Eternos Rivais
2 Cem Por Cento
Notas iniciais
No mesmo dia consegui cinco telefones e mais de dez garotas preocupadas com meu estado emocional após a briga com a presidente.
Pelo que me pareceu, ela era odiada por todos da escola. Que pena! Não fazia ideia do que era ser odiado.
Ou saber o significado daquela palavra.
Alonguei-me depois de ter me trocado. Educação física já no meu primeiro dia de aula? Que raio de escola é essa? Guardei minha mochila no armário e o fechei.
– O que vocês querem dessa vez? – perguntou a voz. O que será que ela está fazendo no vestiário masculino? Espremi meu corpo contra o armário e segurei a respiração. Não era um esconderijo, nem nada, mas talvez eu acabasse morto aquele dia se ela me encontrasse novamente.
– Você sabe o que queremos. Queremos desafiar você. – respondeu outra pessoa. Era um garoto, claro. Só mesmo a louca daquela garota para entrar em um vestiário masculino.
– O que eu vou ganhar com isso? Vocês sempre perdem. – bufou.
– Mas, dessa vez, nós temos uma arma secreta. O Len andou treinando. E se nós ganharmos, nós vamos ficar sem levar broncas ou socos se fizermos algo de errado. Por uma semana.
Ela ponderou por um momento. Revirei os olhos. É claro que não aceitaria.
– Tudo bem. – respondeu. Eu quase engasguei. – Contanto que, se eu vencer, todos vocês lavarão os ginásios e as salas dos clubes por um mês.
– Feito. – gritaram várias vozes.
Escutei o som dos passos diminuir e me afastei do armário.
– É feio escutar a conversa dos outros, sabia? – perguntou alguém. Virei-me e dei de cara com um garoto de cabelos azuis. Ele nem ao menos estava com a roupa de educação física.
– Sério? Desculpe, eu não sabia. – ironizei. O garoto deu um sorriso pequeno.
– Vai jogar contra ela também?
Eu o encarei.
– É claro que não. Eu não tenho nada a tratar com ela. – amarrei meu cabelo.
O garoto suspirou.
– Ainda bem. Se você também fosse jogar, acho que a Megurine-san estaria em apuros pela primeira vez.
Estreitei os olhos.
– Por que diz isso? – cruzei os braços.
Ele tirou um óculos do bolso e o colocou. Depois sorriu debochadamente.
– Você achou que um vice-presidente do conselho estudantil não procuraria tudo que fosse possível pelo aluno novo? – Dessa vez, gargalhou. – Que ingênuo. Eu sei que ganhou vários prêmios em esportes. Mas saiba que a presidente também ganhou.
Dei de ombros. Que quatro-olhos intrometido! Quando sai do vestiário, o quatro-olhos me parou.
– Não faça mal à presidente. – ameaçou.
– Eu jamais faria mal a uma dama. Mesmo que ela seja totalmente masculina. – retruquei.
Corri até o ginásio e descobri que eles já haviam começado. Meu queixo caiu. O time de basquete estava perdendo para apenas uma garota. Uma garota. E ela estava dando uma surra neles.
Estou enganado. Surra era pouco para o massacre que ela estava fazendo.
Eu não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Ela se movia rapidamente, e mesmo todos eles a seguindo, ela não dava moleza.
O jogo acabou antes que eu me desse conta. A presidente havia vencido.
– Parabéns presidente. Nada menos que o esperado. – ouvi a voz do quatro olhos. Virei-me e o vi entregando uma garrafa de água para a garota. Ela pegou a garrafa e murmurou obrigada.
– Então você tem modos, apesar de tudo. – gritei.
Ela procurou por um momento quem a chamava. Depois que me encontrou, uma atmosfera assustadora foi criada a sua volta.
– E quem é você para dizer alguma coisa? – retrucou, cruzando os braços. Sua respiração estava acelerada, dava para notar de longe. Qualquer um perceberia isso. Mesmo assim, ela não dava o braço a torcer e continuava em pé, como se fizesse aquilo todos os dias.
– Eu, milady, sou Kamui Gakupo. – fiz uma reverência.
– E o que isso tem a ver? – Ela desfez o rabo de cavalo.
– Isso tem a ver que eu não sou igual a esse time de basquete. – comecei a andar na direção dela. – E isso quer dizer que eu ganharia de você.
O quatro-olhos entrou na frente da presidente.
– Não seja ignorante. A presidente precisa descansar e – O punho acertou em cheio sua cabeça. Ele se curvou e a presidente o jogou para o lado. Seus punhos estavam cerrados e a testa estava franzida. Seus olhos azuis adquiriram um tom mortal.
– Isso soou como um desafio. — seus lábios se curvaram em um sorriso atrevido.
Eu cheguei mais um passo perto. Estávamos cara a cara.
– Você não consegue ganhar de mim. – falei.
– É o que veremos.
Enquanto a presidente pegava a bola de basquete eu tive vontade de gargalhar. Ela era insana? Seu corpo não aguentaria tudo aquilo. Com o estado dela, talvez até o quatro-olhos ganhasse. Ok, talvez nem tanto.
Isso seria muito fácil.
Depois que a presidente perdesse, as garotas viriam ainda mais para cima de mim. Lindo. E também mais forte que a presidente.
O apito soou e o jogo começou. A presidente tentou me enganar e isso fez com que eu tivesse tempo de pegar a bola dela. Ela rosnou e correu atrás de mim.
Cesta. Três pontos contra um belo zero da presidente.
Comecei a bater a bola no chão. Fiquei um tempo balançando a bola para a presidente. Ela cruzou os braços e me esperou acabar com aquilo. Depois que eu voltei a jogar sério, ela me socou.
– Não seja retardado! – gritou, enquanto corria com a bola.
Cesta. Três pontos contra três pontos meus.
Conforme fomos jogando, mais e mais alunos foram se aproximando. Apesar de a presidente ser uma garota e eu ser um cavalheiro, eu não peguei leve. E, mesmo que nós toda hora ficávamos empatados, sempre era eu quem mantinha vantagem.
Uma hora eu olhei para ela, quando ia marcar cesta. Seus cabelos rosa, novamente amarrados, estavam encharcados de suor. A pele, que era branca, estava ainda mais clara. Seus olhos perdiam foco algumas vezes. Ela tentou pular para me impedir, mas eu não arremessei.
Nós dois caímos.
Minhas costas latejavam graças ao tombo. Mas, ao menos ela não estava machucada. Achei que fosse desmaiar.
Ela rolou para o lado e se levantou com certo esforço. Começou a gritar todo o tipo de xingamento que eu acho que ela conhecia e o apito soou novamente.
Achei que ela fosse me socar, mas só gritou mais um pouco e saiu, passando por entre várias pessoas.
Logo eu estava rodeado de pessoas me perguntando e me elogiando por finalmente ter domado “A Fera”. Eu apenas me esquivei.
Quero jogar de novo com ela. Mas quero que ela esteja no seu cem por cento.
Sorri para o nada. Finalmente um desafio.
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