Eu Consigo Te Enxergar
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Já se passava das oito da noite, e era possível ver uma pequena criatura muito agoniada perambulando por todos os cantos do aconchegante apartamento. Vestindo uma calça jeans simples e uma camiseta vermelha, Matthew se questionava se esse tipo de roupa era bom para um encontro casual. Sem contar com essa preocupação desnecessária com a roupa, o menor olhava de 5 em 5 segundos para o relógio que ficava no meio da parede.
“Será que ele vem hoje?”
Era o pensamento que não saia de sua doce cabecinha.
Se dirigiu para a cozinha para checar se a comida ainda estava quente... Por sorte ainda estava! Mas isso não fazia a ansiedade do jovem loiro diminuir.
“Será que foi certo eu tê-lo convidado para jantar aqui em casa?”
“Isso é tão embaraçoso...”
Tentou olhar até para o seu fiel companheiro de pelúcia que ficava sentado no sofá, e normalmente ele o ajudava a se acalmar... Mas nesse dia, foi extremamente falho à ajuda de Kumajiro... O que faria Matthew para retirar todo esse nervosismo?
~TOC TOC~
Esse som fez com que o pequeno parasse as caminhadas sem destino de dentro do apartamento e encarasse a porta.
“Eu não acredito! Ele veio! Francis está aqui!”
–---- x ALGUNS DIAS ANTES (6:30 DA MANHÃ) x -----
Matthew estava terminando de ajeitar seus sapatos e deu uma rápida olhada no seu relógio de pulso. Soltou um leve sorriso e ficou satisfeito por saber que ainda poderia chegar a tempo no colégio.
Rapidamente, ele trancou a porta, desceu as escadarias e saiu correndo em direção ao colégio onde estava estudando a mais ou menos uns 2 meses. Acabara de entrar em um colégio muito prestigiado nacionalmente. Talvez assim, seus irmãos pudessem perceber que ele realmente tem algo de que se orgulhar dele, ou pelo menos, notarem que ele faz algo produtivo.
Então ele mudou de cidade com esse objetivo em mente!
“Não quero mais ser tratado como um ser invisível.”
Matthew realmente não entendia o fato de ser tão ignorado pelos irmãos, principalmente por seu irmão mais velho Arthur, afinal, ele sempre foi um ótimo aluno, um ótimo “doméstico” e um irmão que nunca dava dor de cabeça para ele. Mas Arthur só se importava com Alfred, seu irmão do meio. Era Alfred, Alfred, Alfred, Alfred o tempo todo! E ele só causava problemas!
Ele tinha quase certeza que nem os seus pais ligavam muito para ele, e isso só piorava a situação.
Infelizmente, a única pessoa que dava atenção para ele era um jovem cubano do antigo colégio... mas não era uma atenção muito boa. Matthew muitas das vezes precisava sair correndo para não pegar uma surra. Uma surra que nem deveria ser dele, afinal o jovem cubano sempre estava atrás de Alfred, mas por nunca encontra-lo quando acabava as aulas, ele resolvia descontar em Matthew.
Realmente, a vida do jovem loiro a algum tempo atrás era muito difícil... Mas isso mudaria com o novo colégio, não é mesmo?
Não.
Parece que ser invisível não era apenas um privilégio que ele tinha com a família, mas sim com o resto do mundo.
Ele nunca foi assaltado, violentado físico ou verbalmente. Não que realmente Matthew quisesse essas coisas, mas isso nunca aconteceu só pelo fato de ser invisível para a sociedade. E tudo bem que essas coisas ninguém quer para si, mas coisas como carinho, atenção ou amor... eram coisas que ele raramente via das pessoas quando se referiam a ele. Talvez, ser invisível não fosse tão bom assim.
Ele só não entendia o por quer daquilo só acontecer com ele.
“Tenho que me esforçar.”
Ele olhava tudo ao seu redor enquanto corria para o colégio. Admirava as crianças, os comerciantes, os outros estudantes andando... estudantes. Existiam muitos naquela parte da cidade. Talvez fosse por causa da grande concentração de colégios que tinha por alí. Matthew contou bem uns cinco só pelo seu bairro.
