Eu Cuidarei De Você.
19 Capítulo 19 - Audição
Notas iniciais
Q: Rachel, você sabe que isso é ridículo, não sabe? [disse irritada]
R: Não é ridículo, eu apenas estou me impedindo de entrar em contato com germes e bactérias que possam ser nocivas ao minha desempenho no palco.
Q: Você sabe que não deixa de entrar em contato com essas bactérias deixando de me beijar, não sabe?
R: Não, Quinn. Vamos apenas ficar abraçadas.
Já fazia uma hora que Rachel havia chegado na casa dos Fabray e se recusado a ter qualquer tipo de contato que não fosse um abraço com Quinn e devia fazer pelo menos uns 40 minutos que estavam discutindo o assunto. A morena já estava pronta para discursar novamente sobre esses pequenos seres maléficos que podiam arruinar a vida dela quando foi pega de surpresa por Quinn, que a puxou e a prendeu em um abraço de urso.
R: Quinn! [gritou com o susto]
Q: O que? Eu só estou abraçada com você.
A morena até ia dizer alguma coisa, mas não teve argumentos. Não favorecia nem um pouco estar naquela posição. Ela podia sentir a respiração quente da namorada, e o hálito que tanto a entorpecia... Seus olhos se perderam naquela íris dourada, naquele olhar que a fitava em adoração... Naquela boca! Quantas vezes ela havia sentido vontade de beijar a boca de Quinn? E quantas vezes aquela boca lhe trouxe sensações que não conseguia explicar? Quinn era perfeita, sempre fora perfeita. Enquanto divagava nesses assuntos sentiu as delicadas mãos da loira em seu próprio rosto. Ela beijou sua testa, sua bochecha, seu nariz e seguiu o caminho da linha de seu maxilar até a ponta de seu queixo. Beijou-a embaixo de seu lábio inferior e Rachel se sentiu uma idiota, porque não conseguia nem impedir que sua namorada a beijasse. Mas por que ela queria impedir que sua namorada a beijasse mesmo? Nem foi a loira que a beijou na verdade, ela mesma não aguentou a tortura lenta que os lábios de Quinn estavam impondo... Mal tinha começado o beijo e uma risada que parecia ter vindo do fundo do corpo de Quinn sacudia seu corpo. A loira gargalhava e ela parecia dividida entre apreciar o som daquela voz ou ficar com raiva da garota.
Q: Se eu soubesse que seria tão fácil teria te puxado antes! [disse, ainda rindo sem parar].
Definitivamente ela estava com raiva de Quinn, que levantou os braços em sua defesa, ainda com um ar inconfundível de riso na expressão:
Q: Eu não fiz nada!
R: Fez sim, você me provocou!
Quinn apoiou os cotovelos na cama, elevando-se um pouco e mordeu o lábio inferior de Rachel gentilmente.
Q: Mas quem beijou foi você... [sussurrou sobre seus lábios]
R: Você não me deu escolha... [disse, com os pensamentos já embaralhados novamente pela proximidade].
Quinn sorriu antes de beijá-la novamente. Não sabiam quanto tempo havia durado aquele beijo, nem as carícias sutis que se iniciaram depois...
Q: Rach... [disse entre os beijos]
R: Hm...
Q: Seu... Celular. Tá tocando...
R: Deixa tocar...
Mas o celular não parava de tocar e a morena sabia quem era. Pra ligar insistentemente desse jeito só podia ser o Kurt. Ela se levantou irritada para atender. Os lábios das duas estavam completamente inchados e avermelhados e a respiração alterada.
R: Kurt?
K: Barbra, eu tive uma ideia! Onde você está?
R: Na casa da Quinn.
K: Ah, você vai demorar pra ir pra casa?
R: Eu não sei, Kurt...
Q: O que foi?
R: O Kurt quer falar comigo.
Q: Chama ele pra vir pra cá...
R: Sério? Mas...
Q: Pode chamar Rach... A Santana e a Brittany estão vindo também...
K: O que foi?
R: A Quinn tá te chamando pra vir pra cá...
K: Eu não vou atrapalhar nada?
R: Não mais... [bufou]
Ela disse o endereço para Kurt, desligando a ligação e virou-se para Quinn.
