Eu Me Lembro - Crepúsculo
53 Sou Bella?
O carro seguia devagar pela estrada molhada enquanto a chuva batia fraquinha no vidro.
Jake dirigia em silêncio.
Uma mão no volante.
A outra apertando forte demais a própria perna.
Eu conseguia ouvir o coração dele ainda acelerado.
Confuso.
Machucado.
Olhei pra ele por alguns segundos tentando entender.
Porque aquele aperto triste dentro de mim aumentava toda vez que eu via a expressão dele.
Então perguntei baixinho:
— Jake…
Ele desviou os olhos da estrada só por um segundo.
— Hum?
Abracei mais forte meu ursinho antes de perguntar:
— Por que você tá triste?
O coração dele bateu mais forte imediatamente.
Jake soltou uma respiração pesada pelo nariz.
Como se estivesse cansado demais pra esconder qualquer coisa.
— Porque eu não entendo o que tá acontecendo.
Franzi a testa.
— Eu também não.
Ele soltou uma risada fraquinha sem humor.
— É… eu percebi.
Ficamos em silêncio alguns segundos.
A floresta passava escura pelas janelas.
Então Jake falou mais baixo:
— Você fala igual ela.
Meu peito apertou estranho.
— Igual quem?
Ele demorou pra responder.
Como se o nome machucasse.
— Bella.
Silêncio.
O nome ecoou dentro da minha cabeça forte demais.
Bella.
Meu coração acelerou imediatamente.
As imagens vieram rápidas outra vez.
Olhos dourados.
Floresta.
Frio.
Uma caminhonete vermelha.
Levei a mão até a testa.
Jake ficou tenso instantaneamente.
— Ei, tá tudo bem?
Assenti rapidinho mesmo confusa.
— Só… estranho.
Jake diminuiu um pouco a velocidade do carro.
Preocupado.
Sempre preocupado.
Então sem perceber perguntei:
— Eu era ela?
O mundo inteiro pareceu parar dentro do carro.
Jake segurou o volante mais forte.
Os nós dos dedos quase brancos.
O coração dele disparou absurdamente.
Mas quando falou…
A voz saiu muito suave.
Muito triste.
— Eu não sei.
Olhei pra ele esperando.
Jake engoliu seco antes de continuar:
— Mas quando eu olho pra você…
Ele parou.
Como se não conseguisse terminar.
Meu peito apertou forte.
— O quê?
Jake finalmente olhou pra mim.
Os olhos escuros completamente destruídos.
— Parece que uma parte dela voltou pra casa.
As lágrimas vieram nos meus olhos sem eu entender direito por quê.
Porque ouvir aquilo doía.
Mas ao mesmo tempo…
Parecia certo.
Jake imediatamente ficou desesperado ao me ver chorando.
— Ei, ei, não chora.
Ele soltou uma mão do volante pra segurar a minha rapidinho.
Quente.
Seguro.
— Desculpa. Eu não devia ter falado assim.
Balancei a cabeça devagar.
— Não tô triste.
E era verdade.
Não exatamente.
Era outra coisa.
Saudade.
Uma saudade tão grande que mal cabia dentro do peito pequeno que eu tinha agora.
Jake apertou minha mão cuidadosamente.
Então perguntou baixinho:
— Você quer saber uma coisa engraçada?
Pisquei tentando limpar as lágrimas.
— O quê?
Um sorriso pequeno apareceu no rosto dele pela primeira vez desde que saiu da casa.
— Você continua chorando igualzinha.
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