O dia na escola foi meio chato.

Na verdade, muito chato.

Crianças de nove anos simplesmente não sabem ficar quietas por mais de três minutos seguidos.

Principalmente minha turma.

Tinha gente jogando bolinha de papel.

Gente discutindo sobre Pokémon.

Gente brigando porque alguém pegou o lápis brilhante errado.

E o pior de tudo:

A professora resolveu fazer trabalho em grupo.

Eu já tava quase desistindo da humanidade antes do recreio.

- Maliza, você tá ouvindo?

Pisguei olhando pra Sophie sentada do meu lado.

- Hm?

Ela fez cara de irritada.

- Eu perguntei se você prefere cachorro ou gato.

Olhei pra ela por dois segundos.

- Lob-

Me interrompi imediatamente.

Meu cérebro quase me traiu.

- Gatos — respondi rápido demais.

Sophie estreitou os olhos desconfiada.

- Você ia falar outra coisa.

- Não ia não.

Ia sim.

Completamente.

Passei o resto da manhã tentando prestar atenção nas aulas enquanto meu cérebro insistia em lembrar coisas aleatórias.

O jeito que Edward ficou olhando pra mim ontem.

Jake surtando dentro do carro.

Minha mãe falando sobre eu dizer "Edward" quando era bebê.

Era impossível se concentrar em matemática depois disso.

No almoço sentei perto da janela com minha bandeja enquanto alguns colegas discutiam qual personagem venceria numa luta imaginária.

Normal.

Barulhento.

Muito barulhento.

Apoiei o rosto na mão olhando a chuva cair lá fora.

Forks parecia mais cinza hoje.

Ou talvez eu só estivesse pensando demais.

- Você tá estranha hoje.

Levantei os olhos.

Era Noah.

Ele sentou na minha frente segurando um suco de maçã.

- Obrigada, eu acho.

Ele revirou os olhos.

- Você tá mais quieta.

Dei de ombros pequeno.

- Tô cansada.

Mentira meia-boca.

Noah me observou por alguns segundos antes de perguntar:

- Você vai pra La Push esse fim de semana?

Meu peito apertou quentinho automaticamente.

- Vou provavelmente.

Ele fez cara de inveja.

- Queria morar perto da praia.

Sorri pequeno.

La Push sempre fazia meu coração ficar mais leve.

Mesmo antes das lembranças começarem.

Então o sinal tocou alto demais e quase metade da cafeteria levantou gritando ao mesmo tempo.

Fechei os olhos imediatamente.

- Nossa senhora.

Noah começou a rir.

- Você parece uma velhinha reclamando.

- Porque vocês são irritantes.

- Você também tem nove anos.

- Infelizmente.

Ele riu mais ainda enquanto levantava da mesa.

Passei a tarde inteira contando os minutos pra aula acabar.

E quando finalmente o último sinal tocou...

Parecia que eu tinha sobrevivido a uma guerra.