Eu Consigo Te Enxergar
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Francis aparecia com a cara mais assustadora que Matthew já tinha testemunhado, e aquilo só fez aumentar mais ainda a curiosidade que ele tinha do por que dele está expressando aquilo. E ao contrário de Matthew, Vash sabia perfeitamente o do porque daquilo tudo, e então ele foi logo esclarecendo as coisas.
–- Não estou roubando ele de ninguém. Eu só estou aqui procurando o Gilbert.
–- Você não precisa ficar tão perto dele para procurar o Gil. SE AFASTE!
E não podendo discutir muito, Vash simplesmente obedeceu, fazendo com que Francis testemunhasse o rosto em lágrimas de Matthew. A sua expressão assustadora e fria se desfez ao olhar aquilo. Seu doce Matthew estava chorando, e ele não sabia por quê! O que estava acontecendo? Ele não queria vê-lo assim nunca mais.
Ele logo se pôs a correr em direção ao menor para abraça-lo, ignorando totalmente a presença de Vash.
–- Então vocês dois são realmente um casal, não é? Se não fossem, as coisas poderiam piorar...
–- Como assim? – perguntou Francis enquanto abraçava Matthew.
–- Se quiser eu posso contar a resposta, mas eu deveria falar com Gilbert a respeito disso antes.
Francis encarava aquele ser com expressão séria e a cada segundo não gostava cada vez mais dele. Mas pelo visto, ele ansiava falar com o albino. Entretanto, Gilbert surtaria se o visse. Ele só tinha opções ruins, e não gostava de nenhum caminho que as duas pudessem levar.
Logo ele sentiu um par de braços o apertando. Eram braços que ele já conhecia, que ele adorava. Matthew se enterrava no peito dele, e ele logo se lembrou do rosto cheio de lágrimas do menor. Ele só queria ter chegado mais cedo para ficar ao lado dele.
“Vou cuidar de você primeiro... Você é o mais importante...”
–-- X ---
Mesmo tendo milhões de canais na televisão, Arthur estava preocupado demais para se distrair com aquilo. Ao que parece, ele ainda não se sentia tão confortável com a situação. Mas o que não saía mais da sua cabeça era o que Alfred havia lhe dito.
“Aquele idiota... Como ele fala uma coisa dessas??”
Ele ficava mudando tanto de canal quanto de posição enquanto estava sentado no sofá. Aquela cena se repetia várias e várias vezes em sua cabeça. Ele tentava evitar isso para poder saber lidar melhor com a situação, mas tudo parecia ser em vão. Ele precisava descansar. Já que Matthew iria fazer o jantar, ele poderia tirar o resto da tarde para dormir. Talvez isso lhe fizesse bem.
“Um bom sono deve me fazer esquecer disso.”
–-- X ---
“Arthur lia pacientemente o que aquele pedaço de papel continha. E a cada linha, seus olhos iam ficando cada vez mais úmidos. Aquilo só poderia ser mentira! Depois de tantos anos morando naquele lugar, onde estava tão acostumado a chamar aquelas pessoas de “pai e mãe” e descobri que nunca tivera, nem ao menos, algum parentesco com eles era de doer o coração.
–- Por que eles nunca me falaram?? – ele queria a todo custo, rasgar aquela folha e fingir que nada existiu.
Droga! Como ele lidaria com a situação a partir daí? Com certeza ele não poderia perguntar para ambos sobre o documento, afinal, ele tinha bisbilhotado a caixa e o encontrado. E se eles tinham guardado tão escondido, era porque não queriam que ele soubesse de nada.
~Após três dias ~
O jovem Arthur estava jogado em cima de sua cama, ainda com tudo aquilo na cabeça. Ele passou todo esse tempo refletindo se ele ser adotado era ruim ou não. Mas mesmo assim, era duro de se lembrar que os pais tinham mentido isso para ele.
–- Se tivessem me contado desde cedo, eu não estaria assim hoje...
–- Assim como? – Alfred chegou totalmente sorridente no quarto.
–- A-Ah!? Nada.
–- Nada?? Mas você estava reclamando de alguma coisa ainda agora!
–- Já disse que não é nada. Me deixe em paz! – Arthur estava muito irritado e se virou para o lado oposto em que Alfred estava.
–- Seu chato! Eu só queria ajudar. – Alfred fez bico e saiu do quarto.
Será que ele aguentaria ficar sabendo disso para sempre? Talvez dividir isso com alguém reduziria essa agonia que ele estava tendo. Mas para quem ele iria contar? Afinal, a única pessoa que saberia lidar com a situação deveria ser ele!
–- Para quem eu conto isso?? – Arthur estava pensando nisso até Alfred passar mais uma vez no quarto à procura de uma camiseta. – Será que ele me ouviria...?
~Mais tarde no mesmo dia~
Alfred estava enfurnado no quarto jogando vídeo game, e nem ouviu Arthur abrindo a porta. Ele só foi notar a presença do mais velho quando este se sentou ao seu lado e começou a chama-lo de idiota.
–- Eu não faço nada e você já vem com grosseria? – Alfred soltava umas caretas para o irmão mais velho.
–- Quieto! Eu preciso falar sobre uma coisa... – Arthur abaixou a cabeça e a tonalidade de sua voz mudou.
