Eu Cuidarei De Você.

4 Capítulo 4 - O dia seguinte


Notas iniciais
Espero que não me matem por estar demorando para acontecer alguma interação Faberry kkkkkk

Judy chegou em casa, encontrando tudo silencioso. Culpava-se mentalmente desde o momento em que deixou Quinn e foi para o seu compromisso. Ela não podia faltar, mas se sentia mal. Foi direto para o quarto da filha. Precisava vê-la. “Ainda bem que Rachel ficou com ela”, pensava... Quinnie é uma garota decidida e se botasse algo na cabeça ia até o fim. Fosse isso bom ou não. Abriu a porta do quarto da filha devagar e olhou aquela cena à sua frente. As duas abraçadas, dormindo. Deu um sorriso suave e confirmou o que sabia. Ela sempre sabe, na verdade. Quando Quinn estava grávida, ela soube, quando mentia, também. E ela sabia há muito tempo que sua filha estava apaixonada. Por uma certa morena que falava demais e tinha um ego maior do que tudo, só não era maior do que a paixão que sentia pelas coisas. A intensa Rachel Berry de quem Quinn tanto falava, apesar de fingir odiá-la. Aquilo ia além de sua compreensão, ela não entendia como uma mulher poderia gostar de outra mulher. Mas jamais impediria a felicidade de sua filha de novo. Ela não compreendia, mas se Quinn tivesse coragem de lutar pelo o que sentia, ela apoiaria. Fechou a porta silenciosamente e deixou que sua filha tivesse uma noite tranquila de sono depois de tudo, que ela tinha certeza que era tranquila apenas por ter Rachel ao seu lado.


Rachel acordou. Estava na mesma posição em que tinha ido dormir e se sentia incrivelmente bem do jeito que estava. Olhou para o rosto de Quinn e ela parecia tão tranquila... Desejou que não houvesse mais problemas na vida da loira. A pele clara era quente e macia, então ela se aconchegou mais ainda, começou a fazer carícias sutis pelo braço de Quinn, segurou sua mão e entrelaçou os dedos, trazendo-a para si. “O que você está fazendo Rachel!”. A loira acordou e por um momento pensou que sonhava. Acariciou então os cabelos da morena, apertando ao mesmo tempo a mão que estava entrelaçada à dela. Palavras não se fizeram necessárias. Temia que se algo fosse dito pudesse assustar ou afastar Rachel, mas foi a morena quem falou:


R: Bom dia Q... [disse baixinho]

Q: Bom dia Rach... [sorriu]


Rachel olhou para cima e encarou Quinn. Nesse momento um barulho de conversa e porta se fechando foi ouvido do primeiro andar. Delicadamente a morena se afastou de Quinn. Foi o suficiente para a loira se lembrar da realidade. Ela estava presa àquela cama, enquanto os outros podiam andar por onde bem entendessem. Quis dormir de novo, pra sempre.

Então alguém abriu a porta.


B: Oi, Q! Oi Rachel! [abriu um sorriso de orelha a orelha]


Judy também entrou no quarto e Santana entrou logo atrás, de cara fechada e estranhando a presença de Rachel vestindo as roupas de Quinn e sentada ao seu lado na cama.

A loira deu um sorriso desanimado às duas.


Q: Mãe...

J: Oi Quinnie [sorriu]

Q: Eu preciso ir ao banheiro... [disse encabulada]


A mulher assentiu e carregou a filha, colocando-a na cadeira de rodas e levando-a pra dentro do banheiro, fechando a porta em seguida.

Assim que as duas sumiram Santana encarou Rachel com uma expressão intensa, como se fizesse força o suficiente só com o olhar pudesse ler a mente da morena.


B: A Q vai ficar bem, ela não é um robô que nem o Artie, eu sei que ela vai voltar a andar.


S: Ela vai... [disse sorrindo com a inocência da namorada] Como ela está Rachel?

R: Do mesmo jeito, triste, assustada, inconformada... [disse em tom desanimado]

S: A próxima vez em que ela mandar mensagem dirigindo eu já disse que faço questão de estar no volante o caminhão.