R: Quando que você chamou elas pra vir pra cá que eu não me lembro?
Q: Na aula, e eu não chamei. A Santana apenas me comunicou que viria de tarde... [revirou os olhos]
R: Hm. Bom que eu posso me distrair e me manter afastada dos seus lábios.
Quinn começou a rir novamente e Rachel estava adorando esse novo humor de sua namorada, parecia que, finalmente, tinham se entendido.
Logo Kurt chegou e os dois engajaram numa conversa sobre o que cantariam na audição.
K: Eu queria fazer The music of the night, mas me pareceu uma escolha tão óbvia...
R: Kurt, não é hora pra arriscar, você tem que ir pelo óbvio, você canta essa música desde que você era criança!
K: Mas eu estava pensando em... [hesitou]
R: Em...
K: Not the boy next door. [soltou com um suspiro]
R: Não. Não. Você não pode cantar essa música de jeito nenhum!
K: Rachel...
Quinn estava deitada na cama com uma cara entediada. Olhava para a discussão e não sabia de quais músicas eles estavam falando, e nem qual era a mais apropriada para cantar numa hora dessas. Sua cabeça ia de um para outro como se estivesse assistindo uma partida de tênis. Queria que Santana já tivesse chegado, assim ela lhe faria companhia ao seu tédio, olhando a cena com uma cara pior do que a dela ou dando uma ataque a partindo para cima de Kurt e Rachel, para que calassem a boca ou começassem a falar sobre coisas que pessoas normais entendessem. A companhia de Brittany não seria ruim também, com certeza ela teria alguma história mirabolante pra contar ou estaria fazendo comentários aleatórios que a fariam rir.
Acabou cochilando, só acordou com Rachel chamando seu nome, perguntando se era iria à audição.
Q: Mas eu tenho fisioterapia nesse horário, não? [disse ainda confusa por ter acordado e se espreguiçando]
R: Ah, então você não vai me ver? [desanimou-se, mexendo nos cabelos dourados, bagunçando-os].
Nesse momento Santana e Brittany irromperam pela porta do quarto, trazendo nada menos que seis pizzas.
Q: Eu não sabia que o clube do coral inteiro estava vindo pra cá [disse irônica, arqueando uma sobrancelha].
S: Está reclamando Fabray? O que o Porcelana está fazendo aqui? Eu não vou ter que aguentar ele e a Berry discutindo sobre musicais né?
Quinn começou a rir enquanto Rachel lhe jogava um travesseiro e Santana bufava. Mas acabou que o resto da tarde se passou de forma tranquila, mesmo sob as ameaças da latina de cortar a cara de Rachel se ela mencionasse mais uma vez as palavras Barbra, musicais e Funny Girl.
Q: Como você está? [perguntou segurando a mão da diva horas depois, vendo que ela estava calada]
R: Estou bem... [ela se virou rapidamente, afirmando sem olhar nos olhos de Quinn].
Q: Não está nenhum pouco nervosa?
Rachel não respondeu. Quinn a puxou para um abraço, afagando suas costas e seus cabelos.
Q: Você sabe que é normal se sentir nervosa né?
R: Não pra mim. [disse firme]
Quinn arqueou a sobrancelha para ela.
R: Talvez um pouco... Tudo o que eu sempre quis depende disso.
Q: Você vai conseguir. É só você ser você mesma e nada pode te parar em cima de um palco. Nas últimas Regionals, você estava completamente fabulosa! Eu não conseguia tirar os olhos de você...
Rachel a encarou surpresa.
R: Tanta coisa mudou em tão pouco tempo... [abaixou o olhar, encabulada].
Q: Eu quero te mostrar uma coisa.
R: O que?
Q: Você vai ter que esperar todo mundo ir embora... [disse, beijando a ponta de seu nariz].
Rachel assentiu, dando-lhe um beijo terno nos lábios.
Q: Já está podendo me beijar? [arqueou a sobrancelha]
R: Você me faz esquecer que não posso. [sussurrou, beijando-a de novo].
S: Ei, casal! Sem beijos na minha frente, eu pretendo dormir quando chegar em casa!
