Eu Aceito
14 Assunto inacabado
Notas iniciais
Enjoy
Aninhei-me melhor na cama, para mais perto dele como sempre, puxando sua mão acomodada em meu quadril ,entrelaçando nossos dedos, querendo que a proximidade do corpo dele ao meu fosse maior. Sua respiração saia tranquila logo um pouco acima de mim,o outro braço ,debaixo de meu travesseiro, estava na posição certa para que minha cabeça fizesse o ombro dele de apoio.Gustav ainda dormia profundamente. Era um novo dia começando .
Lembro-me de como foram meus primeiros dias em minha casa, os meses passando de forma preguiçosa e desencorajadora, como se cada dia ali fosse um pequeno sacrifício. Outros haviam se passado, três precisamente, e nada lembravam os primórdios de meu casamento. Agora cada dia parecia passar em átimo, como se não houvesse tempo que bastasse para nós dois.
-Me diga que hoje é domingo, por favor...-Ri baixo com a forma manhosa com que falou, apertando-me mais contra si.
-Sinto muito...É quarta e você tem que trabalhar...-Levei sua mão aos lábios enquanto sentia o calor que vinha de seu corpo...-Claro que mesmo assim ficar aqui comigo ainda é uma opção.
Sua risada saiu abafada em meus cabelos.
-Não me tente. Hoje tenho uma reunião importante...-Vez o outra Gustav se valia de sua posição e cabulava um dia de trabalho. Nestes dias tudo sempre parecia perfeito...-Precisamos de uma lua de mel.
Suspirei somente com a ideia de estar com ele a sós,sem trabalho ou a casa, apenas eu e ele.
-Como em Los Angeles?...-A lembrança viva da viagem que deu inicio a tudo me fez estremecer. Fora a primeira vez, e única até agora,onde viajamos juntos.
-Melhor do que Los Angeles... -Afirmou ele em um muxoxo desvencilhando-se de mim ...-Quando tivermos uma lua de mel de verdade não haverá nada além, nem festas ,pessoas ou reuniões. Apenas eu e você.
Ele ficou em pé, saindo da cama me deixando apenas o espaço vazio e morno onde ele deveria estar. Fez a volta na cama sentando ao meu lado enquanto eu apoiava minha cabeça na mão, fascinada pela ideia de um tempo para nós.
-Promete?...- o sorriso travesso que eu mais amava apareceu pela primeira vez naquele dia, fazendo-me suspirar.
-Prometo!...-Selou meus lábios, enternecendo meu coração.
Enquanto Gustav seguia para o banheiro, juntei coragem para sair da cama. Vesti meu robe caminhando até a janela de nosso quarto, ouvindo o barulho da água do chuveiro começando a cair. O inicio do inverno rigoroso cobria o verde e maltratava as flores, logo tudo se tornaria branco, dominado pela neve. Embora sentisse frio algum dentro da casa aquecida, passei as mãos pelos braços cruzados pensando em quão gélido deveria ser o vento açoitando as arvores da propriedade.
Os braços de Gustav circundaram meu corpo por trás, a face dele roçando na minha enquanto inclinava-se um pouco, pousando o queixo em meu ombro.
-Algo me diz que você prefere o verão... -Ri enquanto me encolhia mais em seu abraço. Era como se eu fosse transparente aos seus olhos, como se ele soubesse tudo sobre mim enquanto eu me encantava por ele a cada dia.
-Não posso negar... -Falei em um suspiro pesaroso... -O calor do sol me agrada mais... -Livrei uma das mãos levando-a a sua nuca, afundando os dedos nos cabelos dele, húmidos pelo banho.
Ele abafou uma risada em meu pescoço fazendo eu me sentir uma criança pirracenta.
-Bom... Enquanto tomava banho, pensei em algo que talvez mude sua opinião sobre o inverno... -Gustav sabia despertar minha curiosidade, sempre falava as coisas pela metade a fim de captar meu grau de interesse. Mordi a isca. Virei-me para ele, querendo fitar os olhos castanhos.
-E o que seria?...-Semicerrei os olhos, querendo dele os planos que fazia durante um simples banho pela manhã.
Gustav tombou a cabeça para traz, rindo satisfeito do quão curiosa era sua esposa, abraçando-me pela cintura.
-Surpresa!...-Beijou a ponta do meu nariz...-Vai ter que esperar para saber. Por hora tenho certeza que alguém nos aguarda para o café da manhã.
Com certeza nosso filho estaria na sala, com seu bom humor matinal, portanto enquanto Gustav vestia-se ,entrei para um banho quente.
Uma das coisas que mais me incomodava em relação ao inverno, era como as pessoas ficavam parecidas com robôs ,precisando de tantas camadas de roupas, o que praticamente limitava os movimentos. Definitivamente preferia o verão. Gustav já havia descido enquanto eu me empenhava à procura de mais uma peça de lã, algo que combinasse com o jeans escuro. O pulôver creme finalizaria a ultima camada de roupas no meu corpo.
