Eu Consigo... - One-shot
1 Capítulo único
Notas iniciais
11 anos atrás:
Uma linda e pequena menininha ruiva corria nos montes de neve em volta do lado congelado. Era delicioso sentir a neve "desaparecendo" em meus pés, pensava ela. Sem prestar muita atenção em nada ela se divertia, brincava e sorria. Sem preocupações.
- Ela é realmente engraçada... E fofinha... — murmurou um garoto de cabelos negros com um sorriso radiante no rosto. Ele estava sentado em um banco de madeira sozinho, a poucos metros da pequena ruivinha a observando discretamente.
Seu sorriso no mesmo segundo virou uma linha reta de preocupação e seus olhos alegres ficaram em choque.
A pequena ruivinha havia escorregado e caído do enorme lago de gelo, que repentinamente começou a rachar.
- Droga! O gelo está muito fino! — falou se levantando e correndo rapidamente para onde ela estava, mas era tarde demais. Ela já havia afundado. Sua garganta tinha tanta água que os gritos abafados já não saiam mais.
- Ruivinha! — foi a ultima palavra que ele deu antes de mergulhar violentamente naquela água gélida.
Nadando e se mexendo rapidamente ele foi chegando cada vez mais perto até pegá-la em seus braços. Nadou com todas as forças que restavam-lhe até a borda do lago, mas não era fácil.
- Eu consigo! Eu consigo! — ele repetia mentalmente enquanto seus músculos rapidamente iam ficando paralisados por causa do frio. — Eu consigo! Eu consigo! — repetia com mais força. Suas esperanças ainda estavam longe de terminar.
Finalmente ele chegou à superfície e deixando a ruivinha desmaiada no solo gelado. Logo depois ele impulsionou seu corpo para baixo e para cima novamente saindo do lago azul.
Pegou-a em seus braços novamente e caminhou até o banco, sentando-se e a abraçando fortemente.
Suas roupas pesadas estavam molhadas e gélidas. Era torturante. Os dois tremiam e tentavam encontrar o calor em seus corpos, mas... Como eles não estavam conseguindo encontrar?
A ruiva repentinamente tossiu e o moreno tentou ajudá-la, mas ela o olhou sorridente, porém com os olhos cheios de lágrimas e entregou-lhe o que parecia ser a metade de um coração partido. Encima dele tinha um leve furo que servia para pendurá-lo em uma corrente.
- Obriga...da — disse ela em uma voz fina e feminina, quase inalditível, antes de cair cansada nos braços do rapaz.
- Ali senhor! — gritou uma mulher apontando para o belo casal de crianças, que se olhasse de longe, arrancaria um leve sorriso de qualquer um... Estão em seu primeiro encontro..., pensariam...- Eles caíram no lago! Ajude-os! Rápido!
- Mas como? Eles são só crianças! Como sobreviveram à todo esse frio? É impossível!
- Eu não sei! Nem um adulto teria tanta sorte assim!
- Impossível... Como eles...?
- Simples, meu caro jovem... — falou um velho senhor se aproximando ao ver a situação. — Eles conseguiram sobreviver, pois não havia ninguém para lhes dizer : "Impossível... Vocês não vão conseguir..."
Todos ali presentes fizeram cara de desentendidos, menos Sieghart, o jovem rapaz, que sorria minimamente com a franja cobrindo seus olhos.
**
11 anos depois:
— So...corro!
- Droga Elesis! Pare de se meter em problemas! — murmurou Sieghart correndo para a enorme e perigosa cachoeira ali perto.
Elesis tentava nadar desesperadamente contra o rumo do rio, pois se ela parasse por um momento com certeza cairia na cachoeira e esbarraria seu corpo contra as rochas afiadas e duras no chão.
- Sieg...hart... — disse ela dificilmente enquanto o rio lentamente a vencia, levando-a cada vez mais para perto da enorme descida.
- Ruivinha! — disse ele se jogando com tudo naquele rio violentamente forte.
Nadou mais devagar, para que o rio o levasse para o lado da ruiva que se afogava cada vez mais. Começou a nadar rapidamente de novo quando estava a uma distancia próxima de Elesis e a pegou. Ela, ainda consciente, segurou em seu pescoço ficando em cima do moreno.
Com o esforço dobrado Sieghart nadou com tudo o que tinha até ficar um pouco mais longe da cachoeira. Ela só estava a mais ou menos 10 centímetros de distancia de seus pés.
Estava ficando cansado e a palavra "desistir" não deixava a sua cabeça, seus músculos doíam, não importava o esforço, a única coisa que ele conseguia era ficar parado no mesmo lugar, mas sabia que se parasse um só segundo de nadar para descansar seria fatal.
- Você consegue... — murmurou fracamente a ruiva em seus ouvidos. Sieghart arregalou os olhos com a pancada de lembranças que invadiram repentinamente sua mente. Por um segundo seus músculos relaxaram com a surpresa, o deixando com menos seis centímetros de distancia da água que caia violentamente.
Eu consigo!, gritou ele mentalmente aumentando a força em seus braços e pernas. Com toda a força, e ainda mais, tirada de seus músculos ele foi chegando lentamente para o lado, se aproximando esforçadamente da margem.
Com um movimento rápido ele deixou a ruiva no chão e ela, mesmo que quase não fazendo diferença, puxou-o para a margem.
Ele, já no solo fixo, puxou a ruiva para seus braços. Abraçando-a fortemente.
- Obriga...do — falou ele ofegante. A ruiva arregalou os olhos, surpresa.
- Porque está me agradecendo?
- Por você acreditar em mim, ruivinha... — disse ele se afastando dela e sorrindo. A ruiva retribuiu o sorriso e olhou para a corrente pendurada no pescoço do rapaz.
- O-Onde você conseguiu isso? — falou ela surpresa. Pegando o coração partido, que agora estava por fora da camisa, no peito do moreno.
O sorriso no rosto de Sieghart se alargou ao ver que ela achava o colar familiar. Se ele tinha certeza antes, agora ele estava mais certo ainda de que era ela a pequena ruivinha no lago.
Com um movimento lento ele dirigiu a sua mão ao pescoço da ruiva, puxando o colar de dentro de sua blusa. Elesis o olhava surpresa.
Ele suspendeu o colar dela, segurando pelo pingente, e ela fez o mesmo com o dele e assim eles juntaram, formando um coração inteiro. Os olhos dela se arregalaram ainda mais e um sorriso lentamente surgiu em seu rosto.
- Era você...
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