Q: Você é adorável Santana [virou-se estreitando os olhos pra latina]
Quinn e Brittany observavam a interação de Rachel, Santana e Kurt e constataram surpresas que eles se davam estranhamente bem, embora tentassem esconder o afeto que sentiam um pelo outro, principalmente a latina. Teve um momento em que fizeram uma roda no chão e não paravam de rir, lembrando-se de coisas do clube do coral, principalmente quando Santana quis matar Rachel depois de perderem as Nationals.
Q: Nunca tive tanta dificuldade em segurar alguém na minha vida... [lembrou-se do episódio].
K: Eu não tive nem reação! Se você parar pra pensar foi engraçado... A Santana xingando em espanhol e a Rachel mais pálida do que essa parede, quase chorando [disse rindo].
R: Não foi engraçado. [fechou a cara]
S: Claro que foi Berry. E foi merecido. Não sei onde você estava com a cabeça ao beijar a orca no meio do palco. E não foi a primeira vez que eu já quis quebrar sua cara, mas devo admitir que você não está tão insuportável como antes...
Quinn se remexeu incomodada. Não gostava de se lembrar dessa cena.
B: A Rach não era insuportável, San.
S: Era.
K: Era.
A morena fez uma cara de indignação para os amigos.
S: Quinn? Morreu?
Q: Hm? [voltou a atenção que estava longe para a latina]
S: A Berry não era insuportável?
Q: Não, não era [respondeu vagamente].
Santana fez uma cara descrente.
Q: Eu não acho. [respondeu com mais firmeza]
Rachel se levantou com um sorriso para a namorada, sentando-se ao seu lado e lhe dando um beijo apaixonado. Kurt e Brittany sorriram para a cena, enquanto Santana pedia licença para ir ao banheiro vomitar.
Depois de um tempo todos foram para casa, restando apenas Rachel e Quinn. A loira olhava para a bagunça que estava a sua sala de estar com um suspiro. Ainda havia pizza o suficiente para ela sobreviver por um mês.
R: Eu estava me perguntando... Pra onde a Santana vai depois do McKinley?
Q: Acho que a treinadora Sylvester a colocou em um programa de líderes de torcida em Kentucky... [suspirou novamente] Sabe o pior?
R: O que?
Q: É que eu vou sentir falta dela. Ela vai ficar incrivelmente afastada!
R: É verdade [franziu o cenho]. E ela e a Britt?
Q: Eu estava pensando nisso também. Não sei como vai ficar o relacionamento delas. Eu não acho que a Brittany irá se formar. E também não acho que a Santana teria paciência para um relacionamento à distância. Ela ama a B. Eu sei que ama. Mas ela vai preferir deixá-la livre, do que fazer ela aguentar o mau humor dela à quilômetros de distância...
R: Você acha que a Santana vai fazer isso?
Q: Eu conheço a Santana. Ela vai morrer por causa disso, mas vai deixar a Brittany livre.
Rachel ficou em silêncio. Talvez porque não conseguisse se imaginar deixando Quinn livre. Não era questão de egoísmo... Ela amava a loira de uma maneira que não havia mais como deixá-la, como voltar atrás. É, talvez fosse um pouco egoísta. Mas se isso significasse que Quinn seria dela, não importava. Mas e se fosse a loira que terminasse com ela, ao vê-la deslumbrada pela Big Apple?
Q: Eu sei o que você está pensando. E queria te dizer que eu não sou a Santana.
Rachel sorriu, abraçando a loira e encolhendo-se nesse abraço o máximo que pôde. Ao ver que não era suficiente, sentou-se no colo dela.
Q: O que foi? [sorriu]
R: Eu quero sentir você perto...
Elas não disseram nada durantes vários minutos.
R: Onde está a sua mãe?
Q: Estava com dor de cabeça. Tomou remédio pra dormir e ficou no quarto.
R: Por que você não disse antes? A gente quase colocou a casa a baixo!
Q: Ela deve estar apagada... O remédio que ela toma pra crise de enxaqueca é muito forte...
R: Hmm... E aquilo que você queria me mostrar?
Q: Eu estava esperando a sua curiosidade ter se manifestado antes... Já estava pensando que não ia tocar nesse assunto.
