Eu Me Lembro - Crepúsculo
10 Risco
Dezenove horas.
Dezenove horas inteiras em que a casa permaneceu suspensa numa tensão sufocante.
Ninguém foi embora da sala.
Nem mesmo Emmett, que normalmente não suportava silêncio por mais de cinco minutos.
Alice permaneceu sentada na ponta do sofá o tempo todo, os olhos desfocados entrando e saindo de visões instáveis. Jasper mantinha a mão apoiada discretamente nas costas dela, tentando conter a ansiedade que tomava o ambiente inteiro.
E eu…
Eu estava imóvel.
Porque quanto mais o tempo passava, pior ficava.
Partos humanos não deveriam durar tanto.
Toda vez que o telefone vibrava, o corpo inteiro de Esme tensionava.
Toda vez que um carro passava na estrada, Alice levantava os olhos imediatamente.
Então finalmente ouvi o motor de Carlisle.
A garagem abriu.
Passos rápidos.
E Carlisle entrou pela porta com o rosto cansado e o celular nas mãos.
Todos levantamos ao mesmo tempo.
— Carlisle? — Esme perguntou primeiro.
Ele passou a mão pelo rosto desnecessariamente antes de responder:
— O parto foi um pouco complicado.
Meu corpo inteiro congelou.
Instantaneamente.
Bella.
Sangue.
Costelas quebrando.
Não.
Carlisle continuou rapidamente:
— Ela nasceu de oito meses. Esse período costuma ser delicado em humanos.
Humanos.
A palavra deveria tranquilizar.
Não tranquilizou.
Alice já estava na frente dele.
— Emily está viva?
— Sim.
— E o bebê?
Carlisle olhou diretamente para mim antes de responder.
— Também.
O ar finalmente voltou aos meus pulmões.
Só então percebi que todos na sala estavam tensos exatamente pelo mesmo motivo.
Ninguém ali tinha esquecido Bella.
Carlisle caminhou lentamente até mim.
Então colocou o celular nas minhas mãos.
Eu olhei.
E o mundo inteiro parou.
A bebê estava enrolada num cobertor rosa-claro, pequena demais, o rosto ainda levemente avermelhado do nascimento prematuro.
Mas os olhos—
Meu corpo inteiro endureceu violentamente.
Castanhos.
Profundos.
Exatamente iguais aos de Bella.
Não “parecidos”.
Não “lembravam”.
Eram iguais.
O mesmo formato suave. O mesmo olhar absurdamente expressivo mesmo em silêncio.
Por um segundo horrível, minha mente simplesmente recusou realidade.
Eu conhecia aqueles olhos.
Passei décadas me afogando neles.
Minhas mãos apertaram o celular forte demais.
— Edward… — Esme sussurrou.
Mas eu mal conseguia ouvir.
Porque algo dentro de mim estava rachando lentamente.
Sete anos enterrando Bella.
Sete anos tentando sobreviver ao vazio.
E agora aqueles olhos estavam olhando de volta para mim através de uma tela.
Perguntei antes mesmo de perceber:
— Qual é o nome dela?
Carlisle hesitou por meio segundo.
Então respondeu:
— Maliza.
O nome pairou estranho no silêncio da sala.
Carlisle continuou:
— Maliza Higginbotham Jackson.
Maliza.
A bebê da foto piscou lentamente.
Exatamente como Bella fazia quando estava cansada.
Meu peito apertou com tanta força que achei que até um vampiro pudesse parar de respirar.
Alice levou a mão à boca.
Os pensamentos dela estavam um caos absoluto agora.
Visões entrando e desaparecendo rápido demais.
Maliza criança.
Charlie segurando ela no colo.
Emily sorrindo cansada na cama do hospital.
E eu.
Sempre eu.
Perto demais.
Meu corpo reagiu instantaneamente.
Entreguei o celular de volta para Carlisle como se estivesse queimando minhas mãos.
— Não.
A palavra saiu baixa.
Fraca.
Porque eu já sabia o que estava acontecendo comigo.
O mesmo apego impossível começando outra vez.
O mesmo desespero.
A mesma fome devastadora por qualquer fragmento de Bella.
Rosalie observava meu rosto em silêncio absoluto.
Até Emmett parecia perturbado agora.
Então Alice falou muito baixo:
— Edward…
Fechei os olhos imediatamente.
Mas isso só piorou.
Porque agora os olhos de Maliza estavam gravados perfeitamente na minha memória imortal.
Os olhos da minha Bella.
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