Eu Consigo Te Enxergar
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Matthew acordou com o barulho de seu despertador. E ao perceber que já estava se sentindo melhor, ele rapidamente levantou de sua cama e foi procurando logo o seu uniforme escolar. Depois de um dia inteiro doente, ele finalmente poderia pisar no colégio!
“Não posso diminuir as minhas chances de ser reconhecido!”
E depois do uniforme estar separado e a cama devidamente arrumada, o jovem loiro foi direto para a cozinha preparar o seu café. Por alguma razão, ele havia acordado muito feliz naquela manhã. Dificilmente ele se sentia assim.
Ele então pegou um elástico para o cabelo, fez um pequeno e frouxo rabo-de-cavalo e se postou em frente ao fogão com os poucos ingredientes que tinha pegado para fazer suas adoradas panquecas. E enquanto trabalhava na sua comida, ele começou a lembrar da noite anterior. De como tinha caído no sono na porta de entrada... De Gilbert chorando... De Francis cuidando dele...
“Francis...”
O pequeno saltou os olhos por um momento. Francis! Ele tinha dormido na sua casa na noite anterior! E onde ele estava naquele momento?
Matthew desligou o fogo e se virou para olhar o sofá. Nada! Os lençóis estavam dobrados e ele não encontrava sinal algum do mais velho. Será que ele tinha ido embora? Mas, por que?
Será que ele não se sentiu à vontade estando em um ambiente diferente? Ou seria outra coisa?
Droga.
Matthew odiava tirar conclusões precipitadas. Toda vez que fazia isso, alguma coisa diferente acontecia. Mas vendo que Francis não estava ali, ele simplesmente supôs que ele tinha ido embora.
“Acho que... ele fez certo em ir... Não tinha porque ele ficar...”
Então ele se virou para voltar para a beira do fogão e continuar preparando seu café da manhã, que mais uma vez seria solitário.
E ainda com a cabeça meio abaixada e os olhos fechados, ele nem tinha percebido onde havia se esbarrado ao virar. Quando abriu os olhos, ele pode perceber uma grande área de pele exposta que estava um tanto molhada. E ao levantar o rosto, pode identificar a face do mais velho soltando umas doces gargalhadas.
Francis estava desnudo da cintura para cima!
Sem contar que o que o mantinha na parte de baixo, era uma toalha amarrada na cintura!
Matthew quase deixou cair a espátula que estava segurando por causa da vergonha que estava estampada em seu rosto. Nunca pensaria em ver o mais velho daquele jeito em sua casa. Aquilo era constrangedor demais!
Ele queria não olhar para Francis enquanto ele estivesse daquele jeito, mas ele não pode evitar, ao dar rápidas olhadas, o físico do mais velho. E por causa disso, ele quase não conseguia soltar um “Bom dia” para Francis.
–- Bom dia, Matthew! – soltou um sorriso ao pronunciar o nome do menor.
–-- X ---
Durante a aula de História da Arte, era notável o entusiasmo do jovem loiro com a descrição que o professor fazia sobre como eram feitas as divisões de um quadro Renascentista. Sempre simétrico, com cores não muito fortes, sempre num tom mais neutro, e como era notável a presença do Retângulo de Ouro em muitas demonstrações de arte naquela época e como ele persiste até hoje.
Isso deixava Matthew tão à vontade que as vezes ele esquecia de que estava em uma sala de aula. As outras aulas deveriam ser que nem as aulas de artes! Sempre interessantes e de forma que conseguisse prender o aluno sem precisar falar “Vale nota”. Matthew estudava artes, principalmente a História da Arte, porque achava aquilo muito interessante e de fácil compreensão devido a excelente explicação de seu professor.
Ele estava tão aprofundado no assunto, que nem percebeu que tinha alguém que estava ignorando o fato de uma aula existir naquele ambiente. E isso só foi ficar mais visível depois que o celular dessa pessoa tocou em sala de aula.
–- AQUELE BASTARDO NÃO ME DEIXA EM PAZ NEM NA MINHA SALA???
E quando todos se viraram para ver de quem era aquela voz que tomou conta do ambiente, a criatura saiu resmungando da sala como se aquela aula não fosse fazer diferença nenhuma em sua vida.
“O que foi isso?”
Matthew achou que aquilo foi uma das cenas mais estranhas de sua vida.
–-- X ---
Matthew comia calmamente o seu sanduíche quando avistava Francis se aproximando com Gilbert. Então ele engoliu logo o pedaço do alimento que estava em sua boca e levantou logo para cumprimentar os dois, e vendo que o terceiro membro não estava presente o menor ficou logo curioso.