As três sentaram-se na cama de Quinn e começaram a conversar normalmente até que a loira voltou.


J: Vamos tomar café da manhã meninas?

S: Obrigada Judy, mas eu e a Britt já tomamos.

J: Rachel?

R: Eu vou... [levantou-se]


Quando iam saindo do quarto Santana falou:


S: Espera, Judy, eu posso conversar sozinha com Quinn antes?

J: Claro...

S: Amor, me espera lá em baixo [deu um beijo na bochecha de Brittany, que assentiu].


Ficaram apenas uma Quinn curiosa e Santana no quarto.


S: Fabray. O que está acontecendo aqui?

Q: Acontecendo o que? [disse sem entender] Do que você está falando?

S: Estou falando da visível tensão sexual entre você e a Berry.

Q: Não tem tensão nenhuma! [fingiu olhá-la assustada]


S: Não pense que você me engana. Você tentou impedir a hobbit de se casar. Até aí tudo bem, eu entendo. Quem em sã consciência se casaria com o Finn? Mas aí tem a reação dela quando soube do seu acidente. Eu nunca tinha a visto daquele jeito. Me ofereceu carona na hora para o maldito hospital em que te levaram, chorava, tremia. Deixou o Finn plantado lá sem saber o que fazer e está evitando ele desde então. Eu sei disso porque ele me ligou procurando por ela. No hospital ela foi a única que conseguiu conversar com você sem você atirar coisas na cabeça dela. Ela não saiu um único minuto da onde estava, desesperada, foi só em casa pra tomar banho, comer e dormir. O que me lembra que eu não sei em que momento da história vocês duas passaram a se entender tão bem assim. E pra coroar, eu chego aqui e ela está na sua cama. As duas com cara de sono e Judy esteve fora. Ou, seja, ela dormiu com você, aqui, nessa cama e não saiu uma droga de minuto do seu lado. Seus cabelos estão limpos. Em alguma hora ela teve que te ajudar a tomar banho. E vocês nem se olharam depois que eu e Britt entramos no quarto.


Quinn encarou Santana, atordoada.


S: Até que faz sentido. A vida inteira você perseguiu a Berry numa implicância doentia. Eu devia ter imaginado.


Então, sem aviso, a loira desabou em lágrimas.


S: Q? [disse preocupada] Você nunca contou isso pra ninguém, não é?

Q: Eu que me apaixonei por ela Santana! [sussurrou em meio ao choro] Não aconteceu nada aqui em casa... Eu sou patética não sou?

S: Não, você não é. [agachou-se ao lado de Quinn]

Q: Ela... Ama... O Finn! Eu nunca vou ter nada dela! [falou com dificuldade]

S: Você não sabe... Tinha algo diferente na expressão dela... E ela não se casou! Ela largou o casamento por você, ela está ignorando ele!

Q: É questão de tempo... Até ele conseguir pensar em algo romântico pra fazer por ela ou em alguma frase bonita do quanto ela é especial e ela volta correndo pra ele! Enquanto eu fico aqui... Esperando pra nada acontecer.

S: Enxuga essas lágrimas Quinn. Você vai dar um jeito. Vai pras malditas sessões de fisioterapia e vai lutar por ela. É a sua chance, ela está mais próxima de você do que nunca esteve. E eu tenho certeza de que ela sente alguma coisa. Você não pode desistir. Não me faça me arrepender por estar sendo legal com você.


Ouviram Brittany chamar lá de baixo, então saíram do quarto. Imediatamente Rachel levantou do sofá onde esperava Quinn e subiu as escadas, puxando-a para seu colo e falando para Santana carregar a cadeira. A latina exibia um sorriso de quem sabia das coisas ao ver esse gesto.


Q: Ficaria mais fácil se adaptassem a porcaria da casa pra mim [disse amarga]

R: Pra depois desfazerem tudo de novo?

Q: Essa sua mania de achar que é temporário me faz ter vontade de vomitar.


