Eterno Crepúsculo
1 Único.
Notas iniciais
Meus pensamentos vagavam em meio a escuridão, não havia nada mesmo de interessante neste mundo.
- Ai, vou deixar suas roupas aqui. – Avisou minha avó, no qual rapidamente se fora.
- Sim. – Foi apenas o que consegui responder, como sempre.
A água gelada em qual eu banhava era iluminada pelo belo crepúsculo.
Não queria sair daquele lugar, atender mais um pedido... Pedidos, é só isso que as pessoas conseguem pensar hoje em dia.
Minha mente na maioria das vezes se encontrava vazia, mas... Hoje, pela primeira vez, posso dizer, que foi um dia diferente.
Fui até a beira da pequena lagoa que me cercava, lá havia uma flor, Lycoris. Como se era de esperar... A flor no qual carrega karma, assim como era conhecida.
- Donzela, você não vem? – Pude ouvir a voz de um de meus companheiros.
Não lhes dei uma resposta. Os ouvi murmurando algo. Não tinha o mínimo interesse de saber.
Suavemente, toquei a ponta de meu dedo na flor que se encontrava na minha frente.
E agora, parecia que tudo estava paralisado, até mesmo o tempo, e só apenas eu continuava móvel naquele lugar. Apenas eu e... Lycoris. Pude perceber uma gota de água caindo de suas pétalas em direção ao chão.
Aquilo me fez lembrar de uma palavra, que tem muitos significados, na qual eu era proíbida de conhecer.
Sentimentos.
Logo minha mente se voltou á outra palavra.
Família.
Essas eram as palavras que antes, eu possuia. Mas graças à outros sentimentos que as pessoas foram adquirindo, como: Ignorancia, Raiva, Angústia, Corvardia... Pude ver que minha vida havia se terminado, graças a estes.
Sem piscar meus olhos, continuei flitando a flor, ela sem mesmo fazer nada, passava a mensagem de peso e karma, eram como diziam.
Em um impulso a arranquei de sua raiz, como se a tivesse tirado de seus poderes. A coloquei sob a água, e deixei que fosse levada, uma borboleta vuou sobre mim e logo pude perceber que tudo se movia de novo.
Vozes familiares falavam comigo, mas não consegui dar atenção, provavelmente, não eram coisas boas, aliás, acho que não nasci para ouvir coisas boas, sendo que minha vida foi repleta de maldições e infelicidades.
Mas ao ver aquela flor, navegando sob a água, sem rumo certo, mas arrancada de suas raizes, também vi algo além daquilo.
Algo que eu não via há muito tempo, algo que falou por mim.
E graças a este, ele me mostrou que nem tudo está perdido, a felicidade pode até não vir de novo para mim, mas ao olhar os rostos familiares que me aguardavam, algo me empulsionou a fazer o que eu nunca imaginaria fazer um dia, novamente.
De leve e vagarosamente, dei um sorriso despercebido.
Mesmo não sendo realmente, eu havia construído uma família. De uma forma esquisita, e dolorosa. Eu havia construído.
- Donzela? Você... Sorriu... – Uma voz familiar com um tom, bastante feliz, disse.
Permaneci muda, me levantei e peguei o kimono que minha avó havia deixado para mim. O vesti, e olhei em direção aos... Bom, acho que a palavra certa a usar seria, amigos.
- Obrigada. – Ao dizer isto, percebi a dúvida nos olhos à minha frente. Foi apenas o que consegui dizer, de novo. Mas dessa vez, foi diferente.
Foi algo que até então eu não sabia responder o que era, agora eu sei que era nada mais, e nada menos, do que meu ‘coração’ falando por mim.
No entanto, vinganças me esperam para ser realizadas, aliás... As pessoas nunca mundam. Ergui minha cabeça ao eterno crepúsculo, que ainda o compartilharia por muito tempo.
E então, conclui que pode se dizer que foi um dia diferente... Mas foi apenas um dia.
Mas assim como os humanos, ainda carrego um sentimento semelhante a eles, um no qual é conhecido como, o que morre por último.
Nesse eterno... Crepúsculo.
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