Eu Me Lembro - Crepúsculo
7 Voz e Eco
A casa ficou silenciosa depois que todos saíram.
Silenciosa demais.
Alice continuava tentando montar as peças impossíveis dentro da própria cabeça. Carlisle queria explicações racionais. Esme parecia preocupada comigo de um jeito que eu odiava perceber.
Então eu fui embora.
Porque havia apenas um lugar para onde eu sempre ia quando o peso ficava insuportável.
O cemitério.
A chuva tinha parado, mas a terra ainda estava úmida sob meus pés enquanto eu caminhava entre as lápides familiares. O céu de Forks permanecia pesado, cinza-escuro, como se nunca amanhecesse completamente naquele lugar.
Eu já conseguia ver a lápide dela de longe.
Isabella Marie Cullen.
Meu corpo relaxou e destruiu ao mesmo tempo, como sempre acontecia.
Mas havia alguém ali.
Jacob.
Ele estava sentado na grama molhada diante do túmulo, os cotovelos apoiados nos joelhos. Mais velho agora. O cabelo curto. Ombros largos demais para o velho casaco escuro.
E ele estava falando.
Eu parei imediatamente entre as árvores.
— …acho que você ia rir de mim agora — Jacob murmurou baixo.
A voz dele carregava um cansaço antigo.
— Ou mandar eu parar de ser idiota.
O vento moveu as árvores ao redor do cemitério.
Jacob soltou uma risada seca.
— Sabe o pior? Eu ainda lembro exatamente da sua voz.
Aquilo me atingiu como uma lâmina.
Porque eu tinha acabado de admitir para mim mesmo que estava esquecendo.
Jacob abaixou a cabeça por alguns segundos antes de continuar:
— Charlie tá melhor esses dias.
Silêncio.
— Tem uma garota morando perto da casa dele agora.
Meu corpo inteiro endureceu instantaneamente.
Jacob continuou sem saber que eu estava ali.
— Ela lembra você às vezes.
O mundo pareceu parar.
Ele arrancou um pouco de grama molhada distraidamente.
— Não do jeito assustador que o sanguessuga provavelmente tá pensando.
Rosnei involuntariamente sob a respiração.
Jacob deu um meio sorriso triste olhando para a lápide.
— Sim, eu sei que ele tá aqui.
Droga.
Lobisomens.
Ele virou levemente o rosto na direção das árvores.
Os olhos cansados encontraram minha sombra imediatamente.
— Vai ficar escondido igual um psicopata ou vai aparecer?
Eu saí lentamente das árvores.
Jacob me observou se aproximar em silêncio.
Não havia mais ódio entre nós.
Só ruínas.
Parei diante da lápide sem olhar para ele.
Por alguns segundos, nenhum de nós falou.
Então Jacob suspirou.
— Charlie gosta dela.
— Emily — corrigi automaticamente.
Jacob me encarou rapidamente.
Claro.
Ele percebeu.
— Então você já descobriu.
Eu permaneci imóvel.
— Renée tinha uma irmã mais velha — Jacob explicou. — Charlie comentou isso anos atrás. A família se afastou depois que Bella nasceu.
Eu tentei lembrar.
Bella nunca falava da família além dos pais.
Nunca houve motivo.
Jacob esfregou o rosto cansado.
— A garota apareceu do nada faz uns meses. Disse que queria conhecer a família da mãe antes da bebê nascer.
Bebê.
Outra menina.
O silêncio caiu novamente.
Então Jacob falou algo que fez meu corpo inteiro congelar.
— Charlie quase chamou ela de Bella ontem.
Eu virei para ele imediatamente.
Jacob sustentou meu olhar.
— Foi rápido. Ele percebeu na hora. Mas aconteceu.
Meu peito pareceu rachar violentamente.
Porque eu entendia.
Entendia perfeitamente.
Emily era um eco.
Não Bella.
Nunca Bella.
Mas perto o suficiente para pessoas destruídas cometerem erros.
Jacob olhou para o túmulo novamente.
— Isso tá ferrando com a cabeça dele também.
Eu abaixei os olhos para o nome gravado na pedra.
Isabella Marie Cullen.
Sete anos.
E ainda parecia impossível que aquilo fosse tudo o que restava dela.
Então Jacob murmurou baixo:
— Você tá com medo de quê exatamente, sanguessuga?
Eu não respondi.
Porque a verdade era horrível demais.
Eu não estava com medo de Emily.
Nem do bebê.
Nem das coincidências impossíveis.
Eu estava com medo de começar a desejar o impossível novamente.
E sobreviver à morte de Bella uma vez já tinha destruído tudo em mim.
Eu não sobreviveria uma segunda vez.
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