Eu Estou Aqui
7 Capítulo VII
"Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro,
Dos loucos que escrevem no muro.
Das teias do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto.
A chama da guerra acesa."
– As Profecias, Raul Seixas
Certo, Jason sabia que a vida de um semideus, ainda mais um filho de Júpiter, não seria fácil. Mas ele esperava que, depois de duas guerras praticamente seguidas, ele poderia ter um pouco de sossego.
O que, obviamente, estava errado.
Leo contava como ele havia consertado o mecanismo que controlava o tempo no Acampamento Meio-Sangue – que, afinal de contas, era algo mecânico. Quer dizer, mais ou menos. Havia um pouco de mágica incluído, mas nada que umas ferramentas mágicas e sua “mente brilhante” não pudesse resolver.
Quíron havia dito que ele provavelmente fora danificado pelos ataques durante a guerra: os Acampamentos ainda estavam um tanto caóticos.
Porém, a mente de Jason estava longe... Não sabia onde, exatamente. Só que andava ficando distraído fácil demais. Mesmo tentando prestar atenção na história que Leo contava, ou no que Piper dizia — enquanto balançava seu braço pedindo por sua atenção -, ele simplesmente não conseguia. As palavras perdiam o sentido e ele só conseguia se perguntar se a cigarra que cantarolava estaria muito longe, ou pensar nas árvores que começavam a perder as flores.
— Alô, alô! – Disse a voz de Percy em seu ouvido, um pouco alta demais. – Terra chamando Jason!
Jason praticamente pulou de seu banco, alarmado.
— Ai! Precisava gritar no meu ouvido? – Reclamou.
— Cara, você está bem? – Perguntou Leo. – Está muito distraído.
Jason piscou, aturdido.
— Estou?
A expressão de seus amigos respondeu por eles.
— Ah... foi mal. Acho que eu só estou aliviado de, tipo, não ter que salvar o mundo de uma deusa psicopata da Terra e tudo mais.
— Além do mais, — concluiu Leo – suponho que você esteja feliz de a única pessoa que tem que ser qualquer tipo de líder é a Annabeth.
— Ei! – Protestou a garota. – Reconstruir o Acampamento é um trabalho importante. Quer fazê-lo no meu lugar?
— Nem morto. Se eu sequer tentasse tomar teu lugar, você iria me dar uma espadada na cara – ele respondeu no mesmo momento.
— Provavelmente.
— Ei! – Protestou Percy. – Quem decidiu que Jason era o líder?
Mas novamente, Jason não estava ouvindo. Sua mente vagava no tempo de algumas horas atrás, quando fora treinar um pouco e se deparara com Nico di Angelo destroçando bonecos de treinamento. Imaginou o que ele estaria fazendo naquele exato momento e nos suspeitos cortes em suas mãos.
“Ah... foi só... hum... um espelho.” Ele havia dito.
Droga, Nico... Ele tinha mesmo que odiar a si mesmo? Isso ficara mais que óbvio pelo fato dele ter socado um espelho. Como alguém pode gostar de outra pessoa sem nem mesmo gostar de si mesmo? Quando ele iria entender que as pessoas, sim, se importavam com ele, e queriam ficar em sua presença?
Será?
Grace lembrou-se de antes de ir com Nico à missão em Split, antes da conversa com Cupido – ou Eros, tanto faz –, quando a simples ideia de ir a qualquer lugar apenas com Nico o deixava nervoso. Em como todos se sentiam um tanto desconfortáveis na presença dele. Em como ele próprio considerara deixa-lo morrer prisioneiro no jarro de bronze. Mas... Se ao menos ele soubesse,naquela época...
Isso tudo só comprovava que a vida do filho de Hades seria mais fácil se ele simplesmente deixasse as pessoas saberem. Porém, apesar do que dissera a ele -, que deveria contar às pessoas -, ele também não estava muito certo. Imagine se, além de tudo, o garoto ainda tivesse que aguentar piadinhas e comentários preconceituosos? E se Percy e Annabeth passassem a evita-lo?
Jason podia compreender as dúvidas do garoto.
