Eterno

5 Capítulo 5:


Notas iniciais
Agradeço a Aisha Andris por betar o capítulo.

Esperanza olhou assustada para Camus, antes de levantar rapidamente se esquivando do abraço do aquariano, ficando em pé.

—O que faz aqui? –ela perguntou, tentando se recompor e acalmar as batidas do seu coração por ter estado nos braços dele por alguns segundos. Ela recusava-se a aparecer fragilizada na frente dele.

—Eu vim conversar e a vi caída. Parecia delirar. Tem certeza que está bem mesmo? –havia preocupação sincera em sua voz.

—Estou bem! É que eu... eu... falo dormindo! É isso. Estava dormindo e sonhei. –apontando para a garrafa de vinho que o pai havia trazido mais cedo para comemorarem sua vitória. –É só beber que isso acontece.

—Bem, se diz isso. –o francês não estava bem convencido disso.

—Veio conversar o quê? Veio pagar sua dívida? –ela cruzou os braços, tentando esconder o nervosismo.

—Dívida? –Camus parecia não entender, depois se lembrou sobre o que ela falava e riu. –Ah, as bombas de chocolate! Não foi por isso que eu vim.

Esperanza ficou parada, admirando o sorriso dele e depois se recompôs.

—Se não veio pagar o que me deve, melhor ir embora.

—É bem filha do Shura mesmo. –Camus murmurou. –Já que aparentemente está bem, eu vou embora. Ah, sim... parabéns pela sua conquista, Amazona de Ouro.

Camus diz, estendendo a mão para cumprimentá-la. Esperanza hesita um instante em tocá-lo, mas em seguida o faz. O calor da mão de Camus não condizia com a fama que ele possuía de ser um homem de cosmo tão gélido quanto as Geleiras do Norte. Esse mesmo calor parecia que percorria seu corpo, fazendo novamente seu coração disparar e rapidamente ela corta o contato, soltando as mãos.

—O-obrigada.

Camus acena a cabeça em despedida e em silêncio ela o vê partir, tentando acalmar suas próprias inquietações.

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Faltava penas duas horas para o sol nascer e Esperanza ainda não havia conciliado o sono. Desde que tocara na armadura de ouro, sua mente se inquietava com as visões que teve. Fora que sempre que fechava os olhos, via o rosto de Camus.

A simples visão daquele homem começava a causar reações em seu corpo, até então estranhas a ela. Calor, coração disparado... queria entender o que estava acontecendo.

Tentando acalmar sua mente, começou a caminhar pelas escadarias e seus passos a guiaram até a Casa de Virgem, onde sentiu a presença de seu guardião. Entrou no local, se guiando pelo cosmo dele e parou ao vê-lo meditando no centro de um grande salão.

—Mestre Shaka?

—Não me chame mais de mestre, Esperanza. –Shaka respondeu ainda de olhos fechados, sem alterar sua postura. –Não somos mais mestre e aluna. Agora, somos iguais. Dois cavaleiros de ouro a serviço de Atena.

Ao dizer isso, ele abriu os olhos e exibiu um sorriso sereno. A morena deu um suspiro e se aproximou.

—O que está inquietando seu espírito, Esperanza de Escorpião? –o virginiano perguntou.

—Como sabe?

—Seu cosmo está abalado, inquieto, como se houvesse uma grande tempestade dentro de você. –falou em um tom calmo. –E você nunca sai da cama tão cedo. Só pode estar com algum problema sério para sair do quarto antes das sete horas por livre vontade.

—Mestre...

—Pode falar.

Esperanza suspira e decide contar tudo ao homem que considera como um segundo pai e amigo. Ela fala das lembranças confusas, de ter visto os rostos de seus antecessores e da sensação que teve ao ter acordado nos braços de Camus, ocultando a informação de como ele mexia com suas emoções.

—O que acha que é isso tudo? –ela perguntou, fitando-o ansiosa.

—Esperanza... como posso te falar? –Shaka fecha os olhos, tentando achar as palavras certas. –Acredito que tenha tido uma visão de suas vidas passadas.

—Como assim?

—Quando eu a vi pela primeira vez, você era um bebê de apenas alguns dias de vida. –Shaka começou a explicar. –Era tão pequena e possuía um cosmo único. Algo que Atena também sentiu quando a pegou no colo pela primeira vez. Naquele dia, minha esposa e eu sabíamos que você era ... foi um grande amigo que tivemos no passado, e que morreu tão precocemente.

—Não faz sentido o que me diz.

—Desde menina, você sempre teve a certeza de que se tornaria a guardiã da Oitava Casa. –Shaka continuava a explicar. –Seus golpes, sua habilidade de luta... tudo era muito fácil para você aprender. Você seguia seus instintos e facilmente dominava técnicas que nunca havia lhe mostrado antes. Acredito que a chegada de Camus ao Santuário e as memórias da armadura de escorpião, despertaram em você essas lembranças. Mas sempre ficou óbvio que era seu destino ser novamente a pessoa a usar a armadura de ouro de Escorpião.

