Eu Me Lembro - Crepúsculo
45 Bella
Alice se aproximou devagar depois do silêncio enorme que ficou na sala.
Ela parecia nervosa.
Mais nervosa do que eu já tinha visto desde que cheguei.
Mas quando sentou do meu lado no sofá, o sorriso dela ainda era gentil.
Cuidadoso.
Ela pegou uma das minhas mãozinhas entre as dela.
Frias.
Mas confortáveis.
— Maliza…
Olhei pra ela imediatamente.
Alice hesitou por um segundo.
Como se tivesse medo da resposta antes mesmo de perguntar.
Então falou baixinho:
— Você lembra do seu nome?
Franzi a testa confusa.
— Maliza.
Ela assentiu rápido.
— Sim. Mas… antes.
O silêncio da sala ficou tão pesado que eu consegui ouvir o relógio da cozinha.
Meu coração começou a bater mais rápido sem eu entender por quê.
Porque alguma coisa dentro de mim já sabia o que ela queria dizer.
Olhei pras minhas mãos.
As lembranças começaram a se mexer de novo.
Confusas.
Bagunçadas.
Floresta.
Chuva.
Olhos dourados.
Risadas.
Dor.
Então…
Uma voz masculina.
Quente.
Apaixonada.
“Bella.”
Meu peito apertou violentamente.
A respiração ficou difícil de repente.
Edward deu um passo involuntário na minha direção.
Eu ouvi.
Mesmo sem olhar.
Minha garganta queimou estranhamente.
E antes que eu percebesse…
A palavra saiu.
Baixinha.
Quase assustada.
— Bella.
O mundo inteiro parou.
Alice apertou minha mão imediatamente.
Esme começou a chorar outra vez.
Rosalie virou o rosto.
Emmett parecia incapaz de falar pela primeira vez na vida.
E Edward…
Eu finalmente olhei pra ele.
E desejei não ter olhado.
Porque a expressão dele parecia dor e felicidade ao mesmo tempo.
Como alguém vendo um milagre enquanto o coração quebra.
Lágrimas humanas não existiam pra eles.
Mas naquele momento parecia que Edward estava chorando mesmo assim.
Meu peito doeu forte sem entender direito por quê.
Então outra lembrança atravessou minha cabeça abruptamente.
Mais forte que todas as outras.
Uma clareira.
Frio.
Os olhos dourados dele olhando pra mim.
E minha própria voz dizendo:
“Meu nome é Bella.”
Levei a mão até o peito imediatamente.
Assustada.
Porque agora não parecia sonho.
Parecia memória.
Real.
Muito real.
Alice segurou meu ombro suavemente.
— Tudo bem, pequena.
Mas eu continuei olhando pra Edward.
Porque ele parecia a única coisa fixa naquele monte de lembranças quebradas.
E sem perceber…
Eu estendi a mão na direção dele.
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