. Eu grito chamando ajuda, mas ninguém aparece, parece que tem ninguém ali além de mim e aquele esquisito. Mas de repente vejo uma luz branca surgir na floresta e corro em direção à ela... À medida que me aproximo vejo uma pessoa também, mas a luz não deixa que eu a reconheça. Essa pessoa está me chamando e dizendo mais alguma coisa, mas eu não consigo entender até que eu tropeço e caio. Viro-me assustada para ver se o cara de preto não está atrás de mim, mas... Não vejo ninguém! Levanto-me e quando me viro para frente novamente dou de cara com ele! Ele tinha a pele muito branca, mas eu não conseguia ver os olhos, apenas as lágrimas rolando por toda sua delicada face... Ele não me parecia ser feio... Mas então ele começa a caminhar para trás e como num filme um caminhão surge e atropela-o e depois eu não vejo mais nada...! Ou será que vejo? Não sei, estou tão confusa, tudo ficou tão escuro que não consigo definir se a noite engoliu tudo, ou se estou apenas cega. Chamo por ajuda, mais uma vez ninguém aparece ou responde. Começo a gritar desesperadamente, de repente uma pequena luz branca começa a surgir bem ao fundo... Ela cresce e de repente estou em um quarto todo branco, mas não consigo definir onde ficam as paredes... Será que tem paredes? Ou será apenas um campo aberto? O homem que me perseguia na floresta está lá, bem atrás de mim, mas ele não se mexe. Consigo ver lágrimas escorrendo de seu rosto, o capuz do sobretudo que ele vestia começa a cair pra trás e eu posso agora ver seu rosto. Posso reconhecê-lo agora, mas por que ele? Como assim? Seus olhos apenas transbordam solidão e tristeza e, de repente, ele me estende a mão, mas não consigo me mover, meu corpo está paralisado, e então ele chora ainda mais e eu começo a me desesperar, tento gritar seu nome, mas não tenho voz, não mais...
Acordo suando frio, a respiração ofegante. Ainda não consegui digerir o sonho que acabo de ter, que acaba de se tornar muito mais longo. Ainda não consegui compreender por que ele aparece em meu sonho daquela maneira, se fosse de outro jeito, alegre, sorrindo, até mesmo nu... Eu entenderia melhor.
Subitamente ouço leves batidas na porta, assusto-me, ainda estou em choque, não sei se consigo dizer uma única palavra. No sonho não conseguia. A voz de Henry surge calma, serena, acalma-me saber que ele está por perto. Ele diz que o café está na mesa e pede para que eu me apronte rápido, afinal, é o nosso primeiro dia na Alemanha e eu quero aproveitar cada segundo.
Levanto-me e faço minha higiene de sempre, coloco uma calça jeans, uma blusa de manga comprida e meu coturno. Está frio mesmo dentro de casa, e eu achando que eles usavam aquecedores, humpf...
Quando me aproximo da escada ouço algumas vozes falando alto em alemão, na verdade, é como se eles estivessem xingando uns aos outros. Falando alto e rindo logo em seguida, o clima parecia estar muito alegre lá embaixo, empolguei-me ainda mais para descer.
Assim que avistei aquelas quatro pessoas de rostos tão familiares, mas, ao mesmo tempo, tão estranhos, não me contive. Quis descer a escada o mais rápido o possível (esqueci-me de mencionar que a escada era longa ¬¬), faria uma bela surpresa, uma visitante estrangeira, imaginem a festa... Mas minha alegria foi cortada quando os quatro olharam de surpresa para mim e ficaram me encarando com cara de espanto, nesse momento não aguentei e tropecei. Rolei a escada até chegar ao piso inferior e então, tudo ficou preto...
- Dani? Ei, acorda... Ei, Dani! – ouvia meu nome misturado à palavras em alemão, mas o Henry não falava alemão, então...
“Ai, meu Deus! Quem será que tá em cima de mim? Seria o Bill, o Tom, o Georg ou o Gustav? Nossa, como minha cabeça dói...” Coloco a mão na lateral na testa e sinto algo molhado, abro os olhos lentamente e me deparo com cinco pessoas me encarando como se eu fosse de outro planeta. “Já vi essa cena antes...”. lembro-me vagamente de como conheci Henry, apenas algumas semelhanças... Tá legal, várias!
