Eu Cuidarei De Você.
9 Capítulo 9 - Perdendo o Controle
Notas iniciais
Quinn acordou. Estava claro e suas costas estavam doloridas por ter dormido no sofá. Olhou para o relógio de parede na sala e viu que tinha perdido a hora de ir para o colégio. Ela não tinha acordado porque tinha desligado o celular e o alarme não tocou e sua mãe também não apareceu para acordá-la e levá-la de carro. A loira então se lembrou do que tinha acontecido. Das coisas que tinha falado para Santana e para sua mãe. Um nó formou-se em sua garganta. Ela estava extremamente frustrada! E tinha descontado nas duas, a semana inteira. O fato de ainda não conseguir sentir as pernas apesar das sessões de fisioterapia estavam a deixando sem sono, sem fome, sem paciência. Ela tinha começado a se achar uma idiota por ter acreditado que voltaria a andar. As chances eram poucas e ela sempre fora muito lógica. Mas tinha um motivo para ter acreditado. E era o motivo mais lindo do mundo: Rachel. A esperança de Rachel era a sua própria agora. A força de Rachel era a única que ela tinha. E mesmo assim, ela tinha falhado, não tinha conseguido manter-se firme. Como ia se manter afinal? Era revoltante isso ter acontecido, mais do que nunca ela se sentia inútil, impotente. O quanto ela ia perder devido a isso? Pensou em seu futuro com medo... E se Rachel se cansasse dela? Da sua condição? Sabia que estava sendo exagerada e injusta, mas não conseguia evitar pensar na ideia de que ninguém iria conseguir ficar com ela. É o tipo de pensamento ridículo que te domina quando você está desesperado. E ela estava!
Não quis ficar acordada, dormir era mais fácil, então ela se deixou levar pelo sono novamente... Teve um sonho bom, pelo menos. Rachel estava nele, chamando-a...
R: Quinn, acorda... [chamava de forma doce, acariciando seu rosto].
Q: Rach? [disse sonolenta, sem abrir os olhos].
R: Sou eu...
Quinn abriu os olhos, se deparando com o lindo rosto da namorada, sorrindo para ela. Ela ainda estaria sonhando?
R: Bom dia, meu amor... [deu-lhe um selinho]
A loira chegou a conclusão de que ter Rachel consigo seria sempre um sonho, por mais que fosse real. Era um sonho realizado.
Q: Bom dia... [deu-lhe um sorriso]
R: Eu posso saber o porquê de a senhorita não ter ido à aula, e o porquê do seu celular estar desligado?
Q: Eu... Minha mãe... [disse envergonhada] Não me acordou. E eu acabei dormindo com ele desligado.
R: Eu encontrei com ela saindo de casa agora, ela estava triste. Aconteceu alguma coisa entre vocês? E o que foi aquilo com a Santana?
Quinn não respondeu. Todo o arrependimento que lhe faltara na noite anterior bateu nela agora com força.
Q: Eu não quero conversar sobre isso...
R: Quinn... [chamou a atenção]
Q: Por favor, Rach...
R: Eu quero saber o que está acontecendo com você. A Santana ficou realmente mal depois que saiu daqui.
Quinn fechou a cara. Estava envergonhada pelo o que tinha feito, mas não queria conversar sobre isso naquele momento. Rachel entendeu, pelo menos por enquanto. Suspirou e disse:
R: Vamos para a fisioterapia então?
Q: Eu não quero ir. [virou o rosto]
R: Como assim você não quer ir? [puxou de volta]
Q: Eu não estou me sentindo bem hoje.
R: Você vai me dizer o que está acontecendo [disse firme]. Fala.
Q: Eu não quero brigar com você [disse baixo]
R: E por que a gente tem que brigar? Eu estou preocupada com você... Como você quer que eu fique com você desanimada desse jeito, só dizendo não quero, não quero, não quero pra tudo?
Q: Eu sei que você está preocupada comigo. Mas eu realmente não quero nenhuma dessas coisas, tudo o que eu quero agora é ficar quieta...
Rachel suspirou novamente. Sem dizer mais nada puxou Quinn para seu colo. Sentiu a loira segurar-se com mais força do que era necessário em seu pescoço. Sentia que algo estava errado, mas não ia pressioná-la agora. Deitou-a em sua cama e com cuidado virou-a de bruços.
Q: O que você está fazendo?
R: Estou tentando amenizar as consequências da sua teimosia e do seu orgulho [sorriu]. Você deve estar com dor nas costas depois de dormir naquele sofá.