–- Sobre o que?
–- Bem... Eu não aguentava saber disso sozinho... então eu pensei que deveria falar com alguém... mas eu não poderia falar com nossos pais.
–- É sobre o que? Fala logo.
–- Sobre isso! – Arthur mostrou o documento para Alfred, fazendo com que ele lesse com cuidado cada palavra – Eu não sei o que fazer... Me ajude...
Alfred encarava aquele pedaço de papel, mas não conseguia dizer realmente mais nada depois de ler. Aquilo parecia surreal demais. Ele só encarava o papel e depois Arthur, sem mudar esses gestos por algum tempo. Isso deixou Arthur um pouco irritado. Por que Alfred permanecia calado num momento desses? Ele vivia falando sem parar em horas inoportunas, mas naquela hora ele resolvia se calar? Como assim?
–- Ei, Alfred!! Diga alguma coisa!
–- Eu...
–- Eu o que??
–- Eu te amo...
–- Ah??
–- Eu te amo, Arthur.
–- O que você está dizendo, seu idiota?
–- Eu te amo!
Arthur só conseguiu encarar Alfred por alguns segundos logo após essa frase, porque depois, Alfred já se encontrava jogado em cima dele quase chorando. Ele não compreendia mais nada. Que palavras foram aquelas? Por que ele estava chorando?
Ele tentava sair de baixo dele, mas era impossível! Então ele começou a apelar para as ofensas, mas o mais novo parecia não ligar para aquilo tudo. Ele pode sentir algumas lágrimas caindo em seu rosto. Nunca tinha visto Alfred chorar daquele jeito... mas ele estava sorrindo!
–- Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. – Alfred não cansava de dizer isso e ficou abraçando Arthur – Eu não acredito que finalmente eu posso dizer que eu te amo!
–- Alfred! Saia de cima de mim! Você é pesado! E que negócio é esse de 'eu te amo'?
–- Você quer mesmo saber? – Alfred voltou a encarar Arthur.
–- Só saia de cima de mim, por favor...
–- Já vou sair... só me deixe fazer isso...
–- O que---!!!!
Alfred havia se aproximado tanto do rosto de Arthur a ponto de beijá-lo. Ele pode sentir os macios lábios de Alfred tocando os seus. Mas como assim? Por que ele estava o beijando? Ele pode sentir a língua de Alfred lamber seus lábios, ele realmente estava falando sério! Ele poderia ter feito tudo para Pará-lo, mas ele não conseguiu entender como pode permitir que a sua boca abrisse para que Alfred conseguisse o que queria.
Logo depois que o beijo dos dois terminou, Alfred saiu de cima de Arthur, e o ajudou a levantar. Ele parecia tão feliz... Mas por que ele tinha feito isso? Ele não podia amá-lo de verdade. Era mentira.
–- Arthur... você está-- — Alfred não conseguiu terminar a frase, pois Arthur tinha dado um tapa em sua bochecha – Arthur... eu—
–- SEU IDIOTA!
–- Me desculp—
–- EU VOU PARA O MEU QUARTO!! – Arthur saiu correndo e logo que entrou em seu quarto, ele trancou a porta.
Como as coisas foram acabar daquele jeito? Ele não aguentaria ficar naquela casa mais tempo, ele precisava fugir. Mas para onde ele iria? Então ele depositou seus olhos para uma fotografia de família que estava em sua escrivaninha. Ele logo repousou seus olhos para o rosto de Matthew.
–- Talvez Matthew seja mais compreensivo...
E naquela noite, Arthur fez sua mala, pegou um dinheiro que estava economizando e saiu escondido para a ferroviária. E durante o caminho, ele desligou o celular e só voltou a ligá-lo quando estava à procura do endereço do irmão.”
–-- X ---
Ele estava suando quando foi acordado por Matthew. Ele acabara tendo aquela terrível lembrança quando fora dormir. Ele queria esquecer daquilo tudo, mas quando olhou para o rosto do irmão, ele viu que o rosto dele estava vermelho e os olhos inchados. E já se preocupando com ele, ele logo puxou Matthew para o sofá para perguntar o que aconteceu.
–- Não se preocupe, não foi nada de mais.
–- Mas eu estou preocupado... O que aconteceu?
–- Eu só lembrei de... de coisas ruins... Mas daqui a pouco eu me esqueço delas.
–- Você tem certeza que vai ficar bem?
–- Tenho.
–- Qualquer coisa, me conte.
–- Tudo bem.
Matthew não queria falar para Arthur sobre como se sentia em relação à aquele passado triste que o fizeram ir para aquela cidade. Ele não queria deixá-lo mais preocupado. Mas por outro lado, era a primeira vez que ele via Arthur ficando preocupado com ele, e mesmo que fosse só um pouco, isso alegrava o dia de Matthew.
Ele tinha ido acordar o irmão para avisar que ainda iria preparar o jantar, e quando disse isso, Arthur foi logo se levantando querendo ir para a cozinha ajudá-lo, mas não foi muito longe ao reparar que havia mais uma pessoa na casa.
–- Olá. Você deve ser o irmão do Matthew... Eu sou Francis.
"Quem é esse sujeito?"
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