Notas iniciais
Olá pessoas. Quero deixar claro que eu não sou obrigada a nada, que espero que gostem e boa leitura! c:

Seria como se fosse um dia normal, só que eu estaria um pouco mais velha. Eu estava completando dezessete anos, por isso, especialmente para a ocasião, decidi me vestir melhor para ir à escola.

Deslizei um vestido amarelo pelo corpo. Sua cor era viva e intensa. Prendi os cabelos em um rabo de cavalo, calcei uma sapatilha preta e finalizei passando uma camada de brilho nos lábios.

Sorri, satisfeita ao ver minha aparência no espelho.

Fui para a cozinha e encontrei minha mãe preparando o café da manhã. Ela cantarolava e mexia os quadris alegremente.

— Bom dia — falou, olhando por cima do ombro. — Está com fome?

Assenti, ajudando-a com o preparo. Peguei alguns pratos e copos e fui distribuindo-os pela mesa.

— Feliz aniversário, meu amor.

Dei um suspiro, aliviada. Quase pensei que ela havia esquecido.

— Obrigada, mãe.

Logo meu pai e meu irmão mais novo se juntaram a nós e comemos juntos. Um pouco antes de sair, pendurei a mochila nos ombros e me despedi da família. Mamãe me desejou boa sorte, papai falou do quanto eu estava bonita e Noah apenas acenou.

Sinceramente, eu estava com um bom pressentimento sobre aquele dia.

Cheguei na escola recebendo olhares de toda parte. Afinal, não era muito comum eu usar aquele tipo de roupa. Normalmente as pessoas me viam de calça e tênis, então não liguei muito.

Beth, minha melhor amiga, conversava com alguém no telefone quando a encontrei. Ela arregalou os olhos e disse que precisava desligar.

— Menina, o que é isso? Tá gata pra caramba! — ela passou a mão no meu vestido, impressionada.

— Você não sabe? — perguntei, esperando que ela me parabenizasse.

Beth é o tipo de pessoa animada. Ela está sempre sorrindo, e normalmente coloca as necessidades dos outros acima das suas. Nossa amizade começou quando eu desci rolando as escadas do segundo andar. Lembro que fiquei parecendo um pimentão enquanto as pessoas riam da minha cara, até que ela foi me ajudar. A única. Depois disso, não nos desgrudamos nunca mais.

— Na verdade, não.

O meu sorriso, que ia de orelha a orelha, se transformou numa cara emburrada. Como, em sã consciência, Beth pôde ter esquecido? Ela não notou minha expressão, e se notou fingiu que não.

O resto da tarde foi uma tristeza. Eu não falei a ela sobre o meu aniversário, esperaria até o dia seguinte para sua culpa pesar mais. Toda vez que ela vinha falar comigo, eu respondia friamente ou dava de ombros. O pior de tudo foi que nem os meus outros amigos lembraram! Imagine como eu fiquei? Quase louca!

Na saída, Beth me convidou para comer em algum lugar antes de voltar para casa. Eu fiquei meio receosa de aceitar, mas fui. Talvez ela tivesse lembrado e quisesse se desculpar, pelo menos foi o que pensei.

Mas quem disse que era isso? Pelo contrário! Ela ficou falando sobre assuntos totalmente aleatórios por um bom tempo.

— Será que posso te acompanhar até a sua casa? — ela perguntou, enquanto passava o dinheiro para o caixa.

Suspirei.

— Pode...

Andamos até lá em silêncio. Quando chegamos, ela perguntou se podia entrar.

Eu só revirei os olhos na frente dela, para dizer que estava de saco cheio. Mas ela pareceu nem se importar.

Andei até a porta e ela foi atrás. Destranquei a fechadura com seus olhos sobre mim. Quando entrei, todas as luzes estavam apagadas, até que uma delas acendeu e várias pessoas gritaram:

— Surpresa!

Estavam todos lá. Os meus amigos e alguns membros da família. Beth logo se juntou a eles e começaram a cantar parabéns. No canto das paredes alguns balões coloridos foram colados, a mesa estava cheia de docinhos e salgados, com um bolo no centro.

Eu fiquei paralisada, observando aquelas pessoas sorridentes.

E eu ainda havia pensado que todos tinham esquecido. Pelo contrário, eles se importaram comigo o suficiente para fazer tudo aquilo.

Meu pai chegou perto de mim e me puxou para a mesa.

— Pessoal — ele gritou, pedindo atenção. Todos ficaram em silêncio. — É hora de assoprar as velas — ele olhou para mim —, faça um pedido, querida.

Quando ele disse aquilo, mil coisas passaram pela minha cabeça. O que eu pediria, se já tinha tudo?

Então eu lembrei. Já havia lido aqueles livros umas seis vezes, a coleção inteira. E também já havia pensado no quão seria legal fazer parte da história, nem que como figurante, apenas para poder acompanhar de perto.

E foi o que pedi.

Fechei os olhos, e pensei nas palavras: "eu desejo entrar em A Seleção".

Quando os abri, eu já não estava mais em casa.

Notas finais
Caso tenha algum erro de ortografia, me desculpem! :c