Eu Faço Casamentos
3 Capítulo 2 - No Air
Notas iniciais
Olho para aqueles doces olhos verdes. Emoções que há tempos não sentia voltam a tona. Levanto-me correndo.
–Licença, Senhorita Fabray. – Falo Para ela dando um passo de distancia. Noto que esqueci a minha bolsa. Volto e a pego. Coloco meus óculos sobre a mesa.
–Aonde vai? – Ela pergunta encostando-se à minha mão. Estremeço. Olho em seus olhos, ela é linda.
–Vou... – Esqueço as palavras quando sinto seu cheiro. Obrigo-me a retirar esse meu pensamento. – Vou ao banheiro.
Consigo chegar até o banheiro sem olhar para trás. Entro e me olho no espelho. Respiro e conto até dez. Perguntas continuam a invadir minha cabeça. Como ela não me reconheceu? Com quem ela vai casar? Me apoio na parede do banheiro e respiro fundo. Resolvo ligar para Santana.
O telefone toca... Toca... Finalmente ela atende.
–Anã você não ia me dar o dia de folga? – Fala Santana, doce como sempre.
–Santana Lopes, guarde seus xingamentos para depois. Você não vai acreditar quem é a nossa cliente. – Falo ficando nervosa novamente. Começo a tremer um pouco. Escorrego até o chão e respiro fundo.
–Rachel Barbra Berry! – Fala Santana feliz. – A Angelina Jolie vai casar de novo e nos pediu para organizar?
–Não, satã. – Falo rindo. – Ela ama muito o Brad Pitt.
–Que pena, ela é muito gostosa! – Fala Santana. – Não Britt, você é mais.
–OK... Santana. – Sem resposta. – Santana!
–Oi anã. – Ela fala. –Quem está ai?
–A Quinn. Quinn Fabray. – Falo respirando fundo.
–Puta merda! –Ela se exaltou. – O que essa vadia loira está fazendo ai?
–Boa pergunta. – Falo sorrindo. – Parece que ela quer casar. E agora eu vou ter que organizar esse casamento. Ah Deus.
–Ok, amiga, respira fundo. – Ela diz.
–Amiga? – Pergunto rindo.
–Surpresa? – Ela ri. – Não se acostuma, eu também estou estranhando.
–Ta. – Dou risada. – Mas o que devo fazer?
–Voltar lá e agir normalmente. Profissionalmente. – Ela ri. – Pode parecer difícil, mas eu sei que você consegue. Agora vai lá e finge que é normal. E seja o mais sedutora, sexy e cativante possível.
–Por quê? – Falo me levantando e voltando a respirar como á duas horas atrás.
–Porque você tem que mostrar para ela quem ela perdeu. – Ela fala.
–Mas e se ela não me reconhecer?
–Não importa. Faça ela te desejar do mesmo jeito. Ou melhor, – Ela ri. – faça ela te querer como nunca antes. Mas lembre-se de que ela vai casar.
–Ok, eu vou tentar. – Respiro um pouco mais fundo que o normal. – Mas você sabe que eu não sou boa em sedução.
–Eu sei. – Ela ri. – Agora vai lá e seduz aquela loira.
–Esta bem, eu vou lá – Falo rindo. – Beijos, San.
–Beijos, anã. – Ela diz e eu desligo o celular.
Olho no espelho. Procuro na minha bolsa e acho um batom vermelho. O passo. Bagunço meu cabelo e minha franja. Olho de novo para o espelho. Desisto do batom vermelho, o tiro e passo um rosa no lugar. Procuro na minha bolsa e acho uma garrafinha de metal que levo comigo por aonde eu for. Tomo um gole da bebida alcoólica da qual não me lembro o nome. Sinto minha garganta queimar. Faço uma careta. Guardo-a e respiro fundo novamente. Fecho os olhos e conto até dez. Abro os olhos. Sorrio. Acho que vou conseguir.
Abro a porta e a vejo tomar um café e olhar para a janela. Sento-me à cadeira a sua frente.
–Me desculpa...
–Ah, que isso. – Ela diz. – Eu entendo... Então, vamos falar do casamento?
–Claro. – Sorrio e pego a minha agenda, coloco meus óculos e a caneta. – Então, antes de qualquer coisa tenho que saber sobre o casal.
