Eu Mentiria
1 Capítulo único
Notas iniciais
*Boa leitura, :D
Não acho que esse banco de passageiro
Alguma vez tenha parecido tão bom para mim
Ele me conta sobre a sua noite
Eu conto as cores nos olhos dele
Sara olhou para o banco do passageiro de seu carro. O carro de Greg estava na oficina, então ele havia pedido carona para ela. Ele estava lhe contando sobre seu fim de semana, quando fora visitar a família em San Diego e seus olhos brilhavam de alegria ao contar sobre como era bom rever seus familiares. Através da luz forte do estacionamento Sara notou que a íris do olhos de Greg tinham uma complexa mistura entre verde e castanho, que formavam milhares de cores a mais.
Nunca se apaixonou
Ele jura, enquanto passa os dedos por seu cabelo
Estou rindo porque torço para que ele esteja errado...
E acho que isso nunca tenha passado por sua cabeça
Ele conta uma piada, eu finjo um sorriso
Mas sei todas as suas músicas favoritas
De alguma maneira ou outra, eles acabaram falando sobre Grissom. Sara por fim confessou que não queria vê-lo nunca mais, o que fez Greg exclamar de uma maneira tímida que nunca havia se apaixonado. Pelo menos não daquela maneira como Sara estava descrevendo seu antigo amor por seu supervisor. Ela dá uma risada quando Greg flerta com ela, dizendo que se ela realmente quisesse dar amor a alguém, Greg estaria ali esperando por ela. Sara sorri enquanto ouve as batidas fortes da música de Marilyn Manson, o cantor favorito de Greg. De tanto ouvi-lo, já sabia de cor todas as músicas preferidas de Greg.
E eu poderia te dizer
Que a cor favorita dele é verde
Ele adora discutir
Nasceu no dia 17
A irmã dele é linda
Ele tem os olhos do pai
E se você me perguntar se eu o amo
Eu mentiria
Greg mexeu nervosamente no zíper de seu casaco verde, que Sara sabia ser sua cor favorita. Ainda era possível ver que ele estava chateado por ter discutido com Nick devido á uma sobrevivente da cena do crime. Greg queria que Nick esperasse a ambulância chegar, mas Nick com sua habitual impaciência já movera o corpo da vítima, fazendo Greg brigar com ele. Em pleno aniversário. Dia dezessete de julho Greg estava completando 27 anos bem vividos. Ele abriu a carteira para pagar á Sara os custos da gasolina extra, e nesse momento ela viu uma foto de família. A mãe, o pai e a irmã de Greg sorrindo e acenando para a câmera. A irmã de Greg tinha um tipo de beleza exótica, com longos cabelos loiros e sardas espalhadas por cima do nariz delicado. Olhando rapidamente a foto, Sara constatou que os olhos de Greg eram exatamente iguais aos de seu pai. Como podia Sara estar notando esses pequenos detalhes da fisionomia de Greg? Será que ela estava apaixonada por ele? Catherine havia lhe perguntado aquilo mais cedo, ao ver Sara dar um abraço apertado em Greg e passar a mão por seu rosto. Não, ela havia dito. Era mentira.
Ele olha ao redor da sala
E inocentemente, ignora a verdade
Eu não deveria gostar do seu caminhar?
Ele não sabe que eu tenho isso decorado por tanto tempo?
Greg convidara Sara para tomar um café em seu apartamento. Depois de servir o habitual Blue Hawaiian, ele olhou para sua sala bagunçada, ignorado o olhar de Sara para ele.
- Não note a bagunça. – Ele dissera depois de um silêncio se instalar entre eles. Greg se levantara para levar as xícaras vazias de café para a pia e Sara olhara seu andar. Meio encurvado, e esticando bem as pernas compridas. Aquele andar que ela já memorizara há tanto tempo.
Ele vê tudo em preto e branco,
Nunca deixa que o vejam chorar
E eu não deixo que ninguém me veja desejando que ele fosse meu
Com passadas largas ele voltara para a sala bagunçada. Sara pela última vez tentou persuadir Greg a fazer as pazes com Nick, mas ele insistia que era ele que estava certo. Não havia um meio termo naquela situação. Enquanto falava aquilo, Sara prestou atenção nos olhos de Greg outra vez. Ela não sabia como, mas depois do turno eles estavam avermelhados, como se ele tivesse chorado. Será? Mas ele era muito orgulhoso para deixar alguém flagrá-lo chorando. Mesmo assim, Sara desejava com todas as forças que ele fosse seu, mas nunca demonstrava isso em momento algum.
Ele fica ali parado, depois vai embora.
Meu deus, se ao menos eu pudesse dizer
Estou guardando cada respiração para você
Sara se levantou e avisou que tinha que ir para casa. Greg acompanhou-a até a porta, mas os dois estavam parados frente a frente. Céus, se naquele momento ela pudesse dizer que o amava, que estava segurando cada respiração para ele.
Ele nunca te disse, mas sabe tocar guitarra
Eu acho que ele consegue ver através de tudo, menos do meu coração
Meu primeiro pensamento ao acordar é
Meu Deus, ele é lindo.
Então, coloco a minha maquiagem e rezo por um milagre
Ele nunca havia contado para ninguém, mas da porta Sara ainda era capaz de ver a guitarra de Greg, que ele tocava desde os dezoito anos. Greg era capaz de enxergar tudo, menos através do coração de Sara. Será que ele ainda não tinha notado? Sara despediu-se com um beijo na bochecha e dirigiu para casa. Depois de tomar banho e deitar se em sua cama, logo pegou no sono. Após algumas horas, ela acordou com um sobressalto. Ela tinha sonhado com Greg. O primeiro pensamento de Sara ao acordar e ver o sol batendo contra seu cobertor foi de como Greg era bonito. Com seus olhos de um tom mesclado entre verde e castanho, seus cabelos sempre espetados como se houvesse uma corrente elétrica passando por eles. Seu sorriso quando estava feliz, ou seu olhar que denunciava quando ele estava triste. Sara saiu da cama, tomou banho e pôs uma leve maquiagem, enquanto rezava para um milagre acontecer.
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