Faltando uns 15 minutos para tocar o sinal de entrada, Matthew acelerou o passo para não chegar atrasado. Não iria se perdoar se chegasse tão atrasado por causa de maratonas de filmes que tinha feito na noite anterior. Porém, por não olhar realmente o seu caminho, ele acabou esbarrando em um grupo de pessoas e acabou deixando sua mochila e seus óculos caírem no chão.
Talvez esse não fosse o melhor jeito de fazer as pessoas enxergarem você.
–- M-Me desculpe... E-Eu não estava prestando m-m-m-muita atenção por onde eu andava...
Matthew tentava ajeitar o seus cabelos e tirar o protuberante fio de cabelo que possuía uma leve volta no meio do percurso que caía em seu rosto para visualizar melhor em quem tinha esbarrado.
De primeira conseguiu enxergar grandes orbes vermelhas e um cabelo realmente prateado... ou seria branco? Ele parecia meio irritado, mas ostentava um sorriso na cara e soltava umas risadas estranhas.
–- KESESESESESE~~ AHH?? Quem é você?? E por que está jogado aí no chão?? Ficou impressionado com o quão incrível eu sou e não se aguentou em pé?? KESSESESESE~~
–- B-Bem... D-Desculpa...
–- HAHA~~ Gilbert é assim mesmo. Não se preocupe com ele. – disse um cara com olhos verdes e de pele morena – Mas por que vocês está jogado aí no chão? Queremos saber quem esbarrou no Gil. Por acaso você sabe quem é?
–- M-Mas eu estou tentando dizer que--- foi interrompido pelo ser albino.
–- KESESESESE~~ APAREÇA CRIATURA! POR ACASO O INCRÍVEL EU É TÃO INCRÍVEL QUE VOCÊ FICOU COM MEDO? – Gilbert gritava (vergonhosamente) na frente do portão do colégio.
–- Se controle um pouco Gil. – o moreno dava uns tapinhas no ombro do amigo.
O pequeno Matthew só ficou vermelho com aquela situação e tentava procurar seus óculos logo para seguir o seu caminho. Mas por onde diabos esse óculos estava? Desesperado, e sem muitas alternativas, Matthew apenas pegou a sua mochila e saiu em direção à entrada do colégio.
Aquelas duas criaturas bizarras olharam o menor seguir o seu caminho e até levantaram a mão e deram um “tchauzinho” que Matthew nem notou.
Como conseguiria ler as coisas que os professores passariam no quadro sem seus óculos? Tudo bem que de perto ele até que enxergava bem, mas ele sentava praticamente entre o fundo e o meio da sala! Isso seria terrível. Ele precisava fazer alguma coisa... mas o que?
–-- x---
Matthew conseguiu chegar faltando uns 10 minutos para começar a aula. Então ele vasculhou a sua bolsa atrás de um óculos reserva. Nada! E agora? Ele só queria chegar na escola e ler alguma coisa antes de fazer as anotações diárias... era pedir muito?
De repente ele sente umas cutucadas em seu ombro. Estranhando esse fato (ninguém nunca o tivera cutucado antes) ele se virou e enxergou brilhantes olhos azuis e mechas loiras de certa forma bem compridas. Ele encarou aqueles olhos por um tempo até perceber o que ele tinha em mãos. Um óculos com armações vermelhas. Os SEUS óculos com armações vermelhas. Matthew estendeu a mão para pegá-los e quando fez isso, aquela pessoa se aproximou de seu ouvido e disse: “Eu vi você esbarrando no Gilbert”.
Aquilo era brincadeira? Por acaso ele pensaria em contar para aquele ser estranhamente assustador que ele havia esbarrado nele? Isso era chantagem! Não se faz uma coisa dessas. Por um certo período de tempo, Matthew se pegou pensando nisso, mas logo esqueceu quando a pessoa completou a sua frase.
“Eu vi você esbarrando no Gilbert... Você estava muito fofo quando ficou vermelho assim que ele começou a gritar~”
Logo em seguida, ele lhe entregou os óculos, deu meia volta e saiu da sala de Matthew. Mas quem ser essa pessoa? Por que ele disse essas coisas? E como ele VIU Matthew?
“Ele me achou... fofo?”
Matthew ficou vermelho após pensar isso. Deu uma balançada com a cabeça para tentar esquecer no que acabara de pensar, porque, com certeza foi uma brincadeira. Uma brincadeira de mal gosto que aquela pessoa de olhos azuis lindos tinha feito!
O que? “Azuis lindos”?
Droga!
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