Rachel começou a massagear as costas de Quinn, que soltou um suspiro.
Q: Você é perfeita sabia? [sorriu com o alívio que Rachel proporcionava]
R: Sei.
Q: Convencida.
R: Teimosa.
Quinn não pôde evitar sentir a satisfação de ter Rachel deslizando as mãos de forma carinhosa e firme em suas costas. Os movimentos dela eram treinados, pacientes, e estavam realmente aliviando a dor da loira. A morena deslizou sua blusa, retirando-a e Quinn reprimiu um gemido quando sentiu a morena sentar-se sobre ela e continuar a massagem em suas costas quase completamente nuas. Esse fato não passou despercebido por Rachel, que retirou o fecho de seu sutiã e explorava cada centímetro de pele exposta. A morena inclinou-se sobre ela e começou a beijar sua nuca, sentindo Quinn arrepiar. Desceu devagar por seu tronco, beijando-a e acariciando-a com o nariz. Quando chegou à base de suas costas, refez o caminho de volta e sussurrou em seu ouvido:
R: Eu amo a sua pele e o seu cheiro...
Quinn estremeceu. Rachel voltou para a massagem. A respiração da loira estava alterada. A forma como Rachel lhe tocava dava uma inexplicável sensação de estar completa, de estar onde deveria estar. Ela não queria que ninguém mais lhe tocasse além da morena. Rachel por sua vez, admirava a pele macia da namorada. Ela não conseguia acreditar ainda que namorava Quinn, que aquele corpo era seu. Que aquela garota que tanto a maltratara apaixonou-se por ela e agora a queria por perto, muito perto. Massageava aquela pele com extremo carinho e amor.
R: Está melhor?
Q: Bem melhor...
R: Isso que dá dormir no sofá. Mas saiba que quando a gente estiver casada e brigar eu vou ficar com a cama, entendeu?
Quinn começou a rir.
Q: Você pensa em se casar comigo? [estranhou]
R: Você não? [disse tranquila]
Q: Depois de uma massagem que nem essa eu nem penso em casar com outra pessoa. [brincou]
R: Vai se casar comigo por causa da minha massagem Fabray?
Q: Não...
Rachel recolocou o sutiã e virou Quinn para encará-la.
Q: Vou me casar com você porque eu te amo e porque eu idealizo uma vida ao seu lado... Eu sei que é muito cedo pra falar sobre isso, mas eu queria dizer que eu não quero ter pressa de casar com você, porque quando você disser sim eu quero que realmente queira dizer isso. A gente vai passar por tudo que tiver que passar pra isso acontecer. Porque eu não consigo me imaginar sem Rachel Berry. A mesma que eu conheci anos atrás, que era melhor do que todos ao redor e que tinha consciência disso. A que não sabe viver se não for intensamente. Você me marcou de uma forma que ninguém nunca vai marcar... Eu quero ver você se tornar uma estrela, como eu sei que será e quero estar lá, dizendo que eu sabia que você conseguiria. Da mesma forma que você sempre acreditou em mim eu sempre acreditarei em você. Eu sei que você vai conseguir.
Não tinha como Rachel não se emocionar com o que Quinn tinha dito. Ela nunca se imaginou ouvindo nada daquilo de ninguém. E ouvir de Quinn era a coisa mais linda que já tinha acontecido com ela. Era mais perfeito do que jamais imaginaria. Beijou-a com paixão, tentando passar tudo o que sentia através daquele beijo. Depois se postou ao seu lado, flexionando as pernas da loira, que não entendeu.
R: Não pense você que irá escapar da fisioterapia. [piscou para ela]
Era impossível tirar os olhos da morena. Quinn admirava o cuidado com que Rachel cuidava dela, a delicadeza com que exercitava suas pernas. Rachel também não conseguia desviar o olhar, era impressionante como a loira conseguia ser linda o tempo todo e a cada dia ela se encantava mais.
O encanto pareceu se dissolver quando Quinn se lembrou de que embora pudesse admirar a morena o quanto quisesse, não podia sentir o seu toque. Não ali. Rachel parou quando viu uma lágrima descer pelo rosto da loira.
R: O que foi? [preocupou-se]
Q: Eu queria tanto! Tanto! Que eu pudesse sentir você me tocando... [intensificou o choro ao colocar o máximo de sinceridade nessa frase]
O coração de Rachel parecia ter quebrado. Ela via novamente o quanto Quinn sofria.