E ele sabia que, mesmo que di Angelo negasse, o mesmo precisava de sua ajuda. E que ele já teria, provavelmente, se matado se...
— Jason. Ei – chamou Frank, batendo palmas três vezes em frente ao seu rosto.
O loiro piscou e chacoalhou a cabeça, voltando à realidade.
— Hã... É comigo? – Perguntou antes de pensar em algo mais inteligente para dizer.
Frank franziu as sombrancelhas.
— Está vendo algum outro Jason aqui?
— O que está acontecendo com você? – Quis saber Piper, desconfiada e preocupada.
Não comigo, Piper. Não comigo.
— Hã... Foi mal. Nada. O que vocês estavam dizendo?
— Estávamos pensando em se você acha que teremos algum problema com os acampamentos, sabe? Unindo Gregos e Romanos, e tal... – Explicou Percy.
Jason apoiou os cotovelos na mesa e pensou por alguns segundos, antes de responder:
— Acho que não. Talvez algumas brigas bobas, mas nada que faça muita diferença... Em alguns meses tudo vai voltar ao normal, acho.
Hazel se inclinou sobre a mesa.
— E o tal Octavian...?
As narinas de Frank se arreganharam em sinal de mal-cheiro.
— Aquele cara...
— Ele só fica seguindo a Reyna para cima e para baixo – interviu Annabeth. – Acho que ele realmente se sentiria melhor no Acampamento Júpiter, mas parece que ele só quer seguir a Reyna.
Percy apoiou a cabeça na mão.
— Parece que tá todo mundo meio com raiva dele. Eu não gosto dele. Ele quase ferrou todos nós, e Ella tem medo de ficar perto dele. Mas... Sei lá, ele diz que sente muito e tal, e Rachel insiste que a gente devia dar uma segunda chance. Sinceramente, eu nunca tinha pensado que um dia veria esse cara pedindo desculpas desse jeito...
— Na verdade – adicionou Piper –, ele estava meio que implorando.
— Bom... – Annabeth deu de ombros. – Se a Rachel diz, eu confio. Mas acho bom que ele ajude pra valer o Acampamento pra poder se redimir...
Subitamente, a fogueira pareceu explodir: uma coluna vertical flamejante de aproximadamente 10 metros de altura surgiu, as chamas esverdeadas contorciam-se dolorosamente em formas onduladas e um tanto pontiagudas. Alguns campistas gritaram e se atiraram no chão, cobrindo a cabeça com as mãos. Jason arregalou os olhos e se enfiou desajeitadamente debaixo da mesa, pouco antes dela ser carbonizada por uma esfera flamejante.
Por um momento pôde ver Nico se afastando dela com agilidade e desempunhando a espada de escuridão. Desde quando o filho de Hades estava lá...?
A coluna de chamas se extinguiu sem aviso, tão rápido quanto havia se formado. O filho de Júpiter encarou assombrado, viu a fogueira que agora crepitava calmamente – ou quase calmamente por conta da nuvem de tensão que pairava sobre o local.
Leo foi o primeiro a falar.
— O que diabos foi isso?!
Percy saindo debaixo da mesa, não deu muita importância.
— Ah, talvez algum defeito num mecanismo ou algo assim...?
Nico guardou a espada na bainha. Jason não havia se dado conta que ele estava a poucos metros de distância agora.
— Não. Não foi um defeito de mecanismo. A fogueira nem mesmo é controlada por mecânica – ele olhou para os lados, tenso. – Algo está prestes a acontecer. E não sei se vai ser bom.
— Com a nossa invejável sorte, vamos descobrir algum outro deus psicopata que está declarando guerra de novo. – Resmungou Leo, observando a fogueira de cara feia, como se fosse tudo culpa das chamas crepitantes.
— Ha ha, muito engraçado, Valdez – replicou Frank. – Agora cale a boca.
Valdez deu de ombros.