–É necessário? – Ela pergunta envergonhada.
–Na verdade, não. – Dou risada. – Mas ajuda no meu processo para entender o casamento e claro, a noiva.
–Então, o nome dele é Noah. – Ela fala sem nenhuma emoção aparente nos olhos. – A gente se conheceu no curso de fotografia...
–Você é fotografa? – Perguntei sorrindo. Esse era seu sonho. Mas a mãe queria que ela fosse advogada. Se ela largou a faculdade e virou fotografa... Ah, isso é algo sem igual.
–Eu ia ser advogada. – Ela sorri. – Era o sonho de minha mãe, mas depois de uma decepção amorosa, ou melhor, depois de uma desilusão amorosa, eu resolvi ouvir o meu coração e fui fazer fotografia.
–Fantástico. – Falei sorrindo para ela, encanta por aquele sorriso.
–Você, sorrindo desse jeito... Eu te conheço de algum lugar? – Ela pergunta.
Fico nervosa. Se eu responder que sim posso descobrir a verdade sobre tudo. Quem sabe eu e ela não ficamos juntas novamente, depois de doze anos. Mas ela parece amar esse tal de Noah. Não posso estragar a vida dela assim. Não posso fazer isso, tenho que deixá-la feliz, foi por isso que ela me contratou.
–Acho que não. – Falo sorrindo, mas por dentro eu chorava.
Ela fica me fitando. Olhando para meus olhos e eu para os dela. Sinto emoções fortes, emoções que nunca pensei que sentiria novamente. Sorrio. Ela é linda.
–Desculpa. – Ela ri. – Achei que conhecia você de algum lugar.
–Tudo bem, eu sou muito parecida com muita gente. – Sorrio com os olhos brilhando.
–Ah, que isso, você não se parece com ninguém. – Ela sorri. – Na verdade você é única. Só me lembra um pouco a Barbra Streisand.
–Me sinto honrada. – Falo rindo.
Ela sorri e segura minha mão. Seus lábios estavam com um gloss, provavelmente com sabor de cereja. Imaginei beijá-la, tocá-la, sentir sua pele junto a minha. Reprimo-me mentalmente. Ela vai casar.
–Me diga mais sobre você e o Noah. – Falo separando nossas mãos e segurando a caneta com mais força.
–Como estava dizendo, a gente se conheceu no curso de fotografia. Ele me chamou para sair e estamos ai. – Ela diz dando um sorriso que não me convenceu.
–E como você quer que seja o casamento? – Falo.
–Eu quero uma cerimônia simples, mas ele quer uma clássica e extravagante. – Ela ri. – Depois nós conversamos e decidimos que vai ser uma cerimônia clássica, mas no campo.
–Você quer uma cerimônia no campo? – Pergunto e ela concorda.
–É um sonho de menina, sabe? – Ela sorri.
–E aonde você imagina? – Falo. – Digo, em que “campo”?
–Meu amigo e o noivo dele têm uma fazenda não muito longe da cidade... – Ela olha para baixo. – Podemos ir lá um dia... Se você quiser...
Fico vermelha. Imagino-me andar de cavalo ao lado daquela loira maravilhosa. Imagino-me a beijando de baixo de uma árvore. Imagino-me distribuindo beijos em seu pescoço, em seu decote... Sacudo a cabeça, retirando aqueles pensamentos tão sujos e ao mesmo tempo tão mágicos.
–Seria... – Tento evitar, mas falo. – Maravilhoso.
–Ótimo, quando pudemos ir? – Ela me olha esperançosa.
–Acho que antes devemos olhar o seu vestido. – Eu falo.
–As maiorias das noivas e das organizadoras escolhem a decoração e o resto para só depois escolher o vestido. – Ela ri.
–Mas pensa... – Eu olhei em seus olhos. – Você não é qualquer noiva.
–E você não é qualquer organizadora.
–Que bom que chegamos a um acordo. – Falo dando um gole no meu Mocha.
–Ah... Está sujo. – Ela fala Pegando um guardanapo e limpando o meu lábio superior, que estava com chantilly.
Ela passa o dedão no meu lábio já limpo e faz todo o contorno dos meus lábios. É possível sentir minha tensão sexual a quilômetros. Sinto-me como uma personagem de desenho animado, parte de mim que ela agora, quer agarrá-la, beijá-la. Mas a outra parte insiste em dizer que ela vai casar. Que ela mentiu para mim. E o pior, é que eu escuto essa parte, a que me afasta dela.