A risada dos dois podia ser ouvida ainda na metade da escada aumentando conforme eu me aproximava da sala onde estava sendo servido o café. Nick arfava no colo do pai pedindo que acabasse a seção de cócegas. Encostei-me no umbral encantada pelos dois, cruzando os braços esperando que notassem minha presença.
-Mamãe... -Chamou gargalhando... -Me salve!
Era impossível não rir junto com eles. Assim que se viu livre de Gustav meu filho correu até mim com o maior sorriso estampado no rosto. Era incrível como a cada dia fazia lembrar o pai, suas feições se assemelhavam as de Tom a olhos vistos. O pequeno pulou em mim, enlaçando as pernas em minha cintura.
-Bom dia lindo... -O abracei com força.
-Bom dia mãe... -Atento a cada movimento do pequeno dono, Harry, nosso filhote gigante, ergueu os olhos quando Nick chegou a porta, saindo de meu colo... -Vem Harry!
Os dois partiram para a sala correndo quase na mesma velocidade. Andei até a mesa, grata pelo café quentinho que me esperava.
-Espero que não seja um cachorro por viagem!...-Falei descontraída... -Harry está enorme.
Gustav riu, estendo a mão pela mesa. Entrelacei meus dedos aos dele. Mirei por um instante o rosto de meu marido, a pele ligeiramente mais pálida, característica da falta de sol, os olhos eram de uma profundidade que faziam com que eu me perdesse ao encará-los. Eu o amava a cada dia mais, a cada noite, o marido ideal e o amante perfeito, juntos, em um único ser. Senti as maças do rosto queimando, enquanto ainda olhava em seus olhos, pensando em como foi fácil perder o pudor estando junto a ele.
-Fica muito sexy quando ruboriza dessa forma. No que estava pensando?...-Ele sorriu torto lançando-me um olhar sugestivo.
Beberiquei o café, sentindo-me boba por estar constrangida, não era nenhum segredo o fato de um simples toque seu provocar-me volúpia.
-Apenas que eu o amo...-Respondi bebendo novamente da xícara.
Gustav levantou-se da mesa, circundando-a ,vindo até mim. Inclinou-se ,apoiando uma das mãos na minha própria cadeira e a outra na mesa, aproximando-se até que seus lábios estivessem nos meus, selando-os delicadamente.
-Pensei que não ouviria isso esta manha... -Falou assim que separou seus lábios dos meus, fazendo-me sorrir. Ficava aliviada em pensar que ele necessitava destas demonstrações de afeto tanto quanto eu... -Eu também amo você, meu amor.
Ele tirou de uma das cadeiras o grosso casaco, em tecido de lã, preto, vestindo-o logo em seguida saindo de casa poucos minutos depois me deixando ainda a mesa, com minha sagrada xícara de café preto. Suspirei sentindo a falta de alguém, Aletta .
Peguei da mesa a xícara agora vazia indo em direção a cozinha.
-Bom dia Aletta... -Dirigi-me diretamente a cafeteira ainda ligada, enchendo a xícara. Aletta falava sozinha diante da geladeira aberta, parecendo ralhar consigo mesma... -Algum problema?...-Tratando-se dela, estar faltando leite poderia ser algo imperdoável. Embora a tenha convencido de que não havia necessidade de tanto perfeccionismo, minha cara senhorinha ainda não conseguia largar os velhos costumes, gostava que tudo estivesse na mais perfeita ordem. Já era grata por ,ao menos, servir meu próprio café.
-Preciso ir ao mercado... -A pequenina limpava as mãos em seu avental ao falar, visivelmente contrariada...-Nunca a havia visto queixando-se disso,normalmente fazia as compras sendo levada pelo caseiro...-Onde estava com a cabeça para esquecer-me disso?
Levantei-me da cadeira indo em direção a ela massageando-lhe os ombros,era impossível não achar engraçado.
-Não seja tão dura consigo mesma...-Tive de inclinar-me um pouco para lhe abraçar pelo ombros...-Façamos o seguinte:Eu mesma a levo ainda hoje.
Um sorriso começou a formar-se nos cantos da boca de Aletta atenuando a expressão frustrada de antes.
Foi mais forte do que eu,quase inevitável.Mal deixei Aletta no supermercado e dirigi até ele. Entrei no prédio subindo o elevador.Agnes sorriu largamente ao me ver,naturalmente eu sorria mais,era reconfortante vê-la ali ao invés de Lana.
-Senhora!...-Prontamente ela levantou-se de sua cadeira ficando em pé.Estendi minha mão a ela ,cumprimentando-a.