- Você está bem? – Bill diz algo em alemão, mas eu não entendo.
- Ela não fala alemão. – responde Henry em inglês e eles em encaram ainda mais curiosos.
- Oh, entendo. – diz Gustav, muito pensativo... e fofo! – Você está bem? – pergunta em inglês.
- Hm, acho que sim... Minha cabeça dói muito. – respondo lentamente e eles sorriem por saber que eu falo.
- Oh, meu Deus, tem sangue escorrendo na testa dela! – grita Bill, virando o rosto.
Gustav e Henry me ajudam a levantar e me colocam sentada no sofá, de onde encaro todos com olhar de bêbada, completamente tonta, pela queda e pela emoção.
- Devo ter batido a cabaça muito forte mesmo... – penso alto e logo eles soltam risadinhas indiscretas.
- Vou te levar pra uma farmácia, você precisa de um curativo nesse corte. – diz Henry, docemente, como sempre.
- Vou com vocês. – Bill se prontifica abruptamente. Pelo menos alguém que falasse alemão iria conosco. Estávamos à salvo.
Ah, esqueci-me de mencionar que Georg e Tom me olhavam de canto e ficavam fofocando algo e sempre que eu encarava de volta os dois tentavam disfarçar da pior forma possível. Ficavam trocando sobre mim... Informações masculinas...
Fui até a farmácia e todos lá foram muito atenciosos, talvez pela pequena cena que Bill fez...
[Flashback on]
- Socorro! Preciso de ajuda! Minha amiga aqui está ferida, caiu da escada e a testa dela está jorrando sangue! Ela precisa de cuidados médicos imediatamente! – gritava Bill como se não houvesse amanhã e como se eu tivesse sofrido um traumatismo craniano.
- Bill, não foi tão grave, juro... – tentava acalmá-lo, mas ele simplesmente me ignorava.
Todos olhavam espantados para o doido que gritava loucamente: um garoto extremamente alto (não que isso fosse novidade na Alemanha), cabelos negros e espetados e olhos cobertos por maquiagem preta, isso sem contar as roupas mais que indiscretas...
Um dos farmacêuticos foi ao nosso encontro e atendeu-me calmamente, talvez tentando tranquilizar Bill, que nesse momento respirava como se tivesse corrido uma maratona.
Limparam meu rosto que já estava todo sujo de sangue (realmente sangrou bastante, mas não ao ponto de jorrar, é claro) e fizeram um curativo. Voltamos para a casa do ‘Tio Dave’, como diz Henry e todos lá estavam preocupados. Bill entrou com cara de enterro e quando eu entrei sã e salva (e com o rosto visível e limpo) todos sorriram.
[Flashback off]
Consegui me recuperar da excitação de ter meus quatro maiores ídolos sentados ao meu lado no sofá rapidamente, quando peguei Tom e Georg me olhando maliciosamente e rindo um para o outro. Eles sabiam que eu não falava alemão e tiravam proveito da situação.
Gustav trouxe-me um copo com água assim que me sentei no sofá. Ele era tão atencioso e tão fofo. Realmente parecia um urso de pelúcia. A primeira impressão que tive de Bill foi de doido completo, hemofóbico (pra quem não sabe é aquela pessoa que tem fobia de sangue) e atencioso, ele realmente se preocupou comigo. Completamente diferente do gêmeo tarado que até agora só soube me medir de baixo pra cima. Ele e seu comparsa cabeludo.
De repente a porta da sala de visitas (onde todos estávamos e que mais parecia a sala de estar de muita casa chique por aí) e David passa por ela falando ao telefone. Ele parece exausto e assim que desliga o telefone, joga-se no sofá ao lado de Tom.
— E então, como estão?
— Dani caiu da escada! – responde Bill com os olhos arregalados.
— Como caiu? Tropeçou? – pergunta me encarando e examinando o curativo em minha testa.
— É, eu escorreguei. – respondi tentando disfarçar a vergonha.
— Poxa vida, acho que todos tivemos um dia bem agitado hoje, não? – pergunta sorrindo e todos respondemos igualmente – Talvez devêssemos sair hoje à noite, o que acham?
Fale com o autor