Eu Gosto de Guiozá

1 Capítulo único


Notas iniciais
Agradecimentos à MitsukiUshi, minha principal fonte de informações sobre o News e Tegomass ^.~!

1

Eu estou ferrado!

Diante daquelas pessoas, era inevitável que Tegoshi Yuya se sentisse daquela forma. Inibido. Seus olhos percorriam timidamente cada rapaz que estava naquela sala. O primeiro a lhe chamar atenção foi aquele rapaz de cabelos tingidos de loiro, que ele conhecia da televisão.

Yamashita Tomohisa já tinha algumas participações em novelas que lhe rendiam alguma fama. Ele emanava uma áurea muito atraente, na opinião de Tegoshi, aquele ar de liderança e certeza dos próprios atos. Ele não precisava ficar falando sem parar, como o outro rapaz – Shigueaki seria seu nome? – para impor a sua presença, não que funcionasse muito... Todos sempre acabavam interrompendo o que ele dizia.

Na opinião de Tegoshi, Yamashita era o tipo de pessoa que se faz presente apenas com um olhar. Ele era incrível, mesmo aos 18 anos.

- Será um projeto bacana. – dizia Yamashita – Espero poder contar com todos. – ele fez uma breve mesura e sorriu.

Tegoshi quase pegou óculos de sol para se esconder daquele sorriso brilhante. Sua atenção, contudo, foi desviada para outro rapaz. Nishikido Ryo, um rapaz de ar meio mal-humorado e debochado, principalmente com seus cabelos aloirados. Tegoshi sentia-se intimidado com a sua presença, muito mais do que com a de Yamashita, apesar do histórico na televisão deste.

- Não precisa bancar o legal, Dorama-san! – Ryo gracejou com Yamashita – Mas concordo que esse projeto é interessante e, no que depender de mim, darei o meu melhor.

- Quem está querendo bancar o legal, agora? – Yamapi devolveu no mesmo tom.

Eles estavam bastante à vontade, Nishikido e Yamashita, foi a observação que Tegoshi fez em pensamento. Como Nishikido consegue agir tão íntimo de Yamashita?

- Sim, se trabalharmos duro, certamente alcançaremos o debut! Esse será nosso objetivo! – afirmou um rapaz com cabelos coloridos de loiro também, mas seus fios eram mais avermelhados que o de Yamashita. Koyama Keiichiro.

Ele é incrivelmente alto... E magro!

Ao notar-se observado, Koyama lhe sorriu de modo gentil. Tegoshi devolveu o sorriso. Por algum motivo, aquele rapaz lhe deixava a vontade, mais que os outros.

Tegoshi se perguntava se eles realmente não se conheciam. Agiam com tamanha naturalidade, que era difícil dizer que apenas Uchi Hiroki e Nishikido Ryo eram os únicos que já trabalhavam juntos, no grupo Kanjani 8.

Pouco tempo se passou desde que eles entraram naquela sala até as conversas e as brincadeiras começarem a fluir. Eles foram encaminhados ali depois que foram noticiados de que formariam uma nova unit da Johnnys. O nome ainda estava indefinido.

Eu estou ferrado! Tegoshi repetia mentalmente a si mesmo. Como poderei me destacar com o brilho de tantas pessoas assim?! Serei capaz de alcançar as expectativas desse projeto?

Eles conversavam em um clima bastante animado. Taka, Kusano, Hiroki e Koyama falavam sem parar. Yamashita comentava algo legal de vez em quando e Ryo zombava de todos. Shigue continuava tentando falar.

Contudo, quem mais chamou a atenção de Tegoshi foi aquele garoto que observava a tudo e a todos com muita atenção. Ele sentiu uma atração inexplicável pelo rapaz de rosto redondo e dono do sorriso mais contagiante entre todos ali, que apertava ainda mais seus olhinhos puxados quando sorria abertamente diante das coisas engraçadas – algumas nem tanto assim, mas seu sorriso fazia parecer que era – que ouvia.

Seu nome era Masuda Takahisa, se Tegoshi bem se lembrava. Ele não falava muito, parecia tímido, mas dizia algumas coisas desconexas, fazendo todos rirem. Até ele estava se entrosando com os demais, enquanto Tegoshi sentia como se fosse um invasor naquele ambiente...

Ser um Johnny realmente não é fácil... Será um longo caminho...

- Vamos nos esforçar, né?

