Edward’s p.o.v


Depois de alguns minutos, Alice saiu do meu quarto silenciosamente.

Consegui ouvir os passos rápidos dela descendo as escadas, provavelmente indo atrás de Maliza para perguntar sobre o dever de casa ou simplesmente distrair ela antes que começasse a pensar demais.

Alice sempre fazia isso.

Com Bella também.

A casa ficou quieta outra vez.

Silenciosa demais.

Voltei lentamente até a poltrona perto da janela aberta e peguei o livro que tinha deixado de lado antes dela entrar.

Wuthering Heights.

O Morro dos Ventos Uivantes.

O livro favorito da Bella.

Claro que era.

Dramático. Intenso. Trágico.

Perfeitamente compatível com a alma absurdamente emocional dela.

Passei os dedos pela capa desgastada lentamente.

Eu tinha relido aquele livro tantas vezes nos últimos anos que algumas páginas já começavam a ficar frágeis.

Porque era uma das poucas coisas que ainda cheiravam a ela.

Abri distraidamente exatamente no capítulo que Bella mais gostava.

O capítulo que ela insistia em reler mesmo reclamando de Heathcliff.

Um sorriso pequeno quase apareceu no meu rosto ao lembrar disso.

Mas então alguma coisa caiu no meu colo.

Um pedaço dobrado de papel.

Meu corpo inteiro ficou imóvel instantaneamente.

Porque eu reconheci a letra antes mesmo de abrir.

Bella.

Minha garganta fechou na hora.

As bordas do papel estavam amareladas pelo tempo.

Dobrado e guardado ali havia anos.

Talvez mais de uma década.

Com cuidado absurdo, abri lentamente.

E encontrei uma frase escrita na caligrafia apressada dela:

“Se eu tiver outra vida, espero te encontrar mais cedo.”

O mundo inteiro pareceu desaparecer.

Meu peito travou violentamente.

Porque eu lembrava daquele dia.

Lembrava exatamente.

Bella escreveu aquilo brincando depois de terminar o capítulo.

Eu tinha dito que ela era mórbida demais.

Ela respondeu:

“Você literalmente lê mentes e brilha no sol. Não critica meu senso de romance.”

Fechei os olhos imediatamente.

A dor veio tão forte que quase parecia humana outra vez.

Mas então…

Outra coisa atingiu minha mente.

Treze de agosto.

“Eu sinto algo quando penso nessa data.”

Abri os olhos rapidamente olhando para o bilhete nas minhas mãos.

A letra de Bella parecia mais viva agora.

Como se o passado inteiro tivesse esperado silenciosamente aquele momento.

Passos leves ecoaram no corredor.

Alice.

Ela parou na porta sem falar nada imediatamente.

Os olhos caíram no papel nas minhas mãos.

E sua expressão mudou na hora.

Devagar, ela se aproximou.

— Edward…

Levantei o bilhete em silêncio.

Alice leu rapidamente.

E pela primeira vez em muitos anos…

Vi minha irmã parecer genuinamente assustada.

Porque não parecia coincidência mais.

Não depois de tudo.

Olhei novamente para a frase escrita por Bella.

E pela primeira vez desde a morte dela…

Senti algo perigosamente próximo de esperança.