Eu Ficarei Ao Seu Lado
2 Capítulo I - Escolhas e consequências.
Notas iniciais
— Como é que é? Acho que não ouvi direito.
— O senhor ouviu muito bem pai, tranquei o curso de medicina, vou fazer música.
— E desde quando música é profissão Edward? Quer ser vagabundo agora é?
— Ser músico ou viver de música seja de que forma for é uma profissão muito digna pai. O senhor deveria respeitar minha vontade pelo menos uma vez na vida.
— Isso é uma piada? Sua vontade? É a segunda vez que tranca faculdade lembra?
Trancou a faculdade de administração, porque disse que não estava preparado para assumir a direção do hospital. Optou por medicina, agora quer trancar também? Posso saber qual o grande motivo dessa vez? Não está preparado para salvar vidas é isso? Quer passar o resto dos seus dias em um boteco qualquer tocando para meia dúzia de alcoólatras?
— Não Pai. Isso não é uma piada. E sim gostaria que respeitasse minha decisão. Demorei muito para tomar as rédeas da minha vida. Tanto o curso de administração quanto o de medicina, comecei a fazer por sua causa. Por imposição sua. Nunca perguntou o que eu queria. E a música é uma profissão tão digna quanto qualquer outra.
— Você não tem que querer nada Edward, tem uma vida boa desde que nasceu. Sempre estudou nas melhores escolas, teve as melhores roupas, carros. Tem mais é que fazer o que eu quero mesmo. E essa discussão termina aqui. Acabou esse assunto de faculdade de música.
— Não pai, você não está entendendo. Já tomei minha decisão. Vou fazer faculdade de música sim.
— É isso mesmo que quer? Vai me deixar na mão lá no hospital?
— Pai você tem o Emmett, não precisa de mim.
— Tudo bem Edward não perderei mais meu tempo com você. Se é assim que quer, assim que vai ser. Só não conte comigo para nada!
— Já esperava por isso.
— Agora você que não está entendendo, se que seguir com suas vontades, está só, por sua conta e risco.
— como assim?
— Pra começar quero que saia da minha casa. Não vou sustentar vagabundo. Não terá mais o carro e sua mesada será cortada.
— Mas foi você que me deu o volvo.
— Sim, mas ainda está em meu nome, portanto o carro é meu.
— Pai o Sr. está sendo intolerante demais.
— Intolerante? A sua música poderá salvar aqueles que você ama? Não. Sua música não poderá te dar nada, apenas tirar. tirar de você um tempo precioso, onde poderia estar cursando algo que valha a pena. Sua música será uma perda de tempo, é isso que vai acontecer Edward. Você vai perder seu tempo. Estou cansado dessas suas crises de adolescente, que sonham em montar uma bandinha fuleira e se tornarem astros. Já é hora de acordar Edward!
— Isso não é crise de adolescente pai... É meu sonho. É o que quero para minha vida. Minha música pode trazer muito mais do que você pensa, pode me trazer a felicidade e aqueles que me rodeiam. E se você não tivesse perdido a sensibilidade junto com a mamãe, saberia que posso sim salvar aqueles que amo através da minha música. Mamãe com certeza me apoiaria Sr. Carlisle. E é exatamente isso que vou fazer, você me apoiando ou não.
— Com certeza. Sua mãe era uma anjo e aceitava tudo que você e o Emmett faziam, mas se nem mesmo eu, sendo o médico que sou pude mantê-la aqui. Você acha que sua música a manteria?
— Talvez não. Mas a deixaria mais feliz. Ela passaria o resto do tempo que tinha muito mais feliz. Tenha certeza.
— Chega Edward! Já está decidido. Se escolher esse caminho não conte comigo.
— Pelo menos vai me dar a parte da herança que a mamãe deixou para mim não é?
— Não.
— O que? Mas o dinheiro era dela e ela deixou para mim e o Emmett. Como vou sobreviver se sempre trabalhei no hospital te ajudando como podia e fazendo a faculdade?
— Te vire com sua música Edward. Não é ela a fonte da sua felicidade? O seu futuro? Então,comece a viver dela.
— Ok Carlisle. É exatamente isso que irei fazer.
Subi às pressas para meu quarto, não queria ficar naquela casa mais nenhum minuto. Comecei a arrumar minha mala e peguei meu violão. Minha mãe me deu quando eu tinha 17 anos e já queria ser músico. Logo após, ela adoeceu e não tive muito tempo para usá-lo. Só quando eu chegava da faculdade que dedilhava algumas notas.
Fiz até uma música para ela.
Sentei em minha cama e comecei a tocar.
Música para Esme
Você com olhos tristes
Não fique desanimada
Oh eu sei
É difícil criar coragem
Num mundo cheio de pessoas
Você pode perder tudo de vista
E a escuridão dentro de você
Pode te fazer sentir tão insignificante
Mas eu vejo suas cores reais
Brilhando por dentro
Eu verei suas cores reais
E é por isso que eu te amo
Então não tenha medo de deixá-las
aparecerem.
suas cores reais
Cores reais são tão lindas
Como um arco -íris
Mostre-me um sorriso então
Não fique infeliz, não me lembro
A última vez que vi você sorrindo
Se esse mundo te deixa louca
E você deu tudo o que você pode suportar
Me chame
Porque você sabe que estarei lá
Ao cantar a última frase, lágrimas escorriam pela minha face.
Minha mãe faleceu e eu não estava lá.
Eu me lembro muito bem do brilho que tinha em seu olhar antes da doença tomar seu corpo. Do quanto ela era feliz e como nos amava. Ela sempre me incentivou a fazer o que eu gostava, deu-me o violão quando eu disse que queria ser músico, e a única coisa que me impôs foi que eu lhe escrevesse a primeira música.
Assim o fiz, mas é uma música triste, que me faz lembrar que nunca mais a terei comigo.
Pensando nisso, fui até minha cômoda e peguei o porta retrato onde tinha a foto dela, retirei, guardei na mochila, peguei minha mala, violão e desci as escadas com pressa.
Carlisle não estava na sala, e era melhor, pois estava magoado com ele, não sei se seria bom encontrá-lo agora.
Fui até a garagem dar uma última olhada em meu volvo.
Bem, eu sempre achei que era meu, nunca imaginei que meu pai o tomaria de volta. Segui em direção ao portão.
Olhei para os lados da rua deserta, iria sentir falta daqui.
Sempre morei aqui, desde que nasci. É um bairro nobre, mas conheço quase todos,pois eu nunca fui esnobe.
A tristeza me abateu. Tive vontade de voltar e pedir desculpas ao meu pai, e mais uma vez ceder às suas vontades.
Afinal ele não fazia por mal. Ele apenas tinha medo. Sentia-se impotente, porque é um médico super conceituado, mas não conseguiu salvar a mamãe, agora descontava na vida, em mim e no Emmett a sua frustração. Queria que fossemos médicos a todo custo. Para que pudéssemos ajudar o máximo de pessoas possíveis.
Mas ele não sabe quem quem dá ou tira a vida é Deus?
Que nós não podemos ir contra a sua vontade?
Não vou julgá-lo.
Cada um lida com as dores que a vida causa de uma maneira diferente.
Minha mãe era o contrário dele, mas se amavam profundamente, era um amor lindo de todas as formas.
E ela sempre me incentivou a seguir o meu caminho e fazer o que eu gosto.
Por isso se eu quero realizar meu sonho, tenho que seguir em frente.
Sem olhar para trás.
E foi isso que eu fiz.
Segui.
Andando sem direção.
Numa noite escura.
Sozinho.
Rumo ao desconhecido.
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