Eu Ficarei Ao Seu Lado
17 Capítulo XVI- A Ajuda.
Notas iniciais
POV Carlisle
Fui tomando por um turbilhão de sentimentos, dentre eles, o medo era o maior de todos.
Medo de não conseguir voltar à sala de cirurgia, de decepcionar meu filho, e o pior de todos, que acontecesse tudo outra vez.
Me vi na sala cirúrgica a alguns anos atrás.
Cirurgia em andamento, estado clínico estável, de repente tudo muda, parada cardíaca, tentativa em reanima-la e a perda.
Esme havia falecido em minha frente.
O sangue dela estava em minhas mãos.
Por muito tempo não me perdoei, eu havia falhado com a mulher que amava.
Agora o destino brincava comigo.
Apesar de Isabella não ter a mesma doença da Esme, ainda assim corria riscos.
Riscos que levariam sua vida e destruiriam meu filho.
Em contra partida, eu tinha que romper essa barreira que me impedia de voltar a operar.
Tinha que tentar de todas as formas ajudar Isabella, não apenas por ser noiva do meu filho, mas por ser um ser humano que precisa da minha ajuda.
Foi esse juramento que fiz quando me formei e é esse juramento que cumprirei.
Sai da inércia quando ouvi a voz do Edward.
— Pai?
— Oi filho!
— Tudo bem?
— Sim, está tudo bem. Edward... Eu vou tentar filho, vou tentar ajudar sua namorada, mas como você sabe, Isabella não acordou desde a hora que deu entrada no hospital, por isso decidimos seda-la. Não é um coma induzido pois durante as realizações dos exames, ela chamou por vc, não abriu os olhos, apenas falou seu nome e voltou a ficar inconsciente. O tumor está localizado em um lugar perigoso Edward, não vejo mais motivos para não operar.
— Eu imaginei que ela estivesse sedada, ficou muito tempo desacordada, sei que foi o certo a se fazer. Tenho certeza que é o que Bella gostaria pai e estou me responsabilizando por isso. Pode opera-la. Eu sou o único responsável por ela.
— Certo, então irei organizar a equipe que me auxiliará na cirurgia, fique tranquilo filho, são os melhores.
— Eu sei. Confio em você. Tenho certeza que será a melhor equipe e que dará tudo certo. Enquanto o Sr. autoriza o pré operatório dela, vou falar com a Rosalie antes de irmos para a sala de cirurgia.
— Você não vai entrar na sala Edward. Te dou alguns minutos para estar com ela, mas não posso autorizar que esteja presente na cirurgia.
— Como assim não posso entrar pai? Ela é minha noiva...minha vida!
— Edward, você sabe que não pode, por vários motivos...principalmente por ter envolvimento com ela, por não ser um médico. É uma cirurgia complicada, não quero ter que lidar com imprevistos, além dos que podem ocorrer.
— Pai...
— Estou falando como médico, não como seu pai. E não é um pedido, é uma ordem.
— Tudo bem. O Sr. está certo. Eu vou estar na sala de espera aguardando.
— Muito bem, pode ir ter com ela, que vou organizar tudo que é necessário. Vai dar tudo certo filho.
— eU Vou vê-la... Obrigada pai.
— Não estou fazendo mais que minha obrigação.
Esperei que EdWard se retirasse para que eu pudesse colocar meus pensamentos em ordem. Primeiro eu tinha que me acalmar.
Segundo acalma-lo.
Não seria fácil mantê-lo fora da sala de cirurgia, mas era necessário, ele não ajudaria em nada.
Segundo, tinha que organizar a equipe que me auxiliaria na cirurgia. Mesmo sendo um tumor benigno, ele está localizado em uma área muito perigosa, preciso dos melhores médicos comigo, e era o que faria agora.
POV Edward.
Sai da sala do meu pai me sentindo triste por tudo que está acontecendo, no entanto a esperança crescia como uma chama dentro de mim.
Eu sei da capacidade dele, sei que é um ser humano muito bom e um médico melhor ainda. Não podia duvidar que ele faria o impossível para ajudar meu anjo.
Sei o quanto tudo isso deve estar sendo difícil pra ele.
Na verdade joguei uma bomba em suas mãos, mas já havia passado da hora dele quebrar essa barreira que o impedia de voltar a operar, e eu não poderia entregar a vida do meu anjo em outras mãos a não ser as dele.
Eu sei que vai dar tudo certo.
Tenho que acreditar nisso.
Caminhei pelos corredores do hospital em meio aos meus pensamentos, percebi que poderia andar por ali de olhos vendados.
Percorri aquele trajeto inúmeras vezes, como não aprender o caminho.
Agora o destino me trazia de volta ao mesmo lugar, por um motivo igual ao anterior.
A mulher da minha vida estava com um tumor cerebral, assim como minha mãe esteve um dia.
E meu pai, seria mais uma vez o responsável por operar a pessoa que amo.
Pensando nisso, me coloquei no lugar dele.