Nesse momento a latina passou ao lado de Quinn, parando apenas para cochichar ironicamente em seu ouvido para que só ela ouvisse:


S: Nossa Fabray, que gênio da conquista.


Rachel, que não se deixou abalar pelo comentário da loira foi conversar com Judy sobre quando Quinn começaria com a fisioterapia e quem iria acompanhá-la.

Depois de tomarem café da manhã com Judy reclamando que a loira não tinha comido quase nada Rachel disse que precisava voltar pra casa. Despediu-se de cada um, foi abraçada por Judy que agradecia tudo o que ela tinha feito e voltou ao quarto pra trocar de roupa, ao descer havia apenas Quinn na sala.


R: Onde elas foram?

Q: Na cozinha fazer café.


A morena aproximou-se e deixou um beijo carinhoso na testa de Quinn.


R: Me liga se precisar de alguma coisa e faça o favor de ir amanhã na aula.

Q: Eu não vou conseguir.

R: Apenas tente, eu vou estar lá. [disse acariciando o seu rosto]



Rachel chegou em casa e percebeu que seus pais não estavam lá, mas ao subir para seu quarto deu de cara com Finn sentado em sua cama, brincando com seu celular na mão.


F: Oi Rach. [disse sério] Eu encontrei seu celular... Estranho, sabe que ele estava em cima da sua cama? Você devia ter procurado melhor.

R: Finn! [assustou-se] O que você está fazendo aqui?

F: Atrás de você, é claro. O que está acontecendo Rachel?

R: Eu falei pra você que a gente ia conversar depois. Não está acontecendo nada. [dissimulou]

F: Foi por isso que você sequer se deu ao trabalho de olhar minhas mensagens, ou me ligar? Sou eu Rachel! Sou apenas eu! Por que você está me evitando? Por que o acidente da Quinn está te afetando tanto assim? É uma forma de escapar?

R: É claro que não! Que ideia idiota, eu não iria usar a desculpa do acidente de uma amiga nossa pra fugir de você!

F: Desde quando você e Quinn são amigas Rachel? Não seja estúpida, ela odeia você! [cuspiu as palavras]

R: Ela não me odeia!

F: Ela pode não odiar, mas tanto faz pra ela você existir ou não. Ela não se importa com ninguém além dela mesma. Ela é falsa, manipula as pessoas, tem uma vida vazia e...


Finn sentiu a dor do tapa na cara que levou de Rachel se espalhar pelo seu rosto e uma raiva crescer dentro de si mesmo.


R: Não se atreva a falar assim da Quinn! Você não a conhece. [apontou o dedo para o rapaz] Vida vazia é a sua, tanto que te faz tentar um casamento desesperado comigo por medo de não ter mais nada a que se agarrar!


Finn encarou Rachel com uma fúria gelada. Levantou-se, ficando vários centímetros mais alto que ela. Ela não se afastou.


F: É isso que você pensa?

R: É isso o que aconteceu Finn! Você é apenas um rapaz assustado, que não sabe o que fazer da vida. Quer ir pra Nova York comigo, mas não tem ideia do estará fazendo lá!

F: Eu quero ir pra Nova York porque eu amo você! [gritou] Porque a simples ideia de me ver afastado de você me machuca! Você disse que ia se casar comigo porque me amava. O que eu estou fazendo de errado? [dizia agoniado]

R: Finn. Eu estou indo pra Nova York porque é um sonho meu. Desde sempre. Eu não sou o seu sonho, nunca você se imaginou indo pra Nova York. Por mais que você me ame e queira ficar comigo você tem que se encontrar. Porque se não vai ser apenas eu em Nova York, realizando tudo o que eu sempre quis e você amargurado, sem saber o que fazer, querendo se encontrar. E eu não posso suportar isso. Eu gosto de você o suficiente pra querer ver você feliz. E você não será feliz desse jeito. Muito menos eu.

F: Você está terminando comigo? Assim? Depois de termos quase casado?


Rachel fechou os olhos, as lágrimas escorrendo, respirando fundo.