–Então, quando vamos para olhar o seu vestido? – Pergunto me afastando um pouco dela.
–Não sei, amanha está bom para você? – Ela pergunta envergonhada.
–Acho que sexta feira é o melhor dia. – Falo fingindo que olhei minha agenda.
–Sexta? – Ela fala decepcionada. – Hoje é segunda... Ok, sexta feira. Aonde a gente se encontra?
–Escreva seu endereço aqui que eu te busco. – Falo esticando minha agenda e a caneta.
–Aqui. – Ela escreve e me devolve.
–Garçom! – O chamo.
Ele aparece.
–A conta, por favor.
Ele faz que sim com a cabeça e sai. Termino de comer meu sanduíche e bebo meu café tentando não fazer contato visual com ela. Pego meu Muffin, vou levá-lo.
–Aqui, senhorita. – Fala o garçom entregando a conta a Quinny... A Quinn.
–Eu vou pagar. – Falo pegando a conta.
–Desculpe, não sabia que a sua mãe que pagaria.
–Ela não é minha mãe. – Fala Quinn com raiva. Olha nos meus olhos e da um sorriso malicioso. – Ela é minha namorada.
O garçom se desculpa envergonhado, pega o dinheiro que lhe dei e volta para o caixa.
–Eu não pareço sua mãe, pareço? – Pergunto para ela, rindo.
–Na verdade, você parece mais minha namorada mesmo. – Ela ri, se levantando.
–Nos vemos na sexta. – Falo apertando a mão dela.
–Nos vemos na sexta. – E falando isso, saio do café.
Vou para dentro do carro e fico lá. Pensando em tudo que aconteceu. Coloco na rádio e começa a tocar aquela musica deprimente da Céline Dion “All By Myself”. Fico com raiva e troco de rádio. Começa a tocar uma musica qualquer. Finalmente ligo o carro e vou em direção a meu apartamento. Olho as pessoas na rua e fico com uma sensação de sufoco. Encosto o carro e abro a janela. Respiro fundo e devagar. Conto até dez. A ultima vez que eu tive tanto ataques em tão pouco tempo foi á alguns anos. Ligo o carro novamente e só o paro quando chego ao meu apartamento.
Abro a porta e entro.
–Oi Will. – Falo em quanto ele abre a porta para mim.
–Olá, senhorita Berry. – Ele sorri.
Chamo o elevador e ele rapidamente aparece. Entro e aperto o do 13° andar. Fico olhando no espelho enquanto ele sobe. O garçom achou que eu era a mãe da Quinn? Ou ele estava a cantando, ou me irritando ou, na pior das hipóteses, devo estar realmente acabada. Vejo rugas nos meus olhos. A maioria das mulheres de 30 anos, mesmo Santana, não tem essas rugas. Devo me estressar muito. O que fiz da minha vida para chegar a esse ponto?
Noto que o elevador parou no meu andar. Saio dele e abro a porta de meu apartamento, entro e vou direto para meu quarto, onde deito na cama. Preciso de uma transformação, isso é verdade. Mas como? Eu não consigo fazer isso sozinha. Francamente, eu devo saber tanto de roupas quanto sei de futebol. Eu preciso de ajuda. Ajuda profissional. Mas quem? Santana está com a Britt e eu tenho poucos amigos aqui em NY.
Uma luz vem na minha cabeça e eu corro e pego o celular. Vejo minha agenda até que paro em um nome. O nome de um dos meus melhores amigos aqui em NY. Kurt Hummel. Dou um suspiro de felicidade e aperto para ligar.
–Alô? – Fala uma voz extremamente fina. É ele.
–Kurt! – Falo feliz. – Sou eu, Rachel.
–Rachel! – Ele fica animado. – Que saudade!
–Pois é... – Eu penso nas maravilhas que ele pode fazer. – Kurt, quer me ajudar em uma transformação?
–Em quem?
–Em mim. – Falo rindo.
–Você ta de brincadeira? – Ele fala. – Eu sempre quis fazer isso. Para quando?
–Eu tenho que estar linda na sexta feira. – Falo sorrindo e imaginando o meu reencontro com a tal de Quinn Fabray.
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