R: Com o tempo você vai sentir meu amor...
Q: Você não pode me garantir isso...
R: Eu sei que vai. Alguma coisa me diz que vai.
Quinn ficou em silêncio. Se continuasse a falar tinha certeza de que brigaria com Rachel. Um sentimento ruim a acompanhava agora o tempo todo. Uma sensação de revolta, de impotência. Ela estava lutando para esconder, mas ficava cada vez mais difícil. A morena voltou a trabalhar em suas pernas, pacientemente. A loira sentiu-se pior ao saber que Rachel tinha um compromisso e não podia ficar ali com ela. A morena preparou algo para ela comer e a levou de volta ao quarto. Depois de lhe dar um beijo e um sorriso, fingindo que estava tudo bem, a loira chorou novamente quando ela saiu. Encolhendo-se na cama e desejando acordar somente na hora em que ela voltasse. Não gostava desse tipo de dependência, pois a tinha a horrível sensação de que Rachel ia deixá-la. Que quando soubesse que ela realmente não voltaria a andar ia se afastar dela. E Quinn não aguentaria. Dormir era realmente muito mais fácil do que pensar nisso. Sentia falta de Santana. A latina com certeza bateria nela ao vê-la nessa situação, para vê-la reagir. As palavras da amiga sempre a deixavam melhor, pois ela sabia que nunca lhe faltaria nada se Santana estivesse com ela. “Quinn, você é uma idiota” pensou ao se lembrar da briga. E ainda mais ao se lembrar de sua mãe, que ainda não havia voltado para casa. Acabou dormindo de novo.
Dois dias se passaram e Quinn estava extremamente estressada. Ainda não tinha visto Rachel de novo e parecia que a morena estava inventando desculpas para não vê-la. Cada hora era uma coisa e ela parecia estar sempre ocupadíssima. Pra piorar a situação, segunda não teve aula, então ela não pôde vê-la de manhã. Ela estava realmente mal, pensando que Rachel a estava evitando. Sua mãe não conversava com ela além do necessário. Só a carregava quando ela precisava comer ou tomar banho, e machucava Quinn o fato dela não conseguir dizer nada para contornar a situação também. Não tinha ainda se resolvido com Santana. As duas eram muito orgulhosas e nenhuma tomava a atitude de ligar uma para a outra, apesar de Brittany ter brigado com Santana por isso.
B: Eu fui ver a Q, San. Ela não faz mais nada, só fica deitada dormindo. Ela precisa de você, precisa da gente. A Rach não está podendo ir pra casa dela esses dias...
S: Se ela precisasse tanto assim de mim ela chamava. [respondeu seca]
B: Não faz isso, ela é nossa amiga.
Santana se levantou, ignorando o que Brittany falava.
B: Se você se comportar assim eu vou brigar com você.
S: Ótimo. Aí não vai ser só a Q [disse irônica] a não falar comigo sem eu ter feito nada. É incrível como eu não faço nada e as pessoas simplesmente brigam comigo.
B: Você está sendo infantil.
S: A Quinn está sendo infantil!
B: Ela está numa cadeira de rodas!
S: E isso a faz ter o direito de se infantil? [indignou-se]
B: Não! Isso a faz ter o direito de ficar revoltada, de não se conformar com a sua situação. Você faz ideia do quanto é difícil Santana? Imagine se, nesse momento, você não pudesse mais andar!
A latina estava morrendo de vontade de ver como Quinn estava. De acabar com aquela briga estúpida. Mas seu orgulho falou mais alto.
S: Eu não consigo Britt. Não é o que está acontecendo comigo. O que eu posso fazer é cuidar da Quinn, mas se ela prefere que não seja assim...
B: Ela não prefere! Por que vocês duas são tão teimosas?
S: Olha, você pode ir lá ver ela e o que for. Eu ainda não consigo. Você sabe como eu sou.
Brittany a olhou, desapontada. Santana sentiu-se mal, mas continuou firme. Viu a loira dar meia volta, deixando-a sozinha.
Pela tarde começou a chover torrencialmente. Rachel estava com Kurt em sua casa quando a luz acabou. Não estava mentindo quando dizia a Quinn que estava ocupada. Seus pais inventaram de viajar na sexta, voltando no domingo e exigindo que ela fosse também. Depois ela teve que estudar e praticar com Kurt, além das dezenas de obrigações dos outros tantos clubes que ela participava. O amigo tinha perdido a conta das vezes em que ela falava sobre a loira e lamentava não estar com ela.