Uma garota de cabelos encaracolados, volumosos e ruivos se levantou e andou rapidamente até o grupo. Seus passos eram ritmados, como se fosse um robô. Os olhos de Rachel emitiam uma luz verde tão clara que Jason teve que desviar o olhar, e um vento sinistro fazia seus cabelos ondularem e dançarem. Ela ia em direção a Nico di Angelo. O garoto recuou um passo, relutante, como se não tivesse certeza do que fazer.
Rachel Elizabeth Dare agarrou seu braço com força, cravando as unhas em sua pele pálida, o que o fez fazer uma careta de dor reprimida.
— Rachel... – Ele tentou dizer, mas a ruiva começou a puxá-lo em direção a Jason, que olhou para os lados, incerto.
Rachel agarrou seu braço esquerdo também e encarou-o com aquela expressão vazia, um tanto macabra. Ela fechou os olhos, respirou fundo, e por fim falou:
O que mais carece
Pode destruir tudo com uma prece.
Deve na hora zero procurar
Para seguir o rastro de se curar,
Para o amor assim triunfar.
Mas a Tragédia provoca
E a Memória apoia.
Os corações traídos
Se voltarão ao ódio escondido.
A foice dourada, o receio ceifar
Sob a água, na passagem deve batalhar.
Uma grande tragédia o destino irá provocar,
E no final, a resposta está mais perto do que possa pensar.
Rachel amenizou a expressão e cambaleou quando os dois a seguraram.
— Eu acho, hum... Isso foi uma profecia? – A ruiva perguntou, por fim, parecendo confusa. – O que eu disse?
— O que mais carece pode destruir tudo com uma prece. – Jason recitou. – Deve na hora zero procurar, para seguir o rastro de se curar, para o amor assim triunfar. – Ele encarou Nico interrogativamente. – Hora zero? O que isso significa?
— Hora zero, zero, deve ser meia-noite, dã. – Supôs Léo.
Nico balançou a cabeça negativamente, enquanto dava apoio para o Oráculo se sentar num tronco.
— Não sei. Tenho que pensar sobre isso.
Todos fitavam eles, assombrados. O próprio Jason estava um tanto perturbado. Parte dele pensava: “Sério? Não posso nem ter um pouco de paz?!”, enquanto a outra só conseguia repetir a si mesmo, de um jeito até irritante, o fato de ele iria em uma missão com Nico.
— Bom... – Disse Annabeth, quebrando o silêncio constrangedor que havia se abatido no Acampamento. – Parece que vocês tem uma missão a cumprir.
Di Angelo assentiu, antes de desviar o olhar da loira com uma expressão de dor.
Naquela noite, Jason foi para seu chalé pensando na expressão de Nico pouco antes de sair.
Por algum motivo, aquela expressão no rosto do moreno era uma das coisas que Jason mais odiava. Não só por vê-lo sofrer, mas também por ele sofrer justamente por causa do Percy. De todos, tinha que ser justamente ele? Ele, que tinha Annabeth? Ele, que tinha derrotado o titã Cronos? Ele, que tinha matado milhares de monstros? Ele, que havia sido o primeiro grego a ser aceito como pretor? Ele, que havia atravessado o Tártaro? Mas Nico também havia atravessado o Tártaro, lembrou. A diferença era que ele havia cumprido tudo sozinho.
Jason se lembrava de como e quando Percy e Annabeth haviam descrito o lugar, eles apertavam a mão um do outro a cada instante. Ficara bem claro que eles estariam mortos se não tivessem um ao outro. O filho de Júpiter se perguntou então como Nico conseguira -, não só pela sua condição física, mas também psicológicas... O que o impedira de desistir?
Duas batidas na porta o despertaram de pensamentos. Jason resmungou e cogitou se abria a porta, mas não, ele ainda tinha que descobrir o que a profecia significava.
“O que mais carece pode destruir tudo com uma prece...” aquilo não lhe parecia exatamente bom, certo? O que mais carece... Sabia que a situação de Nico no momento não era das melhores, mas... Isso poderia ser possível? Será que a palavra “prece” lá era no sentido de “desejo” ou “pedido”, ou algo mais...? E, bom, “os corações traídos se voltarão ao ódio escondido”também parecia nada promissor. Se fosse o que ele estava pensando...