R: Eu não paro de pensar nele desde que você me falou [começou a rir]. Só não queria parecer desesperada.
A loira balançou a cabeça dizendo para a morena pegar seu notebook no quarto. Ela voltou, deixando-o no colo da loira enquanto sentava no sofá ao seu lado. Seu coração parou ao ver o que Quinn queria lhe mostrar. Era uma coletânea de vídeos que ela tinha postado no MySpace. Pelo o que lembrava já tinha excluído aquela conta há muito tempo, devido aos comentários nada gentis das cheerios em seus vídeos. A loira tinha cada música, de cada musical que ela cantara: Wicked, Chicago, Evita, Les Mis... e também tinha um vídeo dela cantando Don’t rain on my parade... E ela estava tão diferente! Era tão nova... Tinha acabado de entrar no McKinley... Naquela época sequer sonhava que um dia teria um amor de verdade e que ele seria aquela linda loira ao seu lado. Virou-se para olhar Quinn, com os olhos marejados e viu que a loira também estava com os olhos cheios d’água olhando para suas performances sem nem sequer piscar.
Q: Eu já assisti esses vídeos tantas vezes que eu perdi a conta, você está linda! Em todos eles [disse com a voz embargada]
Era verdade então, mesmo que Rachel não duvidasse. A loira sempre gostara dela. Como não chorar? Como não se emocionar com Quinn?
Q: Você é uma estrela, Rach! A mais brilhante, não existe ninguém como você... [disse deixando uma lágrima escorrer pelo canto dos olhos] Me desculpe por admitir isso um pouco tarde...
Rachel fechou o notebook, colocando-o no sofá e sentando-se no colo da loira e envolvendo-a num abraço apertado. Sentiu seu próprio corpo sacudir enquanto começava a chorar de verdade. Ela chorava pelas palavras de Quinn, por saudade, pelas lembranças que estava tendo e por ser Quinn a proporcioná-las. Enquanto ela perdia tempo com Finn, Jesse e Puck a loira estava lá, alimentando um sentimento que não conhecia por ela. Ou conhecia e procurava esconder da pior forma. Ela ficou um bom tempo chorando e sentindo as carícias da loira. O choro cessou e ela continuou lá, abraçada a pessoa mais surpreendente que já tinha conhecido.
R: Obrigada... Por tudo! [disse baixinho, beijando o colo da loira] Eu tenho que ir... Tenho que dormir cedo hoje... Tudo bem?
Q: Claro. [deu um sorriso suave] Me leva lá em cima?
R: Levo...
A morena carregou Quinn no colo até a sua cama. Deitou-a delicadamente e trocou suas roupas por pijamas. Dava beijos inocentes na pele pálida enquanto a despia. Não tinha nada de sugestivo nesse gesto, era puro carinho e amor.
R: Eu amo você. [disse sobre os lábios da loira antes de beijá-los]
Q: Até amanhã, meu amor... [correspondeu ao beijo] Eu te amo... [disse baixinho enquanto via a morena deixando o quarto]
Quinn estava se encaminhando para o auditório. Sabia que tinha desejado uma boa audição para Rachel fazia algumas horas, mas não conseguiu ir à fisioterapia, ela tinha que ver como a sua morena se sairia. Ela rolou a cadeira de rodas até a única entrada que tinha para ela, que dava diretamente no palco e ficou escondida na lateral, pelas cortinas e baixa iluminação. Viu uma mulher de expressão severa sentada nas poltronas ao lado do Sr. Schuester, que estava visivelmente nervoso. Viu quando Kurt saiu, respirando fundo antes de pisar no palco e se atrapalhando ao falar com a tal mulher. Pelo menos era o que ela achava de início, pois o que o garoto falava logo se mostrou uma fala ensaiada onde ele explicava que tinha mudado a música que planejara cantar anteriormente. Devia ser sobre isso que eles estavam conversando quando Kurt disse que queria cantar outra música... Gostou da performance dele e escutou tudo o que a mulher falara sobre ela, sentindo-se feliz que ela tinha aprovado. Rachel teria companhia garantida em Nova York pelo menos.