Tegoshi olhou para cima, Masuda estava de pé, diante de si, sorridente. Diante da expressão confusa do outro, ele explicou:

- Você está com a testa muito franzida, isso pode dar rugas, né?! Um Johnny não pode envelhecer cedo! Tome, alimente-se bem!

Masuda praticamente empurrou uma barra de cereal para o outro, que, surpreso, apenas disse, sem pensar:

- Ah... Arigatou, Massu!

Enquanto Tegoshi fitava aquele doce, Masuda retornou para o seu lugar de antes, novamente entretido na conversa com Koyama, Yamashita e Nishikido, sem imaginar como esse fato ficaria registrado na mente do mais novo por muito tempo...

2

Alguns dias depois.

- Já estou na porta da sua casa, Tegoshi-kun!

- Hai, estou indo!

Ele desligou o celular, deu uma ajeitada em seu cabelo na frente do espelho e saiu do quarto.

- Okaa-san, estou indo! – ele gritou, enquanto descia as escadas correndo.

- Yuya, não corra! E não volte tarde! Ligue quando chegar na casa do seu amigo! Não beba!!

- Hai, hai! Farei tudo isso... Até mais!

Ele passou pela mãe, agachando-se no instante em que ela estava próxima o suficiente para agarrá-lo, escapando assim de um abraço sufocante e alcançou a porta.

- Diga a vovó para não me esperar acordada! – ele pediu – Não voltarei tarde, mas ela não precisa me esperar!

Ele não esperou por uma resposta, saiu, finalmente. Na rua, um carro estava estacionado e Koyama o cumprimentou alegremente.

- Desculpe a demora, Koyama-san!

- Não se preocupe, não demorou... E pode parar com isso de Koyama-san! – o outro disse, amigavelmente.

Tímido, Tegoshi apenas fez que sim. O mais velho ligou o carro e eles partiram para o apartamento de Yamashita, que tinha organizado uma pequena reunião para os integrantes do NEWS se conhecerem melhor. Ele havia sido designado o líder e, como tal, desejava um clima agradável entre eles.

Assim que chegaram, a primeira pessoa que Tegoshi avistou foi Massu. O rapaz estava vindo da cozinha, engolindo um guiozá, e sacudiu a mão para cumprimentá-los.

Por que meu coração está batendo desse jeito?

Contudo, aquele foi o máximo de atenção que Massu lhe dedicou durante todo o tempo em que Tegoshi ficou no local.

Assim como não soube explicar para si próprio o motivo de seu coração se agitar, Tegoshi não era capaz de entender porque foi embora com uma grande dor em seu peito.

3

Foi um dia longo de ensaios bastante puxados Tegoshi caminhou em direção ao vestiário, mas antes que alcançasse a porta foi atropelado por Nishikido e Tomohisa. O moreno passou direto, correndo para garantir um box. Tomohisa virou-se para trás.

- Ah, gomen, gomen, estamos muito atrasados! – mas não deu muita atenção ao garoto, não esperou por sua resposta. – Ah, Ryo! Eu preciso tomar banho também!

- Tire o Bakanishi do chuveiro então!

- Vocês são muito folgados! – gritou o mencionado – Chegaram por último, peguem a senha!!

- Que senha? – perguntou Yamapi.

- Toda fila tem senha!

- Baka, o que você está dizendo?!

- Pi, tem um box livre lá no fundo, o Junno já saiu! – avisou Jin, ignorando por completo a pergunta do amigo.

Tegoshi sentou no banco, a espera de uma vaga em uma das duchas. Depois de alguns dias desde que criaram a nova banda News, ele conheceu mais um pouco dos outros integrantes e soube o motivo da intimidade entre Nishikido e Yamashita. Ele tinha um nome: Akanishi Jin.

Os três trabalhavam juntos apenas no Shounen Club, mas fora dos palcos tinham uma amizade que transcendia os limites do tempo. O entrosamento entre Akanishi e Yamashita foi instantâneo e, pouco depois, Akanishi fez a ponte entre Nishikido e Yamashita.

Deve ser bom ter alguém em quem se apoiar aqui dentro...

Aquela amizade era mesmo de se admirar e, dizem as más línguas, chegava a provocar até mesmo algum atrito na unit da qual Akanishi pertencia, o KAT-TUN. Os rumores eram de que a inicial, Kamenashi Kazuya, discutia constantemente com Akanishi porque ele não ensaiava o suficiente, já que saía pra se divertir com Yamashita e Nishikido muitas vezes.

