Eu Me Lembro - Crepúsculo
89 O Cheiro Dela
Edward's p.o.v
Voltamos pra casa perto do meio-dia.
Ou melhor:
Emmett voltou fazendo barulho suficiente pra acordar metade de Forks.
- Eu ainda acho que teria vencido se o Jasper não roubasse.
Jasper nem olhou pra ele.
- Você perdeu sozinho.
- Fake news.
Rosalie revirou os olhos entrando na casa primeiro enquanto Alice claramente tentava não rir.
Eu mal estava prestando atenção.
Minha cabeça ainda tava cheia da mensagem de ontem à noite.
"Não surta muito :)"
Sorri sozinho só de lembrar.
Ridículo.
Entrei em casa atrás deles sentindo imediatamente o cheiro humano.
Maliza.
Meu peito apertou quentinho automaticamente.
Ela já estava aqui.
Consegui ouvir Esme conversando baixo na cozinha com Carlisle enquanto Emmett continuava reclamando da própria derrota esportiva inexistente.
Subi as escadas quase no automático indo direto pro meu quarto.
E no instante em que abri a porta...
Congelei.
Maliza tava dormindo no sofá perto da janela.
O livro ainda apoiado no colo.
E o bilhete...
O bilhete de Bella preso delicadamente entre os dedos dela.
Meu corpo inteiro ficou imóvel.
Porque por um segundo absurdo...
Parecia Bella.
Dormindo daquele mesmo jeito.
Toda enrolada em si mesma como se tentasse ocupar menos espaço do mundo.
A chuva entrava fraquinha pela janela aberta mexendo alguns fios do cabelo dela.
E o cheiro...
Humano. Quente. Familiar.
Meu peito apertou tão forte que quase doeu fisicamente.
Então percebi outra coisa.
O livro tava aberto exatamente no capítulo favorito da Bella.
Claro que tava.
Fechei os olhos por um segundo tentando me controlar emocionalmente antes de surtar igual um personagem trágico de romance russo.
Quando abri novamente...
Maliza ainda dormia profundamente.
O coração batendo calmo.
Seguro.
Aproximei-me devagar do sofá tentando não fazer barulho.
Mas no instante em que cheguei perto...
Os dedos dela apertaram o bilhete inconscientemente.
Como se soubesse o quanto aquilo importava.
Meu peito queimou violentamente.
Olhei pra frase escrita na letra da Bella.
"Se eu tiver outra vida..."
E pela primeira vez desde que encontrei aquele bilhete...
O medo começou a dividir espaço com outra coisa.
Esperança.
Perigosa.
Enorme.
Quase impossível de suportar.
Abaixei lentamente perto do sofá observando ela dormir.
E então percebi outra coisa assustadora:
Mesmo dormindo...
Ela parecia tranquila ali.
Como se aquele quarto fosse familiar demais pra ela.
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