—Por que “com a chegada de Camus”? –ela perguntou. –Ele era tão importante assim para minha outra vida?

—Não consegue imaginar o quanto... –Shaka sorri. –Não fique angustiada, Esperanza. Eu aguardava esse momento desde que era um bebê. Eu te ajudarei a compreender melhor o que se passa com você, te ajudar com suas lembranças e em como isso pode guiar sua vida atual.

Shaka desfaz sua postura de meditação e faz um gesto para que Esperanza o acompanhe. Juntos chegam ao Jardim das Salas Gêmeas. Assim que pisa em tal local sagrado, a mente de Esperanza é invadida por novas lembranças.

Novamente o rapaz de sua visão do lado de fora daqueles portais, furioso com uma versão mais jovem de seu pai usando uma armadura escura, e então consegue identificar outros homens ao lado dele, também trajando versões diferentes das armaduras sagradas. Saga, cavaleiro de Gêmeos e... Camus. Sentiu a angústia de seu eu do passado em confrontar alguém que amava muito e achava ser um traidor.

—Esperanza?

—Desculpe, eu... é outra lembrança... –respondeu um pouco ansiosa.

—Chamarei um amigo meu. Ele saberá te orientar melhor sobre suas visões e lembranças. –disse o virginiano, tocando no ombro da jovem com ternura. –As memórias de uma outra vida são como uma caixa fechada dentro de nossas almas. E quando ela é aberta, é preciso saber vê-las e interpretá-las. E para isso, alguém irá te ajudar.

—Acha necessário?

—Pelo menos para compreender esse mistério e continuar a sua vida atual. Toda alma tenta resgatar vínculos de suas vidas passadas, Esperanza. É o que chamamos de Karma. –Esperanza concorda com um aceno de cabeça. –Faça o seguinte: vá caminhar, unir seu cosmo à natureza e descarregar todas as suas dúvidas. Quando meu amigo chegar, eu pedirei que venha nos ver. Mas... apenas se desejar.

—Sim.

Esperanza concordou. Descansar com a natureza talvez acalmasse suas inquietações.

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Na manhã seguinte, conforme foi intimado antes, Kiki comparece na Décima Terceira Casa, sendo aguardado por Camus. Assim que chegou, foi levado por uma serva até uma ampla varanda, onde uma mesa com frutas e guloseimas para o desjejum havia sido colocada. Ela pediu que Kiki sentasse e aguardasse.

O jovem cavaleiro de Áries agradeceu e olhou ao redor, imaginando o que Camus iria lhe dizer, se preparando para responder à altura se por algum acaso ele se posicionasse contra seu relacionamento com Nike. Ensaiava em pensamento às diversas respostas e reações que teria, dependendo do rumo da conversa que teriam.

Imerso em tais pensamentos, não reparou na presença de Camus, vestido de modo despojado com roupas de treinamento, que o observava com as mãos nos bolsos da calça há cinco minutos, até que limpou a garganta para anunciar sua presença ali.

—Bom dia. –Camus o cumprimentou, indicando que se sentasse com ele.

—Bom dia, senhor Camus. –Kiki sentou-se rapidamente, ligeiramente nervoso.

—Calma, não vou te colocar em um Esquife de Gelo Eterno. –disse com um meio sorriso nos lábios. –Só se merecer.

—Espero não merecer. –disse com um sorriso, que logo morreu em sua face diante da expressão séria de Camus. –O que gostaria de conversar, senhor?

—Sobre muitas coisas, mas... –serve uma xícara de chá para Kiki, que começa a beber. –Há quanto tempo tá pegando minha filha pelos cantos escuros das Doze Casas?

Kiki engasgou e cuspiu o líquido quente e, após se recompor, olhou novamente para a face séria de Camus, com o rosto rubro.

—Eu não estou pegando a Nike...

—E ontem era o quê?

—Não era o que o senhor imaginava...

—Ela passou mal e fazia os primeiros socorros nela?

—Não, eu jamais trataria a Nike de modo que a ofendesse e...

—Não gosta da minha filha? Está se divertindo com ela?

—Sim... quer dizer, eu gosto da sua filha! E não, não estou me divertindo com ela!

—Por quê? Ela não é engraçada?

—Eu... o quê?

Camus começou a rir do embaraço de Kiki, que o fitou com a cara emburrada.

—Calma! –Camus ainda ria. –Nike é bem grandinha, não sou o tipo de pai que sai atrapalhando sua vida privada.

—Não é bem isso que dizem. –Kiki murmurou e Camus ouviu.

—Como assim?

—Gasp! Er... ela me contou coisas que...

—Que coisas?

—Não sei se posso falar...

—Fala, rapaz!

—O russo que ela namorou, o senhor ameaçou congelar as partes íntimas dele se voltasse a vê-la, por exemplo. –Kiki respondeu rapidamente.