Na opinião de Tegoshi, era um motivo que não tinha razão de ser, uma vez que os dois integrantes do News estavam com as agendas lotadas e não teriam tanto tempo livre assim... Deveria ser apenas implicância de Kamenashi, acreditava, talvez ingênuo demais.

Ele se surpreendeu quando Kamenashi entrou no vestiário assim que pensou sobre ele. O rapaz o cumprimentou educadamente, como sempre que se viam, mas desta vez ele estava mais sisudo e se dirigiu até o box de Akanishi, abrindo a porta sem pudor algum. Disse algo rápido e deu as costas, saindo rapidamente do local.

Tegoshi não ouviu o que ele disse, mas viu que o outro desligou o chuveiro rapidamente, saiu enxugando o corpo com certo desleixo e vestiu as calças e uma camiseta. Não calçou os tênis e foi atrás de Kamenashi. Tego piscou os olhos, mas sacudiu os ombros, aquilo não era de seu interesse. Aproveitou que o box de Akanishi vagou e foi tomar seu banho.

Debaixo da ducha, Tegoshi sentiu-se mais relaxado. A água quente caía em seu corpo de forma agradável, mas sua mente não o deixava descansar em paz. Ele ficava relembrando os erros durante o ensaio daquele dia.

- Preste mais atenção, Tegoshi! – a voz severa de Nishikido disse do fundo do salão – Essa parte, você errou três vezes!

Yamashita se aproximou.

- Vamos, é desse jeito. – e ele fez o movimento – Conseguiu ver? Quer que eu faça de novo?

O tom do loiro não era tão agressivo quanto o de Nishikido, mas Tegoshi não conseguia deixar de se constranger. Ele estava sempre errando as coreografias e imaginava que, cedo ou tarde, eles se cansariam disso.

- Por que eu quis entrar na Johnnys, afinal? – ele murmurou.

A resposta de sua pergunta estalou em sua mente. Lembrou-se do programa de entretenimento SMAPXSMAP, cujos integrantes eram todos artistas da Johnnys Enterteiment, mas ele pensou em particular em Kimura Takuya. Aquele não era um homem a quem se podia ignorar, e Tegoshi admirava a sua popularidade. Kimura era um homem incrível, se pudesse ser como ele...

Ele tinha um grande respeito e admiração por aquele artista e também por Yamapi. Desde que o viu em uma novela, ficou contagiado com aquela áurea atraente que ele emanava. Não conseguia explicar, apenas o admirava.

Nunca pensou em realmente entrar nessa agência, ou mesmo sequer que um dia trabalharia com entretenimento, até uma amiga sua enviar a sua inscrição e, repentinamente, ele ser convocado para uma audição. Passou no teste. Canto. Elogiaram a sua voz, e ele sabia que cantava muito bem, mas, da mesma forma, era consciente de que apenas isso não bastava.

Ser um Johnny não era ser um bom cantor ou um bom dançarino. Era ser cantor, bom dançarino, bom ator... Tinha que ser um artista completo, mas...

Era realmente difícil...

E as atitudes dos outros membros não estavam colaborando... Yamashita estava atolado até o pescoço com novelas, ele só se juntava aos demais quando tinham ensaios. Além disso, havia também o Shounen Club.

Os outros membros, quando não estavam em gravação ou ensaios, estavam divididos em pares, ou trio... Taka andava meio distante, havia rumores de que ele estava pensando em sair da agência. Uchi, Kusano e Shigue estavam bastante próximos. Koyama e Massuda também, Nishikido se dava bem com todos, mas normalmente estava com Yamashita.

Aliás, Tegoshi condenava as suas próprias atitudes.

Como teve coragem de chamar Masuda Takashi de Massu assim que se conheceram? Depois daquele dia, o outro não se aproximou novamente.

Ele deve me achar um folgado!

Ele bagunçou seu cabelo com raiva de si mesmo e agachou. Ficou assim por algum tempo, desejando que aquelas gotas de água pudessem levar o seu desânimo embora.

3

- Ah, desculpem pelo atraso!!

Enquanto recuperava o fôlego, Tegoshi recebeu os olhares zangados de Ryo, Shigue e Uchi. Yamashita estava sério, mas não necessariamente bravo, enquanto Koyama tentava manter um clima tranqüilo:

- Tudo bem, não deixe acontecer novamente, ok?