Quem quer que estivesse do lado de fora bateu na porta insistentemente, dessa vez mais alto. Jason grunhiu um tanto incomodado.
— Jason, sou eu – disse a voz de Nico, abafada, do outro lado da porta. – Tenho que falar com você. É sobre a profecia.
Jason arregalou os olhos, surpreso. Não esperava que o garoto atrás da porta sequer quisesse falar com ele, ou que já tivesse tomado quaisquer conclusões. O loiro se levantou desajeitadamente o mais rápido que pôde para abrir a porta. Di Angelo virou a cabeça e o fitou com seus penetrantes olhos castanho-escuros.*
— Vim aqui falar sobre a profecia – anunciou, num tom baixo. – Sobre a profecia e nada mais. Não tente mudar de assunto, Grace. Especialmente se for sobre... Você sabe o que.
Jason assentiu.
— Eu não ia.
Nico franziu a testa. Mentiroso. Era óbvio que Jason iria tocar no assunto algum momento, era o que sempre fazia. O filho de Hades se questionou se seria intencionalmente ou não.
Aparentava estar calmo mas por dentro gritava com todas as suas forças. Sério? Mesmo? Uma missão? E justamente comele?
Ele não iria se importar de ir numa missão, desde que estivesse sozinho. Ou até mesmo com alguma outra pessoa, qualquer uma: Hazel, Frank, Leo, Piper, Annabeth, os irmãos Stoll, Clarisse, até mesmo Octavian... Qualquer um que não fosse Jason. E Percy, claro.
Ouch.
Até mesmo o nome doía.
Nico continuava sem entender o porquê dele sentir-se daquela forma. Era óbvio que aquilo acabaria acontecendo, uma hora ou outra. Era óbvio que Percy e Annabeth iriam se casar, ter filhos, construir uma família feliz, e envelhecer de mãos dadas numa casa de praia um dia... Não era como quando os dois haviam começado a namorar no final da guerra, não era como se fosse novidade. Não deveria doer tanto quanto doera naquela época. Ele não deveria sentir como se algo houvesse se quebrado dentro dele.
Nunca deveria ter doído, mas doía.
Maravilha de vida.
Jason deu um passo para trás, deixando que o mais novo passasse. Grace sentou-se numa cadeira, em frente a uma escrivaninha, e indicou que Nico se sentasse em uma segunda cadeira de madeira à sua frente.
— Então... – Incentivou. – A profecia...?
Nico o fitou.
— Deve na hora zero procurar – recitou. – Não sei sobre o resto, mas sei o que esse verso significa. Acho que já alguma coisa, sendo que isso nos fala pra onde ir. – Jason assentiu. O garoto respirou fundo antes de continuar. – Eu sei onde é isso. Já ouviu falar em Greenwich?
Jason pensou por um momento.
— Já ouvi o nome, mas não consigo me lembrar de onde.
— Bom, é na Inglaterra. Londres, especificamente. (N/A: Explicações nas notas finais. Não me matem antes disso.) É um parque enorme, onde há um museu e um planetário. Bom, mas não é isso que interessa. Onde estou querendo chegar é: teoricamente, Greenwich é onde o mundo se divide entre ocidental e oriental. Lá foi até mesmo desenhado uma linha onde seria a tal divisão. Esse lugar é conhecido como o ponto central.
Jason arregalou os olhos.
— A hora zero.
Di Angelo assentiu.
— Sobre aquela parte de “Sob a água, na passagem deve batalhar”... Bom, ainda tenho que pensar sobre isso, mas suponho que tenha algo a ver com Greenwich. E a foice dourada... Apesar de não ser uma arma tradicionalmente grega ou romana, eu pensei que talvez fosse algum artefato em algum museu lá...
Grace assentiu realmente impressionado. Di Angelo visivelmente era muito inteligente, concluindo tudo isso em tão curto prazo de tempo.
Aparentemente, o moreno interpretou suas expressões incorretamente, pois pareceu ficar constrangido.
— Bom, eu posso estar errado, claro, e a resposta seja algo completamente diferente, mas eu só pensei que essa talvez fosse uma possibilidade...