Parou de divagar sobre o assunto no momento em que a morena entrou em seu campo de visão. Ela parecia confiante e os olhos de Quinn não se desgrudavam nem por um segundo. Um sorriso involuntário formou-se em seus lábios ao ouvi-la falar sobre a música que iria cantar. A introdução da música começou e logo a voz da morena preencheu seu ouvido, fazendo-a fechar os olhos parar apreciar melhor... Mas então a voz parou, assim como o seu coração ao perceber que Rachel havia errado a letra da música. Ela olhou para a morena e viu o nervosismo em sua face, ela também não conseguia acreditar que tinha errado a letra. Pediu uma segunda chance e a banda recomeçou a música e... Ela travou. Quinn sentiu uma enorme dor em seu peito ao vê-la pedir mais uma chance e ao ouvir a resposta da avaliadora para ela. A mulher saía do auditório enquanto Rachel se deixou cair no chão, chorando. Quinn paralisou. Viu Kurt tentar consolar a morena, assim como Sr. Schuester, mas ela enxotou os dois, dizendo que queria ficar sozinha. As luzes do auditório quase se apagaram por completo, ficando apenas a meia luz atrás do palco. Quinn finalmente saía de seu transe, percebendo o que acabara de acontecer. Sem hesitação ela deslizou para o lado de Rachel, colocando uma mão em suas costas. A morena se assustou com o toque e mais ainda ao ver quem era. Ela não pediu para Quinn ir embora, tampouco disse alguma coisa. Apenas se levantou e se encolheu como tantas outras vezes no colo da loira, deixando-se chorar. Ela soluçava e apertava com força a frente da blusa de Quinn, puxando-a para si. A loira dava beijos em sua testa e no topo de sua cabeça, acariciando o braço e a cintura morena, agoniada ao ver quanta dor ela sentia. O tempo passava e Quinn foi sentindo Rachel se acalmar até entrar em um estado de letargia, onde continuava sem falar e olhava para o nada, sem expressar reação nenhuma. Com cuidado para não mexer muito nela Quinn colocou uma mão no bolso de trás da calça, pegando seu celular e discando um número.
Q: Eu preciso de você.
Pelo tom de Quinn, a latina percebeu que não era hora para brincadeiras.
S: Onde você está?
Q: No auditório do colégio. Vem de carro, por favor, e rápido.
S: Em dez minutos estou aí.
Quinn esperava que Rachel fizesse alguma objeção à presença de Santana, mas ela continuou calada. A latina chegou em menos de dez minutos, com uma expressão preocupada. Ela sabia da audição de Rachel, e ao ver aquela cena, pareceu entender. Encostou no ombro de Quinn, que assentiu com a cabeça e se movimentou para olhar para Rachel. A morena não dava sinais de quem queria se mexer, então a latina guiou as duas para fora dali até o seu carro.
Q: Entra no carro, meu amor... [pediu no ouvido da morena]
Ela se levantou e entrou no banco de trás.
Q: San, me leva pro chalé…
A ideia ocorrera a Quinn do nada. Acontece que ela tinha um lugar para ficar sozinha com Rachel. Mas tinha tanto tempo que não visitava o chalé dos Fabray que se esquecera. Ainda tinha uma chave dele, junto com as chaves de casa. Sabia também que sua mãe pagava para que alguém arrumasse o local uma vez por mês então não devia estar tão empoeirado. Devia ter comida também, já que o caseiro, que era um conhecido da família de muitos anos morava lá.
S: Eu não me lembro muito bem aonde fica Q...
Q: Acho que eu nem eu, mas a gente tenta encontrar.
Santana assentiu, carregando Quinn no colo e colocando-a no banco de trás, para logo depois guardar a cadeira no porta malas. A loira olhou para o lado e viu Rachel encarando os próprios joelhos enquanto abraçava a si mesma. Quieta. Quieta demais... Ela puxou a morena para si, o que não alterou em sua posição, a não ser no fato de que a tinha encostada em seu corpo. Enquanto ela e Santana tentavam achar o caminho, Quinn mandou uma mensagem para sua mãe, dizendo que não ia dormir em casa, mas que ela não se preocupasse, pois ia estar com Rachel. Sua mãe não fez nenhuma objeção. Quinn às vezes sentia falta disso. Mas desde que se “revoltou” sua mãe não tentava impedir nada do que ela fazia. Bom, ela não podia reclamar nesse momento que sua mãe não a tratasse como antes. E mesmo que ela fizesse isso, nada a impediria de ficar com Rachel aquele dia. Depois de mais ou menos uma hora, três retornos e um caminho sem saída elas acharam o chalé. Santana assobiou.