Tegoshi fez que sim.

- Ok, vamos começar os ensaios. – disse Koyama, animado.

Tegoshi sentia como se seus ombros estivessem carregando um enorme peso. Estava tenso. Não devia errar os passos neste ensaio, devia compensar os erros do último, ainda mais depois de ter se atrasado... Mas... Porque diabos não conseguia decorá-los? Era tão difícil assim, afinal?

- Tegoshi. – a voz de Ryo soou, fazendo-o tremer – O que foi? Assustou? – ele gracejou.

- Eu estava concentrado em outra coisa... – ele respondeu vagamente, não querendo admitir que o que o assustou foi o tom do outro.

- Por favor, concentre-se nos passos, ok?

- Por favor, pare de perturbá-lo! – Koyama pediu – Você não pode bronquear com os outros quando também erra os passos!

Ryo riu, de modo zombeteiro.

- Ora, está dizendo isso porque está errando tudo também, Keii!

- É exatamente isso. – admitiu o mais alto, fazendo todos rirem.

- Ora, levem a sério o ensaio, todos vocês! – Yamapi disse, bravo, para em seguida sorrir e completar com uma voz mais mansa: — Por favor, né?

Aí não houve jeito. A bagunça estava armada, um começou a zombar do outro, em um clima verdadeiro de jovens rapazes.

Tegoshi sorriu sinceramente com aquele momento, sabia que as cobranças de Nishikido não eram por maldade, aquele era seu jeito. Mas, mais do que as cobranças dele ou de outro membro, eram as que Tegoshi fazia a si mesmo aquelas que mais o perturbavam.

Será que eu nunca vou me ajustar?

4

A saída de Taka, não apenas do grupo, mas da agência, abateu ainda mais Tegoshi e brotou em sua cabecinha a idéia de que talvez fosse melhor desistir também. Pensava nisso, enquanto andava pelos corredores da Johnnys, a procura de uma sala vazia, com a intenção de ensaiar sozinho alguns passos, apesar do seu horário já ter terminado.

Finalmente encontrou o auditório vazio e se ajeitou em um canto do palco. Ainda com a sua roupa de treino, ele refez todos os passos diversas vezes.

- Não, assim ainda não está bom.

Tegoshi recomeçou. O resultado não lhe agradou. Mais uma vez. De novo... De novo… Mais uma vez e...

O pequeno garoto desabou no chão e ali permaneceu com seus olhos de água, assim como seu rosto de suor. Estava irritado, não conseguia acertar os movimentos.

- Droga, qual é o meu problema afinal? – choramingou e fechou o punho, acertando o piso com toda a sua força.

Aquela vontade de chorar o sufocava. Queria expelir para fora de seu corpo aquela sensação frustrante de incapacidade. Não podia admitir esse tipo de falha, ele não deveria errar em uma simples atividade que deveria ser a dança. Afinal, ele era Tegoshi Yuya.

Secou as lágrimas de modo desajeitado, usando a manga de sua blusa, e se pôs determinado. Treinaria mais um pouco, era essa a sua decisão, mas, antes que pudesse levantar, um chocolate surgiu na sua frente.

Erguendo a vista, Tegoshi se deparou com Masuda, que exibia um tímido sorriso.

- Um chocolate! – disse o mais simplesmente.

- Chocolate? – ele estranhou, sentindo-se confuso com a atitude do outro e envergonhado por ser Massu a lhe flagrar em meio às lágrimas.

- Você não está com fome?

- Não.

- E essa cara? Sua cara é de alguém faminto por chocolate!

- Como seria a cara de alguém faminto por chocolate?? – ele debochou, começando a ficar irritado. Massuda estava caçoando dele, só podia. Mas a resposta, porém, lhe surpreendeu.

- Triste. Não tão triste como a cara de alguém faminto por guiozá, mas, certamente triste. Como a sua. – respondeu o outro, com um sorriso encantador – Você definitivamente está precisando de um chocolate. Vamos, fique com o meu. Mas não se acostume e não pegue meus chocolates sem autorização! – ele avisou, com um tom ameaçador.

Tegoshi piscou os olhos, surpreso. Aquele garoto não devia bater bem da cabeça. Achou melhor não contrariá-lo e aceitou o doce. A sua surpresa se tornou maior quando ele se sentou ao seu lado, com as pernas cruzadas em posição de índio, e também começou a comer um chocolate. Ele não disse mais nada, apenas ficou ao seu lado, mas, para Tegoshi, aquilo foi de um significado bastante profundo. Sentiu seus olhos lagrimejarem...

