Eu Cuidarei De Você.
1 Capítulo 1 - O acidente
Notas iniciais
Ela ouvira direito? Quinn Fabray sofrera um acidente de carro? Como? Onde? Rachel não tinha mais consciência da onde estava e nem o que estava fazendo. Santana conversava no celular de forma agitada, provavelmente com a mãe de Quinn. Uma coisa dessas não podia acontecer, não com Quinn, ela se recusava a acreditar. Todos estavam tensos, a latina chorava. Rachel sentiu seus joelhos cederem, então ela se sentou atordoada. Finn na mesma hora sentou-se ao seu lado.
F: Você está bem? [perguntava, também assustado].
Como um balde de água fria uma coisa chamada realidade caiu sobre Rachel, e ela não poderia fazer menos sentido. O que ela estava fazendo ali, ao lado de Finn? Prestes a se casar com ele? Lembranças do dia anterior, que parecia tão distante agora, invadiam sua mente:
Q: Você não pode se casar com ele! Eu me recuso a apoiar a maior burrada de sua vida! [Quinn praticamente cuspia as palavras]
R: Isso não é você quem decide! Eu vou me casar e é um problema seu que não queira apoiar! [devolvia no mesmo tom] Eu queria muito você do meu lado, mas se é assim que você vai me julgar...
Q: Qual o motivo disso Rachel? [cortou a fala da morena] Dessa palhaçada toda?
R: ELE ME AMA! É a única pessoa que se esforça por mim!
Q: Você o ama Rachel? [desafiou, com uma sobrancelha levantada].
R: Eu gosto muito dele!
Q: Mas você não o ama. E é jovem demais, tem a vida inteira pela frente, eu não vejo motivo pra essa decisão estúpida de se casar agora!
R: Quem mais na minha vida vai gostar de mim como ele gosta? [começava a chorar] Ninguém, Quinn! As pessoas se cansam de mim, eu não sou bonita ou popular, eu não sou como você! E o Finn é o único que enxerga quem eu sou além disso!
Q: Isso não é verdade!
Quinn segurou o meu braço, furiosa, seu nariz a centímetros do meu. E eu senti mais uma vez as sensações tão familiares que sempre sentia quando ela me tocava ou quando estava muito perto de mim. Meu estômago revirava, meu coração parecia querer saltar do peito. Eu suava frio de nervoso. E me odiava por me sentir assim. Mas ela era Quinn Fabray, devia ser normal sentir essas coisas ao seu lado, não? Sabia que não. Por um momento de loucura, Rachel achou que seus rostos estavam se aproximando. A expressão lívida de raiva da loira se suavizou. E ela olhava... Para os meus lábios? Nossos olhos se encontraram. Como eu queria beijá-la! A lucidez voltou e eu balancei a cabeça, me soltei de seu braço e me afastei, virando de costas, respirando fundo, as mãos na cintura.
R: O que você quer dizer com isso?
Q: O óbvio e que você é burra demais pra perceber. Finn não percebe nem um décimo do que você é!
R: E quem percebe?
Q: Eu não vou responder a essa pergunta, se você é cega demais pra ver, eu não vou te mostrar o que está na sua cara! [virou para sair] Seja feliz.
E Quinn Fabray saiu pela porta deixando uma Rachel Berry completamente confusa.
E ali estava ela, se dando conta dos seus erros. Do erro que ia acabar de cometer. Santana desligou o telefone aos prantos e se abraçou com Brittany, dizendo o hospital onde Quinn estava e que iriam imediatamente pra lá. Finn ainda me encarava esperando uma resposta. Foi então que eu me levantei.
R: Eu vou também [minha voz saiu extremamente trêmula], Santana, eu levo vocês no carro dos meus pais.
Os Berry e Santana assentiram na hora, tamanha era a desolação do momento. Finn se levantou, querendo ir também. Eu murmurei algo sobre não ter espaço no carro e saí apressada dali, pouco me importando com o mundo ao meu redor. Só o que eu sentia era dor, falta de ar. No carro comecei a tremer intensamente. Brittany me abraçou, dizendo que ficaria tudo bem. Santana apenas olhava para o nada. Chegando ao hospital, encontramos a mãe de Quinn, chorando muito. Meu coração parecia que ia se desfazer em mil pedaços. Qual era a situação de Quinn? Não podia ter sido grave, não podia, não podia... Esse pensamento se repetia na minha cabeça como se o fato de idealizá-lo pudesse torná-lo real. Santana e Brittany conversavam com Judy, as lágrimas escorrendo. Quando elas vieram até mim eu estava sem forças pra perguntar qualquer coisa, mas a latina falou:
S: A... Q... Quinn, ela está numa cirurgia agora. O acidente foi grave, um caminhão bateu no carro dela e ela corre o risco de, se sobreviver, não pode andar novamente.
