Eu Me Lembro - Crepúsculo
33 Telefonema part. 3
Eu me afastei um pouco da sala antes de responder.
Não porque os outros não pudessem ouvir.
Mas porque eu precisava pensar.
Precisava sentir as visões direito.
Porque cada vez que Maliza falava sobre vir para esta casa… minhas visões tremiam violentamente.
Como se o futuro inteiro prendesse a respiração.
Encostei na parede perto da cozinha e segurei o telefone com mais força.
— Maliza…
Ela ficou imediatamente silenciosa do outro lado.
Esperando.
Meu peito apertou.
— Você precisa pedir permissão pros seus pais primeiro, tá bem?
— Tá…
A voz saiu decepcionada instantaneamente.
Quase me fez rir de nervoso.
— E se eles deixarem, você pode pedir pro Charlie ou pra Sue te trazerem aqui.
Ouvi um pequeno suspiro animado.
— Sério?
— Sério.
Então completei cuidadosamente:
— Mas antes eu preciso ver se vai ficar tudo bem.
Silêncio.
Longo demais.
E então veio aquela mudança outra vez.
Aquela mudança impossível na voz dela.
A infantilidade ainda estava lá…
Mas por baixo dela existia algo mais velho.
Mais triste.
— Ele tá com medo de mim?
Meu coração morto apertou violentamente.
Na sala, consegui ouvir Emmett prendendo a respiração.
Rosalie fechou o livro devagar.
E no andar de cima…
Silêncio absoluto.
Edward estava ouvindo cada palavra.
Fechei os olhos por um segundo.
Porque eu não sabia mentir para ela.
Não daquele jeito.
— Não de você, pequena.
A resposta saiu baixa.
Honesta demais.
Maliza demorou alguns segundos para responder.
Quando falou novamente, a voz parecia distante.
Como alguém tentando lembrar de uma coisa muito antiga.
— Ele sempre faz isso quando fica triste.
Meu corpo inteiro arrepiou.
Atrás de mim, ouvi passos rápidos no andar de cima.
Edward.
Se movendo abruptamente.
Porque ela falou “sempre”.
Não “agora”.
Sempre.
Engoli seco.
— Maliza…
Mas ela continuou baixinho:
— Eu só quero ver ele.
Meu peito doeu instantaneamente.
Porque a saudade nela era real.
Profunda.
E absurdamente familiar.
Então outra voz apareceu ao fundo da ligação.
Emily.
— Maliza, devolve o telefone pra mamãe.
A menina soltou um pequeno resmungo imediatamente.
— Maaaas—
Ouvi Emily rir cansada.
— Você já interrogou a Alice o suficiente por hoje.
Alice.
Não tia Alice.
Não senhorita Alice.
Só Alice.
Como Bella fazia.
Meu corpo inteiro ficou tenso outra vez.
Maliza voltou rápido para o telefone antes que Emily pegasse.
— Alice!
— Oi, pequena.
A voz dela ficou urgente.
Ansiosa.
— Diz pra ele que eu não tô brava.
O mundo inteiro pareceu parar.
Porque aquilo…
Aquilo não era uma frase de criança.
Era uma ferida antiga.
Uma conversa antiga.
Meu peito apertou tão forte que quase doeu fisicamente.
No andar de cima ouvi movimento novamente.
Rápido.
Desesperado.
Edward.
Então Maliza completou baixinho:
— Eu sei que ele acha que foi culpa dele.
E naquele instante…
Uma visão me atingiu tão forte que minhas pernas quase cederam.
Edward ajoelhado.
Chorando.
Maliza segurando o rosto dele com mãos pequenas.
E dizendo:
“Eu nunca culpei você.”
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