5

Ele andava com pouca vontade. Sabia que deveria se apressar, ou se atrasaria novamente para o ensaio na agência. Enquanto voltava da escola, Tegoshi refletia em sua decisão. Retirou do bolso da calça a sua carta de desistência.

Tegoshi parou de andar e fitou a própria escrita naquele envelope branco. Suspirou. Talvez fosse melhor assim. Ele deveria aceitar o seu limite. Assim amadureceria como homem. Sim, era isso o que devia fazer.

Uma mão pousou em seu ombro. Assustado, Tegoshi enfiou a carta de qualquer jeito em seu bolso e se virou para trás, encontrando um sorriso gigante que fez o seu coração disparar ainda mais do que já estava pelo susto.

Aquele rosto não parecia ter percebido o conteúdo de sua carta, pois Masuda continuava sorrindo.

- Tegoshi! Está perdido por aqui?

- Estou voltando da escola... Como tendo ensaio logo após o almoço, já estou indo para a agência e por isso vim por este caminho. – explicou.

- Oh! Eu estudo aqui perto também! – ele comentou – Também pensei em ir logo para agência, mas por aqui tem um lugar que faz ótimos guiozás! Vamos comer?

Apesar do tom de questionamento, o mais velho simplesmente pegou sua mão e o guiou, sem nem ao menos prestar atenção aos protestos do outro.

- Você vai ver como é o melhor guiozá que você certamente comeu! Claro, só não é melhor que o de minha mãe! – dizia o moreno.

- Masuda-san, nós vamos nos atrasar e...

- O recheio é simplesmente incrível... Tem um gosto leve de gengibre... Muito bom!!

- Temos pouco tempo!

- Não se preocupe com o tempo, há tempo de sobra para se apreciar um bom guiozá!

- Do que raios você tá falando?

Sua mão... É tão quente...

Tegoshi sentiu suas bochechas queimarem quando tentou se soltar das mãos de Massu, que simplesmente puxou sua mão de volta e a segurou com mais força.

Eles chegaram a um pequeno estabelecimento, que, no horário de almoço estava lotado, mas o mais velho conseguiu uma mesa para dois e eles logo fizeram os pedidos.

- Então, a comida aqui é muito boa, não só os guiozá, mas eu realmente acho que você não deveria sair da agência, Tegoshi.

O mais novo estava entediado com o falatório sobre comida e, por isso, foi ficou extremamente surpreso com o final da frase proferida pelo outro. Dessa vez, o rapaz lhe fitava sem o seu enorme sorriso, mas seu olhar era bondoso.

- A sua voz é muito bonita... Gosto de ouvi-la.

Tegoshi teve certeza de que seu rosto estava completamente vermelho com o que o outro disse, mas logo se recompôs e explicou.

- Não adianta só cantar bem...

- Mas já é um diferencial!

- De que serve, se eu não consigo memorizar as coreografias?

- Oh! Nossos guiozás!!

Ele se distraí facilmente com comida...

Tegoshi ficou levemente irritado em ser substituído por aquela massa cozida a favor e recheada de carne e legumes, mas logo afastou esse sentimento, percebendo que era impossível ignorar aquele sorriso que se abriu diante do alimento.

Balançou os ombros, não estava mesmo animado em discutir suas falhas com Masuda, então se deixou contagiar pelo ânimo do colega e embarcou uma conversa divertida sobre games e filmes, provando, afinal, que eles ainda estavam no colégio.

6

No vestiário, enquanto trocava de roupa, Tegoshi percebeu que sua carta não estava mais em seu bolso.

- Essa não!

- Masuda, preciso ir ao banheiro. Com licença!

Tegoshi se levantou, um pouco atrapalhado, esbarrando na mesa.

- Será que foi nessa hora?! Ah, droga... Terei que escrever tudo de novo...

Emburrado, seguiu para a sala de ensaios. A sua expressão não deu brecha para ninguém lhe bronquear pelo atraso.

7

Ele respirou fundo e encarou a sua tigela de lámen. Não estava com fome, apesar do treino árduo daquele dia, apenas remexia os alimentos que flutuavam naquele líquido que já estava gelado há algum tempo. Enrolou tanto em terminar a sua janta que já não havia mais ninguém, além dele, no refeitório.