A cada palavra Rachel sentia uma pontada de dor. Naquele momento o mundo pareceu desabar. A única coisa que ainda a impedia de cair de vez era a esperança de que tudo ficasse bem. Cada célula de seu corpo doía. Como assim se ela sobrevivesse?
R: Ela não pode morrer Santana! [finalmente comecei a chorar] Não pode!
S: Eu sei! [me abraçou chorando também]
Naquele momento chegaram ao hospital Sr. Schuester, Finn, Mercedes, Kurt, Sam e Puck. Eu não queria encarar ninguém, muito menos Finn; então me encolhi mais ainda naquele abraço, onde Brittany também se juntou. Sentamos nos bancos de espera, uma do lado da outra. Finn agachou-se na minha frente e segurou minha mão. O olhar dele estava perdido. Não dissemos nada, apenas ficávamos parados. Horas se passaram. Ele tentou me convencer a ir pra casa, mas eu não quis sair dali. Aos poucos, um a um foram indo embora, restando apenas eu, Santana, Judy e Brittany. Finn tinha pegado uma carona com os meus pais e prometeu voltar depois. Eu não mexi um centímetro da onde estava. Apenas esperava... O que mais eu poderia fazer afinal? Meu lugar era ali. Nenhum outro fazia sentido. Um médico aproximou-se de Judy e a nossa respiração parou:
Médico: Srta, eu sou o Dr. Tyler, médico-cirurgião de traumas responsável por sua filha.
J: Como está a Quinnie?
Dr. Tyler: Foi uma cirurgia desgastante devido ao acidente, ela ainda está em um estado delicado. Seu corpo sofreu sérios traumas e o que mais nos preocupa é a coluna, ela ainda corre um risco muito grande de não voltar a andar. Mas o que temos que focar agora é em deixá-la viva. Se ela passar por outra cirurgia agora seu corpo pode não aguentar, mas se ela não passar por isso com certeza ele não irá aguentar. Eu vou mantê-la informada de seu estado através de uma enfermeira.
Judy olhava para o nada, a vida sumindo de seus olhos também. O cirurgião saiu apressado para a cirurgia. Foram horas agonizantes. O coração de Rachel parecia esmagado, pisoteado, atropelado. Uma enfermeira aparecia de hora em hora, mas o estado de Quinn não parecia mudar, ela teve inclusive uma parada cardíaca. Dr. Tyler apareceu cansado horas depois.
Eu pensei em tudo que passei do lado da loira, os insultos, as brigas, os apelidos maldosos, o choro, o começo de uma amizade, o carinho... Foram anos intensos para nós duas. Sempre estivemos nos extremos, ou nos odiávamos, ou nos amávamos. E nos últimos tempos viramos grandes amigas. Ela se tornou uma amiga mais que especial para mim.
T: Conseguimos reverter o estado dela e estamos impressionados. Ela é uma garota realmente forte! [disse com um sorriso cansado] Mas ainda está em observação. Infelizmente as chances de voltar a andar são muito poucas. Ela estará sob o efeito de sedativos até amanhã, para termos certeza de seu estado. Por enquanto, o pior já passou.
Alívio e dor eram as sensações de todos ali.
J: Eu posso ver a minha filha? Os ferimentos são graves?
T: Felizmente os ferimentos em sua pele foram muito superficiais, o problema foi o impacto em sua coluna. Você pode vê-la, estamos transferindo-a para um quarto.
Rachel não sabia o que pensar sobre aquilo tudo. É claro que sentia um alívio imenso ao saber que ela continuaria viva. Mas as palavras não faziam sentido em sua cabeça. De alguma forma insana ela se sentia culpada pelo o que aconteceu. Como se pudesse ter evitado. Judy voltou um tempo depois, dizendo que só parentes poderiam visitá-la agora e que era melhor voltarem para casa e relaxarem porque ela só acordaria amanhã. Santana se recusou arredar o pé até que Judy a tranquilizasse dizendo que o pior já tinha passado mesmo e Quinn não corria mais risco de vida. As três pegaram um táxi, combinando o horário de se encontrarem no dia seguinte. Quando Rachel saiu do hospital começou a fazer tudo no automático. Tomar banho e comer parecia uma formalidade sem sentido. Tirou aquele estúpido vestido para o casamento e entrou embaixo da água fria e lá se permitiu chorar novamente. Quinn podia ter morrido e a ideia de perder a loira a fazia estremecer, perder a razão. Desceu para comer alguma coisa e seus pais lhe fizeram companhia, consolando-a pela amiga. Tudo o que Rachel queria naquele momento era dormir, esquecer, relaxar depois de um dia tão tenso. Adormeceu rapidamente quando se deitou. Sentia um sono pesado, ocasionado pela intensidade do que sentia, pelo cansaço emocional. O amanhã seria longo...
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