Carlisle pegou as chaves da mão de Alice antes mesmo que ela percebesse.

— Vamos.

A palavra saiu firme. Sem espaço para discussão.

Eu não me movi.

Porque meu corpo inteiro ainda estava preso naquelas últimas palavras.

“Eu não quero morrer de novo.”

Não.

Não não não.

Era impossível.

Carlisle apareceu na minha frente rápido demais.

Os olhos dourados presos nos meus.

— Edward.

Minha garganta queimava.

— Ela não pode ter dito aquilo.

Mas até enquanto falava eu sabia que tinha ouvido perfeitamente.

Carlisle segurou meu ombro com força.

— Você precisa vir comigo.

Balancei a cabeça imediatamente.

Pânico subindo rápido demais agora.

— Carlisle—

— Você precisa ver por si mesmo.

O silêncio na sala ficou pesado.

Alice parecia pálida no sofá. Rosalie desviava os olhos de mim. Jasper mantinha o ambiente estranhamente calmo à força.

Mas eu conseguia sentir o medo deles mesmo assim.

Porque todos estávamos pensando a mesma coisa horrível.

Carlisle apertou meu ombro mais uma vez.

— Vamos.

A viagem até a casa de Charlie pareceu curta demais.

A chuva voltara pesada, batendo contra o para-brisa enquanto o motor atravessava as estradas escuras de Forks.

Nenhum de nós falou.

Porque não existiam palavras para aquilo.

Meu corpo inteiro estava rígido no banco do passageiro.

Memórias atravessavam minha mente repetidamente.

Bella tossindo sangue.

Bella tentando respirar.

Bella morrendo nos meus braços.

Então outra imagem surgia por cima.

Maliza chorando.

Eu não quero morrer de novo.

Meu peito parecia rasgar cada vez que lembrava.

Carlisle estacionou na frente da casa de Charlie sem desligar o motor imediatamente.

As luzes estavam acesas.

Vi sombras se movendo pelas janelas.

Ansiedade.

Medo.

Carlisle finalmente saiu do carro.

Eu permaneci imóvel por meio segundo antes de seguir atrás dele.

A chuva gelada atingiu meu rosto instantaneamente.

Charlie abriu a porta antes mesmo de Carlisle bater completamente.

Ele parecia horrível.

Pálido. Exausto. Assustado.

E então os olhos dele encontraram os meus.

Silêncio.

Longo demais.

Porque Charlie entendeu imediatamente que eu ouvi.

A voz dele saiu rouca:

— Ela tá pior.

Meu corpo inteiro tensionou violentamente.

Atrás dele ouvi Sue tentando acalmar alguém no andar de cima.

Maliza ainda chorava.

Mais fraco agora.

Mas cada som atravessava meu corpo como faca.

Charlie abriu mais a porta devagar.

Os olhos cansados presos em mim.

E havia medo verdadeiro neles agora.

Não de mim.

Da situação.

— Ela continua perguntando por você.

O mundo inteiro pareceu inclinar outra vez.

Carlisle entrou primeiro.

Eu fiquei parado na porta por um segundo longo demais.

Porque meu instinto inteiro gritava para fugir.

Fugir antes que aquilo destruísse completamente o que restava de mim.

Então ouvi uma voz pequena vindo do andar de cima.

Fraca.

Assustada.

— Edward…?

Meu corpo se moveu antes da mente conseguir impedir.