–- Aconteceu alguma coisa com o An.., An...
–- Antonio?? KESESESE~ Ele deve ter indo encontrar o namorado! Ele saiu durante a aula só para isso. – Gilbert estava muito sorridente.
–- É que o Francis disse que vocês três quase não se separam.
–- Na verdade, eles é que não se separam de mim! Eu sou tão incrível que eles me seguem por todo canto! KESESESE~
–- Idiota. – Francis deu um tapa na cabeça de Gilbert.
Matthew começou a rir com aquela cena. Ele ficara feliz por saber que Gilbert tinha melhorado mais e que ele finalmente pudesse ter pessoas para chamar de amigos. Então logo em seguida, ele olhou para Francis e transpareceu um sorriso. Francis realmente era uma pessoa especial.
“Ele ia me beijar naquela hora... Não é?”
O menor acabara se lembrando do evento que ocorrera antes dele ir na casa de Francis para ver o que estava acontecendo com Gilbert. Ele lembrou que tinha sido abraçado e reconfortado pelo mais velho, e que depois disso, ele quase tinha o beijado.
Acabou que seu rosto ganhara uma coloração avermelhada por causa disso. Ele não deveria lembrar dessas coisas com duas pessoas por perto. Então ele rapidamente abaixou o rosto para evitar qualquer contato visual com aqueles dois.
Porém, Gilbert notou essa ação e foi logo questionando.
–- Por quer fez isso? Ainda não se acostumou comigo? Eu ainda lhe assusto?
Matthew continuava com a cabeça abaixada, mas fazia um sinal de negação com a mesma.
Gilbert se sentia muito desconfortável quando as pessoas não olhavam diretamente para ele, então ele colocou as mãos no rosto do menor e o levantou fazendo seus rostos se encararem.
–- Fale olhando para mim! – então Gilbert percebeu que o rosto do menor estava vermelho e ele o encarava com aqueles grandes olhos violetas – Não me olhe desse jeito...
–- Me desculpa...
–- Você está sendo muito contraditório! – Francis pegou a gola da camisa de Gilbert e o puxou para longe de Matthew – Decida se quer que ele olhe para você ou não. – era muito visível o desconforto que Francis tinha dessas aproximações exageradas que Gilbert fazia ao pequeno. – Matthew pode ficar confuso.
–- Ah! Foi mal! – Gilbert começava a mexer nos fios de seus cabelos exageradamente brancos – É que eu lembrei de algumas coisas, só isso!
–- Hum!
–- Mas eu também quero saber por quer você está vermelho. Ainda está se sentindo ruim? – Gilbert olhava para Matthew.
–- Não é nada! Eu só... – Matthew não sabia o que dizer.
Acabou que o menor se calou. Ele não queria contar que tinha ficado vermelho ao pensar no quase beijo que tinha tido com Francis. Coisas assim eram embaraçosas demais.
Francis e Gilbert ficaram encarando o pequeno até ele resolver pronunciar mais alguma coisa, mas percebendo que isso não resultaria em nada, eles desistiram dessa ideia e focaram em comer alguma coisa que Gilbert tinha dentro da mochila.
“Melhor eu tentar esquecer o que ocorreu...”
Logo avistaram um Antonio correndo em sua direção segurando na mão de um indivíduo que parecia um tanto irritado e constrangido com aquilo. E ao se aproximar, Antonio foi logo apresentando.
–- Gente, esse é o Lovino.
–- Eu sei falar, ok? Bastardo idiota...
–- Você é tão fofo Lovi~ ♥
–- Não me chame desse jeito! Já não basta você ter me mandado aquela mensagem ridícula para o meu celular hoje mais cedo??
Lovino começou a gritar com Antonio como se ele fosse a pior pessoa do mundo, e o moreno só ficava rindo de tudo o que ele falava. Francis e Gilbert começaram a fazer uma cara de total desentendimento daquela situação. Matthew só ficava olhando e tentava não rir daquilo.
“Eles são um casal estranho.”
–-- X ---
Francis queria levar Matthew para casa, então disse para Antonio e Gilbert que eles podiam voltar na frente. E tentando iniciar uma conversa com o menor, ele aproveito que tinha “conhecido” Lovino e logo mencionou ele em uma frase.
–- Antonio gosta mesmo daquele garoto. Ele só é um pouco...
–- Exaltado...?
–- Também. – Francis começou a rir, e logo em seguida o menor também.
–- Mas ele parece ser uma boa pessoa... Creio que ele só demostre isso para quem ele realmente confia. – Matthew concluiu – Acho que Antonio deve ser essa pessoa, senão ele não estaria com ele.
