Eu Me Lembro - Crepúsculo
11 Maliza
O silêncio na sala ficou pesado depois que devolvi o celular.
Pesado demais.
Ninguém parecia saber o que dizer.
Porque todos tinham visto.
Todos reconheceram aqueles olhos.
Rosalie foi a primeira a quebrar o silêncio.
A voz dela saiu baixa, quase cuidadosa:
— Por que Maliza?
Carlisle ergueu os olhos do celular lentamente.
E algo na expressão dele já me fez sentir pior antes mesmo da resposta.
— Eu ouvi Emily conversando com Aaron depois do parto.
Alice ficou completamente imóvel.
Carlisle continuou:
— Emily disse que queria juntar “Marie” com “Elizabeth”.
Meu corpo inteiro congelou.
Marie.
Bella Marie Swan.
O segundo nome dela.
Carlisle falou calmamente, sem perceber que cada palavra estava me destruindo:
— Elizabeth era o nome da mãe de Aaron.
Maliza.
Marie + Elizabeth.
A sala inteira mergulhou em silêncio absoluto.
Eu senti o instante exato em que todos fizeram a conexão.
Bella Marie.
Elizabeth Masen.
Minha mãe humana.
Meu peito apertou tão violentamente que parecia impossível até para um corpo morto suportar aquilo.
Não.
Não.
Aquilo não significava nada.
Era coincidência.
Precisava ser.
Mas então outra memória me atingiu.
Bella sorrindo timidamente anos atrás enquanto falava sobre nomes.
“Elizabeth é bonito.”
Eu fechei os olhos imediatamente.
Rosalie desviou o olhar primeiro.
Até ela parecia desconfortável agora.
Alice já estava perdida em novas visões fragmentadas outra vez.
Maliza dormindo no colo de Emily.
Charlie chorando escondido no corredor do hospital.
Eu olhando para aquela criança como um homem morrendo de sede olhando água.
Meu corpo inteiro endureceu.
Porque Alice viu isso também.
Ela me encarou assustada.
— Edward—
— Não.
Minha voz saiu mais forte dessa vez.
Mais desesperada.
— Vocês precisam parar.
Carlisle franziu levemente a testa.
— Parar com o quê?
Eu levantei imediatamente.
A cadeira atrás de mim caiu no chão.
— De olhar para isso como se tivesse algum significado.
Minha própria voz parecia estranha agora.
Instável.
Porque parte de mim já estava fazendo exatamente aquilo.
Procurando significado.
Procurando Bella.
Em tudo.
Rosalie cruzou os braços devagar.
— Edward, ninguém disse—
— Mas estão pensando.
Silêncio.
Porque eu conseguia ouvir.
Todos eles.
A confusão.
O desconforto.
A impossibilidade absurda daquela sequência de coincidências.
Os olhos.
O nome.
Charlie.
Emily parecendo um eco vivo de Bella.
Alice sussurrou quase sem perceber:
— Parece destino.
Raiva explodiu dentro de mim tão rápido que o chão rachou sob meus pés.
— Bella morreu.
A frase saiu feroz.
Crua.
Dolorosa.
— Eu vi ela morrer. Eu senti o coração dela parar.
A casa inteira ficou imóvel.
Porque ninguém nunca falava sobre aquela noite daquele jeito.
Nunca.
Eu respirei fundo desnecessariamente.
Tentando desesperadamente recuperar controle.
— Maliza é só uma criança humana.
Mas minha voz falhou no final.
Porque a imagem dela continuava queimando na minha memória.
Os olhos castanhos profundos.
Os olhos da minha Bella.
E a pior parte…
Era que pela primeira vez em sete anos, pensar neles não me fazia sentir apenas dor.
Fazia alguma coisa dentro de mim querer viver de novo.
E isso me aterrorizava mais do que qualquer coisa.
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