—Nike tinha quatorze anos e o Don Juan metido a cavaleiro tinha dezenove! Você sabe o que homens dessa idade querem com garotas, não é?

—Sei sim. E...

—Só fiquei chateado da minha filha não me contar que está namorando.

—Eu perguntei a Nike sobre o porquê de querer manter nosso namoro em segredo. Ela só me respondeu que o senhor é muito protetor. –Kiki comentou bebendo outro gole de chá em seguida.

—Não vou congelar suas partes íntimas. –Kiki se engasga de novo. –Acho melhor parar de beber chá até terminamos essa conversa.

—T-tudo bem.

—Só seja legal com ela, não a machuque. Só quero que a minha menina seja feliz com alguém que a ame. –Camus disse sério.

—Eu amo sua filha, senhor Camus. –Kiki disse com serenidade. –Jamais a machucaria ou a faria chorar.

—Muito bom ouvir isso. –Camus sorri. –Porque eu sei esconder um corpo.

—Oi?

Os dois homens pararam de conversar com a chegada de Nike, que colocou as mãos na cintura antes de perguntar:

—Já parou de torturar meu namorado?

—Já sim. –Camus dá um tapa nas costas de Kiki e se levanta. –Só não faça isso de novo.

—O quê? –perguntou com falsa inocência.

—Esconder coisas de mim.

—Estava tentando protegê-lo da sua tortura psicológica. –Nike sorri, retirando a máscara que cobria seu rosto e beijando a face do pai. –Desculpe, papai.

—Tudo bem. Vocês dois, se comportem. Eu vou correr um pouco. –Camus acena para Kiki antes de sair. –Lembre-se do que eu disse, rapaz!

Assim que saiu da varanda, Nike olhou para o namorado e sorriu.

—Ele falou que sabe esconder um corpo?

—Sim. –Kiki suspira e depois começa a rir. –Ele está brincando, não é? –como Nike não responde, fica sério. –Não está?

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Seguindo as sugestões de Shaka, Esperanza resolve treinar ao ar livre, próxima a um ribeirão bem longe do Santuário. Ficou um bom tempo ensaiando golpes ao socar e dar chutes no ar. Depois sentiu o calor da Grécia e decidiu se refrescar no lago antes de voltar para casa.

Olhou para os lados e não viu ninguém por perto, deduzindo que estava sozinha, começando a se despir e deixar as roupas e sua máscara sobre uma pedra, entrando em seguida nas águas frescas usando apenas suas roupas íntimas.

Alheia a tudo ao seu redor, deixou o corpo boiando tranquilamente nas águas límpidas e não percebeu que era observada por um par de olhos azuis, que não conseguiam desviar da visão do belo corpo feminino diante dele.

Camus apenas achava que seria mais uma manhã tranquila de corrida, como fez tantas vezes em sua vida. Não imaginava que desta vez iria se deparar com uma bela mulher nadando seminua no ribeirão que ficava próximo à trilha que usava.

O francês a reconheceu de imediato como sendo Esperanza, e a razão pedia que ele desviasse o olhar e se afastasse, mas seu corpo não lhe obedecia. Raramente uma mulher causava tal efeito em Camus, na verdade, a última pessoa que despertou tal reação nele foi Milo.

Movido pela impulsividade se aproximou mais, querendo ter uma visão melhor e inadvertidamente pisou em um galho, e o som alertou Esperanza da sua presença. A jovem ficou em pé, fitando assustada o homem que a espionava.

Se ela soubesse que o tecido branco da sua lingerie estaria totalmente transparente por estar molhado, exibindo com perfeição o contorno de seus mamilos entumecidos pelo frio das águas, e a visão dos pelos escuros de sua feminilidade através do tecido úmido, teria permanecido dentro do ribeirão.

Tal visão teve um efeito imediato em Camus. Sua boca ficou seca, sentia seu coração acelerar e sua masculinidade reagir, fazendo-o recuar um pouco para disfarçar o incômodo.

—D-desculpe! –foi o que Camus conseguiu balbuciar diante da cena.

Esperanza saiu rapidamente do ribeirão, na direção de suas roupas. Pensava em correr dali e ficar o mais longe possível de Camus, mas o homem venceu a distância entre eles rapidamente e a segurou pelo braço esquerdo, fazendo com que o fitasse.

—Esperanza... me desculpe. Eu não tive a intenção de te espionar.

Sabia que a tinha constrangido, mas não queria lhe dar uma ideia errada sobre sua pessoa. A jovem não respondeu nada, estava ofegante e o fitava intensamente com a boca ligeiramente aberta. Camus sempre se gabava de ser um homem racional, de não ceder mais aos seus instintos básicos, evitar conflitos que atos impensados poderiam lhe causar.

Então, ele não conseguia entender que força era aquela que o impulsionou a aproximar seus lábios dos dela, e a beijá-la suavemente. E como não encontrou resistência por parte da amazona, a puxou contra o corpo e intensificou o beijo, como se quisesse saciar uma saudade antiga que lhe sufocava a alma.

Continua...