Percebi que ele também devia estar com medo, o mesmo medo que teve quando operou minha mãe, o medo que teve ao vê-la morrer em seus braços, o medo de operar novamente.
O medo que o levou a mudar, cobrar, e se afastar de mim e do Emmett.
Deus!!
Fui muito egoísta em não ter percebido isso antes.
Só agora eu posso entender por tudo que ele passou.
Apenas passando por uma situação dessa é que posso entender todo o sofrimento, angústia e medo que ele sentiu.
E como eu gostaria de dizer-lhe isso agora, mas não podia, eu tinha que ver meu anjo. E depois que ela estivesse bem teria uma conversa com meu pai. A conversa que deveríamos ter tido há alguns anos atrás.
Agora minha prioridade era meu anjo. Eu tinha que toca-la e dizer que vai ficar tudo bem antes dela ser encaminhada para a cirurgia.
Tinha que dizer que estarei ao lado dela em todo o momento.
Que estarei esperando ela voltar para mim.
Cheguei na sala de espera e Rosalie estava nos braços do Emmett, quando me viu correu e me abraçou.
— Edward...Ela...Ela vai ficar bem não vai?
— Sim Rose...Ela vai ficar bem. Vai dar tudo certo. Ela vai voltar para nós e nos contagiar todos os dias com aquele maravilhoso sorriso dela, vai se casar comigo, vamos ter quantos filhos ela quiser, vai ter sucesso na carreira que escolheu, vai viajar, conhecer novos lugares, fazer novos amigos, fazer o que quiser, vai ser muito feliz na vida. Ela merece isso.
— Oh meu Deus...Como isso foi acontecer? Ela já sofreu tanto. Ela não merece passar por isso também... Não merece.
— Não...Ela não merece. Mas ela tem a nós, e não vamos deixa-la só não é mesmo?
— Nunca... A Bella é a irmã que não tive.
— Eu sei Rose...Eu sei... Por isso eu vou te pedir que vá para casa. Cuide-se e faça a única coisa que podemos fazer por ela nesse momento... Ore.
— Não Edward. Eu não vou! Vou ficar aqui, vou esperar a cirurgia, não vou embora.
Emmett se aproximou de nós.
— Não adianta irmão. Já disse para ela ir pra casa, que não vai adiantar ficar aqui, mas é teimosa.
— Vocês não entendem. Não posso deixa-la. Eu sei que se fosse o contrário, ela ficaria aqui até tudo acabar.
— Isso é verdade Rose, mas que tal ir em casa, tomar um banho e trocar de roupa pelo menos? Para ficar um pouco mais confortável? Nós nem trocamos de roupa da formatura. Eu sei que ela iria querer isso também não é?
— Está bem...Isso eu posso fazer.
— Certo. Emmett...
— Vou chamar um táxi e você vai para caisa amor, faz o que for necessário, sem pressa, o táxista vai estar te esperando pra te trazer de volta. Eu não vou poder te levar, vou estar na sala de cirurgia com o papai.
Duas coisas me fizeram dar um pequeno sorriso.
Uma era ver meu irmão chamando a Rose de amor.
E a outra era saber que ele também estaria ao lado do meu anjo.
Que seria a próxima pessoa que eu iria ver agora.
Deixei Rose com Emmett e fui em direção ao quarto indicado por ele.
Abri a porta e a tristeza voltou com força total.
O quarto estava a meia luz, apenas o bip dos aparelhos ecoavam no ar.
Tudo parecia tão frio.
Me aproximei a passos lentos.
Cheguei perto da cama e lá estava meu anjo.
Deitada, com fios enredados por todo seu corpo.
Estava muito pálida, parecia estar dormindo um sono profundo.
Segurei sua mão. Gelada.
Lágrimas rolaram sobre minha face.
— Perdoe-me anjo. Eu falhei. Não cuidei de você direito. Sou mesmo um merda de namorado. Perdoe-me
Abaxei-me sobre ela, beijei sua testa, cheirei seus cabelos, queria aperta-la em meus braços. Queria esquenta-la.
Deus!! Como eu a amo.
Por favor, trague-a de volta para mim...Eu te imploro.
Não demorou muito, a porta se abriu.
— Temos que leva-la Edward. Vai dar tudo certo filho. Acredite.
Olhei para meu pai e concordei com a cabeça.
Voltei meus olhos para meu anjo.
Dei-lhe um último beijo na testa e sussurrei em seu ouvido.
— Vai dar tudo certo anjo. Eu estarei ao seu lado. Sempre. Volte logo para mim, estou te esperando. Eu te amo.
Ver a porta se fechar e Bella sendo levada na maca me fez desabar. Por mais que eu tivesse dito a todo momento e a todos que iria dar tudo certo.
O medo tomava posse do meu corpo, trazendo-me um calafrio na alma.
Eu não podia perdê-la.
Não podia.
Prefiro morrer a viver em um mundo em que Bella não esteja.
Entreguei-me ao choro.
Precisava deixar esvair toda aquela dor, ou pelo menos ameniza-la dentro do meu peito.
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