R: Kurt, eu acho que vou ver a Quinn.
K: Pelo amor de Barbra Rachel, você não parou de falar dela um minuto sequer!
R: Eu não devia ter viajado, ela está precisando de mim! Eu tenho certeza que ela está chateada comigo. E agora deve estar sozinha no quarto, com essa chuva. [angustiou-se]
K: A gente tem muita coisa pra fazer...
R: Eu sei... Mas se você não reparou a luz apagou a gente não vai conseguir fazer mais nada.
O celular de Rachel tocou. Era Brittany.
R: Oi Britt!
B: Rachel? [disse tensa]
R: O que foi? Aconteceu alguma coisa? [preocupou-se]
B: É a Q, Rach! A mãe dela me ligou, dizendo que ela deu um ataque e não quer sair do quarto. Ela trancou a porta. A mãe dela está com medo de que ela faça alguma besteira, eu estou indo pra lá e a San também.
Rachel gelou.
R: Eu também vou!
B: Eu sei, a gente está indo te buscar.
A morena tremia. Ela sabia que não devia ter deixado Quinn sozinha.
K: Rachel... Está tudo bem?
R: Não... A Quinn está precisando de mim. Eu falei pra você Kurt!
K: Calma, você vai encontrar com ela?
R: Vou, a Santana está vindo me buscar.
K: Então eu acho que já vou indo, você me liga qualquer coisa? [abraçou a amiga]
R: Ligo sim!
Kurt saiu. Dez minutos depois Brittany ligava de novo, dizendo que tinha chegado. A morena correu para dentro do carro para não se molhar muito devido à chuva. Estava tão tensa que não quis procurar o guarda-chuva.
R: O que aconteceu?
B: A gente não sabe. Pelo o que eu entendi a Q está fora de controle... [contava preocupada]
Rachel se culpava mentalmente. Não havia insistido no assunto com a namorada sabendo que ela estava mal e sumiu por dias. Cada minuto que passava a culpa dela aumentava. As três chegaram na casa da loira, sendo recebidas por uma Judy tensa. A luz havia acabado ali também.
J: Ela não abre a porta do quarto...
S: Deixa com a gente...
Elas subiram até o quarto de Quinn.
B: Q? [chamou] Somos nós...
Silêncio.
S: Quinn Fabray, quer fazer o favor de abrir essa porta? Eu juro que vou arrombar! [irritou-se]
B: Quanta sutileza San!
S: O quê?! [disse, como se não tivesse falado nada demais]
Rachel queria chamá-la. Mas não poderia do jeito que gostaria com a mãe dela ali. Estava preocupada também com aquele silêncio todo. A única coisa que se ouvia era a chuva e alguns trovões. Elas tentaram, mas Quinn não respondia de jeito nenhum.
S: A gente vai acampar aqui até você sair da merda desse quarto.
O celular de Judy tocou e ela se afastou para atender. Voltou um tempo depois dizendo que tinha que sair. Rachel achava extremamente providencial e curioso as vezes em que Judy precisava sair. Era como se as pessoas soubessem que ela precisava ficar sozinha com Quinn. Ela agradecia por sua mãe ter se tornado uma mulher extremamente ocupada, mas via a agonia no rosto de Judy toda vez em que era obrigada a se distanciar da filha. Quando ela saiu, Rachel se virou para Brittany e Santana.
R: Vocês poderiam me dar um momento com ela?
B: Claro!
S: Ok. Mas eu ainda acho que devemos arrombar.
As duas desceram para a sala.
R: Quinn! Meu amor, abre essa porta... [disse carinhosa] Sou eu, abre pra mim...
Rachel encostou o ouvido na porta, tentando escutar algum barulho além da chuva. Nada. Ela começou a ficar nervosa.
R: Por favor... [disse baixinho pegando o celular para ligar pra ela]
Ela escutava o barulho do toque de celular de Quinn no quarto, mas ninguém atendia. E ela tentou uma, duas, três, quatro... Quatorze vezes. Seria possível que Quinn não estivesse ali?
R: Quinn, me perdoa. Me perdoa por estar tão ocupada nesses dias... Se for por isso que você não quer abrir a porta pra mim, saiba que eu não estava mentindo pra você.
Rachel não acreditou quando escutou o barulho da fechadura. Quinn destrancara a porta. Ela respirou fundo e entrou.
Fale com o autor