S: Ter dinheiro é outra coisa...
Quinn apenas suspirou. Nunca ligou para dinheiro nenhum, mesmo antes de ser expulsa de casa. Ao contrário de seu pai, que sempre achara que dinheiro fosse tudo.
S: Como que a gente vai abrir o portão?
Q: É só chamar o Joshua... [disse indicando a pequena casa perto do portão]
S: Ok.
Santana desceu do carro e chamou pelo caseiro que parecia meio desconfiado, mas ao ver Quinn abriu um sorriso e as deixou entrar.
J: Quanto tempo, minha pequena Fabray...
Q: Eu já estou grande J, e você nunca para de me chamar assim... [arqueou a sobrancelha sorrindo]
J: A última lembrança sua que eu tenho é de você com suas amigas, em um vestido e o cabelo comprido, muito diferente de quando você corria por aqui, com um elefante de pelúcia na mão e rolava na grama, para o desespero de sua mãe [Santana esboçou um sorriso enquanto Quinn se avermelhava de vergonha]... Quer ajuda com a cadeira? Sua mãe me contou o que houve... [disse meio sem jeito]
Q: Está no porta malas J.
Santana saiu do carro, puxando Quinn para o próprio colo, enquanto o caseiro retirava a cadeira lá de dentro. Ela colocou Quinn na cadeira e ao se virar, viu que Rachel havia saído do carro também e estava com uma cara confusa.
J: Essas duas eu não conheço...
Q: Conhece a Santana... Ela estava aqui quando vim pela última vez... E essa é a Rachel.
Ao ouvir seu nome a morena levantou o olhar, fixando-o em Quinn.
J: Vocês deram sorte, fizeram uma faxina geral ontem. Querem que eu prepare um café pra vocês meninas?
S: Na verdade não, eu só vim trazer a Q e a Rach...
Era impressionante como Santana camuflava a pessoa que ela realmente era. Era nessas horas que Quinn podia ver que ela não era tão agressiva assim. Em que mundo ela chamaria a Rachel de Rach?
Q: E eu queria realmente um pouco de privacidade J. Se eu precisar, eu te chamo...
J: Sim, senhora...
Q: Quinn, pequena Fabray, Q, mas senhora não, por favor! [sorriu]
J: Com licença pequena Fabray. [disse virando-se para a casinha com uma pequena reverência, fazendo Quinn revirar os olhos].
S: Bom, já que você já está bem instalada e com um mordomo à sua disposição... [virou-se para entrar no carro].
Santana parou de andar e parecia estar considerando alguma coisa, então deu meia volta para sussurrar no ouvido de Quinn:
S: Qualquer coisa me liga. Aliás, me ligue em breve para me informar como a hobbit está. E faça escondido, por favor, não quero que ela saiba que eu me preocupo.
Quinn começou a rir, antes de falar para a latina que a amava. Parecia demais para o dia ela dizer que a amava de volta, então se virou e entrou de vez no carro, dando ré e sumindo pela rua de pedras que levava ao chalé. Joshua fechou o portão e entrou novamente na casa. Quinn olhou para Rachel, que até o momento tinha os olhos fixos nela e quando o dourado refletiu no chocolate ela desviou o olhar para o chão.
R: Por que você me trouxe aqui? [ela finalmente falou, com a voz frágil e falha].
Q: Porque eu conheço você. [disse simplesmente]
A morena lhe lançou um olhar de indagação que não foi respondido.
Q: Me leva lá pra dentro?
Rachel caminhou até ela, guiando-a para o suntuoso chalé de madeira. Pôde ver que atrás dele tinha uma piscina. Pegou a chave que Quinn lhe entregou e abriu a porta. O local era aconchegante e espaçoso e ela não pôde evitar sentir uma sensação familiar, de estar em casa. Ainda mais estando sozinha com Quinn ali.