R: Eu nunca achei que chegaríamos a esse ponto. Nunca imaginei que alguém fosse gostar de mim a ponto de querer se casar ou morar comigo. Muito menos imaginei que um dia fosse querer me separar dessa pessoa. Então não pense que não está doendo em mim. Isso está acabando comigo. Mas eu não vou te prender, eu quero que você encontre algo que te preencha, que te faça feliz.

F: Você me faz feliz.

R: Finn...


Ele se aproximou, colando os seus lábios aos de Rachel. Beijando-a intensamente, como se pudesse fazê-la mudar de ideia. Ela retribuiu. Sem acreditar em tudo o que tinha tido coragem de dizer. Nunca se imaginou terminando com Finn. Mas então ela pensou em Quinn, em tudo o que tinha sentido desde o acidente, e até mesmo antes. Pensou na sensação de se sentir presa também. Enquanto ele a beijava e ela na verdade não queria aquilo, queria estar com Quinn, rindo com ela, conversando sobre NYADA e Yale. Lembrou-se de sua primeira vez com Finn, tinha se sentido feliz por ele a amar, mas sentiu também um vazio inexplicável que associou por ter sentido pena dele e por isso se precipitado. Lembrou-se da época em que esteve mais preocupada com Quinn, quando ela entrou nas Skank’s, sentindo medo de perdê-la. Sentiu a dor da garota quando ela quis Beth de volta e tentou convencê-la a não fazer besteira. Sentiu a sensação de ter Quinn dormindo tranquila abraçada a ela...


R: Finn... [disse tentando se separar do beijo].

F: Não faz isso comigo Rachel. [segurou-a]

R: Por favor... Eu preciso ficar sozinha. [conseguiu se afastar, ainda chorando].


Viu a dor nos olhos do rapaz quando ele saiu pela porta sem dizer mais nada.

Sentou-se na cama e chorou. Chorou por ter terminado com Finn, chorou por não saber o que se passava em seu coração. Ou talvez por saber e não querer admitir pra si mesma. Acabou dormindo novamente devido ao cansaço emocional. Acordou com seu celular tocando e acabou atendendo sem nem olhar quem era.


R: Alô?

Q: Rach?

R: Oi Quinn... [disse sorrindo]

Q: Aconteceu alguma coisa? Sua voz está esquisita...

R: Tá tudo bem... Como você está? [disse com um nó se formando em sua garganta]

Q: Eu conheço você Rachel, sei que não está tudo bem.

R: Eu... A gente pode conversar amanhã?

Q: Eu não vou amanhã na aula.

R: Por favor, Quinn, eu preciso de você...

Q: Eu não consigo. Eu não vou conseguir olhar pra cara de nenhuma daquelas pessoas...

R: Eu pensei que você não se incomodasse mais com o que os outros fossem achar de você.

Q: É diferente.

R: Não é.

Q: Eu tenho uma coisa pra te contar. [cortou o assunto]

R: O que?

Q: Eu surtei aqui em casa depois que você foi embora e depois conversei muito com a minha mãe. Eu vou entrar na fisioterapia essa semana.

R: Sério?que coisa boa Quinn! [disse sincera]

Q: Minha mãe queria que você fosse comigo nos dias em que ela não puder ir...

R: É claro que eu vou!

Q: Eu liguei pra te contar.

R: Então a gente vai poder comemorar essa decisão amanhã na aula?

Q: Não abuse do meu bom humor Rachel.


As duas riram.


Q: Eu vou ter que desligar agora... Mas antes queria te agradecer por tudo o que está fazendo por mim. Você está sendo incrível comigo. É mais do que eu mereço por tudo que já te fiz...

R: Passado Quinn, o que importa agora é que eu estou do seu lado e você vai ficar bem...

Q: Mesmo assim. Vou lá, beijo.

R: Beijo.


Rachel estava mais confusa do que nunca enquanto Quinn sabia que as coisas não seriam fáceis dali pra frente, mas já não se sentia tão mal... Tinha Rachel ao seu lado.

Notas finais
Vocês gostam de Karley? Tenho uma outra fic...
E aí? Gostaram desse capítulo?