Maliza’s p.o.v

Depois que Emily mandou comida suficiente pra alimentar umas cinquenta pessoas, a sala virou bagunça oficialmente.

Pratos espalhados.

Quil deitado ocupando espaço demais no sofá.

Embry discutindo sobre música com Leah.

Seth tentando convencer Sam de alguma teoria absurda.

Normal.

Me joguei no sofá abraçada numa almofada enquanto sentia aquele sono gostoso de quem acabou de comer demais.

Seth imediatamente apareceu do meu lado.

— Filme.

Levantei os olhos lentamente.

— Qual?

— Terror.

— Não.

— Covarde.

— Tenho nove anos, Seth.

— Exatamente a idade perfeita pra trauma psicológico.

Jake apareceu vindo da cozinha carregando copos vazios e ouviu a conversa no mesmo instante.

— Nem pensar.

Seth bufou dramaticamente.

— Você estraga toda a diversão.

Jake ignorou completamente ele e olhou diretamente pra mim.

— Você fez o dever de casa?

Silêncio.

Olhei pra parede.

Depois pro teto.

Depois pra almofada.

Jake cruzou os braços.

— Maliza.

— Talvez.

— Isso significa não.

Seth começou a rir imediatamente.

— Ela faz essa cara igualzinha—

Leah chutou a perna dele antes que terminasse a frase.

Silêncio rápido.

Jake suspirou passando a mão no rosto.

— Primeiro dever de casa. Depois filme.

Joguei a cabeça pra trás dramaticamente.

— Isso é opressão.

— Isso é matemática.

— Pior ainda.

Embry começou a rir tão forte que quase derrubou o refrigerante.

Jake apontou pro corredor.

— Anda. Mochila.

Bufei o mais dramaticamente possível enquanto levantava do sofá.

— Eu sobrevivi à escola, devia ganhar descanso.

Jake não parecia nem um pouco comovido.

— Você falou isso semana passada também.

Peguei minha mochila perto da porta arrastando os pés de propósito.

Seth gritou do sofá:

— Se você terminar rápido eu escolho um filme sem susto!

— Mentira! — Leah respondeu imediatamente.

— Tá bom, com poucos sustos!

Jake pegou meus livros da mochila antes que eu pudesse fugir.

— Mesa da cozinha. Agora.

Revirei os olhos indo atrás dele enquanto os outros continuavam discutindo filmes na sala.

Mas honestamente…

Aquilo era bom.

Barulhento.

Caótico.

Quente.

Família.

Mesmo quando ninguém dizia em voz alta.