— Não, não, acho que você está certo – tranquilizou-o. – Só estou impressionado que você tenha pensado nisso tão rápido. E tem algo que não sai da minha cabeça... Sobre a tal foice.
Nico assentiu mais uma vez, esperando que ele prosseguisse.
— Bom, uns dias atrás, eu tive um sonho. Hum, nele eu andava perdido num túnel escuro, feito de ossos humanos. Eu segurava uma foice feita de ouro. E... – sua voz falhou. – Você meio que estava lá também, andando em outro corredor de ossos, ferido. Aí nós nos encontrávamos, e eu...
Jason se engasgou, tossindo.
— Não precisa contar se não quiser, mas acho que isso pode ser importante... – E eu estou meio curioso para saber sobre isso, adicionou no pensamento.
Grace limpou a garganta.
— Bom, nós nos encontrávamos e eu acho que eu te matava, com a foice. – Nico não pôde evitar arregalar os olhos. – Mas, — ele adicionou, rapidamente – eu não era... Eu. Não conseguia controlar meu próprio corpo. Pensei que talvez seja como aqueles monstros que possuíram Leo, fazendo-o atirar no Acampamento Júpiter.
Di Angelo assentiu, processando a informação.
— Parece que vamos ter que ser muito cuidadosos.
— É...
— Bom, não sei sobre os outros versos. Talvez tudo isso esteja errado e nós estamos na direção oposta à verdade...
— Bom, na verdade... E-e-eu meio que tenho u-uma ideia sobre aquele verso “Os corações traídos se voltarão ao ódio escondido”...
Nico estreitou os olhos.
— Eu sei o que você está pensando. Você acha que esse verso é sobre mim, não é?
Jason limpou a garganta, sentindo seu rosto ficar vermelho. Nico havia acertado na mosca. Depois de tudo que havia acontecido, era a opção mais lógica que ele se sentisse de alguma forma, traído.
— É-é, mas...
— Claro, porque sempre que fala de corações, amor e ódio, a resposta sempre é Nico di Angelo, não é? – Ele o cortou, irritado.
— Não foi isso o que eu quis di...
— Sim, Jason, foi sim isso o que você quis dizer e você sabe disso tanto quanto eu.
Jason abaixou a cabeça. Na real tinha sido isso o que ele quisera dizer.
— Desculpe.
— Bom, não é sobre mim. Não tem como ser. Na verdade, eu estava preocupado sobre esse verso em relação a você.
Jason piscou atordoado.
— Eu?
Nico o encarou como se ele fosse idiota.
— Claro. Entre nós dois, quem aqui tem uma namorada, ou qualquer pessoa que possa possivelmente trair ou ser traído? Mas... – Nico balançou a cabeça. – Não acho que seja sobre isso. Quer dizer, é de você e Piper que estamos falando. Não acho que seja o caso... Talvez seja outro tipo de traição, não sei...
— É, pelo menos já sabemos pra onde ir.
Di Angelo assentiu e se levantou.
— Que dia saímos?
— Não sei. Em dois dias, talvez?
Di Immortales! Dois dias mais naquele lugar... Mas ficar sozinho com Jason não parecia muito melhor.
— Certo – respondeu, antes de sair do chalé.
Dois dias.
Dois dias para que saísse daquele acampamento. Dois dias para que tivesse um alvo, algo para que pudesse fazer algo de útil. Dois dias para poder escapar daquele lugar.
Mas ele nunca poderia escapar de si mesmo...
Seria muito mais fácil se fosse alguma outra pessoa. Os outros tinham medo dele. Evitariam olha-lo, toca-lo ou sequer falar com ele. Mas pelo menos o deixariam em paz. Jason não o faria. Ele nunca o fazia. Ah, se ele ao menos fosse sozinho a tal missão...
— Nico. – Jason chamou, quando o garoto já estava na porta. – Você está bem?
Nico parou e ficou em silêncio por alguns segundos.
— Eu disse que não falaria sobre qualquer assunto que não fosse a profecia. Mas sim. Estou bem.
Jason não soube decifrar se aquilo era verdade ou não.
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