No dia anterior, seu plano em desistir havia fracassado porque tinha perdido a carta. Agora, porém, estava com uma nova em seu armário e, antes de ir embora, a entregaria no departamento de recursos humanos.

Ele suspirou. Sentiria falta das pessoas. Sabia que sentiria saudades de muitas outras coisas... Mas, certamente, aquilo que mais pesaria em seu coração ao se afastar daquela agência seria o sorriso de Massuda.

Por que não consigo parar de pensar nisso?

Tegoshi não recebeu exatamente uma resposta. Apenas recebeu um grande peso em suas costas. E aquilo era tão quentinho... O perfume que invadiu suas narinas, simplesmente delicioso. A voz que lhe sussurrou em seu ouvido arrepiou todos os pelos de sua nuca. Tegoshi arregalou os olhos, surpreso com o que ouvia:

- Por favor, não desista ainda... Vamos trabalhar juntos, tudo bem?

Masuda estendeu um caderno na frente do mais novo. Não era exatamente um caderno, Tegoshi percebeu, mas sim folhas grampeadas. Com o mais velho agarrado ao seu pescoço, ele folheou o conteúdo e percebeu que se tratava dos passos de todas as músicas que eles ensaiaram até aquele momento.

- Isso...

Massu o soltou e sentou na cadeira ao seu lado. Ficou de lado, para observar atentamente o outro enquanto dizia:

- Aqui estão todos os passos que aprendemos até hoje... Mas, toda semana, eu farei um caderninho com uma ou duas músicas no máximo, para você ensaiar no fim de semana ou quando tiver tempo! Vamos aproveitar que temos um tempo até aprendermos os novos passos, tudo bem?

Depois de tudo... Ele realmente prestou atenção ao que eu disse.

- Por que? – foi a única coisa que Tegoshi conseguiu exclamar.

- Por que você parece um guiozá! – foi a resposta pouco explicativa do rapaz – Você é fofo por fora e quente por dentro!

Tegoshi ficou tímido e confuso, mas já estava se habituando ao jeito estranho daquele garoto. Enquanto pensava naquela resposta, começou a gargalhar. Massu o olhou curioso, rindo, sem entender porque o outro estava gargalhando.

- Eu gosto de guiozá.

Aquilo fez o mais novo parar de rir.

Meu coração está tão acelerado... O que ele realmente quis dizer com isso?

Diante do rosto confuso do caçula, Massu se inclinou e colou seus lábios ao dele. A mente de Tegoshi disparou. Ele sentia aqueles lábios quentes e macios sobre o seu, sentia a respiração do mais velho em seu nariz, o seu perfume... Era tão delicioso!

Quando se afastaram, nada havia mudado. Tegoshi continuava confuso, Massu exibia o seu melhor sorriso.

- Guiozá com gosto de lámen... É diferente! – ele disse, com a mão no próprio queixo, refletindo seriamente sobre a questão.

- Eu sou um guiozá?!

Massu riu do processamento tardio de suas palavras, mas não poderia culpar Tegoshi. O caçula se perguntava em que momento teria despertado o interesse dele, se Masuda quase nunca se dirigia a ele e sempre parecia alheio à sua presença? Se ele apenas se aproximava para enchê-lo de comida?

Naquele momento, Tegoshi não poderia compreender. Com o tempo, ele aprenderia que aquele rapaz, aparentemente distraído, que diz coisas muitas vezes incompreensíveis, na verdade prestava bastante atenção a sua volta, mas apenas nas coisas que despertavam a sua atenção...

- Você não quer mais? Dá licença! – Massu rapidamente roubou a sua tigela – Ahhh, isso tá frioooooo! Que ruimmmm! – choramingou.

- O que você está fazendo? Não roube a comida dos outros!

- Mas guiozás não comem macarrão!

- Quem disse? Eu como!

- Mas está frio, está horrível!

- Então para de comer a MINHA janta!!

- Não deixarei você comer isso, vou preservar o seu estômago!

- Ei, Massu!! – ele protestava, entre risos.

8

Em seu quarto, Tegoshi fitou aquele envelope branco. Com um sorriso nos lábios, simplesmente rasgou aquelas folhas. Tentaria mais uma vez. E quantas forem necessárias.

- Vamos ver o que o grupo News vai me proporcionar... – refletiu.

Ele não se arrependeria dessa decisão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!