Eu Me Lembro - Crepúsculo
48 Leitor de mentes
O filme continuava passando na televisão.
Explosões.
Gritos.
Emmett comentando cenas absurdas como se estivesse narrando um documentário importante.
Mas eu mal prestava atenção.
Porque Maliza continuava encostada no meu braço como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo.
E cada segundo perto dela tornava mais difícil lembrar como respirar emocionalmente.
Então, cerca de vinte minutos depois do começo do filme…
Ela falou baixinho.
Como se estivesse perguntando algo completamente normal:
— Agora você pode ler meus pensamentos?
Meu corpo inteiro congelou.
A sala inteira também.
Na televisão alguma coisa explodiu dramaticamente.
Ninguém olhou.
Porque todos estavam olhando para nós.
Devagar…
Muito devagar…
Olhei para Maliza.
Ela ainda encarava a televisão casualmente.
Como se não tivesse acabado de destruir o restante da minha estabilidade mental.
Meu peito apertou violentamente.
Porque Bella fazia aquilo.
Perguntas absurdas em momentos absurdamente normais.
E o pior:
Ela perguntou “agora”.
Como se soubesse que antes eu não conseguia.
Minha garganta queimou.
— O quê?
Maliza finalmente virou o rosto para mim.
Confusa.
— Ler pensamentos.
Ela piscou algumas vezes.
— Você fazia isso antes.
Silêncio absoluto.
Rosalie apertou o braço do sofá tão forte que a madeira rachou levemente.
Emmett desligou a televisão sem perceber.
Alice parecia incapaz de piscar.
Meu corpo inteiro ficou rígido enquanto eu encarava Maliza.
— Quem te contou isso?
A pergunta saiu baixa demais.
Perigosa demais.
Maliza franziu a testa imediatamente.
— Ninguém.
Então apontou pra própria cabeça.
— Eu lembro.
O mundo inteiro pareceu inclinar perigosamente.
Porque essa…
Essa era uma das coisas mais impossíveis de todas.
Bella nunca contou meu dom pra quase ninguém humana.
Nunca.
E Maliza não poderia saber.
Simplesmente não poderia.
Meu peito queimava violentamente agora.
Maliza inclinou levemente a cabeça observando minha reação.
Então perguntou outra vez:
— Você consegue?
A voz dela saiu curiosa.
Pequena.
Como alguém tentando recuperar uma coisa antiga.
Fechei os olhos por um segundo antes de finalmente responder a verdade:
— Não.
Ela pareceu surpresa de verdade.
— Não?
Balancei a cabeça lentamente.
— Nunca consegui ouvir os pensamentos da Bella.
O nome escapou antes que eu pudesse impedir.
A sala inteira ficou imóvel.
Mas Maliza…
Maliza apenas me observou em silêncio por alguns segundos.
E então sorriu pequenininho.
Triste.
Doce.
Familiar demais.
— Ah.
Meu peito apertou violentamente.
Porque ela entendeu imediatamente.
Sem precisar explicar.
Como Bella sempre entendia.
Então ela encostou outra vez no meu braço e murmurou baixinho:
— Ainda bem.
Franzi a testa.
— Por quê?
Maliza deu de ombros pequeno.
Os olhos voltando pra televisão desligada.
— Porque eu gostava de ter uma coisa só minha.
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