–- É... você tem razão. Acho que para aquele garoto, Antonio é muito especial.
Matthew sorriu, mas logo em seguida começou aquela velha passagem de pensamentos aleatórios em sua cabeça, e ele não conseguia ignorá-los.
“Será que Francis me acha... especial?”
Ele então voltou a olhar para o mais velho como se ele esperasse um resposta imediata, e sem perceber que estava o encarando demais, ele acabou ouvindo uma pergunta inesperada.
–- Quer que eu responda alguma coisa? – Francis o encarava com uma certa dúvida estampada na cara.
–- O que??
–- Bem, você está me encarado. Pensei que quisesse me perguntar algo.
–- M-Me desculpa... Eu não percebi que eu estava fazendo isso...
–- Bem, não se preocupe com isso. – Francis voltou a sorrir.
Então eles continuaram a caminhar até chegar em frente ao pequeno prédio de três andares onde Matthew morava. Matthew realmente não queria voltar para casa sem saber de uma coisa que vinham o incomodando.
“Eu não queria lembrar disso... isso é tão constrangedor...”
E antes de se despedirem, Matthew resolveu juntar as forças que tinha para tirar a dúvida que estava martelando na sua cabeça.
–- F-Francis...?
–- Sim?
–- Aquilo... de ontem...
–- Aquilo o que?
–- Antes da gente ir falar com Gilbert... você ia fazer alguma coisa antes de ler a mensagem...
–- Sim. Mas o que tem?
–- Bem... O que v-você ia fazer? – Matthew acabou ficando vermelho ao perguntar aquela coisa tão embaraçosa.
Francis o encarou por um tempo, e logo em seguida, soltou uns risinhos. Ele achou aquela atitude do menor de perguntar tão fofa que não conseguiu resistir ao rir um pouco daquilo.
Ele simplesmente só se aproximou do menor, se curvou um pouco para ficar na altura do seu rosto e encostou a ponta de seu nariz com a ponta do nariz de Matthew.
–- Se quiser eu continuo... o que eu tentei fazer ontem.
Matthew ficou vermelho com o que ele tinha acabado de falar. Ele sabia o que aquilo queria dizer. E ele queria muito aquilo! Mas não sabia como expressar isso para Francis. Então ele acabou ficando calado.
–- Você... não quer? – Francis falou com um tom melancólico.
–- Não é isso...
–- Então o que é?
–- ... eu estou com... vergonha... – Matthew acabou formando uma pequena distância do rosto do mais velho e abaixou o rosto.
Francis riu mais um pouco. Era impossível não se alegrar com essas coisas fofas que o menor fazia. Ele realmente havia se apaixonado pela pessoa certa. Mas ele não queria que aquele dia acabasse daquele jeito.
Então Francis se aproximou mais uma vez de Matthew, o segurou na cintura com uma das mãos e com a outra apoiou o queixo do menor, fazendo com que os dois se encarassem por um curto tempo.
“Eu te amo... Matthew, eu te amo.”
Francis encostou os seus lábios aos de Matthew e esperou que ele logo desse uma resposta. E ao compreender o que deveria fazer, Matthew abriu a boca dando passagem para a língua do maior. Matthew acabou repousando os seus dois braços ao redor do pescoço de Francis e ficou na ponta dos dedos. E Francis fazia vários carinhos nas mechas loiras e macias que saiam da cabeça de Matthew.
Quando se separaram, eles ainda puderam encarar mais uma vez a face um do outro, o que deixou o menor envergonhado. Mas diferente de antes, ele não abaixou a cabeça. Ele permanecia olhando nitidamente para o mais velho.
Francis sorriu e ajeitou os óculos com as belas armações vermelhas no rosto do companheiro, e aproveitou para segurar o rosto do mesmo e se aproximou para beijar-lhe a testa.
Matthew segurou uma das mãos de Francis que estavam apoiadas em seu rosto. Ele permanecia calado.
“Por favor... Não me deixe”
–-- X ---
Matthew ficou em cima da sua cama refletindo sobre tudo o que acabara de acontecer. Francis realmente gostava dele! Isso era melhor do que ele imaginava. Pensava que seria apenas seu amigo... mas algo melhor surgiu.
Ele sorria bobamente enquanto lembrava dos detalhes do seu beijo com Francis. Ele até parecia uma garotinha tendo um primeiro encontro de tão feliz.
Nada iria estragar aquele dia!
~~ TRIMM TRIMM ~~
Seu celular começou a tocar do nada, e sem pensar muito, ele só atendeu sem nem olhar quem é que estava ligando.
–- Alô? Quem gostaria—
–- Sou eu, Matt!
–- Arthur??
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