-Como vai Agnes?...-Lancei um olhar a enorme porta a poucos metros de nós,onde Gustav provavelmente estaria...-Ele está ocupado?
A cumplicidade feminina é uma coisa que me encanta.Poderia jurar que ela sorria como Aletta enquanto falava.
-Ele está com um tempo livre, mais tarde tem uma reunião... –Esqueci-me deste detalhe.Meus ombros caíram levemente ...-Entre...-Disse ela devolvendo-me o sorriso...-Eu o avisarei quando estiver na hora.
Ao abrir a porta deparei-me com ele, atento a uma pilha de papéis imensa. Sua atenção era tamanha naquilo que fazia, que se eu não falasse nada provavelmente não daria por conta da minha presença.
-Espero que tenha um minuto para mim...-Falei aproximando-me um pouco,atraindo sua atenção e recebendo o sorriso que eu mais amava...-Se preferir nos vemos em casa...-Falei de forma manhosa.
Prontamente ele largou a caneta que segurava ,como se o semblante atento as folhas não existisse, como se aquele fosse o ponto auge do seu dia. Andei até ele encurtando o espaço entre nós. Gustav abriu os braços puxando-me para seu colo logo em seguida.
-São visitas como essa que fazem o meu dia melhor...-A voz saia abafada já que ele acomodou seu rosto no espaço entre a clavícula e meu pescoço.
-É mais forte do que eu...Você me faz falta....-Toquei seu rosto antes de ficar em pé.
Uma conversa boba e aleatória estabeleceu-se entre nós enquanto ele voltava aos papéis dispostos diante de si.Um porta retrato dourado postado logo ao lado de um outro contendo minha foto,chamou minha atenção.O peguei analisando melhor a imagem.Tom segurava a guitarra ao lado de Gorg e Bill,um pouco atrás Gustav alojado na bateria.Era uma foto antiga e me perguntei o que teria sido dos quatro rapazes da foto se as coisas fossem diferentes.Engoli a seco antes de perguntar.
-Ainda toca bateria?...-Gustav olhou o porta retratos em minha mão identificando de onde vinha a pergunta repentina.
Um sorriso nasceu em meio a um suspiro.
-Toda vez que briga comigo... -Gargalhei diante da pequena confissão, circundando a mesa ,aproximando-me mais dele, alojando-me de volta em seu colo...-Nossas brigas foram de constante a inexistentes portanto não acredito que estivesse praticando muito.
-Eu conheço um forma melhor de acalmar o estresse de uma briga...-Vi o canto de sua boca formar um sorriso maroto,enquanto se levantava junto comigo,prensando-me entre ele e e a mesa atrás de mim.
-Isso é interessante... -O beijo que ele depositou em meu pescoço me fez tremer...-Sabia que eu sempre quis saber como seria fazer amor aqui...-Enquanto falava, suas mão encontraram a mesa, uma de cada lado de meu corpo, prendendo-me ali de forma sedutora. A aproximação do corpo dele ao meu me lembrava um dia de calor, ensolarado, embora o inverno fosse cruel lá fora e o ar fosse artificialmente aquecido do lado de dentro...-Eu só estava esperando a pessoa certa para comprovar como seria.
Gustav beijou meus lábios de uma forma inapropriada para o lugar,mas eu não me importei, Agnes seria incapaz de entrar enquanto eu estivesse ali ou permitir que alguém entrasse. O beijo despudorado foi interrompido pelo som do telefone apitando intermitente.
A contra gosto Gustav se desvenciliou de mim,levando o fone ao ouvido.
-Está bem Agnes,já estou indo...-Revirou os olhos ao falar,como uma criança contrariada.Soltou o telefone logo em seguida,passando a mão pelos cabelos enquanto eu me recumpunha.
-Parece que não vai ser hoje que vai saber como seria...-Aproximei-me dele, pousando a mão em seu rosto aninhando-me na cavidade do pescoço.
-Isso é um assunto inacabado senhora Schafer...-Selou meus lábios pegando o paletó logo em seguida...-Tenho uma reunião agora, mas resolvemos isso depois.
-Não esqueça que continuo curiosa.Não vai me contar nada ainda?...-Me senti como Nick,querendo ganhar alguma coisa.
Ele riu alto meneando a cabeça negativamente.
Gustav saiu lançando-me uma piscadela antes de fechar a porta. Na cadeira dele estava meu casaco. Enquanto o vestia um entre tantos papeis chamou minha atenção. Peguei um papel rosado, diferente dos demais, onde dizia um nome, Trina, e o que parecia um numero de uma conta bancária. Soltei o papel logo em seguida, saindo da sala sem dar-lhe grande importância.
Aletta me esperava pacientemente no mesmo lugar onde eu a havia deixado só que agora com as compras então seguimos para casa,ela aliviada e eu curiosa como nunca.
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