Notas iniciais
Olá, pessoas. Agradeço por estarem lendo, muito obrigada! Tenham uma boa leitura e nos vemos lá embaixo ;)

Isso havia começado quando tornei-me maior de idade. Não lembro-me exatamente quando os acontecimentos começaram, mas aquela noite foi quando eu percebi o que estava acontecendo…. Que algo acontecia….

Uma festa, uma garrafa de uísque vazia, beijos, sexo, sangue, muito sangue e Ele. Ah, ele. Não sabia se eram Eles. Eles desapareciam tão de repente quanto apareciam. Transitavam na minha vida como se ela não pertencesse a mim. Às vezes me sinto assim, como se eu não pudesse controlar meu destino, como se minhas escolhas já estivessem pré-determinadas, como se eu seguisse um roteiro.

Suja e imunda, assim sentia-me só de lembrar daquela noite, lembrar do quente líquido vermelho que cobria o meu corpo nu. Eu não havia feito nada. Fui liberta daquela maldita prisão, todavia só fisicamente, minha cabeça girava em torno dos acontecimentos e do lugar onde tudo teve início: meu quarto. Um quarto carregado de lembranças. Onde eu nasci, vivi e morrerei. Naquela casa foi onde passei minha juventude. Lugar onde um dia foi meu refúgio dos dias cansativos e agora é onde refugio-me das noites sombrias. Fazia três meses que não durmo de noite. Três meses que meu desempenho na faculdade caiu.

Só 3 meses, 90 dias, 12 semanas, 2.160 horas, 129.600 minutos, 7.794.000 segundos.

Parecia uma eternidade para mim. Uma eternidade para quem tem que esperar o dia raiar para poder dormir, eternidade para quem tenta fugir. Fugir de algo inexistente. Eu não pareço mais a jovem moça de antes, eu havia envelhecido. Não podia mais olhar para o meu reflexo no espelho sem chorar. Agora sempre mantinha meus longos cabelos presos em um coque firme e escondido de baixo da touca preta de minha mãe. O inverno estava acabando, porém isso não será problema, não estarei para aqui para ver as flores broxarem.

Odeio me sentir assim. Impotente. Incapaz de fazer algo. Incapaz de obter respostas. Não podia fazer nada sozinha, mas ninguém era capaz de me ajudar. Ninguém desse mundo. Ou de outro mundo.

Fechei os olhos por alguns instantes antes de ir ao meu destino. A porta da sacada estava aberta fazendo com que o ar gélido da noite entrasse e fizesse com que a cortina dançasse. Com um esforço maior do que das noites anteriores, sentei-me na cama. Meus membros doíam só por executar uma simples tarefa. Eu podia sentir uma força inimaginável crescer nas minhas células, porém não sentia nenhum pouquinho mais forte. Toda a força que eu sentia parecia se reverter em dor. Minhas costas queimavam, podia sentir o suor escorrendo e parando só quando encontra minha camiseta. Meus olhos ardiam quando o ambiente estava muito iluminado. Eu estava cansada, alimentava-me mal nos últimos meses, não tinha uma boa de sono por causa do medo que eu fosse visitada pelos meus demônios.

Eu havia preparado tudo para esse dia. Os remédios e o uísque estão guardados em uma gaveta do armário do banheiro. Me levantei da cama com uma lentidão exagerada, tentando em uma vã tentativa amenizar a dor dilacerante. Cada passo que eu dava parecia que eu pisava em espinhos, o chão parecia uma roseira. A maçaneta parecia quente comparando a temperatura das minhas mãos pálidas. Respirei fundo e abri a porta.

Notas finais
Demorei para postar esse capítulo porque fiquei com uma grande dificuldade de escrever a última parte, mas no final acabou que não escrevi o que imaginei. E sobre as perguntas, talvez ela sejam respondidas. O mistério é a essência da vida. Resolvi mudar a categoria porque o rumo do que tinha planejado mudou, agora as cenas irão ser intercaladas com poesias.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.