R: Eu ainda não entendi... [disse olhando em volta]
Q: Você não iria querer encontrar ninguém. Muito menos chegar em casa e ver seus pais, então eu tomei a liberdade de te sequestrar por dois dias. Eu sei que agora você quer fugir do mundo, mas eu queria ficar com você.
A morena olhou para baixo, sentindo os olhos queimarem novamente. Ela não queria ver ninguém, é verdade, mas é claro que ela nunca ia querer a loira afastada, por pior que estivesse. Ela queria Quinn por perto.
R: Acabou, Quinn. [sentiu as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto] Era a minha chance e eu deixei escapar.
Q: Não acabou, você pode tentar de novo...
R: E perder um ano?! [exaltou-se] Todo mundo vai para algum lugar e eu vou ficar em Lima! Mais longe ainda de você!
Q: Rach... Você foi espetacular no início daquela música...
R: Mas eu errei! Eu errei uma música que cantei a minha vida inteira! Eu fracassei, eu sou uma fracassada! [soluçava]
Q: Mas é claro que não! Rachel, você é brilhante, a pessoa mais talentosa que eu conheço... Eu disse quando me declarei pra você que você era a pequena estrela de Lima... De forma alguma você é pequena! Você é maior que esta cidade, maior do que aquela mulher, maior que Nova York, nada pode te parar ou te impedir de conquistar tudo o que você quer! Todo mundo erra, não é o fim do mundo! Eu vou para New Haven e você vai pra Nova York um ano depois...
A morena lhe lançou um olhar repleto de dor.
Q: Meu amor...
R: Eu não quero falar mais sobre isso... A gente pode só... Não falar? [falava com a frase cortada pelo choro]
Q: O que você quer fazer? [perguntou carinhosa]
R: Me desligar, de tudo... [disse cansada]
Q: Me leva pro quarto no último andar então?
Rachel subiu as escadas com Quinn em seu colo. A escada levava por último a um quarto espaçoso, que deveria ter sido um tipo de sótão. Dava para ver as vigas de madeira do telhado e havia uma cama de casal em frente a única janela do cômodo. A morena deitou Quinn na cama e tirou seus sapatos e a calça que ela pediu, para depois se despir da mesma forma e se deitar com ela, aconchegando-se em seu corpo. Quinn acariciava seus cabelos enquanto escurecia o dia lá fora. Tinha a impressão de que Rachel chorava baixinho, mas não podia ter certeza, estava com tanto sono que adormeceu.
Acordou no meio da madrugada e Rachel não estava mais abraçada com ela. A morena estava de lado e aparentava dormir profundamente. Quinn olhou para aquele rosto e se deu conta de que nunca tinha visto nada tão lindo... Amava cada parte da morena, o nariz, as bochechas, os olhos, os lábios grossos, o tom de sua pele. O sorriso de Rachel a deixava sem fôlego... Amava aquela garota e parecia tão surreal tê-la para si. Esticou o braço e tocou seu rosto, para então perceber que ela não dormia.
Q: Eu te acordei? [perguntou rouca de sono]
R: Não. Eu não dormi.
Q: Meu amor, você precisa dormir...
R: Eu não consigo.
Q: Quer conversar?
A morena suspirou.
R: Não...
Quinn voltou a puxá-la para si e ficaram assim, acordadas e abraçadas...
R: Logo quando descobrimos um lugar só pra gente não acontece nada... Me desculpa...
Q: Ei, eu não te trouxe aqui pra isso. Eu te trouxe aqui pra cuidar de você. Se você quiser a gente pode ficar esses dois dias abraçadas nessa cama. Eu não vou me importar em fazer mais nada...
Rachel se agarrou mais ainda a Quinn, tentando esquecer tudo o que acontecera. Por mais que tentasse, não conseguia dormir. A loira era a única coisa a que se agarrava em todos os sentidos naquele momento. Sabia que Kurt e seus pais não paravam de ligar pra saber onde ela estava, tinha desligado o celular ainda no carro. Mas tudo o que ela queria era esquecer...
Notas finais
Ainda estou tentando concluir o próximo cap da outra fic, pra quem acompanha :D
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